A UNIDADE DE ESQUERDA

A UNIDADE DA ESQUERDA

Texto de Manuel Begonha 


Tem-se verificado que a direita e a extrema-direita fascizante, têm tentado unir-se, com o objectivo de tomar o poder, beneficiando de fortes apoios financeiros e logísticos nacionais e internacionais.

Tal significaria, um forte ataque à Constituição da República Portuguesa,(CRP) ou seja, a reversão das principais conquistas da revolução nela integradas e a instituição de uma política de mais deveres e menos direitos que se traduziram nas seguintes medidas :

- Exploração do trabalho

- Reforçar o controlo da Comunicação Social

- Privatizar a Saúde e a Educação

- Desvalorizar a Cultura

- Degradar a Democracia

- Alienar a Soberania Nacional , vendendo a grupos estrangeiros sectores básicos da nossa economia.

Não podemos esquecer que a finança internacional, tenta subverter os governos globalmente.

Esta nova ordem , significa que a economia seria unificada num único mercado.

Os Estados transformam- se em empresas , uma vez que a unificação neoliberal é basicamente económica.

O que interessa que circule livremente, são as mercadorias não as pessoas.

É por isto que a esquerda deve encontrar uma estratégia comum de unidade , na defesa do essencial que é a CRP e o honrar um passado de luta anti - fascista que não pode renegar, cedendo a cantos de sereia europeístas, ou por sentir ameaçados os seus interesses.

Os partidos políticos não são todos iguais.

Os da esquerda, não podem comportar-se como se uma paixão clubística os movesse.

Devem transportar um forte ideal motivador e transformador.

A esquerda tem de ser motora de uma sociedade nova  , onde cesse a exploração do homem, subsista a dignidade humana e se lute pela paz entre os povos.

A esquerda não pode coexistir com situações intoleráveis que estão a corroer a nossa sociedade, devendo ser implacável no combate à corrupção  , à desigualdade social e à ineficácia da justiça.

E é por isto que os seus partidos devem ter extremo rigor  , na selecção dos seus representantes para cargos públicos.

Contudo, esta unidade de esquerda não deve retirar a independência aos respectivos partidos.

Não implica o voto útil na primeira volta de quaisquer eleições.

Nem deve haver contemplações , com o oportunismo político e o taticismo calculista na Assembleia da República ou nas Autarquias.

Pelo contrário, os partidos devem lutar denodadamente por defender e divulgar os seus programas e conquistar novos eleitores.

Se não garantirmos o presente , o futuro nunca abandonará o nosso penoso passado. O presente, não é o nosso único tempo.

Faleceu Armando Myre Dores


 

Faleceu esta madrugada o sócio fundador da nossa associação Armando Myre Dores. 
Lutador anti fascista esteve muitos anos exilado tendo regressado após o 25ABR74.
Foi dirigente da Associação Portugal URSS e mais tarde o fundador da Associação Iuri Gagarine.
Foi co-fundador do Grupo de Estudos Marxistas.

O corpo encontra-se na Igreja de Santa Joana Princesa, hoje, até às 22h00, e amanhã, a partir das 9h30.
Às 16h45 de amanhã, terça-feira, dia 25, sai para o cemitério do Alto de São João, onde terá lugar a cremação.

 
À família enlutada apresentamos os nossos sentimentos.

Lisboa apresentação do livro “Vasco Gonçalves - Essa gente é o que é eu sou um homem do MFA”

No âmbito da comemoração do centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves, a Associação Conquistas da Revolução promove no próximo dia 27 de Maio pelas 1800h na Casa da Imprensa, uma sessão de apresentação do livro Vasco Gonçalves - " ESSA GENTE É O QUE É. EU SOU UM HOMEM DO MFA", de que é autor, o Dr AVELÃS NUNES, Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Direito de Coimbra.
A apresentação do livro estará a cargo do cmd. Almada Contreiras.

É obrigatório o uso de máscara.
A lotação da sala está limitada de acordo com as regras sanitárias em vigor
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Faleceu Diniz de Almeida

 


 Faleceu Diniz de Almeida, militar de Abril, um dos principais obreiros do levantamento militar que deu origem ao 25 de Abril de 1974.

Era um homem de grande carácter, corajoso e leal aos seu princípios e aos seus amigos.
A sua trajectória honra as Forças Armadas, e muitos portugueses se identificaram com ele na luta contra as forças antidemocráticas do nosso país.

Lamentamos profundamente a sua morte.
Os seus ideiais permanecem vivos e actuais e dão-nos a força para continuar a defender Abril.

Enviamos os mais sinceros pêsames à sua família e amigos



 

 

Saudação do militar de Abril cor. Manuel Duran Clemente

 

Do Coronel Manuel Duran Clemente, militar de Abril e sócio fundador da nossa Associação, na impossibilidade de estar presente por motivos de doença recebemos a saudação que transcrevemos

Intervenção do Presidente da Direcção na Sessão Solene comemorativa do centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves

 Realizada em 9 de Maio de 2021 no salão nobre da Voz do Operário

Intervenção de Baptista Alves

Boa Tarde

 

Cumpre-me em primeiro lugar, saudar a família do General Vasco Gonçalves (aqui representada pelos filhos, Maria João e Victor, pelos sobrinhos, Maria Eduarda, José Diogo e Vasco) que muito nos honram com a sua presença, saudar a distinta Comissão de Honra, saudar as associações e organizações aqui representadas (A25A, CGTP, Voz do Operário, CPCCRD, Casa do Alentejo, ANS, MURPI, AOFA, CPPC, MDM, MPPM, URAP, FENPROF, SGPL, AAPC e AP) e saudar todos os nossos associados e amigos aqui presentes e também todos aqueles que não podendo estar aqui, estão connosco nesta homenagem ao General Vasco dos Santos Gonçalves, no Centenário do seu nascimento.

 

Cumpre-me também felicitar os órgãos sociais da ACR, pelo trabalho realizado e pela teimosia em não permitir que as dificuldades muitas que houve que vencer, nos vencessem: nem o silêncio dos poderes instituídos, nem o ostracismo a que a comunicação social nos votou, nem a situação pandémica que nos fustiga, foram capazes de nos fazer desistir.

 

E, assim, aqui estamos hoje a viver, a recordar e reviver - pelo “engenho e arte” dum magnífico elenco de autores e intérpretes - o tempo que foi de Abril, o tempo que foi do povo e dos militares de Abril, o tempo que foi das conquistas da revolução, o tempo que foi do Companheiro Vasco.

 

O nosso muito obrigado, à Carmen Santos, ao Manuel Pires da Rocha, à Sofia Lisboa, à Vanessa Borges, ao Fausto Neves, ao Carlos Canhoto e ao Coro Lopes Graça dirigido pelo maestro Alexandre Branco.

 

O nosso agradecimento também à Direcção da Voz do Operário por ter aceitado associar-se a nós nesta homenagem, pela cedência das instalações e pelo apoio inexcedível que nos facultou.

 

Do Programa das comemorações que apresentámos publicamente em Outubro de 2020, realizámos já:

 

-A medalha comemorativa da autoria de Acácio Carvalho que se encontra disponível na nossa banca;

 

-Editámos um cartaz comemorativo, trabalho do escultor José Santa-Bábara sobre fotografia de Alfredo Cunha que julgamos poder ser uma excelente recordação deste evento e por isso se colocaram à parte para facilitar o acesso a todos os interessados, de forma rápida e segura, a troco da contribuição que cada um entender fazer;

 

-Editámos uma Folha Informativa, especial, dedicada ao Centenário, com textos de personalidades ligadas às áreas de intervenção mais representativas da acção do General- trabalho coordenado por Modesto Navarro, que, pela importância e qualidade das participações e pelo acolhimento que tem merecido, se encontra também disponível para quem ainda a não tenha recebido- dispensamo-nos de nomear os autores dos textos por os mesmos se encontrarem devidamente identificados na própria FI;

 

-Editámos também uma brochura, intitulada “Quem foi Vasco Gonçalves”, com textos de Manuel Begonha e Miguel Urbano Rodrigues, também disponível na nossa banca;

 

-Realizámos uma exposição fotográfica, em suporte adequado, coordenada por Manuel Begonha, com vista ao apoio de intervenções nas escolas, associações e autarquias e outras iniciativas locais de comemoração do centenário, para as quais seja pedida a nossa colaboração;

 

-Participámos na edição do livro do Professor Avelãs Nunes, cujo lançamento esperamos fazer brevemente, intitulado “Vasco Goncalves-essa gente é o que é eu sou um homem do MFA”;

 

-Realizámos um Concerto em Gaia, no Cine-Teatro Eduardo Brazão, em 23 de Abril, organizado pelo Núcleo ACR do Porto;

 

-Realizámos um Colóquio “Vasco Gonçalves - a obra e o homem”, em 24 de Abril, no Salão Nobre da Câmara de Matosinhos, organizado pelo Núcleo do Porto com apoio da Câmara Municipal de Matosinhos;

 

-Participámos, em 3 de Maio, na inauguração da Placa toponímica na Rua General Vasco Gonçalves, no Lumiar, cerimónia que contou com a presença da Vereadora da cultura da Câmara Municipal de Lisboa, do presidente Junta de Freguesia do Lumiar, família do General e nós próprios, ACR, enquanto dinamizadores da concretização deste evento na data em que se completaram os 100 anos do nascimento do General Vasco Gonçalves;

 

-Realizámos uma sessão-convívio na Sede da nossa ACR, em 3 de Maio, assinalando a data do nascimento do General Vasco Gonçalves com a inauguração da nossa exposição.

 

Tudo isto que conseguimos realizar até aqui, só foi possível pelo excepcional carinho e admiração que a figura ímpar do General Vasco Gonçalves desperta em todos nós e só isso explica que tenha sido possível associar a estas comemorações tantos e tão valiosos contributos. Em nome da ACR, o nosso muito obrigado a todos.

 

Outros eventos comemorativos do centenário, por nós promovidos ou por iniciativas locais das Câmaras Municipais com a nossa participação activa, terão ainda lugar:

-Em Loures, em 15 de Maio, no Museu Nacional de Loures;

-Em Silves;

-Em Viana do Castelo, por iniciativa do Núcleo ACR;

-No Porto, em Outubro, exposição com apresentação do nº3 dos cadernos de Abril, iniciativa do Núcleo do Porto;

-Em Setúbal;

-Em Angra do Heroísmo;

-Em Lisboa, com um colóquio sobre a “Vida e Obra do General.”

 

Oportunamente daremos informação mais concreta sobre estas  iniciativas.

 

Sabemos que a figura de Vasco Gonçalves, pelo muito que deu a este povo que somos, mereceria muito, muito mais, não fora a maleita, ou melhor, as maleitas que nos assolam.

 

Por muito que os adversários de Abril se esforcem, não vão conseguir apagar a sua vida exemplar, o seu passado anti-fascista, a sua participação no movimento dos capitães- sendo então já coronel e tendo sido um dos responsáveis pela elaboração do Programa do Movimento das Forças Armadas- e a sua importante participação em todo o processo que conduziu ao 25 de Abril de 1974 e ao derrube da ditadura.

 

E, muito menos, vão conseguir apagar o seu excepcional desempenho enquanto Primeiro-Ministro de quatro dos seis Governos Provisórios, no período mais criativo da Revolução de Abril, iniciada em 25 de Abril de 974, “esse que foi o dia mais luminoso da história de Portugal.”

 

Abriram-se então as portas do futuro, aquele mesmo futuro que o General sonhou e que, nas suas próprias palavras, “não é cada vez mais saudade, é, sim, cada vez mais necessidade imperiosa.

 

Hoje, mais do que nunca, quando os contra-revolucionários deixam cair a sua máscara de democratas e exibem, despudoradamente, a sua índole fascista, se torna imperioso afirmar a verdadeira dimensão da herança de Abril.

 

E, exigir que Abril se cumpra.

 

Por pura estultícia, ou má-fé, alguns se afadigam em afastar as novas gerações do conhecimento da Revolução de Abril e dos homens e mulheres que a tornaram possível.

 

Não o permitiremos!

 

Por imperativo estatutário, da nossa ACR e por consciência revolucionária, nos propomos como principal objectivo das nossa existência, “preservar, divulgar e promover o apoio dos cidadãos aos valores e ideais da Revolução”.

 

O rumo é este e nesta caminhada que urge fazermos, cabem todos quantos se identifiquem com os valores de Abril e as conquistas da revolução plasmadas na CRP de 1976.

 

Mas que fique claro: não nos assumimos como donos de coisa nenhuma, mas não pactuaremos com coisa alguma, disfarçada do que quer que seja, que invoque em vão os valores de Abril e as conquistas da revolução com o intuito manifesto de as diminuir e de as destruir.

 

E, àqueles que do alto da sua sobranceria bacoca, se arrogam não saber quem somos, diremos, parafraseando Vasco Gonçalves:

Cada um é o que é. Nós somos gente de Abril.

 

Daqui desta tribuna, com o peso da responsabilidade de o fazer nesta sentida homenagem ao General Vasco dos Santos Gonçalves, perante, uma Comissão de Honra que integra: resistentes anti-facistas; Militares de Abril com destacada intervenção no processo revolucionário; ex- Conselheiros da Revolução (aqui presentes, Almirante Martins Guerreiro e Coronel Pereira Pinto) e (O Major General Pezarat Correia que aqui não estando, por razões de saúde, aqui também gostaria de estar); ex- Deputados à Assembleia Constituinte (aqui presente, Jerónimo de Sousa, que se faz acompanhar por uma delegação do PCP); ex- Ministros e ex-Secretários de Estado dos Governos Provisórios (aqui presentes, Avelino Gonçalves, Carlos Carvalhas e Fernando Vicente); o Conselheiro de Estado (Domingos Abrantes); o coronel Pinto Soares, capitão de Abril e amigo íntimo que foi do General; e muitos outros Homens e Mulheres de Abril que viveram e fizeram a Revolução e nos abriram as portas do Futuro. Daqui, dizia, exorto as novas gerações à defesa intransigente das conquistas da revolução e à luta, sem tréguas, para que Abril se cumpra.

 

Agarrem o Futuro com as duas mãos, sem medos. As atoardas bafientas dos adversários de Abril são só isso mesmo, são o desespero de causa de hordas desconcertadas pela melodia do toque a reunir que há tempos se ouve nas hostes de Abril.

 

Antes de terminar, seja-me permitido pedir uma salva de palmas muito especial para todos quantos: camaradas de armas, amigos e companheiros do General, gente de Abril, a lei da vida já levou… Lado a lado, com Vasco Gonçalves, ficarão para todo o sempre, a iluminar o nosso caminho, os nossos sócios de mérito (Costa Martins, Ramiro Correia, Rosa Coutinho, Zé Casanova, Nápoles Guerra, Victor Lambert, José Saramago, Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira e Vasco Costa Santos)

 

Abril vencerá!

Viva o 25 de Abril!

Viva Portugal!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Intervenção do Presidente da Assembleia Geral na Sessão Solene comemorativa do centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves

Realizada em 9 de Maio de 2021 no salão nobre da Voz do Operário

Intervenção de Manuel Begonha

Estamos hoje a comemorar o centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves.

 

Este general de quem vamos a seguir ouvir falar, soube mobilizar e ganhar a confiança de um povo, porque não sendo um homem providencial, era excecional, na sua forma de se exprimir, na sua postura, na sua simplicidade.

 

E a honestidade combinava nele bem com a firmeza de carácter.

 

Vasco Gonçalves era um homem de Lisboa, nascido no bairro da Graça.

Debaixo de uma capa de timidez, era capaz de transformar certas assembleias do MFA, que se arrastavam em discussões em que não parecia haver consensos, num verdadeiro incêndio.

Tomava a palavra, empolgava-nos a todos e os problemas resolviam-se sem ressentimentos da parte de ninguém, tal era a autenticidade e a luminosidades da sua oratória.

E isto aconteceu em muitas das intervenções públicas que realizou.

 

Tem portanto razão Alice Vieira, um dos muitos poetas que Vasco Gonçalves inspirou, que nas frases finais de um seu belo texto/poema, tão bem o caracterizou: “Punha os óculos, tirava do bolso o papel do discurso que tinha feito, começava a ler. Por alguns minutos. Porque logo de seguida o víamos a guardar o discurso, a tirar os óculos e a falar como só ele sabia. E tudo, tudo ardia.”

 

Na verdade, Vasco Gonçalves não se deixava iludir pelos sonhos. O futuro que queria para Portugal, era fundamentado numa reflexão profunda e num vasto conhecimento político e social.

 

Sempre manifestou interesse em conhecer revolucionários e intelectuais que de algum modo tivesse sido relevantes em acontecimentos históricos.

Recebeu muitos deles em sua casa, pois era muito respeitado e admirado. Parecia que na sua permuta de opiniões queria confirmar as suas convicções.

Gostava de discutir o que lia e induzir nos outros um pensamento criativo.

 

Partilhava com muita gente o que escrevia não porque se sentisse inseguro, mas porque gostava de ouvir a opinião dos outros e também dos mais jovens, fazendo-nos acreditar que prezava as nossas intervenções, porque sabia quanto devia aos seus mestres.

 

Era reconhecido nacional e internacionalmente como um revolucionário ligado à cultura e ao humanismo.

Tal como José Martí, acreditava que um povo deveria “ser culto para ser mais livre” e apoiou as campanhas de dinamização cultural do MFA.

 

Numa intervenção no Sabugo disse:

“Nós não vimos aqui com intuitos paternalistas. Não vimos trazer-vos a verdade e a solução dos vossos problemas. Vimos aqui aprender convosco. É no contacto directo com as populações que as F. A. avaliam das suas necessidades concretas.”

 

Como homem isento e íntegro que era, lutou com determinação para criar algo diferente e motivar o país para a mudança.

Contudo, nunca julgando que o Homem se modificasse ou que a Revolução se consolidaria com as palavras e sem os actos, que seria o mesmo que conseguir uma vitória sem batalha.

Foi mordido com uma crueldade inusitada, pelo despeito, intolerância, hipocrisia e traição.

Mas não vacilou, nem perdeu a dignidade.

 

Perante tais afrontas limitou-se a dizer:

“Essa gente é o que é eu sou um homem do MFA”

E adiante

“Para mim moral e política vão de par, não se podem dissociar.”

 

Dedicou-se a erradicar o elevado grau de pobreza, de ignorância e de injustiça existente no país, demonstrando um alto sentido de governação e dedicação ao povo, defendendo sempre a soberania nacional.

 

No estrangeiro, em representação de Portugal insistiu sempre em discursar em Português.

Perante políticos que lhe eram adversos nunca se intimidou e defendeu com pundonor a revolução portuguesa. Gerald Ford, presidente dos E.U.A considerou-o um interlocutor difícil.

Henry Kissinger que não o apreciava especialmente, temia-o por saber que Vasco Gonçalves seria capaz de levar o país por uma via de transição para o Socialismo, por ser amado e respeitado pelo povo.

 

Esteve na Guerra Colonial e nas suas comissões de serviço, protegeu sempre os seus subordinados, mesmo em situações em que sabia que eram perseguidos pela PIDE.

 

Valorizava os seus soldados como irmãos de armas e no comando direto nunca perdeu a responsabilidade, nem permitiu que os que lhe obedeciam esquecessem a dignidade.

Queria trazê-los vivos para casa.

 

Com o Povo e o M.F.A. unidos, foi o grande impulsionador e o símbolo da Revolução nos 4 Governos Provisórios a que presidiu.

 

Se hoje temos uma Constituição progressista, em grande parte a ele o devemos.

Lutou em muitas frentes, tendo sido desinteressadamente valioso para todos nós.

 

Não quero deixar de referir Aida Gonçalves, sua mulher, que sempre esteva seu lado, ajudando-o e incentivando-o.

 

Foi também, pelo seu exemplo, um valioso contributo para emancipação e conquista de direitos das mulheres em Portugal.

 

Agora que estou quase a terminar, devo recordar que Vasco Gonçalves nunca admitiu que a luta de classes pudesse evoluir para que um grupo de eleitos acedesse a um nível tal de bem estar que lhes permitiria viver sem má consciência.

 

Diz-se que não há homens insubstituíveis. Talvez.

Mas existem alguns que nos inspiram para seguir a seu lado e afirmar como Abraham Lincoln:

“Cabe-nos a nós os vivos, comprometer-nos a levar a cabo a obra inacabada de quem lutou e que com tanta nobreza a fez avançar.”

 

No espectáculo que iremos ver, vamos recordar Vasco Gonçalves, preservar a sua memória e manifestar-lhe a nossa gratidão e reconhecimento.

 

Desta forma, ficaremos todos nós honrados.

 

Viva Vasco Gonçalves.

Opúsculo "Quem foi Vasco Gonçalves" já saiu

 

 

 

No âmbito do programa do centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves, publicamos o opúsculo "Quem foi Vasco Gonçalves" que já se encontra à venda.

Adriano Correia de Oliveira

 Adriano completaria hoje 79 anos.

Em 2017 a nossa associação prestou uma homenagem, ao nosso sócio de mérito.

Podem vê-la neste link

Homenagem a Adriano Correia de Oliveira

Viva o Brasil! Viva Lula da Silva

 

Viva o Brasil! Viva Lula da Silva

A Associação Conquistas da Revolução perante a anulação das sentenças emitidas contra Lula da Silva- remate dum episódio grotesco de proporções escandalosas que se iniciou com o afastamento da Presidente Dilma Russeff e culminou com o impedimento da candidatura de Lula da Silva à presidência do Brasil- saúda esta importante vitória das forças democráticas brasileiras e as novas esperanças num futuro melhor para o povo irmão. 

A todos os anti-fascistas brasileiros, manifestamos publicamente a nossa solidariedade com a luta pela responsabilização dos golpistas e pela reposição da justiça e legalidade democrática no Brasil.

O Brasil vencerá!

Lisboa, 11 de Março de 2021

 

 Imigração – Problema real ou Solução económica


 

 Marques Pinto
Vogal da Direcção

 

 

Tendo lido há dias um artigo que mencionava um dos primeiros despachos oficiais do recém eleito presidente dos EUA, o Sr Biden e que parece ter tido grande repercussão lá no País por tratar de legislação que poderá (?) ou poderia - se passasse no Congresso – autorizar a permanência oficialmente reconhecida de até cerca de 11 milhões de emigrantes actualmente vivendo uma semi-clandestinidade.

Mas mesmo que tal legislação não venha a ser totalmente aprovada – o que será mais provável – vai cair bem no eleitorado latino, ao qual Biden deve a cima de tudo a sua vitória.


Aproveitando a presença dum meu familiar com longa permanência quer no Canadá quer nos EUA, tentei perceber como era possível existir um tão elevado numero de clandestinos num país onde – pelo menos nos últimos 4 anos tinha havido uma perseguição e legislação tendente a impedir a entrada de imigrantes com construção de uns milhares de kilometros de muro-barreira na fronteira Mexicana e o reforço de quase 3 vezes o numero de guardas-fronteiras (1) etc, etc..


Tive então a percepção do que é a realidade ou pelo menos têm sido, nos últimos anos dos diversos governos presidenciais quer republicanos quer democratas, as regras de contenção/manutenção duma política de tolerância versus aproveitamento dos emigrantes que na sua quase totalidade provêm do México mas largas centenas de milhares são de outros países da América Latina.


Fiquei a saber que estes imigrantes (na sua maioria em estado de clandestinidade tolerada) são desde longa data – muitas dezenas de anos - os trabalhadores das grandes propriedades agrícolas, principalmente do sul dos EUA.

Tomei conhecimento que um número elevado deles, prestaram serviço militar nos seus países de origem em unidades militares onde tiveram militares americanos como instrutores e através dum “programa-contrato” especial puderam emigrar para a América do Norte e se cumprirem um determinado numero de anos em serviço de empresas de mercenários (2), ou missões militares em unidades regulares, desde que dominem a língua inglesa, e a falem quando estão no estrangeiro, com bom comportamento, poderão obter um visto de residência legal.

Grande parte dos serviços de limpeza, quer em empresas, quer domésticos são executados por mulheres em situação de residência semi-legalizada por prorrogações sucessivas de estadia e que por esse motivo sujeitam-se a horários e pagamentos - não registados evidentemente - estando sempre sujeitas á discriminação de quem lhes paga, pois qualquer participação pode levar á expulsão dos EUA sem mais poder regressar.


Quando lemos e tomamos conhecimento da presença de algumas centenas de milhares cá em Portugal, vemos que felizmente a situação de muitos tem sido de integração, nomeadamente dos Brasileiros e alguns oriundos de Ex-colónias, que com a sua proverbial boa disposição e fácil domínio da língua Portuguesa se tornam em bons vendedores e com um simpático atendimento quando atrás dum balcão. 


Claro que já os imigrantes de outras origens africanas, com elevada percentagem de semianalfabetos e muitos com desconhecimento da língua, só em trabalhos mais rudes e pesados vão encontrando algum trabalho, muitas vezes temporário ou apenas de ocasião, e em grande parte sendo vitimas de uma fácil exploração pelos seus patrões ocasionais.

Na construção civil é por demais conhecido o velho truque de mandar ficar em casa os assalariados em situação menos legal sempre que há uma suspeita – ou aviso – que os fiscais vão aparecer.

Nos últimos anos vamos vendo até alguns milhares de orientais, na maioria nepaleses que se encontram a trabalhar nas grandes empresas agrícolas do nosso Alentejo,  vivendo em condições de habitabilidade quase miseráveis, e vindos de tão longe, sem nesta situação de confinamento poderem ter sequer a hipótese de regresso legal.

Analisando com um certo criticismo talvez compreendamos o que é a “escravatura” moderna, com grilhetas mais poderosas e pesadas que as antigas correntes de ferro e a que os governos fecham os olhos, não por ignorância, mas por razões de economias paralelas, compadrio ou ganância.

 

Notas

  1. Designei genericamente por guardas-fronteira o conjunto de forças policiais, forças para-militares e agentes de controlo de fronteiras que desde viaturas todo o terreno, lanchas rápidas, helicópteros, drones, pequenos aviões, etc constituem consoante os estados fronteiriços as forças com missão de controlar as fronteiras, principalmente no Sul dos EUA.

  2. Quem ler algumas obras e artigos publicados sobre as diversas empresas de segurança Americanas

verá que os “ordenados” pagos a estes ex-militares sul-americanos é cerca de 1/8 ou 1/10 do que pagam a um ex-militar americano com experiencia, mas o objectivo de conseguir um certificado de residência legal é convincente.

E porquê este Almirante ??

 E porquê este Almirante ??


Marques Pinto

Vogal da Direcção



 

Penso que todos – principalmente no meio militar -  recebemos a notícia da nomeação do Sr Almirante Gouveia e Melo, com uma certa surpresa e perplexidade para ir substituir um demissionário na função de coordenar  um projecto/missão que desde o início foi mal definido e que está a correr tão mal e com tantas deficiências.

Quero desde já deixar bem claro que não conheço pessoalmente o Sr Almirante Gouveia e Melo e do muito pouco que me foi dado conhecimento, da sua já longa carreira, em tudo e todas as missões e chefias manifestou ser um oficial de elevada capacidade e grande profissionalismo com um currículo militar absolutamente invejável.
Aliás na sua ultima colocação no Estado Maior General das Forças Armadas estava a desempenhar uma difícil missão na área de planeamento – em que este oficial era já reconhecido como um perito muito apto no meio militar - por todos considerada exemplar dadas as limitações e faltas existentes aos diversos níveis quer de pessoal quer sobretudo de meios ao dispor para acorrer á situação da pandemia que nos ataca.

Em troca de informações com quem já com ele privou e conhece do meio naval, fiquei até a saber que seria um Almirante que na Marinha seria muito bem aceite para daqui a pouco tempo render o actual Chefe do Estado Maior da Armada, pois todos os que com ele privaram lhe reconhecem qualidades e méritos para o desempenho do cargo.

Foi esta última informação acerca do militar em questão que me fez nascer uma dúvida.
Sabemos que tem sido uso e costume dos nossos políticos fazerem as escolhas e nomeações das altas chefias militares por critérios em que normalmente a competência não será prioritária, mas sim a certeza de uma garantia de subserviência  e aceitação das politicas determinadas pelo governo, quantas vezes contrárias aos programas e necessidades de operacionalidade que se pretendem manter nos meios e forças militares.
Tivemos recentemente um episódio que pelo seu ridículo e inesperado desfecho ocupou durante uns dias os meios de informação...mas que o governo havia sancionado e pago, á revelia da Marinha equipando a GNR com navios “comprados” no estrangeiro e formando “marinheiros á pressa” em Espanha e Itália.

Enfim com um Almirante de prestigio e brilhante carreira a tomar conta dos vacinandos deste pobre país, lá se poderá nomear outro mais moldável aos superiores interesses do....”governante” em exercício.

Esperemos para ver....


As Redes Sociais uma nova guerra

  AS REDES SOCIAIS UMA NOVA GUERRA

 Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 
Quando um partido de extrema direita de fachada fascista se diz anti-sistema, pouco tem para oferecer ao país.
O seu objectivo é a destruição
Destruição da Constituição da República e do Estado Social.
Ou seja , criar uma sociedade de risco, de incerteza e de imprevisibilidade.
Para simular e empolar uma capacidade de influenciar que não possui, utiliza intensamente todos os recursos das redes sociais.
Através de mentiras (fake news), meias verdades e boatos, exploram e exacerbam sentimentos de frustração, de segregação e de raiva na população.
Os objectivos a atingir são :
_ Declarar lícitas as mentiras para ocultar a inoportuna verdade.
- Transformar a política num jogo maniqueísta, tendo de um lado a direita virtuosa , respeitadora e responsável e do outro a esquerda viciosa, intolerante e gastadora.
- Conduzir o país a um violento estado de classes, protegendo o capital e menorizando o trabalho (redução das remunerações e dos apoios sociais).
- Controlar a comunicação social.
Aberta a guerra das redes sociais, torna-se necessário organizar uma rede de contra - informação credível, eficaz e rápida que desmistifique estes argumentos e alerte o nosso povo para que se possa travar esta onda de permanente desinformação.
É claro que estão a contar com a incultura e ingenuidade dos portugueses.
Julgo no entanto que se enganam.
Contudo, deveríamos gastar menos recursos e tempo a combater os embustes fascizantes e pensar mais em criar políticas destinadas a eliminar as razões da sua existência.



Eleições presidenciais 2021

 Nestas eleições, vamos eleger um cidadão cuja principal obrigação é a de " defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa", Constituição nascida da Revolução de Abril, na qual não cabem ideias xenófobas, racistas e fascistas, atentórias dos direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, das Nações Unidas, uma das maiores conquistas civilizacionais da Humanidade.

 Votar é um direito de todos, e um dever.
Para nós, é também mais um
combate na defesa intransigente das Conquistas da Revolução de Abril.