Recordando Ramiro Correia
RECORDANDO RAMIRO CORREIA
Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
O grande ventríloquo e o seu boneco na Europa
O grande ventríloquo e o seu boneco na Europa
Marques Pinto
Vogal da Direcção
Para quem tenha prestado atenção ás declarações recentes da Liz Truss, primeira ministra do Reino Unido e recentemente empossada - curiosamente -no dia da morte da Rainha de Inglaterra, deverá ter notado que foi até agora a única figura politica de certo relevo a vir expressamente apelar a uma acção de ataque “preventivo” contra a Rússia com o “uso de armas nucleares, mesmo que tal acção levasse a uma guerra de efeitos arrasadores, desde que tal fizesse desaparecer definitivamente a ameaça Russa”.
Penso que qualquer habitante na nossa Europa - apelidada frequentemente pelos EUA de Velho Continente – que tenha o mínimo de compreensão e saúde mental terá ficado preocupado e apreensivo com esta declaração, a não ser, tal como eu penso o “ Boris, despenteado mental” afinal deixou a herdeira certa no seu posto que teria sido obrigado a abandonar com um “hasta siempre” largado com o sorriso alvar que o caracterizava.
Recordemos aqui que o Boris tanto em Londres como na visita a Kiev teve sempre a preocupação de apelar e insistir que a Ucrânia não deve aceitar entrar em qualquer tipo de negociações de paz até que a Russia não seja destruída...mesmo que tal empobreça significativamente todo o Continente Europeu
Claro que tal recado dito e repetido e agora atentando nas afirmações da nova “despenteada mental” que herdou o cargo, uma única certeza nos fica: Os EUA tal como o ventríloquo, tem ou melhor continua a ter no seu velho aliado e subordinado, que habita a grande ilha europeia o boneco porta-voz dos seus desejos e vontades que por certo pudor perante o resto do mundo os EUA por vezes não querem transmitir de viva voz.
Para onde caminha a Europa
PARA ONDE CAMINHA A UE
Presidente da Assembleia Geral
"Me engana que eu gosto"
“Me engana que eu gosto”
Marques Pinto
Vogal da direcção
Há alguns dias em conversa num grupo de amigos ouvi uma conhecida frase normalmente atribuída e usada na nossa língua irmã, o “Português do Brasil”.
A frase “me engana que eu gosto” poderá ser usada em múltiplas e diversas ocasiões e circunstancias, contudo no caso presente e a que me refiro aplica-se á sistemática deturpação da verdade, encobrimento e até por vezes a negação de factos e acontecimentos que foram relatados na imprensa e até noticiários televisivos de outros países europeus pertencentes á mesma manada europeia liderada pela capataz designada e escolhida --- não foi sequer eleita – pelo patrão residente no outro lado do Atlântico.
Refiro-me ao quase total alheamento dos nossos “media” em relação á crise e contestação frequente e com grande adesão de elevada percentagem da população rural da Holanda contra a politica que o seu governo a mando da dirigente nazi está a prejudicar toda a agricultura na Holanda, e que tem levado a acções e manifestações frequentes e de grande impacto local como cortes de estradas, e até o deposito de umas centenas de kilos de excrementos frente a residências de políticos seguidistas das acções contra os interesses da população rural.
Lembro também a quase total inexistência de imagens e noticias sobre as manifestações anti-crise económica e preços de produtos essenciais que levou muitas dezenas de milhares de Checos a manifestarem-se nas ruas.
Em toda a Europa uma população minimamente esclarecida já está a entender e a fazer entender aos seus representantes nos respectivos governos que é absolutamente necessário e urgente pôr fim a uma situação que encoberta e camuflada por uma guerra está a permitir com a total anuência e permissividade dos seus governantes que os EUA/Nato levem a cabo rapidamente a destruição económica da Europa e a tornem num pequeno grupo de países totalmente domados e subservientes a interesses financeiros e económicos sem capacidade industrial nem energética própria o que no seculo 21 equivale a tornar-se num grupo de países párias e obedientes e quase servos de patrões e interesses estranhos.
Penso que será altura de cada um fazer uma análise calma e fria sobre a situação que vivemos e o que realmente pretende deixar aos seus filhos e netos e mesmo que tenha um espirito servilista e acomodatício deve por imperativo de consciência pensar se os seus netos não o poderão julgar no futuro e que juízo farão.
Tópicos para debate na reunião da presidência do CPPC apresentados por Baptista Alves
Reunião da Presidência do CPPC
(13 de Setembro de 2022)
Tópicos para o debate
Baptista Alves
(Presidente da Mesa da Assembleia da Paz e Presidente da Direcção da ACR)
A situação internacional é hoje caracterizada por uma mudança acelerada na geoestratégia planetária consequente do ressurgimento de outros polos de poder disputando a hegemonia dos EUA nos campos económico e militar.
Com o desmantelamento da União Soviética e o fim da Guerra Fria, os EUA levando a reboque os países europeus engajados na OTAN, então já sem adversário, lançaram-se numa desenfreada corrida expansionista no Leste Europeu, no Médio Oriente e em África, derrubando governos insubmissos, através de ingerências de todo o tipo ou mesmo de intervenções militares sangrentas (Na Jugoslávia, na Sérvia, na Líbia, no Iraque, no Afeganistão e na Síria). Fizeram-no com a complacência da grande maioria dos Estados membros da ONU, com ou sem mandato desta, apenas ancorados na sua supremacia militar incontestada. E mantêm hoje, na lista dos Estados alvos selecionados, a Rússia, a China e o Irão, identificados como não democráticos, desrespeitadores dos direitos humanos, com líderes perigosos autocratas (Cuba e Venezuela, também lá estão) e todos são portanto alvos privilegiados de sanções económicas.
A guerra psicológica desencadeada através dos meios de comunicação social, dominados, na quase totalidade, pelos grandes grupos económicos do planeta que suportam esta estratégia do império global, não tem paralelo na história da humanidade.
O Mundo de hoje, do século XXI da nossa Era, com todos os poderosos meios de informação que um alucinante progresso nos faculta, ficou completamente, ou quase, às escuras: dormiu tranquilo debaixo do ribombar dos ataques que os media amestrados silenciavam afanosamente: cavando autênticas valas comuns dos direitos humanos.
Como tudo nesta vida não dura sempre, assim aconteceu … e na Síria tudo começou a mudar.
A Síria não estava só! A Federação Ruça e a Síria tinham um tratado de defesa mútua e accionaram-no. E, o que parecia ser, à partida, uma passeata para os bombardeiros, tornou-se num arriscado jogo de medição de forças.
O Irão pôde respirar um pouco, o Afeganistão destroçado, viu fugir os ocupantes e caiu outra vez nas mãos dos talibans… e por aí adiante.
E, chegamos à Europa novamente em guerra, agora na Ucrânia.
Uma guerra que não começou agora, já vinha acontecendo desde 2014. Nós, os ditos ocidentais, é que só agora a vimos. Acordámos tarde… e estremunhados deixámo-nos engajar na ratoeira que o império arquitectou para o ataque final e submissão da Federação Russa e,… por tabela, chegar e submeter a China.
E, o que parece ser mais interessante, é que todos sabem que isto não vai ser possível, … dum lado e do outro do tabuleiro. Todos, a meu ver, estão a jogar na 2ª hipótese: Uma 2ª Guerra Fria. A corrida aos armamentos satisfaz a gula dos complexos industriais-militares e não só (Ou será que os investimentos americanos, na compra de terras na Ucrânia -um terço da área arável) não têm importância? E todos os outros já consolidados nos territórios dos países do leste europeu garantindo o controlo sobre matérias-primas essenciais?
Então, e a China? A China não aparenta estar interessada em nada disto, muito pelo contrário, afigura-se-me que os interesses chineses não o aconselham, mas que estão a ser empurrados para isto, parece ser um facto.
Não creio que esta 2ª hipótese tenha “pernas para andar”. Mais cedo do que se pensa, os interesses divergentes dos diferentes protagonistas de todos estes eventos irão ser postos no tabuleiro, sem rodeios, e são eles que vão decidir o caminho. E, os aparentes consensos actuais vão inexoravelmente desfazer-se. E, a vítima será, muito provavelmente, a União Europeia. E, eu interrogo-me se premeditadamente, ou não?
Da terceira hipótese, ninguém no seu perfeito juízo quer admitir sequer que possa vir a acontecer, mas é disso que a nós, lutadores pela Paz se nos impõe, em primeiro lugar, falar e alertar todo o Mundo para que jamais se volte a falar disso: um conflito generalizado com utilização de armas de destruição massiva (nucleares, biológicas ou químicas e outras com efeitos de destruição semelhantes).
Deixando de parte a aberrante situação para que nos deixamos arrastar - nós os portugueses que até temos bem claramente inscrito na CRP a nossa determinação em preconizar o desarmamento geral e simultâneo e o desmantelamento dos blocos político-militares – podemos intuir que o resultado deste conflito, já com características de pré-III Grande Guerra, não passará disso mesmo e poderá terminar a curto prazo com uma Conferência de Paz - aberta a todos os Estados do Mundo - donde saia uma nova ordem Mundial, baseada no respeito pela soberania dos Estados, ou melhor, suportada nos princípios estabelecidos no Artigo 7º da nossa CRP de Abril.
É evidente para todos nós, que sou um optimista. Mas acreditem que desde há muito, tento acompanhar a evolução desta magna questão da Paz, e também desde há muito que suspeito que haverá mais hipóteses de chegar a esse objectivo, num Mundo multipolar (Este mesmo Mundo que já temos e que a cegueira congénita de alguns não os deixa ver).
Seremos, ou não, capazes de construir um novo Mundo, com regras assumidas por todos, onde nenhum Estado possa pensar que pode subjugar outro sem consequências, onde os blocos militares sejam desnecessários, onde o desarmamento geral universal e controlado seja um facto, onde seja finalmente possível viver em Paz e construir um Mundo melhor, mais fraterno e mais feliz?
Um Mundo que respeite os direitos dos povos, os direitos do Homem, os diretos das crianças e toda a panóplia de conquistas civilizacionais já consagradas na Carta das Nações Unidas e onde toda a imensa capacidade científica e técnica criada ao longo de séculos e toda a que havemos ainda de criar, seja colocada exclusiva e definitivamente ao serviço da vida.
A GUERRA DAS NAÇÕES - Manuel Begonha
A GUERRA DAS SANÇÕES
Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
O Primeiro Ministro, António Costa, referiu na sua mais recente entrevista que a crise que se avizinha, é resultado da guerra na Ucrânia.
Ninguém duvida de que a Rússia, por razões que não estão no âmbito deste texto aprofundar, invadiu a Ucrânia.
As respectivas trágicas sequelas estão bem à vista.
Mas é conveniente não esquecer que na prática, a dita crise teve origem nas sanções aplicadas à Rússia, cujas repercussões foram mal avaliadas pela UE no seu afã de obedecer às ordens do amigo norte-americano.
Mais uma vez, afinal os EUA são até agora, o único vendedor desta guerra e sem ter sacrificado qualquer militar, excepto mercenários e agentes encobertos.
Passou a ser um importante fornecedor de gás e petróleo à UE, enriqueceu a máquina militar industrial, com a produção de armamento e outros serviços, para além de ter feito ajoelhar a indústria europeia e em especial a Alemanha, logro este que a sra Merkel pressentiu, manifestando-se contra a estratégia de expansão da NATO e as provocações á Rússia.
Mas como as lições do passado são rapidamente esquecidas, resta-nos aguardar que piores consequências não venham a caminho, actuando-se em conformidade com as disposições para a paz da ONU e se removam os obstáculos, para que se chegue a um acordo negociado que é do interesse de todos.
Apresentação do livro "OMundo velho está a morrer. O novo ainda não nasceu" de Avelãs Nunes sábado dia 10 de Setembro na Feira do Livro em Lisboa
É já no próximo sábado, dia 10 de Setembro, pelas 14:30, no Palco da Praça Azul da Feira do Livro em Lisboa que será apresentado o livro
"O mundo velho está a morrer. O novo ainda não nasceu".
Este é o tempo dos monstros – Apontamentos para tentar compreender a guerra na Ucrânia em conversa com o autor António Avelãs Nunes.
Comentário de Maria Aires Catrapona, ao texto de Manuel Begonha, "Um homem e a sua verdade."
Pelo seu interesse publicamos o comentário de Maria Aires Catrapona, ao texto de Manuel Begonha, "Um homem e a sua verdade."
Um homem de verdade
UM HOMEM E A SUA VERDADE
Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
Acerca da conversa entre o Coronel Baptista Alves Presidente da Direcção da ACR e Nuno Melo, Presidente do CDS, ocorrida no passado dia 31de Julho, na SIC notícias a propósito da intervenção da ACR numa reunião da Câmara Municipal de Lisboa, onde foi reclamada a falta de resposta do respectivo Presidente, a várias solicitações daquela, para ser recebida, gostaria de acrescentar o seguinte.
A maioria dos actuais representantes dos partidos da direita portuguesa, não viveram a revolução de 25 de Abril de 1974 e muito menos conheceram o General Vasco Gonçalves.
Quem o conheceu bem como é o meu caso, sabe que o General jamais aceitaria liderar um governo do tipo ditadura.
Sempre foi um democrata e um homem de carácter e de cultura. E era também patriota.
Contudo a direita não lhe perdoa ter amado o seu povo e ser por ele amado.
Recordo que Vasco Gonçalves se limitou a cumprir o programa do MFA que Spínola queria pôr na gaveta.
Realizou com os seus 4 governos provisórios os célebres 3 D.
Descolonizar, Democratizar e Desenvolver
E assim transformou Portugal num país moderno, respeitado internacionalmente e com uma Constituição da República, que defende os interesses do país e do seu povo.
- Não se realizaram as eleições para a Assembleia Constituinte?
- Não se estavam a preparar as eleições para a Assembleia Legislativa?
- Vasco Gonçalves mandou matar, torturar ou exilar alguém?
Quando a banca foi nacionalizada, não estava a ocorrer uma enorme fuga de capitais para o estrangeiro, a mando dos amigos do Nuno Melo?
Por outro lado uma missão do M.I.T. que esteve em Portugal de 15 a 20 de Dezembro de 1975, reportou que a economia portuguesa estava surpreendentemente boa, comparativamente com outros países europeus.
Quanto a comunismo trazido pela ex URSS, já escrevi várias vezes que numa visita de estado que lá efectuei integrado numa delegação, chefiada pelo Ministro do Trabalho, major Costa Martins, em Março de 1975, o primeiro-ministro Alexei Kossyguin, disse claramente que não iriam interferir em Portugal porque não pretendiam hostilizar a NATO. E assim foi.
Nas campanhas de dinamização cultural e ação cívica que com Ramiro Correia chefiei, nunca se apelou a um regime totalitário para Portugal , nem se promoveu o PCP , nem se sugeriu que nas eleições que promovíamos, se votasse neste ou em qualquer outro partido.
Saberá Nuno Melo que antes de 24 de Julho de 1974, o General Vasco Gonçalves, incentivou o Professor Freitas do Amaral, a formar um partido político, tendo como inspiração o partido democrata-cristão italiano.?
A esta conversa assistiram a eng. Maria de Lurdes Pintassilgo e o adjunto do Gabinete Henrique Mendonça.
Para acabar, pois muito haveria para dizer.
Quando fecharam violentamente a 5ª Divisão do EMGFA, nomearam Comandantes das 3 regiões militares oficiais afectos ao grupo dos 9 e exoneraram miseravelmente Vasco Gonçalves de Primeiro-Ministro, onde estavam essas totalitárias e tenebrosas forças, já que tudo se passou ordeiramente?
Quanto ao tão falado discurso de Almada num tempo em que Vasco Gonçalves estava a ser acintosamente traído por muitos que quando atrelados ao carro da vitória o apoiavam, já cansado e rodeado por trabalhadores, alguma vez procedendo como um tirano inebriado pela perpetuação no poder, clamou por uma guerra civil ou um golpe militar.?
Ou teve um comportamento de exemplar membro das Forças Armadas aceitando disciplinadamente o seu destino?
Criou alguma força terrorista para retomar o poder, como outros chefes militares tão incensados perpetraram?
Conhece a actual direita quem foi o embaixador norte-americano Frank Carlucci e a sua descarada ingerência na política interna portuguesa?
Conhece Nuno Melo as organizações terroristas com as quais o seu partido se conluiou e os mortos que provocaram?
Saberá a direita o resultado das primeiras eleições legislativas e se algumas organizações de esquerda as contestaram, ou se alguma força militar revolucionária as tentou anular?
Saberá a direita a correlação de forças militares que existiam, quando se deu o afastamento de Vasco Gonçalves?
Se a direita portuguesa fosse menos ignorante e não entrasse em histerismos despropositados, talvez circulassem menos disparates.
Sessão Pública da CML - Agradecimento
Fizemo-lo, em cumprimento de decisão da Comissão Executiva, criada para o efeito pela Comissão de Honra das Comemorações do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves, em 14 de Fevereiro de 2022.
A resposta do Sr.Presidente, com a limpidez democrática digna da função que exerce, anuiu a receber-nos em tempo breve, para análise conjunta do projecto.
A SExa. o Sr. Presidente e a toda a Exma. Câmara, agradecemos publicamente a forma como fomos recebidos e a atenção dispensada para a
nossa proposta, que consideramos de excepcional valia para o município de
Lisboa e para Portugal.
Aos derrotados em 25 de Abril de 1974 e seus sucedâneos, que, utilizando a
liberdade conquistada em 25 de Abril de 1974 - aquele que foi o momento mais luminoso da história de Portugal e para o qual Vasco Gonçalves teve contributo relevante - se atrevem e afadigam agora em mostrar aquilo que são, diremos apenas, com imenso orgulho, parafraseando Vasco Gonçalves:
ELES SÃO O QUE SÃO, NÓS SOMOS GENTE DE ABRIL
Sessão pública da CML de 27 de Julho de 2022 - Monumento ao Gen. Vasco Gonçalves
Neste dia o Presidente da Assembleia Geral da associação falou sobre a possibilidade da construção de um monumento a Vasco Gonçalves na cidade de Lisboa. A nossa proposta mereceu a anuência do sr. Presidente da Câmara, Carlos Moedas.
Homenagem a Adriano Correia de Oliveira - Arquivo Sophia de Mello Breyner, Vila Nova de Gaia, 21 de Julho de 2022
Intervenção proferida pelo Presidente da Assembleia Geral do "Centro Adriano Correia de Oliveira" e vogal da Direcção da nossa Associação, Jorge Sarabando.
A ACR fez-se representar por Alexandra Paz do núcleo do Porto
Adriano, um canto em forma de Abril
| Jorge Sarabando |
Uma palavra de louvor é devida à Comissão Executiva em boa hora criada pelo Centro Adriano Correia de Oliveira, de Avintes, pela meritória actividade já desenvolvida, em que se contam edições, como a do livro que hoje vos é presente, os concertos realizados, todos de casa cheia, o êxito da transmissão radiofónica, a Exposição itinerante, patente neste Arquivo Municipal, entre outos actos evocativos, num programa muito rico e variado que só terminará no próximo ano.
Aqui registo os autores do livro hoje apresentado: Álvaro Siza Vieira, Ana Biscaia, Adão Cruz, Alberto Martins, Amélia Azevedo, Ana Amaral, Anabela Fino, Armando Carvalheda, Arnaldo Trindade, Aurelino Costa, Avelino Tavares, César Príncipe, Eduardo Vítor Rodrigues, Eldad Manuel e Eldad Mário Neto, Eva Cruz, Francisco Mangas, Ilda Figueiredo, Isabel Correia de Oliveira, Isabel Niza, Janita Salomé, Jerónimo de Sousa, João Carlos Callixto, João Malheiro, João Mascarenhas, João Paulo Guerra, Jorge Cunha, Jorge Seabra, Jorge Sarabando, José António Gomes, José Barata-Moura, José Carlos Ary dos Santos, José Efe, José Goulão, José Manuel Mendes, José Niza, José Lopes de Almeida, José Soares Martins, Viale Moutinho, Judy Rodrigues, Júlio Roldão, Louzã Henriques, Luís Represas, Luís Veiga Leitão e Aurora Gaia, Manuel Alegre, Manuel Augusto Araújo, Duran Clemente, Manuel Faria, Manuel Moura, Manuel Rocha, Manuel Santos, Margarida Folque, Maria do Amparo, Marília Lopes, Conceição Lima, Mário Correia, Gonçalves Lima, Matilde Acosta, Maximina Miranda, Miguel Amaral, Modesto Navarro, Nuno Higino, Olinda Moura, Paulo da Costa, Paulo Sucena, Paulo Vaz de Carvalho, Pedro Tadeu, Rita Duarte, Roberto Machado, Rui Pato, Salvador Santos, Samuel, Sérgio Godinho, Teresa Alegre Portugal, Urbano Tavares Rodrigues, Vasco Paiva, Vicente Aráguas, Vieira da Silva, Viriato Teles, Vitorino Salomé, e o colectivo da redacção do jornal Avante!.
Todo este trabalho, criado com imaginação, ousadia, engenho, persistência, e a compreensão e simpatia de quem o acolheu e apoiou, suscita uma primeira pergunta: porquê? Porquê, tantos anos depois, os longos e emocionados aplausos dos públicos, os sorrisos abertos diante de um texto ou de uma imagem representando Adriano?
Talvez porque haja quem dele guarde, ainda que numa fugaz lembrança, aquele gesto, aquela palavra, aquele seu modo desprendido de ser, aquele seu dom de fazer amizade, aquele ser fraterno e generoso para quem o acompanhava e escutava. Em tempos adversos de combate, contra grades e guerras, mas em que se forjavam cumplicidades para a vida, ou de alegria e júbilo pela liberdade e libertação nos dias luminosos de Abril, ou ainda de enfrentamento das regressões e das imposições de antigos mandantes, com a cabeça erguida e abraços firmes e francos, ali esteve sempre Adriano.
Ei-lo, tão longe no tempo, mas tão perto, tão cerca, tão dentro de nós.
Quem o conheceu não esquece a sua dádiva às lutas mais difíceis, a sua entrega solidária à causa justa dos mais frágeis e desprotegidos, a limpidez de um olhar e o calor de um abraço, ou um certo momento, de que se guarda por vezes apenas ténue lembrança, lá bem no fundo do peito, nos encontros e desencontros da vida, mas que ainda perdura, em que se forjou uma identidade colectiva e se criou uma comunidade de ideais e valores democráticos.
Mas há ainda quem nunca o tenha conhecido pessoalmente, nem com ele tenha trocado uma palavra, ou tenha avistado num palco sequer, mas não esconda a emoção quando ouve a sua voz numa canção, por vezes a mais inesperada ou delida pela distância.
É a sua voz que melhor nos diz quem é Adriano. Era uma voz humaníssima, uma voz onde pulsava a luta e a vida, soava a alegria e a tristeza, onde se fundiam emoção e razão, uma voz que nos chamava para si, com um timbre único envolto de magia que ainda hoje nos prende e entre todos prende. Há canções assim de Zeca Afonso e do Chico Buarque, desvelam com a sua voz a condição humana, a todos tocam e convocam.
Num dos textos mais impressivos da nossa colectânea, escreve, numa belíssima síntese, Urbano Tavares Rodrigues: “…hei-de rever sempre a chama de Adriano, frente ao público que se lhe rendia, ouvir o cristal da sua voz, em cuja limpidez nascia a fraternidade”.
Estas palavras de Urbano oferecem-nos uma chave para responder a uma segunda e inevitável pergunta: porque é que o cantar de Adriano, ancorado em firmes convicções que nenhuma contingência abalou, num compromisso pela transformação do mundo, no modo solidário de ser e de estar, continua a despertar testemunhos tão valorizadores por parte de pessoas tão diversas?
Diversas nas gerações a que pertencem, nas mundividências que representam, nos percursos profissionais, nas opções, nas circunstâncias em que conheceram Adriano.
Não será apenas o encanto da sua voz inspiradora, alguma memória acalentada, o que a todos move, mas talvez a consciência comum da urgência de refazer laços entre todos numa época marcada pelo individualismo, povoada por solidões, medos, egoísmos, vivências fragmentadas. Diria, recentemente, Tolentino de Mendonça, poeta e cardeal: “Precisamos como sociedade de aprender a valorizar os fios que nos ligam e entrelaçam, os fios sem os quais nós não somos. E descobrir que só temos verdadeiramente mãos, mãos livres, quando as damos”.
Em todos os testemunhos se encontra uma afectuosa lembrança de Adriano. No seu conjunto ajudam-nos a conhecer melhor a sua dimensão humana, o seu valor como artista, a mudança que operou na tradição musical, a força das palavras a iluminar o canto, como recriou temas populares, como deu asas à voz dos poetas. Não foi só a Trova do vento que passa, o hino de uma geração que ousou dizer não à guerra, à injustiça, à tirania. Mas também a coragem que desponta de um grito desassombrado e entoado a mil vozes: “Venho dizer-vos que não tenho medo, a verdade é mais forte que as algemas”.
Ajudam-nos a conhecer melhor o jovem que cresceu num lugar idílico, em Avintes, onde viria a deixar o mundo nos braços de sua mãe, o itinerário de uma curta e intensa vida onde não faltaram momentos de amargura mas muitos, muitos mais, os de uma imensa alegria partilhada com amigos e por multidões que souberam aplaudi-lo e acarinhá-lo.
Também nos ajudam a conhecer melhor uma época de mudança e ruptura, de ardente luta pela paz, a liberdade, a justiça, a igualdade, uma época de violência e combate, para alcançar a democracia, construir a democracia, defender a democracia e todas, todas as suas conquistas.
Adriano esteve sempre presente em todos os momentos desta luta, que hoje continua. Nunca faltou a sua presença, o seu testemunho, com a sua coragem, com a beleza do seu canto, a ternura da sua voz, que permanece e encanta. Nela vicejam os cravos de Abril, sempre, sempre. Que, aqui e agora, neste livro nos chegam de novo, numa oferenda feliz, entre tantas mãos.
| Arnaldo Trindade - editor de Adriano |
| Silvestre Lacerda - Director da Torre do Tombo |
CRIMES SEM CASTIGO
CRIMES SEM CASTIGO
Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
No passado dia 24 de Junho, um grupo de imigrantes africanos que tentava ultrapassar a vala fronteiriça entre Marrocos e Melilla, cidade autónoma espanhola, foi brutalmente reprimida por forças militares conjuntas espanholas e marroquinas, de que resultou a morte de dezenas de pessoas.
Apesar da ONU ter anunciado um inquérito a este massacre, Pedro Sanchez, chefe do governo espanhol, afirmou que "o caso foi bem resolvido."
Entretanto, cinco dias após este acontecimento, na cimeira da NATO em Madrid," foi considerado que a Imigração, constitui uma ameaça à soberania dos respectivos estados ". (1)
Em 15 de Junho do corrente ano, apareceram na região do Vale de Javari na Amazónia, os corpos do brasileiro Bruno Araújo Pereira, sertanejo e indigenista e do britânico Dom Philips, jornalista.
Foram assassinados a tiro e posteriormente queimados e esquartejados.
Em áreas protegidas como esta, tem sido estimulada a acção de bandidos armados.
A Amazónia com a complacência do Presidente Bolsonaro, tem sido objecto de um enorme e irreparável desastre ecológico de devastação ambiental, levada a cabo por agentes ilegais ligados à pecuária, ao garimpo, à extracção de madeira, pescadores e caçadores, alguns dos quais relacionados com o narcotráfico.
Bolsonaro, considerou a ida destes homens para a região "uma aventura ", quando eram amplamente conhecidos por defenderem a preservação da floresta amazónica e dos povos que nela vivem.
A 7 de Julho deste ano, o Parlamento Europeu, aprovou uma resolução que condena as acções de Bolsonaro na área ambiental e de perseguição aos indígenas e aponta para a investigação das mortes na Amazónia. (2)
No entanto, no funeral de Bruno Pereira, ninguém do Governo Federal se fez representar.
Felizmente em todo o mundo há pessoas assim que seguem resistindo, apesar da perseguição, do risco de vida, do ostracismo e da criminalização.
Aqui chegado, depois destes iníquos assassinatos, ocorre-me recordar o que escreveu Mia Couto "Infelizes os que matam a mando de outros e mais infelizes ainda os que matam sem ser a mando de ninguém. Desgraçados, enfim, os que depois de matar se olham no espelho e ainda acreditam serem pessoas".
(1) Opinião João Melo - Diário de Notícias, 5-7-2022
(2) Marcelo Freixo - Carta Capital n 1213 /22, Junho 2022
A NATO E A BREVE HISTÓRIA DA HEGEMONIA OCIDENTAL
A NATO E A BREVE HISTÓRIA DA HEGEMONIA OCIDENTAL
Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
O culto da superioridade do homem branco tem vindo a ser inculcado ao longo do tempo, na maioria das manifestações artísticas , mas para desenvolver este tema vou recorrer por vezes ao cinema.
Desde jovens que fomos habituados a ver nos filmes de "cowboys", o bom homem branco, a matar indiscriminadamente os maus nativos, designados por índios, selvagens ou peles vermelhas, que afinal apenas defendiam as suas terras do invasor.
Contudo, mais recentemente surgiram alguns poucos realizadores que tentaram reabilitar a imagem do índio como Arthur Penn no filme "O pequeno grande homem".
Numa cena inesquecível de outro grande filme, aliás, que é "Apocalypse Now", sob o som da Cavalgada das Valquirias de Richard Wagner, os heróicos combatentes norte-americanos, como invasores, voam galvanizados nos seus helicópteros para exterminar os enfezados e amarelados vietnamitas.
Numa propaganda clássica ao colonialismo, o valente e luminoso Mourinho de Albuquerque que, obviamente equipado com armas de fogo, subjuga, como se pode ver no filme "Chaimite", a força e o primitivismo do régulo rebelde Gungunhana, o leão de Gaza, a quem para humilhar mandou sentar no chão.
Mas a Europa, Pátria da civilização branca, também tem países uns mais brancos do que outros.
Depende da natureza da potência militar que os invade.
É há ainda os refugiados e os imigrantes.
Os sérvios massacrados quando da destruição de Belgrado, bem como outras nações da ex-Jugoslávia, ainda que europeus, tornaram-se baços que é a cor que os brancos adquirem quando são atacados pelos EUA /NATO.
Os sírios e os libios, são de um branco tisnado e podem ser bombardeados e abandonados no Mediterrâneo como imigrantes, porque têm petróleo e outras matérias primas no seu território que não lhes compete explorar.
O Iraque de tez mais escura, foi arrasado, uma vez que possuía, para além de petróleo, fantasmagóricas armas de destruição maciça.
E uma vez desalojados os respectivos habitantes passam a inconvenientes imigrantes africanos.
Na América Central existem imigrantes mestiços, índios e pobres que na procura de uma vida melhor nos ricos EUA, acabam por vezes com os cadáveres amontoados em camiões, como recentemente sucedeu no Texas.
No meio deste panorama, para garantir a superioridade e hegemonia do paradigma liberal euro - norte-americano, a NATO torna - se cada vez mais forte, beligerante e expansiva, não apenas na Europa, mas também na América Latina, como indicia a sua presença na Colômbia.
Entretanto decretou uma nova guerra fria e alterou o correspondente conceito estratégico, elegendo como inimigo principal a Rússia, seguida pela China.
Declarou encontrar-se disponível para pôr na ordem qualquer "Filho de um Deus menor" que ou se contrariar a unipolaridade, decidida por este juiz e árbitro dos destinos do nosso mundo.
Levados.....levados, sim...!
“Levados...levados, sim...(1)
Marques Pinto
Vogal da Direcção
Numa roda de amigos confraternizando naquele período da “ultima anedota” que normalmente se segue após o cafezito e todos se inteirarem da saúde e disposição dos outros amigos que não estão presentes, um de nós perguntou em tom jocoso – embora o assunto de fundo nada tenha de divertido – se após esta ultima reunião sobre os novos ataques e alvos que o senil patrão vindo do outro lado do oceano trazia no bolso para serem incluídos na ordem a dar ao grupo reunido em Madrid - sem reservas nem discussão – se o nome e sigla da NATO ou OTAN em tradução Portuguesa se iria manter pois se o primitivo nome tinha origem no Oceano Atlântico e confinado á sua zona a norte do Equador, agora tudo aponta para que seja alterada e “actualizada” a sua designação.
Claro que na realidade há muito que a “Jolly flag” da organização se passeia por águas mais quentes e muito longe do Atlântico Norte, por vezes até nos antípodas e com bastante frequência nos últimos meses.
Assim a conversa acabou por criar uma certa polémica quanto aos reais fins e interesses em jogo e principalmente ao elevado custo e prejuízos que em Portugal já estamos a sentir e que sabemos não serem transitórios, mas infelizmente com tendência para se agravarem com uma politica de avestruz que este governo parece querer seguir na esteira e obediência dos interesses estrangeiros.
Contudo e porque não quero deixar de vos expor as diversas sugestões que surgiram na nossa reunião, aqui ficam e veremos se realmente no futuro teremos infelizmente acertado nos propósitos que esta pseudo-organização pretende levar a cabo arrastando os pobres países dependentes
TAIP = Tratado do Atlântico, Indico e Pacifico
TAGTM = Tratado Americano de gestão Terrestre e Marítima
TIGU =Tratado Internacional para a Gestão Universal
(1)A minha geração recorda-se com certeza deste estribilho do “Hino da Mocidade Portuguesa”. que a Ditadura impunha nas escolas e liceus

