Opúsculo "Quem foi Vasco Gonçalves" já saiu

 

 

 

No âmbito do programa do centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves, publicamos o opúsculo "Quem foi Vasco Gonçalves" que já se encontra à venda.

Adriano Correia de Oliveira

 Adriano completaria hoje 79 anos.

Em 2017 a nossa associação prestou uma homenagem, ao nosso sócio de mérito.

Podem vê-la neste link

Homenagem a Adriano Correia de Oliveira

Viva o Brasil! Viva Lula da Silva

 

Viva o Brasil! Viva Lula da Silva

A Associação Conquistas da Revolução perante a anulação das sentenças emitidas contra Lula da Silva- remate dum episódio grotesco de proporções escandalosas que se iniciou com o afastamento da Presidente Dilma Russeff e culminou com o impedimento da candidatura de Lula da Silva à presidência do Brasil- saúda esta importante vitória das forças democráticas brasileiras e as novas esperanças num futuro melhor para o povo irmão. 

A todos os anti-fascistas brasileiros, manifestamos publicamente a nossa solidariedade com a luta pela responsabilização dos golpistas e pela reposição da justiça e legalidade democrática no Brasil.

O Brasil vencerá!

Lisboa, 11 de Março de 2021

 

 Imigração – Problema real ou Solução económica


 

 Marques Pinto
Vogal da Direcção

 

 

Tendo lido há dias um artigo que mencionava um dos primeiros despachos oficiais do recém eleito presidente dos EUA, o Sr Biden e que parece ter tido grande repercussão lá no País por tratar de legislação que poderá (?) ou poderia - se passasse no Congresso – autorizar a permanência oficialmente reconhecida de até cerca de 11 milhões de emigrantes actualmente vivendo uma semi-clandestinidade.

Mas mesmo que tal legislação não venha a ser totalmente aprovada – o que será mais provável – vai cair bem no eleitorado latino, ao qual Biden deve a cima de tudo a sua vitória.


Aproveitando a presença dum meu familiar com longa permanência quer no Canadá quer nos EUA, tentei perceber como era possível existir um tão elevado numero de clandestinos num país onde – pelo menos nos últimos 4 anos tinha havido uma perseguição e legislação tendente a impedir a entrada de imigrantes com construção de uns milhares de kilometros de muro-barreira na fronteira Mexicana e o reforço de quase 3 vezes o numero de guardas-fronteiras (1) etc, etc..


Tive então a percepção do que é a realidade ou pelo menos têm sido, nos últimos anos dos diversos governos presidenciais quer republicanos quer democratas, as regras de contenção/manutenção duma política de tolerância versus aproveitamento dos emigrantes que na sua quase totalidade provêm do México mas largas centenas de milhares são de outros países da América Latina.


Fiquei a saber que estes imigrantes (na sua maioria em estado de clandestinidade tolerada) são desde longa data – muitas dezenas de anos - os trabalhadores das grandes propriedades agrícolas, principalmente do sul dos EUA.

Tomei conhecimento que um número elevado deles, prestaram serviço militar nos seus países de origem em unidades militares onde tiveram militares americanos como instrutores e através dum “programa-contrato” especial puderam emigrar para a América do Norte e se cumprirem um determinado numero de anos em serviço de empresas de mercenários (2), ou missões militares em unidades regulares, desde que dominem a língua inglesa, e a falem quando estão no estrangeiro, com bom comportamento, poderão obter um visto de residência legal.

Grande parte dos serviços de limpeza, quer em empresas, quer domésticos são executados por mulheres em situação de residência semi-legalizada por prorrogações sucessivas de estadia e que por esse motivo sujeitam-se a horários e pagamentos - não registados evidentemente - estando sempre sujeitas á discriminação de quem lhes paga, pois qualquer participação pode levar á expulsão dos EUA sem mais poder regressar.


Quando lemos e tomamos conhecimento da presença de algumas centenas de milhares cá em Portugal, vemos que felizmente a situação de muitos tem sido de integração, nomeadamente dos Brasileiros e alguns oriundos de Ex-colónias, que com a sua proverbial boa disposição e fácil domínio da língua Portuguesa se tornam em bons vendedores e com um simpático atendimento quando atrás dum balcão. 


Claro que já os imigrantes de outras origens africanas, com elevada percentagem de semianalfabetos e muitos com desconhecimento da língua, só em trabalhos mais rudes e pesados vão encontrando algum trabalho, muitas vezes temporário ou apenas de ocasião, e em grande parte sendo vitimas de uma fácil exploração pelos seus patrões ocasionais.

Na construção civil é por demais conhecido o velho truque de mandar ficar em casa os assalariados em situação menos legal sempre que há uma suspeita – ou aviso – que os fiscais vão aparecer.

Nos últimos anos vamos vendo até alguns milhares de orientais, na maioria nepaleses que se encontram a trabalhar nas grandes empresas agrícolas do nosso Alentejo,  vivendo em condições de habitabilidade quase miseráveis, e vindos de tão longe, sem nesta situação de confinamento poderem ter sequer a hipótese de regresso legal.

Analisando com um certo criticismo talvez compreendamos o que é a “escravatura” moderna, com grilhetas mais poderosas e pesadas que as antigas correntes de ferro e a que os governos fecham os olhos, não por ignorância, mas por razões de economias paralelas, compadrio ou ganância.

 

Notas

  1. Designei genericamente por guardas-fronteira o conjunto de forças policiais, forças para-militares e agentes de controlo de fronteiras que desde viaturas todo o terreno, lanchas rápidas, helicópteros, drones, pequenos aviões, etc constituem consoante os estados fronteiriços as forças com missão de controlar as fronteiras, principalmente no Sul dos EUA.

  2. Quem ler algumas obras e artigos publicados sobre as diversas empresas de segurança Americanas

verá que os “ordenados” pagos a estes ex-militares sul-americanos é cerca de 1/8 ou 1/10 do que pagam a um ex-militar americano com experiencia, mas o objectivo de conseguir um certificado de residência legal é convincente.

E porquê este Almirante ??

 E porquê este Almirante ??


Marques Pinto

Vogal da Direcção



 

Penso que todos – principalmente no meio militar -  recebemos a notícia da nomeação do Sr Almirante Gouveia e Melo, com uma certa surpresa e perplexidade para ir substituir um demissionário na função de coordenar  um projecto/missão que desde o início foi mal definido e que está a correr tão mal e com tantas deficiências.

Quero desde já deixar bem claro que não conheço pessoalmente o Sr Almirante Gouveia e Melo e do muito pouco que me foi dado conhecimento, da sua já longa carreira, em tudo e todas as missões e chefias manifestou ser um oficial de elevada capacidade e grande profissionalismo com um currículo militar absolutamente invejável.
Aliás na sua ultima colocação no Estado Maior General das Forças Armadas estava a desempenhar uma difícil missão na área de planeamento – em que este oficial era já reconhecido como um perito muito apto no meio militar - por todos considerada exemplar dadas as limitações e faltas existentes aos diversos níveis quer de pessoal quer sobretudo de meios ao dispor para acorrer á situação da pandemia que nos ataca.

Em troca de informações com quem já com ele privou e conhece do meio naval, fiquei até a saber que seria um Almirante que na Marinha seria muito bem aceite para daqui a pouco tempo render o actual Chefe do Estado Maior da Armada, pois todos os que com ele privaram lhe reconhecem qualidades e méritos para o desempenho do cargo.

Foi esta última informação acerca do militar em questão que me fez nascer uma dúvida.
Sabemos que tem sido uso e costume dos nossos políticos fazerem as escolhas e nomeações das altas chefias militares por critérios em que normalmente a competência não será prioritária, mas sim a certeza de uma garantia de subserviência  e aceitação das politicas determinadas pelo governo, quantas vezes contrárias aos programas e necessidades de operacionalidade que se pretendem manter nos meios e forças militares.
Tivemos recentemente um episódio que pelo seu ridículo e inesperado desfecho ocupou durante uns dias os meios de informação...mas que o governo havia sancionado e pago, á revelia da Marinha equipando a GNR com navios “comprados” no estrangeiro e formando “marinheiros á pressa” em Espanha e Itália.

Enfim com um Almirante de prestigio e brilhante carreira a tomar conta dos vacinandos deste pobre país, lá se poderá nomear outro mais moldável aos superiores interesses do....”governante” em exercício.

Esperemos para ver....


As Redes Sociais uma nova guerra

  AS REDES SOCIAIS UMA NOVA GUERRA

 Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 
Quando um partido de extrema direita de fachada fascista se diz anti-sistema, pouco tem para oferecer ao país.
O seu objectivo é a destruição
Destruição da Constituição da República e do Estado Social.
Ou seja , criar uma sociedade de risco, de incerteza e de imprevisibilidade.
Para simular e empolar uma capacidade de influenciar que não possui, utiliza intensamente todos os recursos das redes sociais.
Através de mentiras (fake news), meias verdades e boatos, exploram e exacerbam sentimentos de frustração, de segregação e de raiva na população.
Os objectivos a atingir são :
_ Declarar lícitas as mentiras para ocultar a inoportuna verdade.
- Transformar a política num jogo maniqueísta, tendo de um lado a direita virtuosa , respeitadora e responsável e do outro a esquerda viciosa, intolerante e gastadora.
- Conduzir o país a um violento estado de classes, protegendo o capital e menorizando o trabalho (redução das remunerações e dos apoios sociais).
- Controlar a comunicação social.
Aberta a guerra das redes sociais, torna-se necessário organizar uma rede de contra - informação credível, eficaz e rápida que desmistifique estes argumentos e alerte o nosso povo para que se possa travar esta onda de permanente desinformação.
É claro que estão a contar com a incultura e ingenuidade dos portugueses.
Julgo no entanto que se enganam.
Contudo, deveríamos gastar menos recursos e tempo a combater os embustes fascizantes e pensar mais em criar políticas destinadas a eliminar as razões da sua existência.



Eleições presidenciais 2021

 Nestas eleições, vamos eleger um cidadão cuja principal obrigação é a de " defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa", Constituição nascida da Revolução de Abril, na qual não cabem ideias xenófobas, racistas e fascistas, atentórias dos direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, das Nações Unidas, uma das maiores conquistas civilizacionais da Humanidade.

 Votar é um direito de todos, e um dever.
Para nós, é também mais um
combate na defesa intransigente das Conquistas da Revolução de Abril.

Solidariedade para com a Casa do Alentejo

 Enviamos mail de solidariedade para com a Casa do Alentejo conforme texto

À Exma Direcção


Cumpre-me em primeiro lugar cumprimentar a nova Direcção dessa prestigiada instituição e manifestar, em nome da Direcção da ACR- Associação Conquistas da Revolução, o desejo de um profícuo mandato ao serviço da causa alentejana, da cultura do nosso país e dos valores que são já orgulhosamente património da Humanidade.
Cumpre-me também informar que a Direcção da ACR, na sua reunião de 13 de Janeiro de 2021, decidiu manifestar à Casa do Alentejo a sua solidariedade com os esforços desenvolvidos para ultrapassarem a situação difícil que ora atravessamos, nunca esquecendo o acolhimento que nos foi dispensado, tão generosamente, na constituição e consolidação da nossa ACR.
Muito nos honraria, num futuro próximo quando as condições o
permitirem,  podermos renovar presencialmente este nosso apreço

Com os melhores cumprimentos

Saudações
A Direcção
José Manuel Baptista Alves

 

A “colónia” do Afeganistão e a sua “guerra de libertação”

 

Marques Pinto
Vogal da Direcção

 

Muito se tem escrito sobre a guerra de agressão dos EUA ao povo do Afeganistão -realmente deve-se chamar de Republica Islâmica do Afeganistão -  na sua longa duração de quase 20 anos o que a torna na mais duradoura de todas as guerras e/ou conflitos armados iniciadas pelos Estados Unidos desde a sua criação ou mesmo quaisquer dos conflitos internos como a sua luta contra a Inglaterra para obtenção da Independência ou a guerra civil entre os esclavagistas e os abolicionistas.

Se considerarmos que até a sua longa intervenção no Vietname após a pseudo-ajuda aos Franceses até 1954 e ao seu fim em 1975 com a sua precipitada -para não dizer vergonhosa -  fuga e abandono dos muitos “colaboradores” a quem a saída dos “protectores” criou alguns anos de tensões entre a população do Sul  - Antiga Saigão e hoje denominada Cidade de Ho-Chi-Min – e os elementos do Exercito do Vietname cuja capital era (e se mantem) em Hanói, verificamos que esse prolongado e terrível episódio de ingerência armada foi menos duradoura que a intervenção no Afeganistão

Não podemos esquecer que desde a entrada das tropas soviéticas em 1979, embora a pedido dum governo que já pouco mais controlava que um terço do território do Afeganistão, a “ajuda militar” dos EUA se manifestou com o apoio em armamento e equipamento militar desde as comunicações mais sofisticadas ao fornecimento de misseis ligeiros terra-terra e terra-ar, que os talibans tão bem souberam usar que interditavam grande parte do seu território á entrada das tropas governamentais e dos seus aliados soviéticos que tiveram de abandonar o país e saíram em 1992.

Muita gente continua a ignorar os fortes motivos que levaram os decisores políticos e militares Americanos a apoiar uma “guerrilha” num tão distante país como o Afeganistão a lutar contra o seu governo só porque este era de índole socialista e pró-comunista. Na realidade esses guerrilheiros eram há muito tempo em grande parte os habitantes do Norte e das chamadas terras altas do Afeganistão onde se produzia a melhor e mais pura heroína e que depois do abandono do Vietname e subsequente perda do controle sobre os “produtores” e fornecedores do Laos, se tornaram nos principais fornecedores do mundo Ocidental -EUA incluídos - e dos grupos de traficantes que alimentam há muitos anos os “cofres secretos” da CIA. (1)

Dizem alguns estudiosos das actividades secretas da CIA que esses valores obtidos pelo controlo e ajuda dos traficantes de droga superam o próprio orçamento oficial da Agência Governamental Americana, (2) mas que é absolutamente necessário e imprescindível para “suportar” as redes de apoio que a Agência possui em todo mundo -quer sejam países “amigos” ou não.

Na realidade o presidente Trump que pretendia mostrar em 2016 que seria um pacifista, quando prometeu a retirada das tropas Americanas  de alguns “atoleiros” viu muito maior oposição na retirada de tropas do Afeganistão do que em fazer sair uns poucos milhares do Iraque e para cumulo quando já em meados de 2020 e em pré-campanha deu ordem para a saída de algumas tropas do Afeganistão viu-se confrontado com uma votação no Senado que primeiro suspendeu e depois anulou a própria ordem de redução e saída de tropas Americanas do Afeganistão emitida pelo Presidente – The President Bill – o que revela o real poder do complexo financeiro e militar nos Estados Unidos da América.

Claro que poderemos estar certos de que com Biden a situação se manterá de acordo com os altos interesses que nos EUA controlaram, controlam e controlarão o “grupo de interesses” que gere a Casa Branca e a sua política e não podemos esquecer que Biden foi durante o governo de Obama um sempre fiel e obediente agente  desses grupos, sempre e quando necessitavam de travar Obama, ou quando pretendiam que ele apoiasse ou ordenasse intervenções agressivas como na Líbia.

São os mesmos que agora tanto o ajudaram política e financeiramente na batalha anti-Trump (e não anti Partido Republicano) para quem Biden será sempre um fiel amigo ás ordens.

 Por outro lado dada a sua situação física e mental - tanto quanto vão surgindo em algumas notícias - é bem possível que a médio prazo os EUA venham a ter uma figura feminina na Presidência.

 

Nota (1) – Para quem tenha algum interesse neste assunto sobre o qual há diversas publicações eu particularmente recomendaria de Alfred Mc Coy, o livro “The politics of Heroin in Southeast Asia”

 

Nota (2) – Sendo quase impossível confirmar os valores orçamentados realmente para este tipo de Agencias e Departamentos de Informação e Segurança  - que só nos Estados Unidos dizem ultrapassar as 23 organizações oficialmente reconhecidas e mais de 100.000 funcionários, aponto um valor lido num documento departamental dos EUA que indica 28 mil milhões de USD para os cerca de 22.000 “funcionários”  oficialmente registados como “trabalhadores” na CIA.

À JUVENTUDE PORTUGUESA NO DEALBAR DE UM ANO NOVO

 

À JUVENTUDE PORTUGUESA NO DEALBAR DE UM ANO NOVO

Manuel BegonhaPresidente da Assembleia Geral  

Bem sei que devido à nossa crónica incapacidade estrutural, não têm existido condições para vos proporcionar um primeiro emprego digno, com salários não aviltantes.

É verdade que o trabalho que vos oferecem, não tem muitas vezes qualquer relação com a formação académica que obtiveram.

Lamento que estejam sujeitos à humilhação de continuarem a sobrecarregar os pais, a casar cada vez mais tarde e a ter cada vez menos filhos.

Encontram-se normalmente como subordinados , sem proteção jurídica e social, contra a prepotência dos patrões.

E tudo isto vos tem empurrado para a emigração.

No entanto, surpreende-me a vossa ausência em iniciativas politico-culturais.

Ou a falta de um compromisso civico, para colaborar com associações que dão continuidade à defesa da Constituição da República e dos grandes referenciais de Abril.

Parece que têm relutância em conhecer a nossa história recente o que é preocupante, porque pode fazer - vos voltar à penúria do passado.

Vocês jovens parecem compactuar com um diálogo de silêncio, nada fazendo contra estas medidas discricionárias, como se as considerassem inevitáveis.

Aconselho - vos a não se deixarem adormecer.

Podem acordar sob as garras de uma qualquer extrema direita populista e fascizante.

Quero lembrar - vos, que embora num contexto diferente, na década de 60 do século passado, as lutas dos estudantes abalaram e descridibilizaram a ditadura fascista então vigente.

Embora seja preciso acarinhar as utopias nem sempre são elas que vos fazem sobreviver.

Dizia Marx "que o problema não é compreender o mundo mas sim de o mudar.

E quem melhor que a juventude o pode fazer, fazendo uso das suas qualidades."

Não pretendemos impor o nosso trajecto.

Mas foi o nosso.

O vosso são vocês que o hão - de fazer, como quiserem mas desde que o façam.

A mudança é o futuro.

E o futuro é vosso!

Morreu Carlos do Carmo

 Carlos do Carmo Obrigado! - Musicais - RTP

 

A noticia correu célere.

Morreu o nosso sócio Carlos do Carmo! Um dos maiores interpretes contemporâneos do fado português.

Notável embaixador do fado e grande lutador para elevar o "FADO" a património internacional.

Deixou-nos no primeiro dia do ano de 2021.

É com consternação que a Direcção da ACR regista este acontecimento e envia à sua família sinceros pêsames

Vacinas para o COVID 19 - O que valem e para quem se destinam

 

Vacinas para o COVID 19  - O que valem e para quem se destinam

 

 Marques Pinto
Vogal da Direcção

 

Embora este assunto esteja a ter muita e variada polémica, não só sobre o que vale, real protecção contra as mutações em curso, desconhecimento sobre efeitos a curto, médio e longo prazo, etc, etc, não é sobre tais matérias que pretendo chamar a atenção pois desde já reconheço a minha total impreparação e falta de conhecimentos nessas áreas.

  Na realidade o que me levou a escrever sobre este assunto foram duas notícias saídas na imprensa internacional, uma delas até no Los Angeles Times.

  O meu primeiro “espanto” surgiu quando li que a Pfizer saiu a publico indignada por alguém com responsabilidades governamentais na Bélgica ter difundido os preços negociados na União Europeia com os diversos laboratórios produtores das referidas vacinas.

Na realidade sendo esta vacina (ou serão diferentes produtos?) tão esperada e necessária segundo a OMS, seja depois adquirida entre os diversos laboratórios Europeus e Americanos com diferenças de preços na origem desde menos de 2 euros no Laboratório Oxford até perto dos 15 euros no Laboratorio Pfizer.

  Claro que o que mais me chocou foi o total desconhecimento a que o grande publico foi votado aquando das negociações, mas...pensando bem se calhar foi de propósito e no bem de todos para que não ficássemos inibidos de pedirmos no nosso centro de saúde uma -ou duas – injecções que afinal tanto estava a custar ao nosso tão pobre e debilitado SNS.

  A outra noticia que me alertou para o que afinal também cá se poderá vir a passar, embora a nossa escala e numero de milionários ainda esteja aquém dos Norte-Americanos, foi a quase escandalosa procura juntos das muitas e variadas entidades privadas fornecedoras de cuidados de saúde nos EUA para que sejam essas famílias privilegiadas e tão necessárias ao “estado social” sejam das primeiras a usufruir da dita protecção tão anunciada pela miraculosa vacina descoberta, testada e posta á disposição do grande publico em menos de seis meses.

  Claro que segundo o referido jornal os potenciais e interessados privilegiados não querem comprar a vacina ....mas sim oferecer doações que chegam aos 25.000 USD ás entidades e clinicas privadas que lhes facultem a vacinação aos seus familiares.

  Será que agora os nossos Hospitais privados não estarão interessados na ”franca e aberta colaboração” com o nosso SNS e não virão oferecer os seus préstimos para mais rapidamente se administrarem as vacinas á nossa população “mais necessitada” ?



Mensagem de Boas Festas

 Mensagem de Boas Festas

Baptista Alves

Presidente da Direcção


Estamos a chegar ao fim do ano 2020, ano difícil, de muitos maus agoiros, de resultados dramáticos para milhares de famílias que viram o seu sustento posto em causa, com muita gente infectada com o Covid- 19 e muita gente perdendo a vida em consequência e - o que se nos afigura preocupante - com o esboroar da vida social e o ressurgimento de ideologias de cariz fascista. Como soi dizer-se, um ano para esquecer, mas na verdade um ano também que nos proporcionou oportunidades de tempo de reflexão que o frenesim dos tempos modernos nos não dispensava. E é destas reflexões que vale a
pena falar:

 

  • imaginar o que teria sido se não tivéssemos o SNS, mesmo com as debilidades que os ataques à sua existência pelas políticas de direita nele provocaram;
  • avaliar as consequências ao nível do emprego e dos salários, na ausência de direitos sindicais;
  • ao nível da habitação, se este direito fundamental não estivesse constitucionalmente garantido;
  • ao nível da sobrevivência das famílias, sem o direito às reformas, às pensões de sobrevivência, ao subsídio de desemprego, etc.em suma, imaginar o que teria sido sem estas e muitas outras Conquistas da Revolução de Abril e o que poderia ter sido se todas tivessem logrado sobreviver às investidas contra-revolucionárias, são exercícios de reflexão indispensáveis para enfrentarmos o futuro com confiança.

No ano 2021, que se avizinha, comemoraremos o Centenário do Nascimento do General Vasco Gonçalces, referência primeira da nossa ACR. As restrições impostas pela pandemia que estamos a viver foram obstáculos, difíceis de ultrapassar, ao nosso trabalho colectivo, na preparação das comemorações, mas não nos demoveram da vontade firme de as concretizar, com a dignidade adequada.
Assim, como já apresentámos publicamente, temos um Programa, ambicioso mas exequível, para cuja concretização contamos com o apoio de todos os associados, pela forma que cada um entender poder colaborar.
É este o desafio que vos deixo para o Novo Ano que aí vem, com o desejo sincero de umas Boas Festas e um 2021 com muito, muito mais ABRIL.



VÊM AÍ OS RUSSOS - DO MITO Á REALIDADE

 

VÊM AÍ OS RUSSOS - DO MITO Á REALIDADE
 
Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral 
 
 
Neste momento em que tanto se tem discutido acerca do golpe do 25 de Novembro de 1975 que foi para alguns uma gesta heróica para livrar Portugal de uma ditadura comunista , com o apoio da então URSS, entendo ser relevante, para desmontar esta falácia, dar-vos a conhecer um texto extraído do comunicado oficial russo, que publiquei na 2 edição do meu livro , 5 Divisão - MFA - Revolução e Cultura.
"De 23 a 30 de Março de 1975, visitou a URSS uma Delegação Governamental da República Portuguesa, presidida pelo Ministro do Trabalho, Major José da Costa Martins.
Integraram a Delegação, o Major António Carlos Fernandes Gomes, da Presidência da República, o Capitão-Tenente Manuel Begonha, o Capitão Vítor Manuel Pinto Ferreira e o Tenente Vítor Manuel da Silva Godinho, representantes do MFA, o Dr José Barros Moura, da Secretaria de Estado do Trabalho, o Eng. Vítor Faria e Silva, da Secretaria de Estado do Emprego e o Dr. João Inácio Cidade de Alpiarça, do Ministério da Educação e Cultura.
Na ausência do nosso Embaixador em Moscovo, Dr. Mário Neves que regressado à capital soviética, esteve presente no final dos trabalhos, acompanhou a Delegação o Ministro Conselheiro, Dr. Pedro Madeira de Andrade, nas visitas à Moscovo e Leninegrado.
O Major Costa Martins e a parte não militar da Delegação, efectuaram reuniões no Comité de Estado do Conselho de Ministros da URSS para o Trabalho e Salários.
Posteriormente, a Delegação contactou com o Comité de Estado para a Educação Técnico-Profissional.
Num programa de visitas carregado, quer no aspecto político - militar quer cultural, podemos destacar para os militares da Delegação a deslocação à Academia Militar e ao Museu de Frounze, à Base Naval de Sebastopol e ao Ministério da Defesa da URSS onde teve lugar um encontro com o primeiro vice-ministro e o General Sergei Sokolov, chefe do Departamento de Relações Internacionais.
O Ministro Costa Martins foi recebido pelo Presidente do Conselho de Ministros da URSS A. Kossyguine, com o qual durante cerca de três horas, trocou impressões acerca de diversos problemas da situação portuguesa ".
Das reuniões havidas e das conclusões tiradas por nós, membros da Delegação, ficou bem claro que a URSS não estava interessada em ter qualquer tipo de intervenção ou interferência em Portugal, por não pretender desencadear um conflito com a NATO.
E assim foi.

TEMPOS DE LUTA

TEMPOS DE LUTA


Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral 

A partir do início de Novembro de 1975, na Comissão Dinamizadora Central (CODICE) que coordenava as Campanhas de dinamização cultural, as notícias que chegavam eram alarmantes para a revolução.
Desde as ligações espurias de parte da Igreja Católica no Norte do país, às intromissões que tínhamos de embaixadas e serviços secretos ocidentais sob as mais criativas formas, às acções criminosas e conjugadas do ELP, MDLP e rede bombista, às ligações militares com o grupo Maria da Fonte, as reuniões do embaixador Frank Carlucci com os mais altos responsáveis civis e militares contra - revolucionários, à alteração das estruturas de comando das Forças Armadas e muito mais que faz parte de outra narrativa.
Era claro que se preparava o que viria a ser o golpe do 25 de Novembro.
No que nos dizia respeito, éramos o único órgão em actividade da 5ª Divisão do EMGFA que já havia sido coerciva e brutalmente encerrada em Agosto. Isto devia-se a termos uma campanha ainda a decorrer na zona de Castro Daire.
Entretanto multiplicavam-se as acções conducentes a estrangular a CODICE  , quer no que se refere à retirada de meios humanos quer materiais.
Já sob uma nova chefia de direita na Região Militar Norte, foi suspensa a Campanha Maio Nordeste que actuava no Distrito de Bragança.
Progressivamente, o desalento ia-se apodera do de alguns elementos civis e militares que poderia levar ao conformismo.
Mandei então colocar nas paredes do local onde trabalhávamos, o seguinte cartaz :
"O DIFÍCIL É CONTINUAR A LUTAR QUANDO O DESISTIR É FÁCIL".
A data que vivemos e o momento perturbado que atravessamos levaram-me a recordar este apelo.
Hoje o tempo também é de cansaço e o desistir pode tornar-se fácil.
Mas acima de tudo, o tempo é de luta.
Estão conceitos fundamentais em causa.
Não é tempo de desistir, nem de abdicar dos princípios que nos norteiam.
Porque por vezes, não se pode renunciar sem traição.
Não se pode enveredar por uma espera passiva, numa indolente ausência de principios e convicções.
Não se pode desistir da dignidade como o ladrão ou o corrupto.
Nem desistir da vida como o suicida.
Nestas ocasiões, dizia Vítor Hugo que "a suprema angústia é a desaparição da certeza".

Afirmar a PALESTINA como Estado é um dever de todas as Democracias

Afirmar a PALESTINA como Estado é um dever de todas as Democracias

 Marques Pinto
Vogal da Direcção

Há poucos dias realizou-se uma reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas onde o 3º “Comittee” que trata dos Direitos Humanos e assuntos relacionados levou à votação geral mais uma vez a questão de autodeterminação da Palestina.
Claro que os Estados Unidos e Israel e mais três - Ilhas Marshall, Micronésia e Nauru – votaram contra.
Curiosamente o Canadá, desta vez, juntou-se à maioria de 165 países que votaram a favor e apenas 10 pequenos países se abstiveram por motivos que todos entendemos por clara e permanente subserviência aos seus “protectores” – Austrália, Camarões, Nova -Guiné, Palau, Guatemala, Honduras, Quiribati, Ruanda, Togo e arquipélago de Tonga.
Mais uma vez verificamos que os Estados Unidos e Israel desprezam toda e qualquer resolução das Nações Unidas sempre que não seja na defesa dos seus interesses, mesmo que contra tudo e todos.
É agora assim e tem sido nos últimos quase 30 anos que todas as administrações estado-unidenses, quer Democratas quer Republicanas têm manifestado o seu total desprezo e desrespeito pelas decisões emanadas das Assembleias Gerais das Nações Unidas quando as mesmas não vão no
sentido dos seus interesses ou de Israel - o que vai quase no mesmo sentido – pois sabemos bem quem possui a grande maioria do capital e sistema financeiro que governa e conduz a politica americana bem como ao fortíssimo “lobby” que controla o enorme e poderoso complexo industrial
que domina o fabrico e venda de todo o tipo de armamento naval, aéreo e terrestre e desde há uns anos o inúmero e fabuloso sistema de satélites de toda a ordem e missões bem como a condução de misseis e “drones” com as mais variadas missões, desde os assassinatos selectivos até á colocação de “misteriosos minicontentores” em países devidamente selecionados.
Não deveremos esquecer que o direito da Palestina à sua completa independência é um problema que todos os povos livres devem encarar como importante e permanentemente associado á noção de liberdade e respeito que deveremos exigir a qualquer país que tenha assento na Assembleia das Nações Unidas

ASSEMBLEIA GERAL DIA 03 DE DEZEMBRO DE 2020

 Conforme os estatutos da nossa associação a Assembleia Geral vai realizar-se na sede no dia 03 de Dezembro de 2020 com inicio às 17:30.


Clicando AQUI pode ver a Convocatória e a respectiva Ordem de Trabalhos

FALECEU O CAPITÃO DE ABRIL LUÍS MACEDO

 

FALECEU O CAPITÃO DE ABRIL LUÍS MACEDO

 

Foi com enorme consternação que recebemos a notícia do falecimento do Capitão de Abril, coronel de engenharia Luís Ernesto Albuquerque Ferreira de Macedo.

Foi aluno distinto no Colégio Militar tendo posteriormente seguido a carreira das armas, no exército, como oficial de engenharia.

Foi um dos grandes impulsionadores do Movimento das Forças Armadas desempenhando papel de destaque, na madrugada do 25 de Abril, na condução das operações, a partir do quartel da Pontinha.

Nos governos de Vasco Gonçalves pertenceu ao seu gabinete onde desempenhou diversas tarefas e pós 11 de Março de 1975, em acumulação, pertenceu ao Conselho da Revolução.

Enquanto Conselheiro da Revolução pertenceu ao SDCI (Serviço Director e Coordenador da Informação).

 

Pós 25 de Novembro de1975 foi um dos muitos oficiais perseguidos e prejudicados na sua carreira.

 

Pertencia à Comissão de Honra do centenário do nascimento de Vasco Gonçalves

 

A morte encontrou-o no passado dia 14 de Novembro em Moçambique.

A IGREJA CATÓLICA E A LUTA ANTI-FASCISTA

 A IGREJA CATÓLICA E A LUTA ANTI-FASCISTA


Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral


Nas campanhas de dinamização cultural levadas a cabo no norte do país, pela 5ª Divisão do EMGFA, nos anos de 1974 /1975, constatei que alguma Igreja Católica através dos respectivos padres tinha uma atitude fortemente hostil à presença dos militares por os considerarem comunistas, transmitindo aos seus paroquianos que se precavessem contra aqueles que lhes pretendiam roubar as imagens e crucifixos em ouro, as terras , fechar - lhes as igrejas , retirar-lhes os filhos das escolas e outras considerações deste teor.
Na verdade , muitos destes padres já sob a batuta do Cónego Melo e de outros conspiradores contra-revolucionários, não tinham pejo em proferir a partir dos correspondentes púlpitos violentas homilias anti-socialistas.
Por vezes, quando as intervenções dos militares os incomodavam, não hesitavam em tocar a rebate os sinos das suas igrejas.
Admito que em certos casos, tivessem medo que algo de mal lhes acontecesse , devido à sua educação nos seminários, eivada de preconceitos e de se diabolizar o comunismo.
É claro que estes factos, não passaram despercebidos ao embaixador norte-americano Frank Carlucci que a anteceder o golpe de 25 de Novembro por lá andou visitando vários responsáveis da Igreja Católica.
O General Vasco Gonçalves também se preocupou com o tema a "religião sem política" tendo no discurso que proferiu nas Comemorações da Implantação da República, no Porto, em 5-10-1974, ter feito as seguintes considerações :
"O nosso povo é um povo cristão, é um povo católico.
Nós , não queremos lutas anticlericais , embora por vezes assistamos a actos a que não devíamos assistir.
Há um campo para a religião e há um campo para a política.
Nós, não desejamos que estes dois campos sejam misturados. Nós não queremos, nem permitiremos, que alguém tente por este ou outro motivo dividir o nosso povo. Dividir o povo é comprometer o seu futuro."
Mas convém recordar que muitos católicos, alguns deles comunistas, tiveram uma acção relevante na luta anti - fascista.
Em muitos aspectos o seu pensamento não estaria longe daquele que hoje vemos reflectido no Papa Francisco.
Há cerca deste assunto o núcleo do Porto da Associação Conquistas da Revolução (ACR), coordenado por Jorge Sarabando promoveu no passado mês de Fevereiro, um colóquio intitulado "Encontro com Frei Bento Domingues."
Da intervenção de Jorge Sarabando, transcrevo algumas passagens :
"Dizia um certo lavrador de Trás-os-Montes, estava a Revolução de Abril no seu auge, estas sábias palavras : " é a memória que nos constrói". Lembremos, então, neste tempo em que a barbárie tende a vencer a civilização, outro tempo, de bloqueio, de opressão, de violência impune, a que os portugueses pareciam condenados ".
E mais adiante :
" Foi , nesse tempo, há cinquenta anos, que nasceu a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos...
E lá reconhecemos, entre os fundadores,..
vários religiosos, como o Pastor Dimas de Almeida, Frei Bernardo Domingues, os padres Abílio Tavares Cardoso, Jardim Gonçalves, Pereira Neto , Felicidade Alves, Frei Bento Domingues, que aqui está hoje presente.
Sabemos que o regime procurava na Igreja Católica um pilar de sustentação e um factor de credibilidade. Raras eram, no clero, as vozes insubmissas que se revelavam. Justo é lembrar o Padre Abel Varzim , o Padre Alves Correia, e neste momento e nesta cidade, o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, que teve de se exilar. Justo é lembrar o nome do Padre José da Felicidade Alves, removido da Paróquia de Belém pelo Cardeal Patriarca, em Nota Oficiosa publicada na imprensa.
A participação de Frei Bento e de sacerdotes católicos na comissão teve um inapagável significado: naquele universo calafetado e opresso, que era então a pátria portuguesa, foi uma janela que se abriu e nenhum poder mais pode fechar. "

Intervenção de Baptista Alves na reunião do Conselho da Presidência do CPPC

 Intervenção proferida por Baptista Alves, Presidente da Mesa da Assembleia da Paz e nosso Presidente da Direcção
na reunião do Conselho da Presidência do CPPC
realizada em 22 de Outubro de 2020


A complexa situação internacional que desde há tempos se vem
agravando, impõe uma profunda reflexão da nossa parte, militantes
da Paz, no sentido de auscultar-lhe as tendências, avaliar os efeitos
e intuir os perigos para a sobrevivência da Humanidade, por um
lado, e, por outro, aferir os resultados da nossa acção cívica e de
todos quantos se revêem e trabalham nesta causa.
É portanto, de certa forma, um balanço da nossa actividade o que
nos propomos fazer hoje e para isso contamos com o apoio da
Direcção, com um objectivo muito preciso de recolha de
ensinamentos outros e outros pontos de vista que porventura mais
avisados estejam.
É este o desafio que quero deixar explícito, na presunção da vossa
adesão e do vosso inestimável contributo.
Assistimos hoje a uma gigantesca campanha do imperialismo norte-
americano, com ressonância numa comunicação social subjugada
pelos “senhores do dinheiro” dos dois lados do Atlântico, a meu ver,
visando preparar a opinião pública para uma II edição da Guerra
Fria, visando dois objectivos principais:
-Apaziguar as apreensões quanto ao futuro do gigantesco aparelho
militar, face ao desmoronamento do almejado Mundo unipolar todo-
poderoso e sem adversário, com que sonharam após o
desmoronamento da União Soviética e, em simultâneo, satisfazer a
gula desmedida da poderosíssima indústria do armamento
americana;
- Travar a ascensão meteórica das potências económicas
emergentes, única forma de garantir a sua supremacia universal.
Este será provavelmente o cenário mais ambicionado, Guerra Fria,
por mais tranquilo e mais fácil de acomodar na opinião pública
ocidental. Mas, mandam as terríveis experiências do século passado
não ignorar que outros cenários estão pré-figurados, nos Estados-
Maiores das grandes potências militares, sendo o mais tenebroso o
conflito nuclear à escala planetária.
Mas a realidade deste século XXI, ainda com todas as incertezas
que um vertiginoso progresso introduziu nas nossas vidas á escala
global, afasta, a meu ver, estes estereótipos.

Creio ser hoje uma evidência que o declínio do império tem mais a
ver com a factura militar do que com qualquer outra razão e não há
conhecimento histórico de antídoto que o cure. O surgimento/
ressurgimento de outras potências com influência crescente, nos
campos económico e também militar, fazendo antever a criação de
vários polos de poder à escala planetária, com os seus interesses
próprios, fará gorar qualquer estratégia de Guerra Fria que
obviamente colidirá com esses interesses, a troco de nada.
As razões ideológicas, religiosas ou mesmo de combate ao
terrorismo, continuarão a ser convincentes para um Mundo tão
causticado pelos efeitos nefastos das ingerências, ocupações
militares e guerras de agressão e pilhagem feitas em seu nome?
Efeitos que são cada vez mais difíceis de esconder nestes tempos
da comunicação global?
O recurso à pressão diplomática sobre os “aliados”, ou mesmo
chantagem diplomática, a que temos assistido, parece indiciarem o
contrário.
Uma outra questão que se coloca agora, é saber-se: o que esperar
deste Mundo multipolar? À partida, parece poder esperar-se que a
probabilidade de ignição de conflitos de interesses aumente, mas,
por outro lado, é de crer que a dominante da resolução pacífica se
reforce perante a evidência de o uso da força já não garantir
vencedores antecipados.
É aqui que reside um imenso campo de acção para as forças da
Paz: reduzir drasticamente os riscos para a Humanidade
resultantes da existência das armas de destruição maciça, lutar
pela dissolução dos blocos político-militares, lutar pelo
desarmamento geral e controlado e impor a solução pacífica dos
conflitos internacionais, nos exactos termos plasmados na CRP,
nascida da Revolução de Abril. É isto que temos feito no CPPC e é
isto que se impõe continuarmos a fazer.
Esta situação de pandemia, que estamos a viver, revelou de forma
bem explícita que o modelo desenvolvimentista que o sistema
dominante impôs ao Mundo, medido em taxas de crescimento
económico, descurou de forma inqualificável, frentes importantes
de combate às ameaças à vida na Terra, a começar pela defesa da
saúde pública, passando pelo combate às alterações climáticas- que
são uma constante mas se agravam, tanto mais quanto a
exploração selvagem dos recursos naturais do planeta, ofende os
seus equilíbrios naturais- para já não falar no agravamento abismal
das desigualdades sociais com condenação á fome duma grande
parte da humanidade.
Este é o Mundo que temos, e que temos que mudar, lutando pela
criação duma consciência cívica universal pela inversão do rumo
suicida que nos tem sido imposto.
A nossa qualidade de coordenadores do Movimento Mundial da Paz
para a Europa impõe-nos responsabilidades acrescidas nesta luta
sem tréguas para evitar que, mais uma vez, a Europa e o Mundo se
tornem num imenso campo de destroços.
Estamos em crer que este objectivo mais e mais se afirmará,
deixando para trás a visão consumista e predadora da natureza que
nos tem guiado e rumando a uma nova ordem internacional mais
equitativa e mais solidária.
Em uníssono com as forças do progresso e da Paz, que por todo o
Mundo se batem sem desfalecimento por uma sociedade mais justa
e mais fraterna, livre de todo o tipo de predadores e seus
servidores, livre da opressão e de todo o tipo de ingerências
externas, livres do golpismo militar interno, saudamos a estrondosa
vitória do povo boliviano e o restabelecimento da legalidade e
legitimidade democrática no país.

Um Mundo melhor, um Mundo de Paz, é possível!