"Revolução dos cravos - vivências a norte" | Casa da Cultura de Avintes

 No âmbito das Comemorações dos 50 anos 25 de Abril, no dia 23 de Maio, quinta feira, pelas 21:30, vai a Associação Conquistas da Revolução, em parceria com o Centro Adriano Correia de Oliveira, organizar uma sessão evocativa intitulada "Revolução dos cravos - vivências a norte", na Casa da Cultura de Avintes (Rua da Sobreira, 79), com a participação do Coronel Castro Carneiro e de Jorge Sarabando.

 

 




Texto de Jorge Sarabando na Reitoria da Universidade do Porto em 13 de Maio de 2024

Texto da autoria do Jorge Sarabando, Vice Presidente da Direcção, tornado público a 13 de maio de 2024, aquando da apresentação, na Reitoria da Universidade do Porto, do livro

 

Crisântemo branco

abril rostos e vozes liberdade

de Eugénia Soares Lopes

Edições Afrontamento

 

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Intervenção da juventude no dia 25 de Abril de 2024

 

 

50 anos depois, o povo continua a sair à rua para mostrar que Abril é atual e necessário. Pois enquanto houver injustiças é em Abril que encontraremos as respostas para enfrentá-las.

 

Isto vai meus amigos, isto vai! Olhem à vossa volta: os muitos sotaques e línguas diferentes que ouvimos aqui hoje nesta manifestação deixa muito claro os quantos que procuram Abril no seu futuro. Abril interessa a todo o povo, aos portugueses, aos imigrantes, a todos que estudam, trabalham e vivem em Portugal. Assim como interessou aos povos Angolano, Moçambicano, Guineense, Cabo-verdiano, São-tomense, que foram também construtores de Abril quando se levantaram contra um regime colonialista, caduco e opressor, quando se levantaram contra o fascismo. 

 

Abril une a todos nós. As forças da extrema-direita dizem que não. E dizem que não pois lhes interessa. Aquele braço direito com tiques do passado, é o mesmo que ao final do dia aperta a mão dos senhores do dinheiro, a quem interessa que estejamos divididos. Que o português, o brasileiro, o angolano, o indiano, não percebam que aquele autocarro que apanham juntos para encher o bolso do patrão os une, mais do que os divide. Daqui dizemos, somos todos Portugal, pelo Portugal de Abril!

 

O fim das propinas interessa a todos nós, aos portugueses que continuam a não ter a educação gratuita prevista na Constituição e têm de pagar propinas, taxas e emolumentos, mas também a nós imigrantes que pagamos propinas que por vezes chegam a ultrapassar os 7 mil euros por ano.

 

Interessa a todos nós uma escola pública de qualidade, com mais professores, mais

funcionários e mais condições, tanto àqueles que vão desde pequenos a uma escola

com amianto, com o teto a cair, com infiltrações, quanto àqueles pais e mães

imigrantes que chegaram agora e vão de escola em escola tentando matricular seus

filhos, mas não conseguem por não haver vagas.

 

Interessa a todos nós que se cumpra o direito à habitação. Aos que se veem cada vez

mais afastados dos lugares onde nasceram, empurrados para fora das suas cidades

pelos hotéis, pelo alojamento local, pelas habitações de luxo, pela especulação

imobiliária, quanto àqueles que chegam agora e se deparam com rendas

incomportáveis, incompatíveis com os salários, e são empurrados para casas

sobrelotadas, forçados pela sua situação socioeconômica a partilhar a casa, ou a

partilhar o quarto, ou mesmo a ir morar na rua. E quando o valor da renda não é um

impeditivo, o tom da pele ou o sotaque estrangeiro é. “Não arrendamos a brasileiros”,

escutaram muitos dos que vieram para cá.

 

Interessa a todos nós o aumento dos salários e o fim da precariedade. E há quem diga

que a entrada de imigrantes faz os salários baixarem e as condições de trabalho

piorarem. Mas não foram os trabalhadores imigrantes que criaram a precariedade, afinal ela já existia antes de virmos para cá. Quem a cria é quem com ela lucra. Diante dessa realidade só há uma resposta possível: é preciso que todos os trabalhadores, portugueses ou imigrantes, tenham um vínculo de trabalho efetivo, tenham o direito ao trabalho com direitos. É só com uma legislação laboral justa, com mais meios e recursos, e, acima de tudo, com trabalhadores organizados e com força que se travará o projeto daqueles que lucram com a vulnerabilidade e a miséria dos outros.

 

Compreende-se que esses não estejam com Abril. Abril une todos os que estão com

a liberdade, mas não é de todos! Abril não é dos exploradores, Abril não é dos que

dão a mão ao mercado privado e destroem os serviços públicos. Esses vêem em Abril

um grande obstáculo.

 

Abril não é dos racistas e xenófobos.

Abril não é dos que querem humilhar as mulheres. Abril não é dos que discriminam as pessoas LGBTQIA+!

Abril não é dos que defendem a Guerra!

 

Por isso carregamos connosco a bandeira de Abril. É em Abril que encontramos as respostas para nos livrarmos das amarras que nos impedem de sermos livres. O 25 de Abril não foi só uma madrugada, mas sim o fruto de um processo, de anos de duras lutas nas quais a juventude teve um papel fundamental, estando na linha de frente tanto no combate ao fascismo, como pelo que viria depois, pela construção de um mundo novo, pela transformação revolucionária da sociedade, apontando o caminho a se seguir. E ao apontarem o caminho, Abril se projetou no futuro.

 

Abril não foi só essa madrugada pela qual, lutando, esperávamos, assim como Abril não é só uma ideia abstrata. Abril é concreto. Abril é democracia nas escolas, é formar associações de estudantes, abril é se manifestar, é fazer greve.

 

A cada trabalhador que se sindicaliza Abril ganha força. A cada trabalhador ou estudante que sai à rua Abril ganha força, tal como fizeram as dezenas de milhares de jovens que saíram às ruas em Março para assinalar o Dia Nacional do Estudante e o Dia Nacional da Juventude: os estudantes do Ensino Superior, que se manifestaram em Lisboa pelo fim das propinas, por mais ação social, pelo alojamento estudantil, os estudantes do ensino secundário, que se manifestaram em dezenas de escolas por todo o país, os jovens trabalhadores, que se manifestaram no dia 27 pelo aumento dos salários, pelo fim da precariedade e pela redução do horário de trabalho, mas também os muitos jovens de diversos sectores nas suas lutas específicas, desde os centros de contacto aos jornalistas que fizeram uma greve geral histórica, e também as mulheres que se manifestaram pela sua emancipação, pela efectivação de seus direitos, pela igualdade salarial, pela igualdade no trabalho e na vida e pelo fim às violências.

 

Ações que invocam Abril tanto pela forma quanto pelo conteúdo. Porque Abril é o direito à greve e à manifestação, mas também é serviço público de qualidade, com profissionais e com investimento necessário, é educação, saúde, transportes, segurança social, é democracia, é o acesso à informação, é o direito a informar e ser informado. Abril é enfrentar a gula do lucro, é o poder político acima do poder económico.

 

E 50 anos depois, os filhos, os netos, os bisnetos da Revolução continuam aqui a lutar para fazer florescer a semente que ficou num canto de jardim que nos cantava Chico Buarque, a lutar e a combater a política de direita que afronta os valores de abril. Combater a política de baixos salários, de degradação dos serviços públicos, de divisão, de instigação da guerra, de reforço do militarismo, a política de roubo aos trabalhadores e ao povo para o benefício dos monopólios. Luta que se faz tendo Abril como bússola. Luta cujas fileiras hoje, nós imigrantes, também engrossamos.

 

50 anos depois, Abril continua a ser um exemplo nos caminhos para a Paz. O ideal de

Abril, que se evidenciou no fim da guerra colonial, ideal que ficou plasmado na Constituição da República Portuguesa, nomeadamente no seu artigo 7º, é muito claro: Abril é a abolição do imperialismo e do colonialismo, é o direito à autodeterminação dos povos, é o fim dos blocos político-militares. Quando nos vemos diante dos horrores da Guerra, seja na Ucrânia, seja na Palestina, fica claro que Portugal e o seu Governo têm de honrar Abril, defendendo a Paz.

 

Abril exige que nos mantenhamos vigilantes, para que não haja retrocessos, e que nos

mantenhamos confiantes, pois há muito por conquistar, e é na rua que se conquista.

Foi na rua que se fez a Revolução, e é na rua que os filhos da Revolução estarão de

novo amanhã. Resistindo. Sempre.

 

E como disse há pouco, e citando o poeta Ary,

Isto vai meus amigos isto vai

o que é preciso é ter sempre presente

que o presente é um tempo que se vai

e o futuro é o tempo resistente

 

Abril é passado, presente e acima de tudo futuro.

 

Viva a luta da juventude!

Viva Abril!

25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!

 


Recordando a data de 3 de Maio | Manuel Begonha

 RECORDANDO

 

Nascia há 103 anos o General Vasco Gonçalves que nos 4 Governos Provisórios a que presidiu, concretizou a maior parte do Programa do MFA.
Foi o único primeiro ministro português que governou com e para o povo.
As conquistas que fizeram durante a Revolução, ficaram quase totalmente integradas na Constituição da República Portuguesa.
 
Nunca será esquecido
 
Viva Vasco Gonçalves!
 
Manuel Begonha

 

As Conquistas da Revolução

 

Depois das grandes manifestações comemorativas dos 50 anos do 25 de Abril e do primeiro 1º de Maio em liberdade sugerimos visita ao link

 

 

Moção aprovada na Assembleia Municipal de Loures - Nos 50 anos da Revolução de Abril

 

 Moção aprovada na Assembleia Municipal de Loures

"- Nos 50 anos da Revolução - Comemorar Abril e Maio, afirmar e valorizar o poder local democrático e os direitos dos trabalhadores"

Para ler o texto da Moção clique AQUI