Imagenemos

IMAGINEMOS...
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

Imaginemos que uma grande potência que continua a deter a hegemonia mundial, os EUA, apoiada ou não, pelo seu braço armado, a NATO, verifica que um qualquer país, pretende sair da sua órbita de influência, ou passar a ser governado de uma forma não da sua ideologia ou interesse.
Ao longo dos séculos 20 e 21, ocorreram centenas de exemplos do que lhe sucederia:

- Ser invadido e normalmente massivamente bombardeado, como a Coreia, o Vietname, Laos, Camboja, Iraque, Sérvia, Síria, Granada, Afeganistão, etc.

- Serem-lhe criadas as condições para provocar um golpe de estado, mais ou menos sangrento como se verificou na Indonésia, Chile, Brasil, Argentina, Portugal, etc.

- Passar a sofrer um embargo como em Cuba e Venezuela.

Imaginemos que por exemplo, a Rússia ou a China, instalassem centenas de bases militares nos países vizinhos dos EUA, como o Canadá, o México, Cuba, Jamaica, Nicarágua e outros países da América Central, á semelhança do que levaram a cabo os norte-americanos que têm mais do que 400 instalações militares a cercarem a Rússia e a China.

Imaginemos finalmente que o território onde está sediada a base naval estadounidense de Guantanamo em Cuba, fosse periodicamente bombardeado pelo exército cubano.

Nos casos relatados, a prestimosa comunicação social dos países ocidentais, pouco se preocupou com as gritantes violações do direito internacional.
Mas como o passado existe, precisando de ser permanentemente recordado na memória dos homens, recuperemos o que se passou na chamada crise dos mísseis, sucedida em Cuba de 16 a 28 de Outubro de 1962 que certamente responderá ao que nos foi solicitado imaginar.
A Rússia resolveu instalar mísseis balísticos naquele país.
John Kennedy ameaçou Nikita Khrushchev que se não retirasse de imediato os mísseis, os EUA desencadeariam uma guerra nuclear em grande escala.
Todos os acordos em disputa foram então alcançados.

Quanto aos embargos atrás mencionados, que continuam a provocar um enorme sofrimento aos países afectados, é bom recordar que na Assembleia Geral da ONU de 4 de Novembro de 2022, pelo 30º ano, o embargo económico a Cuba foi condenado por esmagadora maioria, com 185 dos estados membros a pronunciarem-se contra o isolamento da nação caribenha, com os votos desfavoráveis dos EUA e Israel e a abstenção do Brasil e Ucrânia.

Na grande política internacional, as potências como a Rússia e os EUA, traçam linhas vermelhas que não toleram ver ultrapassadas, a bem da harmonia e paz no mundo.
Seria bom que não se entrasse na via da provocação que é um processo chave para o equilíbrio da ordem internacional.

A IRRESPONSABILIDADE

 

A IRRESPONSABILIDADE

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
Lisboa, 22 de Janeiro de 2023


Jens Stoltenberg, Secretário Geral da NATO, afirmou :
 

"As armas são de o caminho para a paz".

 

Para este senhor da guerra, as acções falham a prova do rigor porque omitem a realidade dos campos de batalha que destinam ao homem a fatalidade inevitável de morrer e quase tornam heróica a capacidade de viver.
É evidente que Stoltenberg, não é pai de nenhum jovem militar ucraniano ou russo, nem terá de informar da morte em combate destes meninos às suas mães.
Quantos mais russos e ucranianos será necessário morrerem para que evocando a sua condição de diplomata este secretário geral, envidasse todos os esforços, para sentar os litigantes à mesa das negociações e procurar sim, o caminho da paz, com honra para todas as partes.
Tal como se está a verificar, com sucessivos fornecimentos de armamento, obriga-se os ucranianos a lutar até ao fim e a chegar a um estado, em que o somatório das mortes tornará irrealista a negociação, porque a Ucrânia será transformada num estado fantasmagórico submerso nos escombros. 
Políticos desta natureza que encomendam a guerra, sentados às secretárias dos seus confortáveis gabinetes, longe do cheiro da morte e da poeira das ruínas, levam-me a terminar como escreveu Fernando Pessoa :
"O mundo conduz-se por mentiras ; quem quiser despertá- lo ou conduzi-lo terá de mentir delirantemente, e fá-lo com tanto mais êxito quanto mais mentir a si mesmo e se compenetrar da verdade da mentira que criou". 

 
Queremos viver num mundo em paz, longe da guerra, dizendo sim á vida.

A defesa da Paz: urgência do nosso tempo. | Baptista Alves - Presidente da Direcção

Divulgamos a intervenção que Baptista Alves, na qualidade de presidente da Assembleia Geral do CPPC fez na iniciativa promovida por este organismo e realizada em 12 de Janeiro de 2023 na sede da Fundação José Saramago.

  

A defesa da Paz: urgência do nosso tempo.

 

O percurso da humanidade, desde sempre e em todos os lugares, tem sido marcado pelo sistemático recurso ao uso da força na resolução dos conflitos de interesses entre os diferentes grupos, sejam eles tribos, nações ou comunidades de nações.

Séculos de vivências vêm demonstrando quão difícil e penoso tem sido este caminho, a que, um acelerado e vertiginoso desenvolvimento tecnológico, tem acrescido capacidades quase ilimitadas de destruição e de morte.

 

Deixemos para trás os tempos em que os diferendos entre Estados Soberanos eram resolvidos pelo uso da força sem limites, a força militar como instrumento da política, ou a política por outros meios ( Clausewitz) e fixemo-nos nos tempos modernos que liminarmente, pelo menos na teoria, rejeitam este princípio.

 

No século XX, dois grandes conflitos mundiais trouxeram à luz do dia tudo quanto de mais irracional a inteligência humana é capaz de imaginar:

A I Guerra Mundial, iniciada em 28 de Julho de 1914, na sequência do assassinato do Arquiduque Francisco Fernando da Áustria, desencadeia-se num momento histórico que regista um forte crescimento do potencial económico e militar das potências imperialistas, em consequência da revolução industrial, com particular relevância na Alemanha.

A disputa por mercados, território e fontes de matérias primas, vai abater-se sobre as colónias de outros países. Portugal entra nesta Guerra por esta mesma razão, ou seja, a defesa do seu império colonial.

A I Guerra Mundial termina em 11 de Novembro de 1918,com a vitória dos aliados e um total de mais de 10 milhões de mortos. Portugal registou 10mil mortos e milhares de feridos.

 

A SOCIEDADE DAS NAÇÕES

 

Para prevenir a repetição duma catástrofe de dimensões tão aterradoras, foi estabelecida em Junho de 1919, aquando da elaboração do Tratado de Versalhes, a Sociedade das Nações (SDN), também conhecida por Liga das Nações.

Constituiu-se como uma primeira tentativa de dotar a sociedade internacional de um mecanismo de segurança coletiva, diminuir os horrores da guerra e encorajar a procura de soluções pacíficas para os problemas e conflitos entre as nações.

 

Limitar o uso da guerra à defesa nacional e à execução de obrigações internacionais impostas por uma causa comum e pugnar pela redução dos armamentos nacionais são dois dos principais objectivos marcantes do Pacto da Sociedade das Nações, que naturalmente incluía também um conjunto outro de regras tendentes á redução dos horrores da guerra e às indemnizações decorrentes da destruição provocada pelos agressores vencidos.

 

 A sua vigência foi curta e acidentada, não tendo conseguido prevenir o deflagrar de um novo conflito mundial em 1939, apenas 20 anos depois.

 

A II Guerra Mundial, inicia-se em 1 de Setembro de 1939, sendo necessário ir um pouco atrás para tentar identificar as razões que levaram ao conflito.

Desde logo a crise que se iniciou nos EUA, em Outubro de 1929, por uma crise da Bolsa e que assumiu rapidamente um carácter mundial e, muito particularmente, porque às potências que saíram derrotadas da I Grande Guerra, como a Alemanha- ou que não beneficiaram da vitória, como a Itália e o Japão- potentados industriais e financeiros, estavam interessados num novo conflito que, por um lado, lhes proporcionasse uma nova partilha de territórios, mercados e fontes de matérias primas e, por outro lado, lhes permitisse o esmagamento das reivindicações operárias e populares que a vaga revolucionária no pós I Grande Guerra e o seu mais saliente resultado, a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia, animavam.

                     

A II Guerra Mundial, foi o mais brutal e sangrento conflito que a Humanidade já conheceu: nos campos de batalha, nas prisões e campos de concentração e extermínio em massa, sob os bombardeamentos ou de fome e doença, nas cidades e vilas arrasadas, morreram cerca de 60 milhões de pessoas e muitas outras ficaram feridas, estropiadas e traumatizadas.

Milhares de localidades foram destruídas e a economia e património cultural dos países envolvidos sofreram danos incalculáveis.

 

Nunca será demais lembrar, o maior pesadelo da Humanidade, o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroshima, em 06 de Agosto de 1945 e Nagasaki, três dias depois, em 09 de Agosto.

 

A cidade de Hiroshima, com cerca de 350.000 habitantes, ficou quase totalmente destruída (90%).De imediato morreram 80.000 pessoas e, nos três dias seguintes, mais 40.000 pessoas, a que se acrescentaram efeitos terríveis das radiações na saúde dos sobreviventes.

Nagasaki, cidade com 263.000 habitantes, foi igualmente destruída. De imediato morreram 40.000 pessoas e, nos três dias seguintes mais 80.000 pessoas. Os efeitos dos bombardeamentos nucleares prolongaram-se pelas décadas fora, até aos dias de hoje, com doenças do foro oncológico, malformações e outras dramáticas consequências.

 

A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

                        

Face a toda esta imensa tragédia, em Outubro de 1945 é constituída a Organização das Nações Unidas (ONU), criada com o objectivo de prevenir outro conflito internacional. Integrada inicialmente por 53 países, tem actualmente 193 membros efectivos. A manutenção da paz, a solução pacífica dos conflitos, a igualdade entre nações, sejam elas grandes ou pequenas, e a promoção do progresso social tornam-se elementos centrais das relações entre países.

 

Na Carta das Nações Unidas, pode ler-se:

 

 “Nós, os povos das Nações Unidas decididos

A preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade;

A reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas;

A estabelecer as condições necessárias à manutenção da justiça e do respeito das obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional;

A promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de um conceito mais amplo de liberdade; e para tais fins

A praticar a tolerância e a viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos;

A unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais;  

A garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada, a não ser no interesse comum;

A empregar mecanismos internacionais para promover o progresso económico e social de todos os povos;

….”

Nos anos que se seguem o Mundo conhece alterações profundas.

 

Um forte movimento libertador, impulsionado pelas forças antifascistas, democráticas e patrióticas em cada um dos países, desenvolve-se e conquista posições importantes ao nível dos direitos laborais e liberdades democráticas e ao nível dos direitos universais à saúde, à educação e à protecção social. Nas colónias e nos países dependentes travam-se lutas de libertação nacional.

 

Mas cedo também se esqueceram os princípios da Carta.

 

A GUERRA FRIA

                                 

Sustentados no poderio económico com que saíram do conflito e no monopólio da arma atómica, os EUA (juntamente com a Grã Bretanha) rompem a grande aliança vencedora da II Grande Guerra e reforçam a sua presença militar na Europa e no Oriente.

A contenção do comunismo e o combate à União Soviética são o pretexto para a corrida aos armamentos e a proliferação de bases militares avançadas.

Em 1949, é constituída a Organização do tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO).

 

É perante esta realidade, que cidadãos de todo o Mundo, tendo à cabeça alguns dos maiores vultos da ciência, das artes e da cultura, daquele tempo, onde podemos situar nomes como Frédéric e Irene Joliot-Curie, Pablo Picasso, Pablo Neruda, Jorge Amado e os portugueses Fernando Lopes Graça, Maria Lamas e Alves Redol, se unem na criação duma consciência colectiva de luta em defesa da Paz e participam, nos anos de 1949 e 1950, na criação do Conselho Mundial da Paz.

Em 18 de Março de 1950, mais de 300milhões de pessoas em todo o Mundo assinaram o apelo de Estocolmo contra as armas nucleares, lançado pelo renomeado cientista Frederic Joliot- Curie e pelo Movimento Mundial pela Paz.

A guerra da Coreia, teve início em 25 de Junho de 1950

A guerra do Vietnam, em 30 de Abril de 1955

 

Em 14 de Maio de 1955, é criado o Pacto de Varsóvia, aliança militar entre a união Soviética e outros países do leste europeu.

 

A procura do equilíbrio militar e estratégico entre os dois blocos, conduziu a uma desenfreada corrida aos armamentos e um enorme desenvolvimento das armas nucleares e dos vectores capazes de as transportarem, procurando, cada um por sua vez, sobrepor-se ao outro.

 

Em 1962, o Mundo, pela primeira vez, ficou à beira de uma confrontação nuclear entre os EUA e a União Soviética, em consequência da tentativa de instalação em Cuba, por parte da União Soviética, de sistemas de lançamento de mísseis balísticos, em resposta à instalação por parte dos EUA do mesmo tipo de armamento na Turquia e em Itália.

 

Funcionou a dissuasão mútua. O Mundo respirou de alívio.

 

Entretanto perante a evidência de que a dimensão dos arsenais disponíveis era excessiva, as potências militares dominantes procuraram estabelecer acordos para a sua redução, em número, aliviando assim também os respectivos orçamentos.

 

Em 1968, é assinado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNT), envolvendo os 5 países que as possuíam, na altura (EUA, URSS, RU, França e China)

Preconizava-se então também o desarmamento nuclear, universal, geral e completo.

 

É o tempo do,

 

DESANUVEAMENTO

                       

Em 1975 é assinada em Helsínquia, pelos governos de 35 países (entre os quais os EUA e URSS), a Acta Final da Conferência sobre a Segurança e Cooperação na Europa. A igualdade soberana entre países, a abstenção do recurso à ameaça ou uso da força, a inviolabilidade das fronteiras e o respeito pela integridade territorial dos estados, a não intervenção nos assuntos internos e a resolução de controvérsias por meios pacíficos foram princípios acordados, que permanecem como o mais sólido caminho para o futuro da humanidade.

 

O Fim da “Guerra Fria”, marca o início de um novo período.

 

Ao invés do que seria expectável, um avanço no caminho da Paz, os vencedores da “Guerra Fria”, consideram estarem criadas as condições para se lançarem à conquista do Mundo e, de forma programada e determinada, estendem o seu poderio, agora sem adversário, vencendo a resistência daqueles que não se submetem aos seus interesses, fomentando e armando golpes de Estado e revoluções ditas “coloridas” e/ou através da agressão militar directa.

 

Foi assim:

-Desmantelamento da Jugoslávia de 1992 a 1995-

-Bombardeamento da Sérvia em 1999

-Afeganistão em 2001

-Iraque, em 2003

-Líbia, em 2011.

 

Entretanto o Mundo foi mudando, a Federação Russa recupera do abalo sofrido com a dissolução da URSS e emergem outros polos de poder económico e militar dispostos a disputar a hegemonia do poder global único.

 

A guerra na Síria é provavelmente o primeiro sintoma dessa mudança.

 

E, chegamos à guerra na Ucrânia, processo que começou com um golpe de Estado violento, em Fevereiro de 2014, por forças nas quais se incluíam os neonazis, apoiadas pelos EUA e pela UE, contra o presidente eleito da Ucrânia.

Em consequência, em Março de 2014, na Crimeia os separatistas pró-russos tomam o poder, apoiados por forças da Federação Russa, declaram a independência e, após referendo, a integração na Federação Russa.

A pretexto a NATO reforça o seu dispositivo na zona do Mar Negro.

No leste e sul da Ucrânia a disputa com os separatistas pró-russos foi objecto de acordo, constante do denominado “Protocolo Minsk”, assinado, em 5 de Setembro de 2014, pela Ucrânia, Rússia, República Popular de Donetsk e República Popular de LugansK, sob os auspícios da OSCE (Organização de Segurança e Cooperação Europeia). Este acordo, no essencial, impunha o cessar-fogo e garantia a concretização da autonomia das duas repúblicas integradas na Ucrânia.

O não cumprimento dos acordos, a continuação dos combates e a concentração de forças da Ucrânia na linha de confrontação indiciando intenções de resolução do conflito por meios militares, a acrescer às proclamadas intenções da Ucrânia em aderir à NATO, são os argumentos para a declaração da independência das duas repúblicas, de imediato reconhecidas pela Federação Russa e após referendo integradas na própria Federação.

 

Em Fevereiro de 2022, o exército russo dá início à denominada operação militar especial que no terreno vai assumindo dia após dia as proporções de uma confrontação directa com o exército ucraniano, apoiado este pelos EUA e seus aliados da NATO.

 

Parece ser hoje claro, que este conflito se insere numa estratégia bem mais ampla, orquestrada do outro lado do Atlântico, com objectivos bem definidos:

-enfraquecer a Federação Russa como primeiro passo para apontar a Pequim e esmagar o “milagre económico chinês”;

-reforçar a dependência económica e militar da União Europeia em relação aos EUA, acabando de vez com qualquer pretensão a uma voz autónoma no concerto das grandes nações;

-recuperar a supremacia militar mundial, abalada pela concorrência das potências emergentes dispostas a libertarem-se do abraço de ferro a que têm estado submetidas;

-manter e reforçar o domínio do comércio internacional, do sistema financeiro baseado no dólar e de todas as “ferramentas” tecnológicas que utilizam para continuar a sugar a riqueza dos outros povos e evitar assim o previsível colapso da sua própria economia.

A confirmar-se esta análise, a questão que se coloca é a de sabermos para onde estamos a caminhar.

A Federação Russa é uma potência nuclear, com um potencial de destruição equivalente ao dos EUA. Ambos os lados sabem que hipóteses têm de sobreviver a um confronto total. Nenhumas!

 

Afastada esta hipótese absurda, ainda que assustadoramente real, que Mundo nascerá pós este conflito que nenhum dos lados pode perder?

 

-Uma II edição da Guerra Fria?

Como se posicionarão, nesta hipótese, as diferentes potências mundiais e em particular as emergentes, algumas com problemas territoriais ainda não totalmente resolvidos e todas ávidas também de matérias primas e mercados?

-Uma nova ordem Mundial, assente na multipolaridade e no respeito pelo Direito Internacional?

 

A primeira hipótese, uma II Guerra Fria, poderá estar à vista, o que, a confirmar-se, nos fará viver uma nova era de equilíbrio do terror.

Para a segunda hipótese, Uma Nova Ordem Mundial, há ainda algum caminho a percorrer mas, a meu ver, é a única que poderá conduzir-nos a uma verdadeira PAZ Mundial, no respeito pelo Direito Internacional, construído sobre as grandes catástrofes do século XX.

 

A utopia, se ao serviço da Humanidade, é sempre benvinda, indesejável é a aceitação, por parte dos mais fortes, dos princípios para aplicação aos outros reservando para si próprios o direito de os não cumprir, ou de os interpretar em função dos seus interesses. Este é provavelmente o caminho que falta percorrer.

 

A urgência deste nosso tempo, para que outro possa existir, é a intransigência na defesa da PAZ.


O Jornal Público, em 3 de Dezembro de 2022, publica matéria caluniosa

 

Divulgamos mail que o presidente da Assembleia Geral enviou ao 
JORNAL PUBLICO
uma vez que a matéria trata de uma calúnia maliciosa e que reflecte bem o despudor com que se utiliza a nossa comunicação social. 

OS 12 TRABALHOS DE HÉRCULES E O GOVERNO DO PRESIDENTE LULA DA SILVA

OS 12 TRABALHOS DE HÉRCULES
E O
GOVERNO DO PRESIDENTE LULA DA SILVA

 

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

Hércules herói mitológico, conseguiu efectuar 12 trabalhos quase impossíveis, porque era um Deus e detentor de uma força sobrenatural.
Lula da Silva é um simples homem e já idoso que para levar a cabo o seu programa, irá enfrentar um conjunto de trabalhos igualmente extremamente difíceis, dos quais tentarei elencar os que me parecem mais decisivas.
O caminho para o sucesso, tem muito pouca margem de manobra, uma vez que o bolsonarismo destruiu muitas das bases de uma sociedade livre, próspera e democrática.

1. Ganhar a confiança do povo brasileiro, mantendo o espírito da frente ampla que o elegeu.
2. Erradicar a fome, a pobreza extrema e a desigualdade social.
3. Recuperar a cultura e as tradições do país.
4. Revitalizar a MERCOSUL e a CELAC e reforçar o investimento nos BRICS.
5. Reformar e normalizar as Forças Armadas, contempladas com elevados salários, inúmeras regalias e habituadas a ter acesso a cargos políticos e a gozar de quase total impunidade.
6. Reindustrializar o país e o tecido produtivo e reverter a privatização de empresas chave para a economia.
7. Proteger a Amazónia e os seus indígenas da devastação e outros crimes ambientais ou não, perpetrados pelos garimpeiros, madeireiros, pescadores, caçadores e detentores do agronegocio à revelia da lei. 
8. Reformular a educação que seja para todos, não omitindo os povos indígenas. 
9. Redefinir as exportações e o mercado externo e orientar os inúmeros recursos minerais, agrícolas e florestais do país para o desenvolvimento do progresso social. 
10. Controlar os abusos e influências de certas igrejas e abolir os aparelhos para militares, instalados como milícias e outros. 
11. Dirigir com sageza um governo com muitas sensibilidades políticas e defrontar um Congresso hostil e muito polarizado. 
12. Eliminar os focos do bolsonarismo que representem erupções proto- fascistas existentes. 

Este é um trabalho muito exigente, porque para desmontar o neoliberalismo, é necessário acabar com a submissão ao imperialismo e com o processo colonial capitalista. 
A história tem-nos ensinado que não é possível combater a extrema direita fascizante, sem destruir a sua base material e o respectivo sistema económico. 



 

ACORDAI !!!

 

ACORDAI !!!

 Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

No ano que agora finda, não há para a Europa, grandes motivos de satisfação.
Em vários países, verificou-se o crescimento de partidos e movimentos protofascistas que em alguns deles se encontram no governo.
Estes povos parecem estar a sofrer um ataque de masoquismo colectivo, ao se deixarem levar por um caminho cujos trilhos, cavaram enormes tragédias.
Esta opção poderá resultar de um conjunto de factores económicos e sociais, tais como :
- A insatisfação pela forma como os partidos de governo tradicionais interpretam a democracia, o que poderá significar que nem toda a esquerda, estará igualmente empenhada na mobilização da classe trabalhadora e dos restantes movimentos sociais, para a luta pela defesa dos seus direitos, pela melhoria das suas condições de vida e pela preservação da soberanía nacional.
- Dar crédito a falsas promessas  de mirificas transformações sociais, por meios que ficam por esclarecer.
- A tolerância demonstrada pela UE, para a ascensão do ideário fascista o que parece não constituir obra do acaso.
Se não questionarmos o que sucedeu no passado e não nos determinarmos a desbravar uma via de progresso e de esperança para o futuro, estamos condenados a repetir os mesmos erros.
Torna-se pois, imperioso resgatar do esquecimento a memória dos factos, para travar o fascismo que é a negação da liberdade, a banalização do ódio e da violência, a exploração desregrada do trabalho sem direitos e o desprezo pela vida e pela dignidade humana.
Recordamos como o grande poeta José Gomes Ferreira, inicia o seu poema :

"Acordai
  acordai
  homens que dormis
  a embalar a dor
  dos silêncios vis
  vinde no clamor
  das almas viris
  arrancar a flor
  que dorme na raiz"

Que no novo ano que aí desponta, se retome o combate, como mais ânimo e convicção pois, meus amigos, quem escolher a submissão, procura uma morte antecipada.



 Inauguração da Exposição - No Centenário de Vasco Gonçalves | Mercado Municipal de Silves | 3 de Dezembro de 2022, 10h00

Inauguração da Exposição
No Centenário de Vasco Gonçalves
Mercado Municipal de Silves
3 de Dezembro de 2022, 10h00


Na manhã de 3 de Dezembro passado, no Mercado Municipal de Silves, pelas 10 horas da manhã os populares começaram a concentrarem-se sob os efeitos da chamativa intervenção musical e vocal de Joaquim Ganhão, figura popular de todo o Algarve e arredores: assim arrancou a inauguração da Exposição “No Centenário de Vasco Gonçalves”, no local a perdurar duas semanas.
Telma Caroço, Chefe de Gabinete, deu o mote, a que se seguiu Luísa Conduto, Vice-Presidente do Município, sublinhando a grande satisfação de ali poderem evocar a figura do Primeiro-Ministro do Povo e dos Trabalhadores, o Companheiro Vasco, num espaço muito frequentado pela população de um Concelho que tem história na luta antifascista e na defesa do um Portugal democrático, soberano e independente, dos Valores de Abril, das Conquistas da Revolução.
Houve emoção, sentiam-se os efeitos do orgulho por aquele acolhimento.

 

Seguiram-se as intervenções do Presidente da Junta de Freguesia de Silves, Tito Coelho, e dos membros da Direcção da ACR, Carlos Vitoriano e Valdemar Santos.
Enquanto este, a encerrar a iniciativa, fez a apresentação dos 7 painéis ali afixados ao longo das paredes do Mercado, remodelado em Fevereiro, Carlos Vitoriano afirmou que “foi durante os quatro dos governos provisórios liderados pelo General Vasco Gonçalves que este país mais avançou. Assistimos a grandes transformações democráticas da sociedade portuguesa e ao reconhecimento dos direitos fundamentais dos cidadãos, que, em grande parte, foram transpostos para a Constituição da República, que urge defender perante mais ameaças de nova revisão”.
Igualmente presente o Vereador Tiago Raposo, entre os cerca de trinta fregueses que ali, naquele período, se fixaram.


Esta iniciativa para além da rede do Município, foi anunciada no litoralalgarve.pt, algarveprimeiro.pt, jornaldoalgarve.pt, terraruiva.pt, regiaosul.pt., maisalgarve.pt, sulinformacao.pt, algarve7.pt.
 

No Facebook do Município é assinalada de imediato a presença da Vice-Presidente Luísa Conduto, da Chefe de Gabinete do Município Telma Caroço, do Presidente da Junta de Freguesia de Silves Tito Coelho, de Carlos Vitoriano e Valdemar Santos, membros da Direção da ACR - todos intervenientes -, e do Vereador Tiago Raposo.

Ver fotografias do evento clicando AQUI

Vasco Gonçalves de regresso ao Museu do Trabalho Michel Giacometti

 

Vasco Gonçalves de regresso
ao Museu do Trabalho Michel Giacometti

O filme que o próprio realizador – Paulo Guerra – não hesitou em qualificar como «poderoso», pela força que encerra no espaço de 26 minutos,
conjugando uma entrevista inédita a Vasco Gonçalves e a actuação da Brigada Vítor Jara num grande espectáculo comemorativo do Centenário que a
Associação Conquistas da Revolução desde Abril de 2021 chamou a si e projectou, foi base para um rico debate entre as duas dezenas de participantes
na sessão que teve lugar no Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, no passada sexta-feira, 25 de Novembro.
Na apresentação da iniciativa, a Dra. Lucinda Fernandes, Técnica-Superior do Museu, congratulou-se com a retoma do ciclo que a Câmara Municipal sadina e
a ACR de há anos assumiram mas que a pandemia temporalmente interrompeu, lembrando as evocações de Vasco Gonçalves, Rosa Coutinho e
Ramiro Correia, Militares de Abril. Por isso, enfatizou a permanência já ao longo do Abril deste ano da Exposição do Centenário.
O Coronel Baptista Alves, Presidente da Associação, enquadrou inicialmente o debate, e foi acompanhado por outros dois membros dos Corpo Sociais, os
Comandante Henrique Mendonça e Capitão-de-Mar-e-Guerra Manuel Marques Pinto. Os aspectos marcantes da personalidade do Primeiro-Ministro do Povo e
dos Trabalhadores e do seu papel na defesa dos Valores de Abril, a sua permanente busca da unidade democrática entre os militares do MFA e o
reconhecimento determinante do papel dos trabalhadores e das massas populares organizadas na construção e defesa das Conquistas da Revolução, a
luta dos povos colonizados pela sua independência e soberania convergente com a do povo português contra a ditadura de Salazar e Caetano, a análise da
actual situação política e económica nacional e mundial, a denúncia da prossecução imperialista sob a égide dos EEUU e da NATO e da qual os
sucessivos governos não se descartam, desrespeitando a Constituição da República Portuguesa, o avanço do fascismo e do nazismo à escala dos vários
continentes perpassaram o conjunto de intervenções.
A data histórica do 25 de Novembro como data do início da contra-revolução que tão bem fez concertarem-se, entre outros, Mário Soares e Carlucci, não
deixou de ter resposta: esgotaram-se no Museu os dez exemplares à venda da obra muito recentemente editada pela ACR, «O Novembro que Abril não
merecia», do Professor Catedrático Jubilado António Avelãs Nunes.
Uma certeza: «Em 2023 voltaremos!»

RECORDANDO JOÃO VARELA GOMES

 

 


 

RECORDANDO JOÃO VARELA GOMES

 Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

Nasceu em Lisboa a 25 de Maio de 1925.
Homem de extraordinária coragem, inteligência e espírito revolucionário, dedicou grande parte da sua vida, a combater a ditadura fascista, com enormes sacrifícios pessoais e familiares.
Era um dos militares mais cultos politicamente e de maior experiência do MFA.
Esteve envolvido na candidatura de Humberto Delgado à presidência da República em 1958.
Em 1961 apresentou uma candidatura à Assembleia Nacional.
Na passagem do ano de 1961 para 1962, foi gravemente ferido a tiro, no assalto que comandou ao Quartel de Beja, tendo então sido preso pela PIDE.
Colaborou na conspiração da Sé em 1969.
Após o 25 de Abril, ainda foi preso por um dos membros da Junta de Salvação Nacional.
Chefiou, sem nomeação oficial a 5ª Divisão do EMGFA, onde no respectivo Centro de Sociologia Militar, teve uma actividade relevante.
Liderou uma delegação militar a Cuba, sendo José Fernandes Fafe o embaixador português.
Foi então recebido por Fidel Castro.
Lembro uma conferência a que com ele assisti na Fundação C. Gulbenkian, na qual incomodado com várias afrontas à verdade acerca da Revolução de Abril, pediu a palavra e teve uma intervenção demolidora para os provocadores, ouvida num silêncio reverencial.
Era assim Varela Gomes. O seu passado e a sua frontalidade, impuseram respeito, não deixando margem para qualquer resposta consistente.
Na sequência do golpe do 25 de Novembro, face às ameaças que sofreu, viu-se obrigado a optar pelo exílio, fixando-se em Angola, de onde seguiu para Moçambique, regressando finalmente a Portugal em 1978.
Foi um grande amigo de Ramiro Correia e teve o desgosto de acompanhar os acontecimentos ligados à sua morte, ainda em Moçambique.
Acerca da 5ª Divisão, a que tanto se dedicou, escreveu em Fevereiro de 1984, um texto cujo final reproduzo.
".... Na realidade, a 5ª Divisão nunca emitiu um mandato de captura, nunca procedeu a qualquer busca, ou prisão, nunca exerceu actividades de natureza policial ou judicial. Apenas porque não era essa a sua função, não por se desconsiderar esse aspecto da defesa de um regime revolucionário.
As nossas missões situavam-se no campo das ideias, da Revolução cultural, consistiam em arrancar este nosso povo do obscurantismo, mostrando - lhe os caminhos do socialismo, os caminhos da redenção, da esperança, do progresso.
Também pegámos em armas e corremos para as posições mais expostas, sempre que a Revolução foi atacada. Mas esse é o dever elementar do revolucionário que tem alguma coragem e preza a sua honra. "
Manteve-se sempre um combatente até ao fim, tendo sido autor de numerosos livros e textos, fortemente críticos, relativos a acontecimentos ligados à contra - revolução.
Faleceu em Lisboa a 26 de Fevereiro de 2018.
Para um melhor conhecimento da personalidade e do percurso de Varela Gomes, junto o elogio fúnebre que proferi no Crematório do Alto de S. João:

João Varela Gomes, chegou à Revolução, já com muitos anos de luta, conhecedor das subtilezas da conspiração, da vida clandestina, dos sacrifícios pessoais, da solidariedade, do compromisso, do conhecimento dos homens, da lealdade e coerência, das traições, do arbítrio, da prisão e tortura, da proximidade da morte, da demonstração da coragem física e moral. Desses tantos pseudo revolucionários ignorantes, mas enfatuados e com muita prosápia que por aí proliferam, não tinha portanto nada a aprender. Teria mau feitio. Pois tinha, mas para quem era pusilânime, vira casacas, acomodado ou delator.
Afrontava qualquer tribuna, de olhar límpido, com uma lucidez tranquila, com uma auto confiança desarmante.
Sabia o que valia e por vezes parecia soberbo, mas respeitava a verticalidade e um espirito elevado, mesmo quando provenientes de um adversário político, era frontal, um avaliador arguto e um decisor implacável.
Nunca o vi apoucar ninguém que o enfrentasse com seriedade.
Tinha uma tal estatura ética e intelectual que o levavam a criticar sardonicamente, tantos, tão pequenos, que o pretendiam desacreditar.
Mesquinhos foram, os seus numerosos detratores, habituados ao reino da calunia, que por inveja e medo, lhe atribuíam, intenções e comportamentos que nunca teve.
A sua admirável cultura, da qual se destacavam a política e a histórica, era temida e certamente demolidora, porque era potenciada por uma inteligência fulgurante, e pela convicção profunda da justeza e necessidade da revolução, pela qual tantos anos combateu.
Sim era um inconformista, mas foi sem dúvida um exemplo e um modelo, para nós jovens que com ele convivemos, dentro e fora da 5ª divisão.
Vimos muitas vezes o seu empenhamento revolucionário ser tomado por destempero e insensatez.
Como se, mais uma vez, consumidos pelo medo, se enganaram  os que assim pensavam.
A coragem a coerência têm os seus caprichos e a urbanidade nem sempre é redonda.
É assim muitas vezes com os heróis.
Por não terem passados vergonhosos, por terem querido não dobrar a cerviz, são perseguidos, vilipendiados e abrem-lhes a porta do esquecimento.
Mas, os lutadores como o Varela Gomes, não passam pela estreiteza dessa porta.
A sua dimensão, a sua obra, fá-lo-ão sobreviver e a ser contemporâneos do futuro, e a sua memória perdurará para além desta morte que não é um fim.
Eis um homem, a quem a Pátria deve ficar reconhecida.
Obrigado João

 

Objectivos prioritários para 2023

 

Em 2023, teremos dois objectivos prioritários:

-Avançar na concretização da construção do Monumento de homenagem ao General Vasco Gonçalves;

-Comemorar o 49º Aniversário do 25 de Abril e preparar as grandes comemorações do 50º Aniversário.

Assim, propomo-nos levar a cabo um conjunto de iniciativas, especialmente direccionadas para a juventude, sobre as principais conquistas da revolução iniciada em 25 de Abril de 1974:

-Democracia de Abril-CRP de 1976;

-Descolonização-Apoio aos retornados das ex-colónias;

-Educação e Cultura para todos;

-Saúde para todos;

-Direito ao trabalho com direitos;

-Igualdade de direitos.

Entraremos em 2024 com uma grande Festa da Liberdade,  dando início às comemorações do 50ºAniversário do 25 de Abril de 1974.

Queremos que estas comemorações, 50 anos de liberdade, se estendam por todo no ano de 2024 e vamos procurar, em articulação com os Núcleos ACR, estabelecer um calendário para todas as iniciativas dando prioridade às sugestões e participação dos nossos associados, ficando aqui já um apelo a todos para, quanto antes, nos fazerem chegar as suas propostas.

Intervenção de Baptista Alves na AG do CPPC em 20221117


Intervenção na Assembleia Geral do CPPC
07
de Novembro de 2022

Baptista Alves
Presidente da Assembleia Geral do CPPC
Presidente da Direcção da ACR

 

A situação internacional de hoje é a pior situação já vivida no pós II Guerra Mundial.

Ao imenso rol de ingerências e intervenções militares directas em países não submissos aos interesses das potências dominantes, ao longo destes últimos 77anos, junta-se agora a grande ameaça de confrontação directa entre as maiores potências militares do planeta. Pior cenário não pode a imaginação humana conceber.

Com o fim da Guerra Fria e o desmantelamento do Pacto de Varsóvia, os EUA e seus aliados, ao invés de iniciarem o desmantelamento da NATO como seria plausível, lançaram-se numa desenfreada ocupação militar no Leste Europeu, reforçando e alargando a aliança com o evidente propósito de sitiar a Federação Russa.

E fizeram-no usando toda a panóplia de estratagemas e artimanhas adquirida no seu passado, recheado de ingerências externas noutros países e à revelia dos acordos a que estavam vinculados.

Aliás é oportuno dizer que, no passado recente, pós 11 de Setembro de 2001, a intervenção militar dos EUA em países soberanos, passou a ser decidida com base em legislação especial própria, à margem do direito internacional e mesmo dispensando a aprovação do próprio Congresso.

Tudo justificado no âmbito da “cruzada contra o terrorismo internacional”, com a anuência e mesmo parceria de outros países da NATO e com o silenciamento descarado por parte dos grandes meios de comunicação social, amestrados e rendidos aos interesses dominantes.

A história há-de fazer-se com verdade, escalpelizando acontecimento a acontecimento e tirando ilações outras que não as que nos querem a todos meter pelos olhos dentro.

Nada acontece por acaso, tudo se insere nas estratégias de domínio que têm norteado as lideranças no chamado Mundo ocidental, acorrentadas aos interesses dos grandes grupos económico-financeiros, apátridas e viciados na rapina das riquezas naturais do planeta, suportados num poderio militar nunca antes visto, espalhado por todo o Globo … e já não só (a militarização do espaço já não é só ficção).

E chegamos ao ponto em que estamos hoje, mais uma guerra na Europa. Desta feita, uma guerra pensada e trabalhada há catorze anos a esta parte, com inconfessáveis objectivos estratégicos e políticos:

1.  Enfraquecer a Federação Russa como primeiro passo para apontar a Pequim e esmagar o “milagre económico chinês”;

2.  Reforçar a dependência económica e militar da União Europeia em relação aos EUA, acabando de vez com qualquer pretensão a uma voz autónoma no concerto das grandes nações;

3.  Recuperar a supremacia militar mundial, abalada pela concorrência das potências emergentes dispostas a libertarem-se do abraço de ferro a que têm estado submetidas;

4.  Manter e reforçar o domínio do comércio internacional, do sistema financeiro baseado no dólar e de todas as “ferramentas” tecnológicas que utiliza para continuar a sugar as riquezas dos outros povos e evitar assim o previsível colapso da sua própria economia.

Destes quatro objectivos, numa análise simplista, diria que o segundo está já plenamente atingido: A União Europeia dobrou-se aos ditames do outro lado do Atlântico, deixando-se engajar nesta tenebrosa aventura belicista de consequências inimagináveis. Quanto aos outros três, só o futuro o dirá… se sobrar futuro!

A imensa capacidade de destruição dos armamentos actuais, a existência de arsenais nucleares, de armas químicas e biológicas, capazes de por em causa a sobrevivência da humanidade, associada ao facto de o conflito se centrar entre as duas maiores potências militares do planeta, não deixa qualquer outra saída para esta situação, que não seja: Parar isto, já!

Só mesmo mentes doentes podem acreditar numa qualquer solução militar para esta trapalhada e a escalada da guerra em curso, sub-reptícia, com o envolvimento indisfarçável de forças armadas de países inseridos na NATO, faz prever o pior, … e o pior nós sabemos bem o que é, por pura aritmética:

-     Basta lembrarmo-nos de que, no século XX, na II Guerra Mundial, o saldo foi de aproximadamente 50 Milhões de mortos para já não falar na destruição de cidades e países inteiros;

-     A capacidade de destruição do armamento existente hoje nos arsenais das grandes potências militares é incomensuravelmente superior ao existente na altura…

100 vezes? 200 vezes? Provadamente muito mais.

Mas então o que fazer?

-     Lutar! Lutar como sempre temos feito no CPPC, solidariamente com todos os movimentos defensores da paz no nosso país, em uníssono com os movimentos integrados no Conselho Mundial da Paz, em particular com os movimentos europeus que coordenamos, pelo fim imediato das hostilidades;

-     Apelar pela negociação duma Paz duradoura, construída no respeito dos direitos de todos os povos do Mundo, no âmbito de uma Conferência Internacional alargada e pugnar pelo “desarmamento geral, simultâneo e controlado” e “a dissolução dos blocos político-militares”, nos termos do Artigo 7º da CRP de 1976.

(Deixem-me aqui abrir um parêntesis para dizer, que a Constituição de Abril está agora sob a ameaça de mais uma revisão constitucional, o que provavelmente não será também por acaso).

Impõe-se-nos ainda:

-     Denunciar a tremenda injustiça deste Mundo tão desigual em que vivemos hoje, que permite a concentração da riqueza mundial nas mãos de poderosos grupos económico-financeiros transnacionais que ditam e decidem das nossas vidas - á margem dos poderes políticos instituídos ou com a sua vassala conivência - e agora se arvoram no direito de jogar na “roleta russa” a sobrevivência de toda a humanidade.

-     E, em defesa da vida na Terra - desta maravilhosa realidade que, até prova em contrário, é única em todo o Universo - apelarmos à mobilização geral, de todas as pessoas de bem, para a luta pela Paz e pela Vida.

Paz sim! Guerra não!