ABRAMOS A JANELA
Manuel Begonha
- Vivemos num mundo em convulsão, onde se desenvolvem guerras devastadoras e intermináveis, cujas consequências, inviabilizam o bem estar dos povos.
- Onde impera a desigualdade e o arbítrio.
- Onde se perpetuam os bloqueios sem qualquer justificação, como o de Cuba.
- Onde os pobres ficam submissos perante os ricos exploradores porque os tomam como modelos.
- Onde a cor da pele discrimina.
- Onde a violência é gratuita.
- Onde reina a impunidade.
- Onde a cultura é inconveniente.
- Onde a UE se comporta como um cavalo que tomou o freio nos dentes galopando numa direcção desconhecida.
- Onde se respira sob uma espada nuclear e uma crise ambiental.
Ocorre lembrar o poema
"Não basta abrir a janela"
de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), publicado no n 5 da revista Athena em Fevereiro de 1925:
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora.
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse.
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.