O MUNDO UNIPOLAR É UMA AMEAÇA PARA A PAZ
Manuel Begonha - Presidente da AG da ACR
O MUNDO UNIPOLAR É UMA AMEAÇA PARA A PAZ
Manuel Begonha - Presidente da AG da ACR
Intervenção de Baptista Alves, presidente da direcção da ACR, no dia 3 de Mar,
na iniciativa promovida pella AE e o CPPC,
na qualidade de Pres. da AG do CPPC.
Estamos a viver tempos muito difíceis. Ainda não totalmente livres
da ameaça pandémica que nos assola, eis-nos perante o espectro
negro de mais uma guerra na Europa.
Não vou tecer quaisquer considerações sobre os acontecimentos
que nos trouxeram até aqui, porque o farão com certeza outras
intervenções, com propriedade e o saber que importa a uma
audiência universitária.
Lembrar apenas que já no ano passado, quando se vivia um
aumento da tensão EUA/China em torno da questão de Taiwan, o
Prof. Frederico de Carvalho, em artigo publicado na revista da OTC,
nos deu uma perspectiva, fundamentada e sustentada, da extrema
delicadeza desta questão maior da Humanidade, a PAZ, cujos níveis
de risco, medidos no relógio simbólico denominado de “Relógio do
Destino Final”, ultrapassavam os registados em 1953, o ano que
havia registado o maior perigo para uma confrontação nuclear (2
min para a meia-noite registava o relógio), fixando-se então (2020,
2021) nos 100 s.
Quantos segundos marcará hoje o relógio?
Há alguma razoabilidade nesta loucura?
É preciso parar e reflectir.
Para esta Humanidade que somos hoje, no século XXI da nossa Era,
a resolução pacífica dos conflitos entre Estados é a única via
aceitável, como inaceitável é o reforço e expansão dos blocos
político-militares, ao invés da sua dissolução, para a construção de
um Mundo de Paz em que pretendemos viver.
Falhámos! Falhámos todos, e, se um mínimo de humildade
consciente não nos fizer parar, vamos matar-nos uns aos outros
sem sabermos bem o porquê … e, acreditem, muito provavelmente
não ficará ninguém para o contar!
E a solução é tão simples que até dói que a não tenhamos
entendido já:
Artigo 7º, nº2 da CRP de 1976, uma conquista da revolução de
Abril
“Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e
de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas
relações entre os povos, bem como o desarmamento geral,
simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e
o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista
à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a
justiça nas relações entre os povos.”
Este é o caminho. Não há outro.
A II edição da Guerra Fria, com este ou qualquer outro nome que
lhe queiram dar, está, a meu ver, condenada ao fracasso, porque
lhe falta a razão ideológica na qual se acobertava a I.
É verdade que cumpriria dois grandes objectivos da estratégia
imperialista:
- satisfazer a gula desmedida da poderosíssima indústria do
armamento;
- Travar a ascensão meteórica das potências económicas
emergentes, obrigando-as a gastos militares insuportáveis.
Mas também não é menos verdade que num Mundo multipolar
como o é já o Mundo de hoje os interesses de cada um dos
diferentes polos se sobreporão inexoravelmente nas disputas
inerentes.
Há portanto, a meu ver, nesta nova realidade, condições de grande
preocupação e perigosidade mas também condições mais
favoráveis á obtenção de consensos em questões vitais para a
Humanidade e principalmente na exigência do seu cumprimento.
É facto que a corrida aos armamentos e ao desenvolvimento de
novas e terríveis armas de destruição massiva, químicas, biológicas
e nucleares não tem parado de crescer, mas também é facto que as
razões ideológicas, religiosas ou mesmo de combate ao terrorismo,
deixaram de ser convincentes para um Mundo tão causticado pelos
efeitos nefastos das ingerências, ocupações militares e guerras de
agressão e pilhagem feitas em seu nome. Efeitos que são cada vez
mais difíceis de esconder nestes tempos da comunicação global.
Há portanto razões para alguma esperança no futuro.
O ORIENTE PRÓXIMO HORIZONTE DO MUNDO
Enquanto que os EUA e a UE mantêm guerras, ingerências e sanções em vários países do médio - oriente, o Irão emerge apesar de tudo isto, como uma peça relevante no xadrez político que fervilha no sudoeste asiático. Este país com uma longa história na região procura na Ásia uma saída alternativa.
Como declarou o deputado iraniano Mohsen Zanganeh :" Penso que se concentramos a nossa atenção nos países orientais, especialmente aqueles da Ásia Central, Ásia Oriental , bem como na Europa Oriental em vez de nos concentramos no Ocidente, podemos definitivamente beneficiar do seu considerável potencial económico. "
Desenha-se claramente uma aliança China, Russia e Irão, chamada Parceria da Grande Eurasia que inclusive anunciou já, exercícios navais conjuntos no Golfo Pérsico.
O Irão finalizou um plano abrangente de cooperação por 25 anos com a China e aderiu ainda à Organização de Cooperação de Xangai (SCO). Está também a ser negociado, baseado neste acordo, um outro por 20 anos com a Rússia.
Abriu-se também o Corredor Internacional de Transporte e Trânsito Golfo Negro que irá impulsionar a Iniciativa Rodoviária e do Cinturão Leste - Oeste liderado pela China (BRI) e para o Corredor Internacional de Transportes Norte - Sul, liderado pela Rússia e pela Índia.
Este corredor envolve a Rússia, Ásia Central, Azerbeijão Europa, Turquia, Irão, Afeganistão e Índia, sendo um sistema de trânsito multimodal de 7200 Km em conexão com a (BRI).
Na cimeira da Organização de Cooperação Económica (ECO) o Azerbeijão, Irão e Turquemenistão finalizaram um acordo de troca de gás.
Deste acordo resultou também o desenvolvimento das enormes reservas de petróleo e gás off shore, existentes no Mar Cáspio.
Por outro lado, espera-se a conclusão do Trans Caspian Pipeline (TCP) que atravessa o Mar Cáspio e que irá estabelecer a ligação ao corredor de Gás do Sul e à TANAP da Turquia.
A ramificação final para a Europa será finalmente concluída através do gasoduto Nabuco que traria para a região gás em abundância. É claro se não houver sabotagem política, como facilmente se adivinha.
Convém recordar que numa disputa recente com a UE, o impedimento da construção do gasoduto North Stream 2, fará esta sofrer unilateralmente com a correspondente não utilização, porque indo ao encontro dos ditames dos EUA, impondo a compra do seu gás natural liquefeito (GNL), muito mais caro, devido aos elevados custos de extracção e de transporte.
Em contrapartida a Rússia tem um novo acordo estratégico com a China.
O gasoduto "Power of Siberia", começou a exportar gás do leste da Sibéria para o nordeste da China há dois anos.
Estes países fizeram um acordo para a construção de um segundo gasoduto Power of Siberia 2 que transportará gás natural da península de Yamal no Artico Russo, para o nordeste da China. Tal significa que este gás tanto poderá facilmente abastecer a China como a Europa.
Encontram-se ainda em execução projectos ferroviários para ligar o Golfo Pérsico ao Mar Negro, através do Irão, Azerbeijão e Georgia que permitirá a movimentação de mercadorias dos portos do Sul do Irão para a Europa Central por via exclusivamente terrestre.
Estes factos podem explicar as tentativas de desestabilização e uma permanente política de agressão com recurso à NATO, aos países oriundos ou não da ex União Soviética, através de sanções, chantagens e ameaças perpetradas pelos EUA, lamentavelmente acolitados pela UE.
Não será dispiciendo admitir que estas novas rotas deste importante recurso energético que é o gás natural desencadeie uma desenfreada e perigosa corrida aos armamentos.
Podemos considerar que esta estratégia se destina a enfraquecer a economia da Rússia e da China, forçando - as a aumentar os gastos militares em prejuízo do respetivo desenvolvimento e melhoria social, à semelhança do que foi feito com a URSS que poderá ter conduzido ao seu colapso.
A parceria da Grande Eurásia, é impulsionada pela defesa dos interesses comuns de um conjunto de Estados que pretende criar um novo paradigma multipolar, gerando nova riqueza que harmonize as necessidades de um todo.
E assim, se libertarão do monopólio unipolar dos EUA.
EM MEMÓRIA DE VASCO GONÇALVES
Intervenção de Manuel Begonha em 2022/01/20 na Casa do Alentejo
– Reunião com a Comissão de Honra -
Estamos aqui hoje reunidos para dar início a um difícil combate que torne possível a edificação de um monumento evocativo do General Vasco Gonçalves, o ponto culminante das comemorações do centenário do seu nascimento.
Foi um homem íntegro, de grande cultura humanitária e que lutava por um Portugal melhor, erradicando o elevado grau de pobreza e de ignorância que a todos diminuía. E fê-lo por uma razão muito simples. Punha o seu Povo, a Pátria, acima de quaisquer ambições políticas.
São dele as seguintes palavras:
“A Pátria não é uma entidade abstracta, não é uma entidade mítica, mas é uma entidade concreta, constituída por todo um Povo de carne e osso, que vive dia a dia os seus problemas, que sofre e tem alegrias”
É necessário que para o futuro fiquem as nossas referências positivas, aquelas que foram justas, porque não se pode perder a vontade de ter coragem, porque há quem por deturpação do pensamento tolere o autoritarismo e o fascismo.
Não devemos esquecer, nem que seja por cansaço ou para não prolongar o sofrimento que o que foi mais cedo ou mais tarde volta com maior virulência.
Põe Shakespeare numa fala de Macbeth:
“Chamuscámos a serpente, não a matámos.
Curar-se-á e será a mesma, já a nossa medíocre aleivosia
permanece exposta ao perigo da sua antiga presa.”
Por isso nada está feito enquanto não o estiver completamente.
No monumento que pretendemos erguer, o respectivo autor, arquitecto Siza Vieira, não deixa dúvidas sobre os méritos da grande obra que lhe cabe; a necessidade de preservar para sempre e inculcar na nossa juventude a memória dos valores deste homem, aquele que esteve ao nosso lado para subir as montanhas mais difíceis.
Constituirá uma fonte de inspiração, uma mostra de nobreza de carácter, uma vontade de nos afirmarmos detentores de um País livre, sem ter medo e sem a necessidade de os mais pobres terem de pedir uma fatia ao futuro.
Que fique lá bem recordado que os Revolucionários não têm o direito de desistir, nem de admitir desesperar.
Que fique lá que queremos que a luz de Vasco Gonçalves, continui a iluminar o nosso pensamento.
E assim ficará nas nossas mãos esta missão para levar a cabo, certamente com grande esforço, mas que a todos dignificará.
Comemora-se hoje, dia 20 de Janeiro, o centenário do nascimento de Américo Leal, lutador antifascista e sócio fundador da ACR.
Nascido em Sines a 20 de Janeiro de 1922, Américo Leal começou a trabalhar na indústria corticeira com apenas 12 anos de idade tendo, nos anos 40, integrado o Comité Nacional da Cortiça, juntamente com corticeiros do Barreiro, Évora, Silves e Sines.
Em 1943 foi preso pela PIDE, permanecendo durante 45 dias na prisão do Aljube, em Lisboa. E em 1944 aderiu ao PCP.
Fez parte do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e após o 25 de Abril teve um papel destacado na luta pela concretização e defesa da Reforma Agrária.
Foi deputado, pelo distrito de Setúbal, à Assembleia Constituinte e nas duas primeiras legislaturas da Assembleia da República.
Américo Leal é ainda autor dos livros “O rosto da Reforma Agrária”,
“O Vale do Sado no Mundo de dois opostos” e “Quem somos! - Testemunhos “.
Ao assinalar os 100 anos do seu nascimento a ACR presta, assim, homenagem a um homem cuja vida foi um exemplo na luta contra o fascismo, pela liberdade e pela democracia.
AS FORÇAS ARMADAS E AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS
Talvez a Oeste tenhamos novidades
Marques Pinto
Vogal da Direcção
Estamos a viver em quase todo o mundo, com particular gravidade para o que agora se designa pela Grande Eurásia, um período de grande instabilidade a todos os níveis mas talvez o mais preocupante para todos os que pela sua idade e vivencia, sabem que nestas situações de grave crise internacional, infelizmente, são sempre os mais desprotegidos ou mais próximos dos pontos de confronto que serão os mais atingidos, seja por risco da própria vida seja por todos os outros motivos e meios que indirectamente os atingirão mesmo vivendo neste recanto da Europa
Claro me refiro às constantes ameaças de uma confrontação entre os Estados Unidos - que naturalmente arrastarão os seus aliados da Nato, que com aprovação ou não da ONU sempre seguirão fielmente as ordens do dono – lembremos a guerra do Iraque – e a China ou a Rússia, por motivos diferentes, mas com um objectivo comum.
Claro que neste momento olhamos para a Ucrania e Taiwan, que antigamente todos os mais velhos conhecemos pela Iha Formosa, mas na realidade os Altos Comandos Militares Americanos pensam mais na tomada do poder politico interno que numa escaramuça distante que apenas serve e tem servido para aumentar de modo exponencial os gastos militares e.…as fabulosas compras e encomendas aos fabricantes.
Como sempre nestas situações é preciso criar um engodo dum “vil e ardiloso inimigo para enganar a opinião publica” e aí a Rússia e a China servem bem o propósito
Para explicar o que representa o presente objectivo do real poder nos Estados Unidos temos sempre de juntar a Grande Finança e as Grandes Petrolíferas com o Complexo Industrial e Militar dos EUA, que juntos manipulam totalmente os dois Grandes Partidos Estado-Unidenses com particular realce após a época Bush e desde que puseram ao seu serviço conhecidas figuras dos Democratas como a Hillary Clinton.
Todos os que no último ano e particularmente após a saída/fuga/abandono pelos EUA e UK do Afeganistão terão acompanhado os noticiários internacionais viram o recrudescer na opinião publica com particular realce para toda a imprensa Americana numa campanha anti governo Biden e o reacender dessa campanha com as noticias de um possível apoio ao regresso do “Trumpismo” com Trump ou outro que siga o seu ideal quase proto-fascista.
Passados que são 12 meses ainda nem sequer se culpabilizou ninguém pelo assalto ao Capitolio de 6 de Janeiro e embora se falem em muitas figuras políticas...nada se converteu em acusação.
Talvez uma tomada de poder real pelos Generais se aproxime...mas atenção que os Generais não são Capitães e Tenentes e os altos postos militares sempre se deram bem com sistemas autoritários e não democráticos.
Enquanto olhamos para o Oriente...talvez tenhamos surpresas a Ocidente.
Rodrigo de Freitas
Suplente da Mesa da Assembleia Geral
APÓS O SEU IGNÓBIL E BÁRBARO ASSASSINATO
19.DEZEMBRO.1961
1 – Não é possível esquecer! Não é possível ignorar! Torna-se imperioso e inadiável lembrar aqueles da sua geração, mas sobretudo os jovens de hoje, detentores do futuro. Viver, lutar, enfrentar 48 anos duma ditadura fascista salazarista, imposta ao povo português. Para que conste sobre José Dias Coelho:
Nasceu em Pinhel em 19 de Junho de 1923. Depois de ter passado por várias escolas e instituições, frequentou com sua companheira Margarida Tengarinha a Escola Superior de Belas Artes na área de escultura, sendo ambos expulsos e impedidos de ingressar em qualquer outro estabelecimento de ensino.
Foram demitidos de professores das escolas onde leccionavam. Era corrente em escolas superiores e universidades assim suceder a quem lutava pelos seus ideais, pela liberdade, pela igualdade colectiva, contra o obscurantismo e miséria da grande maioria dos portugueses.
2 – “A MORTE SAIU Á RUA”
Eram cerca das 18h30 de 19 de Dezembro de 1961, quando José Dias Coelho descia a Rua do Lusíadas para a Rua da Creche, Largo de Stº Amaro, Lisboa. De um carro saltaram vários indivíduos que o perseguiam. Agarraram-no, encostaram-no à parede e deram-lhe voz de prisão. Resistiu e gritou “É A PIDE! SOU COMUNISTA!”. Foram as suas últimas palavras. Um dos esbirros da PIDE de pistola na mão deu dois tiros, um deles à queima-roupa. Tombou encostado à parede. Momentos depois os esbirros que o agarravam meteram-no num carro e rapidamente arrancaram… testemunhas viram-no cair… Eram 19 horas em todos os relógios…!
3 – Cerca das 20 horas dois indivíduos deixam o corpo moribundo no hospital da CUF. Tiveram que se identificar. Tratava-se de agentes da PIDE da brigada de José Gonçalves.
4 – No Instituto de Medicina Legal de Lisboa, onde foi autopsiado em 23 de Dezembro de 1961, os peritos concluíram que a causa de morte foi “um tiro disparado no peito à queima-roupa com intenção de matar…” Tratava-se de um crime politico. Os nomes dos agentes e do responsável dos tiros, vieram a saber-se, após o 25 de abril de 1974, quando na sede da PIDE na Rua António Maria Cardoso, começou a funcionar a Comissão de Extinção da PIDE, sob a orientação da Marinha Portuguesas.
5 – DO TRIBUNAL MILITAR DE STª CLARA À FARSA DO JULGAMENTO DOS CARRASCOS QUE ASSASSINARAM JOSÉ DIAS COELHO.
Em Janeiro de 1967, 16 anos depois do crime realizou-se o julgamento com juízes da composição mais reacionária do corpo da justiça de Salazar, vindo à memória os juízes dos tribunais plenários sendo escolhidos a dedo pelo governo e os presidentes
escolhidos pelo ministro da justiça. A estes “juízes“ políticos, Aquilino Ribeiro, chamou prostibutários, longe de prever que após o 25 de Abril de 1974 pairaria no ar de alguns tribunais o fantasma de António Spínola, nomeado presidente da Junta de Salvação Nacional, instalada no Palácio de Belém. Spínola tudo fez para que a comissão de extinção da PIDE/DGS não fosse criada e pudesse desempenhar as suas funções com isenção e verdade…
Assim se revelou mais uma vez os “caracteres” e intenções de Spínola, concretizadas com golpes, ataques e traições a tudo o que o programa do MFA estava a levar à prática. É esta iminente figura que é louvado a Marechal, dado como “pai” da democracia. Mas o tempo e a história acabarão por colocar tal marechal na merecida prateleira do lixo tóxico.
Voltando ao julgamento, após a leitura da sentença, que absolveu os Pides, as pessoas que assistiram gritaram “Assassinos! Assassinos!”, gerando-se grande confusão no tribunal. Terminaria a saída da assistência indignada, com alas de Pides na escadaria do tribunal de Stª Clara, insultando provocatoriamente Margarida Tengarinha e sua cunhada Maria Adelaide com palavrões dos mais soezes, reles e sórdidos.
Assim, a sentença vergonhosa proferida por juízes reacionários o permitira.
Ainda sob estes acontecimentos, José-Augusto França, historiador e critico de arte escreveu um artigo no DL em 4 de Fevereiro de 1977, indignado, dedicado a José Dias Coelho, com o titulo, “O preço da vida de um escultor”.
Todo este dramático acontecimento, terá, sempre, como canção e música “A morte saiu à rua” que José Afonso dedicou a José Dias Coelho, num acto de coragem e risco, perpetuando a sua acção política, pela paz, pelos seus ideais, a sua corajosa militância, a sua coragem, a sua sensibilidade artística, tudo pela liberdade e felicidade do povo do seu país, e dos povos de todo o mundo, sujeitos às mais indignas formas de opressão e repressão.
Recordo, mais uma vez, José Dias Coelho, não deixando de registar os testemunhos vividos e escritos de Margarida Tengarinha, de Manuel Loff, entre muitos outros.
E um apelo faço às novas gerações para meditar, estudar, divulgar,
como foi penoso e arriscado conquistar a liberdade e o sonho que comanda
A VIDA.
Rodrigo de Freitas, aos 85 anos, num exercício de memória enquanto esta responde.
19 de Dezembro de 2021
No falecimento de Francisco Lobo
No passado sábado, após um prolongado estado de saúde muito debilitado, faleceu no Barreiro outro nosso querido companheiro, Francisco Lobo. Francisco Leonel Rodrigues Lobo perfez, no passado dia 17, 90 anos naquela terra onde nasceu, e onde logo aos 14 anos começou a trabalhar numa empresa metalúrgica. Em meados dessa década foi admitido na CUF, e posteriormente fixou residência em Setúbal, ingressando na empresa de indústria automóvel, a IMA.
Nas Notas Biográficas do seu livro “Histórias de Setúbal – 1974 a 1985” editado em 2008 pela Delegação de Setúbal da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), da qual foi membro da Direcção e Director do seu Boletim, recorda-se a sua prisão pela PIDE em Janeiro de 1962 na sequência da sua ligação ao assalto do Forte de Beja, tendo por isso estado nas prisões 33 meses.
«Nas eleições de 1969 e 1973 participou activamente em acções de sensibilização dos cidadãos para os actos eleitorais promovendo o recenseamento, participando em reuniões, distribuído propaganda eleitoral, fiscalizando as urnas, tendo mesmo presidido, em 1973, a um comício distrital realizado no antigo Casino Setubalense».
Aderiu ao Partido Comunista Português em 1974, integrou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Setúbal em Maio, e entre 1979 e 1985 foi Presidente da mesma.
Em 2003 a Câmara da sua terra natal atribui-lhe o galardão “Barreiro Reconhecido”, e no ano seguinte a de Setúbal a Medalha de Honra “Paz e Liberdade”.
A páginas 193 da nossa 1ª edição de 2014 “Vasco, nome de Abril”, ele descreve uma das deslocações a Setúbal do General Vasco Gonçalves, e da sua estranheza do mesmo perante o Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalização que durante cerca de 3 mil horas de trabalho noturno voluntário os operários da Setenave construíram nos estaleiros navais para, a 1 de Outubro de 1985, em plena Praça de Portugal e comemorativa do 15º aniversário da CGTP-IN, o oferecerem à cidade: «A escultura é construída por um cubo que significa estabilidade e as lâminas apontadas ao céu a força, a chama, a vida. Depois de lhe ter dado estas informações, Vasco agarrou-me nas mãos e disse: “Agora compreendo perfeitamente… que coisa maravilhosa!”».
Membro da Comissão de Honra do Centenário de Vasco Gonçalves, podemos escrever: Francisco Lobo, Nome de Abril!
A Ignorância dos perigos que desconhecemos e que corremos
Marques Pinto
Vogal da Direcção
Penso que muitos de nós vivendo neste pequeno cantinho da Europa, vamos ignorando muitos dos riscos que a nossa espécie corre, de um modo muito mais perigoso do que a grande maioria pensa.
Claro que de um modo geral e porque se têm acumulado nos últimos anos um enorme arsenal atómico na Europa Ocidental - fruto sobretudo das tensões criadas pelos que habitam na outra margem do Oceano Atlantico - que segundo os especialistas em conflitos atómicos bastaria a deflagração de 3 a 5% desse armamento para que grande parte do território mais populoso da Europa Central ficasse um deserto de seres vivos.
Contudo o que me levou a colocar esta chamada de atenção foi um facto muito pouco divulgado ou mesmo quase escondido pelos grandes meios de comunicação e que aconteceu há poucos dias no Mar da China.
O submarino nuclear USS “Connecticut” SSN ( da classe Seawolf ) bateu em imersão num objecto ou relevo desconhecido e terá vindo á superfície perto das Ilhas Paracel - 150 milhas duma base de submarinos Chinesa na provincia de Hainan.
Claro que alem do risco de poluição atómica, com todas as possíveis consequências para a fauna marinha e o próprio ambiente foram denunciadas não só pela China como pelas Filipinas.
Nada se sabe ou pelo menos nada tem transparecido nos meios de comunicação e o que levanta mais suspeitas sobre a gravidade do incidente é que a própria Marinha Americana proibiu a divulgação e toda a guarnição durante uma semana ficou totalmente incomunicável.
Apesar da ocorrência em aguas territoriais de outro país a Marinha Americana não autorizou qualquer investigação ou inspecção.
Evidentemente que só através dos Governos das Filipinas e da China se conseguiu detectar e publicitar tal incidente pois até agora a “ignorância” dos grandes meios de comunicação se tem mantido fiel ao encobrimento de tal incidente.
Penso que este incidente independentemente da causa e dos efeitos mais ou menos graves que tenha provocado ou venha ainda a provocar, demonstra e deve-nos fazer pensar seriamente no que poderia acontecer com uma ocorrência semelhante aquando duma das eventuais “visitas amigas” de tal tipo de navios nucleares aos nossos portos ou mesmo em secretas patrulhas submarinas tão frequentes junto ás nossas costas dado que são rotas de inúmera navegação civil e sobretudo militar de tantos países.
(*) O artigo completo, em inglês, encontra-se neste link
Texto de Manuel Begonha
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Neste momento que vivemos de crise e de legítimas dúvidas para alguns, ocorreu-me um texto que escrevi inspirado no pensamento de Vasco Gonçalves.
"Não devemos ter dúvidas que estando a memória viva, é tempo de encontrar e firmar a verdade, é tempo de escrever páginas da nossa História Contemporânea sem omissões e distorções, com registos, factos e palavras certas.
Não há alternativa :ou assumimos uma atitude passiva e alienamos o que resta das conquistas de Abril ou combatemos por elas.
Se o não fizermos, bastamo-nos a nós mesmos para nos derrotarmos.
Só lutando venceremos, cumprindo assim o sonho de um Homem cuja memória, estamos neste momento de comemorações a honrar."
Jorge Sampaio
Acabamos de tomar conhecimento da morte de Jorge Sampaio.
Não faltarão com certeza muitos elogios em memórias escritas e faladas acerca do Homem, do Politico e do Presidente de Portugal que foi de 1996 a 2006.
Não pretendemos, como é óbvio, vir repetir elogios a um Homem cuja vida ficou marcada pela sua coragem pessoal e desprendimento em relação a possíveis prejuízos na sua carreira política.
Em 1976, poucos dias antes da comemoração do 2º aniversário da nossa revolução de Abril, e num jantar que reuniu alguns militares que tinham estado presos na sequencia dos acontecimentos de Novembro, O Dr Jorge Sampaio manifestou em voz alta e numa breve alocução a sua total disponibilidade para como advogado apoiar e ajudar na defesa desses mesmos militares, que como se sabe sofreram represálias na suas carreiras e alguns o afastamento definitivo da vida militar.
Não podemos nem devemos esquecer a sua posição frontal ao manifestar, enquanto Supremo Comandante das Forças Armadas Portuguesas, a sua oposição em relação ao abjecto acto de sujeição que o 1º ministro da altura cometeu ao servir de hospedeiro nos Açores ao “encontro da aldrabice” (mais tarde este ex-militante do MRPP viria a ser premiado com uma estadia paga nos EUA e um alto cargo no Parlamento Europeu, donde aliás saiu com uma despedida desonrosa ....mas com um alto cargo num Banco Americano).
Foi graças á corajosa posição assumida por Jorge Sampaio que as nossas Forças Armadas nessa altura não
foram incluídas na farsa montada pelos EUA e a sua força de apoio -NATO – num ataque ao Afeganistão, não autorizado nem apoiado pela ONU, que 20 anos depois mostrou á evidencia a sua natureza aventureira.
À Família enlutada apresentamos as nossas sinceras condolências
A China, e as suas relações com Taiwan e Hong-Kong
Marques Pinto
Vogal da Direcção
A Direcção da ACR, na sua reunião de 29 de Julho de 2021, aprovou um voto de pesar pela morte do coronel Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril a quem coube planear e comandar a gloriosa operação militar do 25 de Abril de 1974 que derrubou a ditadura fascista numa das mais brilhantes acções militares da nossa história. Brilhante pelo resultado obtido, a libertação do nosso povo do jugo fascista e brilhante por ter sido executada com tal mestria que a vitória se consumou em poucas horas e sem derramamento de sangue.