Sessão pública de apresentação da Colectânea das Comemorações do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves | 14 Março 2023 | Casa do Alentejo

 


 

 Sessão pública de apresentação da Colectânea das Comemorações do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves, com a presença da Comissão de Honra das Comemorações, que teve lugar no dia 14 de Março de 2023, pelas 18H00, na Casa do Alentejo.

 

De acordo com a Agenda prevista, a reunião iniciou-se com uma primeira intervenção do Presidente da Direcção da ACR, Baptista Alves


 
“O trabalho que aqui trazemos hoje, traduzido em livro, foi um trabalho colectivo, genuinamente colectivo, com envolvimento de todos: órgãos sociais da ACR, Comissão de Honra das comemorações do nascimento do General Vasco Gonçalves, associados ACR e muitos amigos. Dispensa por isso mais apresentação: é o nosso trabalho, o trabalho de todos nós, com a participação artística do Designer Mário Rodrigues.
 
Executámo-lo seguindo o modelo Relatório de Actividades, procurando registar de forma cronológica o que de mais importante se produziu durante as Comemorações. Quisemos deixar registo de todas as colaborações, generosos contributos que dão bem a dimensão do sentimento e do respeito pela figura ímpar do General.
 
Só com o apoio e a generosidade das Associações que connosco quiseram percorrer este caminho, dos grupos musicais, dos escritores, dos realizadores cinematográficos e muitos outros artistas, que procurámos deixar todos identificados na colectânea, foi possível realizar com dignidade as comemorações do Centenário, enfrentando a indiferença dos órgãos de poder instituídos e o silenciamento da comunicação social dominada. Confesso que não sei dizer qual das duas mais nos envergonha: se a hipocrisia de uns se a cobardia dos demais.
 
Cremos sinceramente que este documento, para além do seu principal objectivo de ser a memória das comemorações do Centenário, dá acolhimento a um conjunto de reflexões e testemunhos presenciais indispensáveis para a compreensão da nossa história contemporânea.
 
Disso mesmo dão conta as palavras escritas a fechar este livro:

 
“Dedicamos este trabalho a toda Comissão de Honra das Comemorações do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves e a toda a família do General, com referência especial à grande Senhora que foi, sua esposa, Aida Gonçalves.
Foi um trabalho colectivo de muitos e disso quisemos dar conta também, tanto quanto a nossa capacidade nos permitiu.
É nossa convicção que este será um contributo indispensável para a construção da verdade histórica.
Naturalmente que poderíamos e, garantidamente, queríamos fazer muito mais, mas uma certeza temos: fizemos Futuro, poucochinho mas Futuro.
 
Por tudo isto, com imenso orgulho pelo trabalho realizado, aqui deixamos o nosso agradecimento ao colectivo dos Corpos Sociais da ACR, aos nossos associados e a todos quantos connosco colaboraram, pelo apoio e compreensão que nos dispensaram.

 
E, aqui deixamos também, a certeza de todos continuarmos a luta pela concretização do Monumento de homenagem ao General Vasco dos Santos Gonçalves, que Lisboa merece - por direito próprio - e Portugal engrandece.
E, também a certeza de que, mau grado aos fazedores de escolhos a todas as madrugadas, esse dia… vai nascer.
A Direcção da ACR”.


 
De seguida, o Presidente da Assembleia Geral da ACR, Manuel Begonha, deu conta das acções desenvolvidas junto da Câmara Municipal de Lisboa, com particular ênfase para as últimas tentativas para marcação duma nova intervenção em reunião pública da Câmara, por duas vezes sucessivas, sem êxito, e da recente publicação, em 10 de Março, pelo semanário Nascer do Sol de uma entrevista com o Presidente da Câmara de Lisboa, na qual foi referida a construção em Lisboa do monumento ao General Vasco Gonçalves, com as seguintes palavras:
“Não faz nenhum sentido fazer, em Lisboa, qualquer estátua ou qualquer busto de Vasco Gonçalves.”
Referindo-se ao nosso representante:
“…aquele não era um munícipe como os outros, era um munícipe que trazia a coisa preparada.”



Sob proposta da Direcção da ACR, apresentada por Beatriz Nunes, com a aprovação unânime dos membros da CH e associados presentes, foi decidido enviar ao semanário Nascer do SOL o seguinte texto:

 

A Comissão de Honra das Comemorações do Centenário do Nascimento do General Vasco dos Santos Gonçalves, na sua reunião de 14 de Março de 2023, face á entrevista com o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, publicada pelo Jornal que V.Exa. dirige, no passado dia 10 de Março, solicita, ao abrigo do direito de resposta, a publicação do seguinte texto:

  1. Na reunião pública de Câmara de 27 de Julho de 2022, o representante desta Comissão de Honra, munícipe de Lisboa, solicitou expressamente e apenas, a marcação de uma reunião com o Sr. Presidente, reunião que já vinha sendo solicitada há meses, sem êxito, por vários meios e sempre com clara identificação do objectivo para a mesma;
  2. A resposta de S.Exa consta de registo vídeo da sessão e foi a seguinte, “1psis verbis”:“Uma homenagem ao General Vasco Gonçalves que aliás já foi homenageado através da atribuição do seu nome a uma rua junto à Quinta das Conchas, já há algumas homenagens feitas também pela Câmara de Lisboa. Para nós todos à volta (desta mesa), será sempre uma honra e um gosto continuar a homenagear o Sr. General Vasco Gonçalves. Em relação à construção do monumento eu penso que trabalharemos convosco um bocadinho mais na definição do monumento….
    Continuaremos a homenagear o General Vasco Gonçalves e penso que isso é importante para a nossa democracia.”
  3. O nosso representante levava “a coisa preparada” porque a isso se obrigou, como lhe impunha naturalmente o respeito pela Câmara, expressão do poder local democrático nascido da Revolução de Abril e uma das suas mais belas conquista;
  4. E, também por mera questão de prudência para evitar qualquer troca das tintas.

Foi apresentada também, por Beatriz Nunes, uma outra proposta da Direcção da ACR, sobre a construção do monumento, que se transcreve:

PROPOSTA

Na hipótese, muito provável, de mais uma vez a Câmara de Lisboa não considerar a nossa inscrição, propomos  que se avance para o passo seguinte:

  1. Definirmos nós o local para colocação do monumento, definição indispensável para a concepção do mesmo, sugerindo-se, desde já, a Alameda D.Afonso Henriques;
  2. Contactarmos com Arquitecto António Madureira para agendar reunião, no Porto, com o Arquitecto Siza Vieira e o grupo ACR inicial, para avaliação da situação com vista ao desenvolvimento do projecto;
  3. Se houver acordo, solicitarmos a execução, em tempo útil, da proposta de monumento, em 3D, de forma a que, no 1ª de Maio deste ano, possa ser projectada em holograma, à escala natural e no local por nós escolhido;
  4. Para este último ponto necessitamos obviamente da colaboração e participação da CGTP.
  5. Marcaríamos assim a história da cidade de Lisboa com a primeira inauguração virtual, sem contudo nunca abandonar a luta pela concretização da construção do monumento que Lisboa merece e Portugal engrandece.”

 


A ideia mereceu grande apoio por parte dos presentes, manifestada em muitas intervenções e propostas para a sua concretização, que a Direcção da ACR, pela voz do seu Vice-Presidente, Modesto Navarro, se comprometeu a integrar nos desenvolvimentos posteriores tendentes ao objectivo principal que continuaremos a perseguir: A construção de um Monumento ao General Vasco dos Santos Gonçalves, na cidade de Lisboa onde nasceu.

Lançamento da Colectânea do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves pelo núcleo do Porto

Por iniciativa do nosso núcleo do Porto a Universidade Popular do Porto, no próximo dia 24 de Março, às 18 h., realiza a sessão de lançamento do livro "Coletânea do Centenário de Vasco Gonçalves". A apresentação será feita pelo Doutor Adrião Cunha. 

Trata-se de uma obra de grande valor documental, com registo de todos os actos comemorativos e textos produzidos, que permitem uma visão mais completa sobre a época em que Vasco Gonçalves foi Primeiro-ministro, e a democracia portuguesa deu os primeiros passos..

 


 

A Guerra que os Cidadãos Europeus pagam - Marques Pinto | Vogal da Direcção

A Guerra que os Cidadãos Europeus pagam
Marques Pinto | Vogal da Direcção

 

 

 

Todos os dias por essa Europa se vão manifestando muitos Cidadãos Europeus contra a manutenção de uma guerra que os atinge a todos economicamente e se vai agravando sem haver qualquer interesse das grandes potencias Mundiais com capacidade interventiva em procurar as tréguas ou no mínimo um cessar-fogo e inicio de negociações de paz que poupem tantos cidadãos de ambos os lados do conflito á perda de vida, casa e bens

 

Curiosamente com tanto jornal e cadeias televisivas a fornecerem a toda a hora imagens de destruição, não se menciona nem mostram imagens de manifestações pela paz - muitas delas com várias dezenas de milhares de manifestantes – que pelas diversas cidades Europeias da Alemanha, Itália, França, etc. e até da nossa vizinha Espanha onde se apela ao fim da guerra e da destruição de postos de trabalho e carestia de vida que nomeadamente os dos estractos sociais mais desfavorecidos vêm sofrendo há mais de um ano.

 

Por toda a Europa a inflação vai fazendo os seus estragos e mesmo em Portugal a milhares de Kilometros do conflito todos vão sentindo a carestia dos alimentos - e os altos lucros que tal tem permitido ás grandes cadeias de abastecimento e distribuição – em prejuízo directo do consumidor perante um governo que vai ameaçando com umas multazitas os distribuidores finais de alimentos.

 

Para quem queira fazer o seu próprio juízo da situação, acrescento alguns dados que fui colhendo em fontes estrangeiras de confiança:

- Em França os custos em energia aumentaram 23% ao ano

- O gás natural em 2022 foi negociado a 340 Euros por Megawatt-hora em Agosto de 2022 enquanto em 2021 estava rondando os 30 Euros por MWh

- O preço do trigo passou de 180 Euros a tonelada em 2021 para 360 Euros em finais de 2022.  Tendo em certa altura atingido mesmo os 460 Euros por Ton.

 

Na Alemanha e na Itália - dois dos países mais industrializados da Europa - com a falta de fornecimento do barato gás da Rússia tiveram de comprar o LNG (gás liquefeito) aos EUA a 4 (quatro) vezes mais caro do que os EUA fornecem dentro do país aos seus fornecedores, facto que levou o Ministro Francês da Economia a criticar e exigir que os EUA não aproveitem as sanções que lançaram para prejudicar ainda mais a economia da Europa, onde 41% do gaz consumido em 2022 veio liquefeito dos EUA.

 

 Pois por cá, alem da propaganda que se vai fazendo do envio de munições, armamento e agora até viaturas blindadas que vamos oferecer para alimentar a “fogueira” da guerra e irá permitir a curto ou médio prazo mais uns negócios de compra de material novo para substituir o que agora damos.

- Vamos vivendo na quase ignorância dos grandes negócios que os “senhores da guerra” nos vão impondo e tentando ocultar aos pacatos e obedientes cidadãos que

vão pagando e sacrificando os seus vencimentos para alimentar interesses duvidosos e estrangeiros pouco claros, como mostram os diversos pedidos de inquérito que vão surgindo no próprio Parlamento Europeu, mas tal como aconteceu com o inquérito da grande negociata da compra das vacinas para o Covid 19, tudo deve acabar escondido do publico.

VASCO GONÇALVES E A HISTÓRIA A REVOLUÇÃO DE 1383-1385 Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

VASCO GONÇALVES E A HISTÓRIA
A REVOLUÇÃO DE 1383-1385
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral


Ao contrário do que muita gente pretende fazer crer, o General Vasco Gonçalves, era um homem culto, tranquilo, inteligente e organizado.
Das suas múltiplas leituras, privilegiada a história das ideologias, a filosofia política e a história, especialmente a de Portugal, que estudou profundamente, alicerçado no seu espírito matemático de engenheiro militar que era.
Como um homem transformador, com uma ideia de inovação para o nosso país, adaptava-se bem ao que Philip Roth escreveu: "foi o homem que decide forjar um destino histórico diferente, que resolve arrombar o ferrolho histórico e o arromba, que consegue modificar brilhantemente a sua sorte pessoal."
Neste âmbito, Vasco Gonçalves publicou em 11de Dezembro de 1983, o ensaio "A revolução de 1383-1385", com 33 páginas, num suplemento do jornal "O Diário." 
Descreve os acontecimentos que levaram D. João, Mestre de Avis, a tornar-se o líder da facção adversária à ligação de Portugal a Castela. Foi coroado rei de Portugal em 1385 como D. João I, com o cognome de O Boa Memória, após afastar a rainha e o conde Andeiro.
Com o apoio de Nuno Álvares Pereira, o Condestável, organiza a resistência e um exército que faz frente ao rei de Castela, cujas forças são definitivamente derrotadas na batalha de Aljubarrota.
Deste ensaio, retirei os seguintes excertos :

" A causa imediata da Revolução burguesa é a tentativa por parte da nobreza de entregar o Governo de Portugal à monarquia castelhana. A revolução toma desde logo um carácter nacional, social e popular. A insurreição de Lisboa é secundada por revoltas populares por todo o país ( sobretudo a Sul do Tejo) da burguesia rural, dos camponeses, dos assalariados rurais, dos "ventres ao sol". 
A luta pela independência nacional funde-se com a luta contra os privilégios da nobreza e pelo poder político, pois a classe dominante á qual era disputado este poder político era a mesma que, para conservar as suas posições, havia provocado a intervenção da nobreza de Castela contra os interesses populares e estava disposta a entregar o Governo de Portugal à monarquia castelhana. 
A revolução burguesa identifica-se, assim com a luta pela independência nacional. 
A revolução tem um nítido carácter de classe. Dois campos se afrontam:
O da nobreza territorial latifundiária e o das classes não senhoriais : a burguesia urbana e rural, os mesteirais, os pequenos proprietários camponeses, os camponeses sem terra, nesse momento unidos contra o mesmo inimigo, a nobreza portuguesa e castelhana, ultrapassando assim as próprias e naturais contradições de interesses que havia entre essas classes sociais não senhoriais. Foram estas forças que se defrontaram em Aljubarrota ". 
É mais adiante :
" A história mostra que não pode formar-se uma nação com uma comunidade de indivíduos que vivem no mesmo território e que, para além de relações económicas estáveis, estão ligados por uma língua comum e pelas particularidades da mentalidade, da cultura, do modo de vida, fixadas nos seus usos, costumes e tradições, sem que, na sua raiz, estejam classes produtivas directas e as demais classes populares. 
Os interesses destas classes, nos graves momentos de crise nacional, identificam-se com os interesses da Pátria. 
O mesmo não acontece quando as classes privilegiadas em determinadas condições históricas, para defenderem os seus interesses e as suas posições frente à acção revolucionária das massas populares, elas sacrificam o sentimento patriótico, são capazes de comprometer a independência do seu país, em troca de auxílio estrangeiro para se manterem no poder. 
Na tão grave situação de 1383-1385 o sentimento nacional, a solidariedade activa entre as mais largas camadas dos portugueses foi reforçada, mas este facto foi devido à luta de classes, não privilegiadas contra a nobreza feudal ". 

Assim Vasco Gonçalves, sabendo que quando não se resgata do silêncio a memória histórica, se está condenado a sucumbir, prossegue :

" Pelo seu carácter nacional e social a guerra de Portugal contra Castela foi uma guerra justa. Ela foi uma guerra conduzida pelo povo em defesa da liberdade e do progresso social ( a opressão e exploração senhoriais entravavam o desenvolvimento económico e social), em defesa da independência nacional contra o domínio estrangeiro. Este era o conteúdo político da guerra. Ele resultava do carácter de classe da guerra, das razões pelas quais eclodiu, das classes que a faziam e das condições históricas e histórico - económicas que a provocaram. 
O conteúdo político da guerra determina o seu papel histórico na vida da sociedade. 
O papel histórico da guerra contra Castela e contra a nobreza feudal de Portugal foi progressista. 
A vitória da burguesia permitiu :
- o fortalecimento do poder político do país 
- o fortalecimento do poder político e económico da burguesia que conduzirá ao desenvolvimento da navegação e à gesta dos descobrimentos ". 

Para finalizar esta recolha, voltamos a Vasco Gonçalves. 

" A classe dominante de hoje, a burguesia monopolista e latifundiária foi profundamente abalada, no seu poder económico e político, depois do 25 de Abril pelas conquistas democráticas alcançadas pelo Povo português. 
A política de restauração capitalista, de restauração dos privilégios da grande burguesia, conduzida pelos sucessivos governos constitucionais, tem sido uma política de subordinação, dia a dia mais grave, da política e da economia portuguesas ao grande capital internacional, á banca internacional privada, às empresas transnacionais, à CEE, à política diplomática e militar dos EUA e da NATO, etc. 
Que significado tem esta política? 
A grande burguesia procura no estrangeiro o apoio de que necessita para se manter no Poder, para restabelecer os seus antigos privilégios. Mas o apoio que procura e obtém junto dos meios imperialistas e da grande burguesia internacional faz correr graves riscos á capacidade dos portugueses decidirem da sua própria vida, do seu próprio presente e futuro. 
Como a nobreza portuguesa em 1383-1385, a grande burguesia monopolista dos nossos dias não hesita em comprometer a independência nacional à restauração, conservação e reforço dos seus interesses de classe, que são o seu enriquecimento e o seu domínio da sociedade portuguesa, tendo por base a opressão e a exploração das mais amplas camadas do nosso povo, ou seja, das camadas não monopolistas. 
Hoje, são a classe operária os trabalhadores, as camadas não monopolistas da nossa população os legítimos herdeiros da tradição patriótica dos burgueses, dos mesteirais, dos camponeses sem terra, dos assalariados que lutaram pela independência da nossa Pátria contra a classe dominante do seu Tempo, a nobreza de Portugal e Castela, e venceram ". 

A leitura destes excertos permite-me reafirmar que preservar a experiência, é uma forma segura de construir o futuro. Por vezes a história bem interpretada, pode revelar ideias que voltam a aparecer intactas, ou seja, ficamos a conhecer melhor o que nos oculta o passado. Mas por outro lado, há situações que parecem incontestáveis e que no futuro se transformam em enganadoras quimeras. 
D. João l ficou na história de Portugal como um libertador dos mais oprimidos, tal como o General Vasco Gonçalves ficará, enquanto que o pó dos seus detractores será varrido pelos ventos do olvido. 



 

PORTUGAL UM PAÍS EM EQUILÍBRIO INSTÁVEL | Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

PORTUGAL UM PAÍS EM EQUILÍBRIO INSTÁVEL
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

É penalizador, desmoralizador e por vezes até motivo para vergonha nacional, assistir a que um país como o nosso que embora pequeno, tenha vindo a ser ultrapassado em índices de desenvolvimento e relevância por outros países europeus  de dimensão aproximada.
No entanto, Portugal é um país com consideráveis potencialidades humanas, minerais e hídricas, dispondo ainda do " grande mar oceano", com uma Zona Económica Exclusiva (ZEE), de cerca de 1.7 milhões de km2 (quadrados) muito mal explorada.
Mas este fado português de sermos um país pobre, lamentavelmente, não é apenas um exclusivo do nosso tempo, pois sempre funcionamos como entreposto, fomos maus comerciantes ,incapazes de fixar a riqueza proveniente das colónias, as celebradas especiarias, o ouro, a madeira e o comércio de escravos.
Assim, proporcionamos a outros povos mais organizados e diligentes a oportunidade de enriquecer e desenvolver um valioso património, como a Flandres, a Inglaterra, a França, os Países Baixos e outros.
Para nós, pouco restou em património quer seja cultural, científico, monumental ou industrial.

Nos nossos dias, resta-nos a euforia e a esperança trazidas pelos 4 governos provisórios presididos por Vasco Gonçalves, os únicos que tiveram uma perspectiva intrínsecamente patriótica e dirigida para o bem estar do povo, aos quais ficámos a dever as Conquistas da Revolução, na maioria transpostas para a Constituição da República que continua a ser a lei fundamental do país que todos temos o dever de defender intransigentemente. 
É de todos conhecido que os governos Constitucionais nem sempre se têm mostrado empenhados em a cumprir. 
Para entender as razões que têm levado à nossa inexorável decadência, considero existirem quatro motivos fundamentais :

- Dirigentes pouco competentes 

Não têm mostrado ter a noção do que é o serviço público, tendo muitos deles privilegiado os seus interesses ou os do seu partido, em vez de se preocuparem em melhorar as condições sociais do povo. 
Governam à vista, sem um plano que defina as grandes linhas orientadoras para o desenvolvimento do país. 
Também não têm compreendido o que é a independência nacional, deixando as tomadas de decisão cada vez mais aos ditames dos grupos financeiros internacionais. 
E não é dispiciendo que tenham permitido que o Direito da UE se sobreponha ao Direito português. 
Finalmente verificamos que quando perante ajudas da UE, têm sido incapazes de cumprir os objectivos e programas com os quais se comprometeram. 

- Falta de cultura empresarial 

É conhecida a máxima que temos patrões mas não empresários. 
Tal fica a dever-se, à impreparação de muitos deles, à falta de ambição, espírito inovador e à incapacidade de reconhecer a oportunidade do investimento e à intolerância que os leva a não conseguir aumentar a produtividade dos trabalhadores por não lhes atribuirem salários justos e incentivos que por vezes são tão importantes como estes. 

- Incapacidade de educar e fixar a juventude 

A juventude não tem usufruído de condições para ter um emprego digno, com salários não aviltantes, o que a impede de constituir família, ficando sujeita à humilhação de sobrecarregar os pais. 
Por outro lado, a educação proporcionada não está orientada para o mercado de trabalho, faltando cursos de formação profissional. 
E a qualidade do ensino, também é afectada pela falta de professores qualificados e motivados, porque é uma carreira pouco atractiva, mal remunerada e incorrectamente estruturada. 
É do interesse nacional, criar condições para garantir professores à nossa juventude. 
Com tantas situações adversas, estamos a abrir as portas para a emigração não apenas dos melhores, mas de tantos jovens indispensáveis ao enriquecimento do país. 

- Justiça pouco eficaz 

A justiça funciona mal, é lenta, por vezes inadequada, tendo-se mostrado vulnerável a pressões e jogos partidários. 
Vem demonstrando incapacidade de combater eficazmente a corrupção, que é uma praga que vem minando todo o tecido político, económico e social português. 

E assim continuaremos de olhos no chão, emigrantes, com o povo sujeito a enormes desigualdades, gritantes injustiças, pobre, triste e conformado, à espera que a solução resida numa mirifica extrema direita. 



 

A cavalo dado não se olha aos dentes

A  cavalo dado não se olha aos dentes
Marques Pinto | Vogal da Direcção


 

Nas ultimas semanas todos os meios noticiosos nos vão informando quase hora a hora da grande alteração nas operações militares que deverão decorrer na sacrificada terra da Ucrania, quando chegarem os “novos” meios de combate terrestre vulgarmente conhecidos por “tanks” na gíria militar e por carros de combate entre os leitores civis.

 

Independentemente das muitas e variadas opiniões e esclarecidos conceitos expressos pelos analistas (agora também apelidados de geoestrategas) e de todas e possíveis cambiantes que tais modernos meios venham a provocar, eu creio que uma certeza todos temos: Será sempre o contribuinte europeu que irá suportar o encargo de pagar a substituição de toda esta parafernália de guerra que se está a disponibilizar para continuar uma guerra  - ou operação militar especial – consoante o prisma com que se observe.

 

Claro que como diz o velho ditado que “a cavalo dado não se olha aos dentes”,  a Ucrânia vai receber alguns “chassos” dos países mais pobres que mesmo que quisessem não terão em estado de verdadeira prontidão e operacionalidade alguns senão muitos dos tanques que vão doar

 

Se hoje os ministros e ministras da defesa  -ou não será mais próprio  e adequado utilizar a antiga designação de “ministro(a) da guerra” – ainda não vieram a publico “exigir” a rápida substituição das carcaças  de ferro (agora rapidamente oferecidas) por novos meios mais bonitos e eficientes que os países da EU não poderão prescindir na eventualidade de uma próxima guerra que a OTAN ou NATO irá lançar na Europa, na Asia, na América do Sul ou em Africa, e que de certeza irão ser encomendados aos pobres e sacrificados fabricantes dos EUA que embora agora não tenham falta de compradores, sempre se disponibilizaram para acudir ás necessidades dos Europeus que pagarão a bem da manutenção da Democracia nos seus países.

 

Como a preço de saldo meia dúzia desses novos carros blindados devidamente equipados custará cerca de MIL MILHÔES, preparemos o reequipamento do nosso Exército e da nossa Arma de Cavalaria e nada de se queixarem por não haver dinheiro para aumentos salariais que a Defesa da Pátria não se discute.


Imaginemos

IMAGINEMOS...
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

Imaginemos que uma grande potência que continua a deter a hegemonia mundial, os EUA, apoiada ou não, pelo seu braço armado, a NATO, verifica que um qualquer país, pretende sair da sua órbita de influência, ou passar a ser governado de uma forma não da sua ideologia ou interesse.
Ao longo dos séculos 20 e 21, ocorreram centenas de exemplos do que lhe sucederia:

- Ser invadido e normalmente massivamente bombardeado, como a Coreia, o Vietname, Laos, Camboja, Iraque, Sérvia, Síria, Granada, Afeganistão, etc.

- Serem-lhe criadas as condições para provocar um golpe de estado, mais ou menos sangrento como se verificou na Indonésia, Chile, Brasil, Argentina, Portugal, etc.

- Passar a sofrer um embargo como em Cuba e Venezuela.

Imaginemos que por exemplo, a Rússia ou a China, instalassem centenas de bases militares nos países vizinhos dos EUA, como o Canadá, o México, Cuba, Jamaica, Nicarágua e outros países da América Central, á semelhança do que levaram a cabo os norte-americanos que têm mais do que 400 instalações militares a cercarem a Rússia e a China.

Imaginemos finalmente que o território onde está sediada a base naval estadounidense de Guantanamo em Cuba, fosse periodicamente bombardeado pelo exército cubano.

Nos casos relatados, a prestimosa comunicação social dos países ocidentais, pouco se preocupou com as gritantes violações do direito internacional.
Mas como o passado existe, precisando de ser permanentemente recordado na memória dos homens, recuperemos o que se passou na chamada crise dos mísseis, sucedida em Cuba de 16 a 28 de Outubro de 1962 que certamente responderá ao que nos foi solicitado imaginar.
A Rússia resolveu instalar mísseis balísticos naquele país.
John Kennedy ameaçou Nikita Khrushchev que se não retirasse de imediato os mísseis, os EUA desencadeariam uma guerra nuclear em grande escala.
Todos os acordos em disputa foram então alcançados.

Quanto aos embargos atrás mencionados, que continuam a provocar um enorme sofrimento aos países afectados, é bom recordar que na Assembleia Geral da ONU de 4 de Novembro de 2022, pelo 30º ano, o embargo económico a Cuba foi condenado por esmagadora maioria, com 185 dos estados membros a pronunciarem-se contra o isolamento da nação caribenha, com os votos desfavoráveis dos EUA e Israel e a abstenção do Brasil e Ucrânia.

Na grande política internacional, as potências como a Rússia e os EUA, traçam linhas vermelhas que não toleram ver ultrapassadas, a bem da harmonia e paz no mundo.
Seria bom que não se entrasse na via da provocação que é um processo chave para o equilíbrio da ordem internacional.

A IRRESPONSABILIDADE

 

A IRRESPONSABILIDADE

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
Lisboa, 22 de Janeiro de 2023


Jens Stoltenberg, Secretário Geral da NATO, afirmou :
 

"As armas são de o caminho para a paz".

 

Para este senhor da guerra, as acções falham a prova do rigor porque omitem a realidade dos campos de batalha que destinam ao homem a fatalidade inevitável de morrer e quase tornam heróica a capacidade de viver.
É evidente que Stoltenberg, não é pai de nenhum jovem militar ucraniano ou russo, nem terá de informar da morte em combate destes meninos às suas mães.
Quantos mais russos e ucranianos será necessário morrerem para que evocando a sua condição de diplomata este secretário geral, envidasse todos os esforços, para sentar os litigantes à mesa das negociações e procurar sim, o caminho da paz, com honra para todas as partes.
Tal como se está a verificar, com sucessivos fornecimentos de armamento, obriga-se os ucranianos a lutar até ao fim e a chegar a um estado, em que o somatório das mortes tornará irrealista a negociação, porque a Ucrânia será transformada num estado fantasmagórico submerso nos escombros. 
Políticos desta natureza que encomendam a guerra, sentados às secretárias dos seus confortáveis gabinetes, longe do cheiro da morte e da poeira das ruínas, levam-me a terminar como escreveu Fernando Pessoa :
"O mundo conduz-se por mentiras ; quem quiser despertá- lo ou conduzi-lo terá de mentir delirantemente, e fá-lo com tanto mais êxito quanto mais mentir a si mesmo e se compenetrar da verdade da mentira que criou". 

 
Queremos viver num mundo em paz, longe da guerra, dizendo sim á vida.

A defesa da Paz: urgência do nosso tempo. | Baptista Alves - Presidente da Direcção

Divulgamos a intervenção que Baptista Alves, na qualidade de presidente da Assembleia Geral do CPPC fez na iniciativa promovida por este organismo e realizada em 12 de Janeiro de 2023 na sede da Fundação José Saramago.

  

A defesa da Paz: urgência do nosso tempo.

 

O percurso da humanidade, desde sempre e em todos os lugares, tem sido marcado pelo sistemático recurso ao uso da força na resolução dos conflitos de interesses entre os diferentes grupos, sejam eles tribos, nações ou comunidades de nações.

Séculos de vivências vêm demonstrando quão difícil e penoso tem sido este caminho, a que, um acelerado e vertiginoso desenvolvimento tecnológico, tem acrescido capacidades quase ilimitadas de destruição e de morte.

 

Deixemos para trás os tempos em que os diferendos entre Estados Soberanos eram resolvidos pelo uso da força sem limites, a força militar como instrumento da política, ou a política por outros meios ( Clausewitz) e fixemo-nos nos tempos modernos que liminarmente, pelo menos na teoria, rejeitam este princípio.

 

No século XX, dois grandes conflitos mundiais trouxeram à luz do dia tudo quanto de mais irracional a inteligência humana é capaz de imaginar:

A I Guerra Mundial, iniciada em 28 de Julho de 1914, na sequência do assassinato do Arquiduque Francisco Fernando da Áustria, desencadeia-se num momento histórico que regista um forte crescimento do potencial económico e militar das potências imperialistas, em consequência da revolução industrial, com particular relevância na Alemanha.

A disputa por mercados, território e fontes de matérias primas, vai abater-se sobre as colónias de outros países. Portugal entra nesta Guerra por esta mesma razão, ou seja, a defesa do seu império colonial.

A I Guerra Mundial termina em 11 de Novembro de 1918,com a vitória dos aliados e um total de mais de 10 milhões de mortos. Portugal registou 10mil mortos e milhares de feridos.

 

A SOCIEDADE DAS NAÇÕES

 

Para prevenir a repetição duma catástrofe de dimensões tão aterradoras, foi estabelecida em Junho de 1919, aquando da elaboração do Tratado de Versalhes, a Sociedade das Nações (SDN), também conhecida por Liga das Nações.

Constituiu-se como uma primeira tentativa de dotar a sociedade internacional de um mecanismo de segurança coletiva, diminuir os horrores da guerra e encorajar a procura de soluções pacíficas para os problemas e conflitos entre as nações.

 

Limitar o uso da guerra à defesa nacional e à execução de obrigações internacionais impostas por uma causa comum e pugnar pela redução dos armamentos nacionais são dois dos principais objectivos marcantes do Pacto da Sociedade das Nações, que naturalmente incluía também um conjunto outro de regras tendentes á redução dos horrores da guerra e às indemnizações decorrentes da destruição provocada pelos agressores vencidos.

 

 A sua vigência foi curta e acidentada, não tendo conseguido prevenir o deflagrar de um novo conflito mundial em 1939, apenas 20 anos depois.

 

A II Guerra Mundial, inicia-se em 1 de Setembro de 1939, sendo necessário ir um pouco atrás para tentar identificar as razões que levaram ao conflito.

Desde logo a crise que se iniciou nos EUA, em Outubro de 1929, por uma crise da Bolsa e que assumiu rapidamente um carácter mundial e, muito particularmente, porque às potências que saíram derrotadas da I Grande Guerra, como a Alemanha- ou que não beneficiaram da vitória, como a Itália e o Japão- potentados industriais e financeiros, estavam interessados num novo conflito que, por um lado, lhes proporcionasse uma nova partilha de territórios, mercados e fontes de matérias primas e, por outro lado, lhes permitisse o esmagamento das reivindicações operárias e populares que a vaga revolucionária no pós I Grande Guerra e o seu mais saliente resultado, a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia, animavam.

                     

A II Guerra Mundial, foi o mais brutal e sangrento conflito que a Humanidade já conheceu: nos campos de batalha, nas prisões e campos de concentração e extermínio em massa, sob os bombardeamentos ou de fome e doença, nas cidades e vilas arrasadas, morreram cerca de 60 milhões de pessoas e muitas outras ficaram feridas, estropiadas e traumatizadas.

Milhares de localidades foram destruídas e a economia e património cultural dos países envolvidos sofreram danos incalculáveis.

 

Nunca será demais lembrar, o maior pesadelo da Humanidade, o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroshima, em 06 de Agosto de 1945 e Nagasaki, três dias depois, em 09 de Agosto.

 

A cidade de Hiroshima, com cerca de 350.000 habitantes, ficou quase totalmente destruída (90%).De imediato morreram 80.000 pessoas e, nos três dias seguintes, mais 40.000 pessoas, a que se acrescentaram efeitos terríveis das radiações na saúde dos sobreviventes.

Nagasaki, cidade com 263.000 habitantes, foi igualmente destruída. De imediato morreram 40.000 pessoas e, nos três dias seguintes mais 80.000 pessoas. Os efeitos dos bombardeamentos nucleares prolongaram-se pelas décadas fora, até aos dias de hoje, com doenças do foro oncológico, malformações e outras dramáticas consequências.

 

A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

                        

Face a toda esta imensa tragédia, em Outubro de 1945 é constituída a Organização das Nações Unidas (ONU), criada com o objectivo de prevenir outro conflito internacional. Integrada inicialmente por 53 países, tem actualmente 193 membros efectivos. A manutenção da paz, a solução pacífica dos conflitos, a igualdade entre nações, sejam elas grandes ou pequenas, e a promoção do progresso social tornam-se elementos centrais das relações entre países.

 

Na Carta das Nações Unidas, pode ler-se:

 

 “Nós, os povos das Nações Unidas decididos

A preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade;

A reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas;

A estabelecer as condições necessárias à manutenção da justiça e do respeito das obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional;

A promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de um conceito mais amplo de liberdade; e para tais fins

A praticar a tolerância e a viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos;

A unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais;  

A garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada, a não ser no interesse comum;

A empregar mecanismos internacionais para promover o progresso económico e social de todos os povos;

….”

Nos anos que se seguem o Mundo conhece alterações profundas.

 

Um forte movimento libertador, impulsionado pelas forças antifascistas, democráticas e patrióticas em cada um dos países, desenvolve-se e conquista posições importantes ao nível dos direitos laborais e liberdades democráticas e ao nível dos direitos universais à saúde, à educação e à protecção social. Nas colónias e nos países dependentes travam-se lutas de libertação nacional.

 

Mas cedo também se esqueceram os princípios da Carta.

 

A GUERRA FRIA

                                 

Sustentados no poderio económico com que saíram do conflito e no monopólio da arma atómica, os EUA (juntamente com a Grã Bretanha) rompem a grande aliança vencedora da II Grande Guerra e reforçam a sua presença militar na Europa e no Oriente.

A contenção do comunismo e o combate à União Soviética são o pretexto para a corrida aos armamentos e a proliferação de bases militares avançadas.

Em 1949, é constituída a Organização do tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO).

 

É perante esta realidade, que cidadãos de todo o Mundo, tendo à cabeça alguns dos maiores vultos da ciência, das artes e da cultura, daquele tempo, onde podemos situar nomes como Frédéric e Irene Joliot-Curie, Pablo Picasso, Pablo Neruda, Jorge Amado e os portugueses Fernando Lopes Graça, Maria Lamas e Alves Redol, se unem na criação duma consciência colectiva de luta em defesa da Paz e participam, nos anos de 1949 e 1950, na criação do Conselho Mundial da Paz.

Em 18 de Março de 1950, mais de 300milhões de pessoas em todo o Mundo assinaram o apelo de Estocolmo contra as armas nucleares, lançado pelo renomeado cientista Frederic Joliot- Curie e pelo Movimento Mundial pela Paz.

A guerra da Coreia, teve início em 25 de Junho de 1950

A guerra do Vietnam, em 30 de Abril de 1955

 

Em 14 de Maio de 1955, é criado o Pacto de Varsóvia, aliança militar entre a união Soviética e outros países do leste europeu.

 

A procura do equilíbrio militar e estratégico entre os dois blocos, conduziu a uma desenfreada corrida aos armamentos e um enorme desenvolvimento das armas nucleares e dos vectores capazes de as transportarem, procurando, cada um por sua vez, sobrepor-se ao outro.

 

Em 1962, o Mundo, pela primeira vez, ficou à beira de uma confrontação nuclear entre os EUA e a União Soviética, em consequência da tentativa de instalação em Cuba, por parte da União Soviética, de sistemas de lançamento de mísseis balísticos, em resposta à instalação por parte dos EUA do mesmo tipo de armamento na Turquia e em Itália.

 

Funcionou a dissuasão mútua. O Mundo respirou de alívio.

 

Entretanto perante a evidência de que a dimensão dos arsenais disponíveis era excessiva, as potências militares dominantes procuraram estabelecer acordos para a sua redução, em número, aliviando assim também os respectivos orçamentos.

 

Em 1968, é assinado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNT), envolvendo os 5 países que as possuíam, na altura (EUA, URSS, RU, França e China)

Preconizava-se então também o desarmamento nuclear, universal, geral e completo.

 

É o tempo do,

 

DESANUVEAMENTO

                       

Em 1975 é assinada em Helsínquia, pelos governos de 35 países (entre os quais os EUA e URSS), a Acta Final da Conferência sobre a Segurança e Cooperação na Europa. A igualdade soberana entre países, a abstenção do recurso à ameaça ou uso da força, a inviolabilidade das fronteiras e o respeito pela integridade territorial dos estados, a não intervenção nos assuntos internos e a resolução de controvérsias por meios pacíficos foram princípios acordados, que permanecem como o mais sólido caminho para o futuro da humanidade.

 

O Fim da “Guerra Fria”, marca o início de um novo período.

 

Ao invés do que seria expectável, um avanço no caminho da Paz, os vencedores da “Guerra Fria”, consideram estarem criadas as condições para se lançarem à conquista do Mundo e, de forma programada e determinada, estendem o seu poderio, agora sem adversário, vencendo a resistência daqueles que não se submetem aos seus interesses, fomentando e armando golpes de Estado e revoluções ditas “coloridas” e/ou através da agressão militar directa.

 

Foi assim:

-Desmantelamento da Jugoslávia de 1992 a 1995-

-Bombardeamento da Sérvia em 1999

-Afeganistão em 2001

-Iraque, em 2003

-Líbia, em 2011.

 

Entretanto o Mundo foi mudando, a Federação Russa recupera do abalo sofrido com a dissolução da URSS e emergem outros polos de poder económico e militar dispostos a disputar a hegemonia do poder global único.

 

A guerra na Síria é provavelmente o primeiro sintoma dessa mudança.

 

E, chegamos à guerra na Ucrânia, processo que começou com um golpe de Estado violento, em Fevereiro de 2014, por forças nas quais se incluíam os neonazis, apoiadas pelos EUA e pela UE, contra o presidente eleito da Ucrânia.

Em consequência, em Março de 2014, na Crimeia os separatistas pró-russos tomam o poder, apoiados por forças da Federação Russa, declaram a independência e, após referendo, a integração na Federação Russa.

A pretexto a NATO reforça o seu dispositivo na zona do Mar Negro.

No leste e sul da Ucrânia a disputa com os separatistas pró-russos foi objecto de acordo, constante do denominado “Protocolo Minsk”, assinado, em 5 de Setembro de 2014, pela Ucrânia, Rússia, República Popular de Donetsk e República Popular de LugansK, sob os auspícios da OSCE (Organização de Segurança e Cooperação Europeia). Este acordo, no essencial, impunha o cessar-fogo e garantia a concretização da autonomia das duas repúblicas integradas na Ucrânia.

O não cumprimento dos acordos, a continuação dos combates e a concentração de forças da Ucrânia na linha de confrontação indiciando intenções de resolução do conflito por meios militares, a acrescer às proclamadas intenções da Ucrânia em aderir à NATO, são os argumentos para a declaração da independência das duas repúblicas, de imediato reconhecidas pela Federação Russa e após referendo integradas na própria Federação.

 

Em Fevereiro de 2022, o exército russo dá início à denominada operação militar especial que no terreno vai assumindo dia após dia as proporções de uma confrontação directa com o exército ucraniano, apoiado este pelos EUA e seus aliados da NATO.

 

Parece ser hoje claro, que este conflito se insere numa estratégia bem mais ampla, orquestrada do outro lado do Atlântico, com objectivos bem definidos:

-enfraquecer a Federação Russa como primeiro passo para apontar a Pequim e esmagar o “milagre económico chinês”;

-reforçar a dependência económica e militar da União Europeia em relação aos EUA, acabando de vez com qualquer pretensão a uma voz autónoma no concerto das grandes nações;

-recuperar a supremacia militar mundial, abalada pela concorrência das potências emergentes dispostas a libertarem-se do abraço de ferro a que têm estado submetidas;

-manter e reforçar o domínio do comércio internacional, do sistema financeiro baseado no dólar e de todas as “ferramentas” tecnológicas que utilizam para continuar a sugar a riqueza dos outros povos e evitar assim o previsível colapso da sua própria economia.

A confirmar-se esta análise, a questão que se coloca é a de sabermos para onde estamos a caminhar.

A Federação Russa é uma potência nuclear, com um potencial de destruição equivalente ao dos EUA. Ambos os lados sabem que hipóteses têm de sobreviver a um confronto total. Nenhumas!

 

Afastada esta hipótese absurda, ainda que assustadoramente real, que Mundo nascerá pós este conflito que nenhum dos lados pode perder?

 

-Uma II edição da Guerra Fria?

Como se posicionarão, nesta hipótese, as diferentes potências mundiais e em particular as emergentes, algumas com problemas territoriais ainda não totalmente resolvidos e todas ávidas também de matérias primas e mercados?

-Uma nova ordem Mundial, assente na multipolaridade e no respeito pelo Direito Internacional?

 

A primeira hipótese, uma II Guerra Fria, poderá estar à vista, o que, a confirmar-se, nos fará viver uma nova era de equilíbrio do terror.

Para a segunda hipótese, Uma Nova Ordem Mundial, há ainda algum caminho a percorrer mas, a meu ver, é a única que poderá conduzir-nos a uma verdadeira PAZ Mundial, no respeito pelo Direito Internacional, construído sobre as grandes catástrofes do século XX.

 

A utopia, se ao serviço da Humanidade, é sempre benvinda, indesejável é a aceitação, por parte dos mais fortes, dos princípios para aplicação aos outros reservando para si próprios o direito de os não cumprir, ou de os interpretar em função dos seus interesses. Este é provavelmente o caminho que falta percorrer.

 

A urgência deste nosso tempo, para que outro possa existir, é a intransigência na defesa da PAZ.


O Jornal Público, em 3 de Dezembro de 2022, publica matéria caluniosa

 

Divulgamos mail que o presidente da Assembleia Geral enviou ao 
JORNAL PUBLICO
uma vez que a matéria trata de uma calúnia maliciosa e que reflecte bem o despudor com que se utiliza a nossa comunicação social. 

OS 12 TRABALHOS DE HÉRCULES E O GOVERNO DO PRESIDENTE LULA DA SILVA

OS 12 TRABALHOS DE HÉRCULES
E O
GOVERNO DO PRESIDENTE LULA DA SILVA

 

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

Hércules herói mitológico, conseguiu efectuar 12 trabalhos quase impossíveis, porque era um Deus e detentor de uma força sobrenatural.
Lula da Silva é um simples homem e já idoso que para levar a cabo o seu programa, irá enfrentar um conjunto de trabalhos igualmente extremamente difíceis, dos quais tentarei elencar os que me parecem mais decisivas.
O caminho para o sucesso, tem muito pouca margem de manobra, uma vez que o bolsonarismo destruiu muitas das bases de uma sociedade livre, próspera e democrática.

1. Ganhar a confiança do povo brasileiro, mantendo o espírito da frente ampla que o elegeu.
2. Erradicar a fome, a pobreza extrema e a desigualdade social.
3. Recuperar a cultura e as tradições do país.
4. Revitalizar a MERCOSUL e a CELAC e reforçar o investimento nos BRICS.
5. Reformar e normalizar as Forças Armadas, contempladas com elevados salários, inúmeras regalias e habituadas a ter acesso a cargos políticos e a gozar de quase total impunidade.
6. Reindustrializar o país e o tecido produtivo e reverter a privatização de empresas chave para a economia.
7. Proteger a Amazónia e os seus indígenas da devastação e outros crimes ambientais ou não, perpetrados pelos garimpeiros, madeireiros, pescadores, caçadores e detentores do agronegocio à revelia da lei. 
8. Reformular a educação que seja para todos, não omitindo os povos indígenas. 
9. Redefinir as exportações e o mercado externo e orientar os inúmeros recursos minerais, agrícolas e florestais do país para o desenvolvimento do progresso social. 
10. Controlar os abusos e influências de certas igrejas e abolir os aparelhos para militares, instalados como milícias e outros. 
11. Dirigir com sageza um governo com muitas sensibilidades políticas e defrontar um Congresso hostil e muito polarizado. 
12. Eliminar os focos do bolsonarismo que representem erupções proto- fascistas existentes. 

Este é um trabalho muito exigente, porque para desmontar o neoliberalismo, é necessário acabar com a submissão ao imperialismo e com o processo colonial capitalista. 
A história tem-nos ensinado que não é possível combater a extrema direita fascizante, sem destruir a sua base material e o respectivo sistema económico.