Museu do Trabalho - Setúbal - 20231111 | Intervenção de Fernando Casaca | Centenário de Vasco Gonçalves

 

 

Começo por partilhar convosco que gosto de histórias, de as ouvir e de as contar. 

As histórias - que resultam da invenção humana - ajudam-me a melhor entender a História - correspondem à forma mais genuína e popular de entender a realidade, na minha perspetiva. A realidade que, por sua vez, é o edifício que resulta de um imenso, de um gigantesco movimento humano - grandioso, quer na dimensão material quer na sua forma imaterial. Movimentação - e motivação - humana, sonhada e executada, de acordo com as lógicas e dinâmicas sociais coletivas, de uma época determinada, que me fascina. Que tanto me fascina, de facto! É o devir histórico, no sentido do progresso!

Progresso...?! Chegou a altura de mudar o rumo deste texto, porque pode correr muito mal...

As histórias... A minha opinião é que as histórias são os relatos mais fidedignos da vida, das nossas vidas e das coisas dessas vidas. Das coisas que vão sucedendo, no mundo que nos rodeia e envolve, sem as rédeas e o espartilho classista dominante.

E porque estou eu a falar de histórias? - estarão, provavelmente, a perguntar na privacidade dos vossos pensamentos... Eu respondo: porque todos os textos e, em particular, todas as narrativas precisam de uma introdução. Uma introdução e um conflito - ou será ‘uma' luta de classes?...

Nova mudança, no rumo que isto está a levar...

Vou ser direto. Falo de histórias, num dia como o de hoje, porque sempre vi o Vasco, o companheiro Vasco, sob o manto das metáforas.

Como sabemos, todas as histórias contêm metáforas, em abundância... para além de introdução e conflito.

Por esta altura, já estarão a perceber a relação, entre o que nos trouxe a este lugar e as minhas palavras - não?...

Vasco Gonçalves era o militar, o general que trajava à civil, tal como sempre o conheci.
Era o primeiro-ministro da Revolução. Nenhum outro personificou o 25 de abril, como o Vasco, o companheiro Vasco. E isto - esta imagem que persiste, na minha memória de abril - isto está cheio de metáforas, de histórias.

Quero contar-vos, então, um pouco da minha experiência, em jeito de história. As histórias são como os jogos, precisam de jogadores motivados, conscientes e engajados.
Vou, pois, lançar as pistas para que, todos juntos, possamos recriar os enredos, as narrativas, desta História de verdade. Estão de acordo? Obrigado.

Estamos aqui por causa do cem. Cem, com c de companheiro, c de centenário, c de conquistas, c de cinquenta - que outros tantos tem abril! ou tantos quantos contam os anos da Liberdade! C de cinco - o número dos dedos a que, cerrados, chamamos punho.
Cinco que corresponde ao mês de maio, o quinto do nosso calendário - o mês em que celebramos o trabalho. Mas não haveria nenhum cinco no mundo, sem um quatro - o que nos leva de novo a abril, de facto. Cinco que multiplicado por outros cinco, ou seja, por si próprio, se faz em vinte e cinco - o dia em que faz anos a Liberdade. E não há nisto outra ciência, que as histórias da minha infância não possam explicar. Que a História não é
senão uma invenção coletiva, em que o conflito - a luta de classes, ainda se lembram?... - gera as mudanças, os desfechos; gera novas realidades. Um conhecimento do mundo - a matemática, a álgebra e a alegria, de construir um edifício ou de levantar uma muralha - uma muralha feita do aço, de que somos feitos, quando sabemos enfrentar o fascismo, o obscurantismo; quando combatemos a exploração dos homens pelo homem; quando não
nos permitimos substituir a grandeza da Humanidade pela pequena dimensão do homem individualista.

E também há o c com cedilha - aquele acento que lembra uma mola. O acento que ressalta na imaginação, como mola propulsora do movimento ascendente e do progresso social e da humanidade. Um segredo guardado no abecedário do futuro, escondido sob a letra c. É o c da muralha d’aço. Ergamos de novo esta muralha, feita com o aço, agora, forjado nestes cinquenta anos de abril. O aço que sustenta a vontade, individual e
comum, de construir um mundo melhor. O aço temperado com a consciência de ser classe - o aço, que está no braço e no abraço, que vos deixo neste dia.

Museu do Trabalho - Setúbal - 20231111 | Síntese da intervenção de Baptista Alves | Centenário de Vasco Gonçalves

 

 

 


Síntese da intervenção de Baptista Alves
Presidente da Direcção

 

Esta iniciativa insere-se nas comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril de 1974 e tem como objectivo principal a apresentação do projecto de construção de um Monumento de homenagem ao General Vasco Gonçalves.

O primeiro grande passo para a sua concretização foi o convite ao Arquitecto Álvaro Siza, em cumprimento de decisão da Comissão de Honra das  comemorações do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves e foi um auspicioso início deste processo pela adesão imediata e, diria mesmo, entusiástica do Arquitecto e seus colaboradores e, muito particularmente, do Arquitecto António Madureira.
 

O segundo grande passo foi o contacto com a CMLisboa, para cuja concretização foi criada uma delegação da Comissão Executiva do Monumento. Foi marcado por um inconcebível rol de peripécias que se encontram bem documentadas na “ Colectânea das comemorações do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves”, editada pela nossa ACR: uma primeira declaração de apoio e adesão por parte do PCMLisboa, provocou a reação do Presidente do CDS e outros adversários de Abril e na sequência um manancial de bloqueios administrativos nada consentâneos com a democracia de Abril. Mas, foi marcado também pelo desenvolvimento do estudo prévio do Monumento que apresentámos publicamente, na Casa do Alentejo, no Jantar comemorativo do 49º Aniversário do 25 de Abril de 1974. E, como não podia deixar de ser, divulgámos por todos os meios ao nosso alcance, com especial relevância por via NET, dado adquirido que é
o total silenciamento por parte dos grandes meios de comunicação social dominantes,… dominados.
Façam o que fizerem os semeadores de escolhos, de todos os matizes, o Monumento já existe, porque do génio de Álvaro Siza já nasceu, e é já património cultural e político de todos nós, gente de Abril.

O terceiro grande passo foi dado no dia 5 de Outubro, dia de afirmação republicana, com o lançamento da subscrição pública para a construção do Monumento, a que se seguiu a inauguração virtual do Monumento, pelas 19H00, na Alameda D.Afonso Henriques. Esta iniciativa marcou também o início do processo de construção física do Monumento, em mármore de Estremoz, a ser doado à cidade de Lisboa, onde nasceu o General V.G., no Bairro da Graça, e onde viveu, lá para os lados das Avenidas Novas.

O quarto grande passo, estamos a dá-lo agora, aqui hoje e nos amanhã em qualquer lado do Portugal de Abril, com um grande objectivo:
Comemorar o 50º Aniversário do 25 de Abril de 1974, no dia 25 de Abril de 2024, com a inauguração do Monumento de Homenagem ao General Vasco dos Santos Gonçalves, na Alameda D. Afonso Henriques.

Ali mesmo, a meio do espaço entre a Graça, onde nasceu o General e as Avenidas Novas, onde viveu:

  • Na belíssima Alameda D. Afonso Henriques que acolhe anualmente as comemorações do 1º de Maio;
  • Frente ao IST, referência da Engenharia Portuguesa e símbolo que também foi do Movimento estudantil que corajosamente afrontou a ditadura, engrossando assim o movimento anti-fascista português que não concedeu tréguas ao regime de Salazar e Caetano;
  • Naquele espaço que ostenta o nome do fundador da nação que somos, queremos deixar gravado o nome do refundador da nação que queremos ser: o Portugal de Abril.

ASSEMBLEIA GERAL - Convocatória

 

 


 

 

 

ASSOCIAÇÃO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO

 

CONVOCATÓRIA

 

Nos termos do nº 2 do Artigo 19º dos Estatutos da Associação Conquistas da Revolução, convoco a Assembleia Geral desta Associação para se reunir em Sessão Ordinária, no próximo dia 23 de Novembro de 2023 pelas 17h00 na Sede da ACR – Rua Abel Salazar, 37 A - r/C 1600-817 LISBOA, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1.    Leitura, discussão e votação da acta da sessão anterior;

2.    Informações;

3.    Apresentação, discussão e votação do “Plano de Actividades e o Orçamento para o ano de 2024;

4.    Marcação data Assembleia Geral Eleitoral;

5.    Diversos.

 

Se à hora marcada para o início dos trabalhos não estiver presente ou representada, pelo menos, metade dos seus associados efectivos, a Assembleia reunirá uma hora depois com qualquer número de associados presentes. (Artigo 20º dos Estatutos).

 

Os documentos “Plano de Actividades e o Orçamento para o ano de 2024”, encontram-se, para consulta, na sede da ACR e divulgados em:

www.conquistasdarevolucao.pt

www.conquistasdarevolucao.blogspot.com.

 

 

Lisboa, 08 de Novembro de 2023

 

 

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral



Manuel Begonha

 


Governos de Partido Único Marques Pinto | Vogal daDirecção

 

Governos de Partido Único

 Marques Pinto | Vogal daDirecção

 

 

Desde longa data que sabemos que governar em Democracia tem de implicar e aceitar a existência de varias correntes de pensamento político e diferentes visões de vivencia, com respeito e aceitação de diversos pontos de vista sobre o modo e meios que dentro duma sociedade todos os cidadãos devem respeitar e fazer respeitar as opiniões e até conceitos de vivencia, subordinando as ideias e atitudes a modos de convivência não conflituosa entre todos os cidadãos.

 

Claro que a Democracia desde o tempo das celebres Republicas Gregas sempre teve de se fazer cumprir através da legislação – a que todos os cidadãos independentemente do cargo político ou posição social são obrigados - por vezes de meios coercivos para com todos os que de qualquer facção ou corrente pretendiam fazer impor os seus pontos de vista ou opções, contrariando pela força ou usando de técnicas ou tácticas que pela violência ou imposição de legislação imposta pelo poder político na altura, lhes permitisse  subordinar quem não aceitasse ou contrariasse os seus interesses imediatos  do partido ou força politica no poder governativo.

 

Desde sempre me convenci que em países em que a historia relativamente recente de ditadura governamental tivesse existido o surgimento no seu leque parlamentar de uma maioria de uma só força ou ideologia política dará origem ao surgimento de domínio e falta de respeito pelas opiniões de outros partidos ou correntes políticas.

 

A governação por partido que detenha mais de 50% de parlamentares arrastará sempre a ideia do “agora posso, agora quero, agora Mando e Disponho”, seguindo a velha máxima que durante 48 anos suportámos em S.Bento do “quem não vota por mim está contra mim”


Monumento a Vasco Gonçalves | apresentação em Setúbal | 11 de Novembro


 

PARA OS MAIS VELHOS | Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

PARA OS MAIS VELHOS
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

Agora que acabei de completar os oitenta anos, passei a ser um octógono, como um jovem que tem uma má relação com o português me disse.
Entretanto, veio-me à memória uma frase de Clint Eastwood, actor, realizador e produtor de cinema que com 93 anos continua a trabalhar, que é a seguinte :
"Don't let the old man in" ou seja 'Não deixes o velho entrar ".
Com a morte recente de Margarida Tengarrinha, tivemos um exemplo de uma mulher notável que nunca deixou a velha entrar, lutando tenazmente ao longo da vida e até ao fim, pela Paz e Liberdade entre os povos.
É uma frase motivadora, porque nos encoraja a levantar em cada novo dia e retomar a luta pelos nossos ideais, deixando assim o velho longe da nossa porta.

 

Abraço a Margarida Tengarrinha


 

Abraço a Margarida Tengarrinha

 

Sócia fundadora da nossa Associação Conquistas da Revolução, Margarida Tengarrinha, lutadora anti-fascista e de todas as grandes causas da humanidade, marcou o nosso tempo com o seu exemplo e dedicação na defesa das suas convicções e valores - valores saídos vitoriosos na Revolução iniciada em 25 de Abril de 1974 – em cuja defesa nos mobilizamos, sem tréguas, na nossa ACR.

Por um Mundo melhor, mais justo e mais fraterno, por um Mundo de Paz, pelo Desarmamento geral, simultâneo e controlado e todas as grandes causas que abraçaste,


UM ABRAÇO E ATÉ SEMPRE

AS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO | Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

 AS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

Ao longo da história têm ocorrido acontecimentos que nunca foram cabalmente esclarecidos e que pela sua imprevisibilidade e violência, incendiaram  a imaginação de tal forma que se entrou no campo da especulação, que acabou por ir para além das aparências.

De entre estes, recordamos :

- O ataque a Pearl Harbour

Em 7 de Dezembro de 1941, a força aérea japonesa atacou esta base naval norte-americana, provocando cerca de 2400 mortos e 1200 feridos, para além de ter afundado ou danificado um número muito significativo de navios muito poderosos.
Especulou-se que os EUA não evitaram deliberadamente este ataque porque haveria forças internas que pretendiam que os EUA abandonassem a posição de neutralidade que vinham mantendo forçando a respectiva entrada na guerra contra o Japão.

- As bombas atómicas lançadas sobre Hiroxima e Nagasaki

A 6 e 9 de Agosto de 1945, com o Japão praticamente derrotado e para apressar o fim da guerra, foi lançada uma bomba atómica, sobre estas cidades japonesas, causando cerca de 300000 mortos directos e durante os anos seguintes, devido a queimaduras, envenenamento radioativo e outras lesões pelos efeitos da radiação.
A razão da especulação é que já não seria necessário e terá sido um aviso e uma forma de atemorizar a ex URSS.

- O ataque às Torres Gémeas

No dia 11de Setembro de 2001, vários aviões comerciais pilotados por árabes, atacaram diferentes alvos no território dos EUA, tendo dois deles, destruído as Torres Gémeas situadas em Nova Iorque.
Causaram cerca de 3000 mortos e 6000 feridos.
Neste caso, foi posta em causa a inépcia propositada dos serviços de informação que não teriam detectado os preparativos e executantes do atentado, porque o governo pretendia aniquilar os detentores do poder de países árabes do Mediterrâneo, não alinhados com os seus interesses na região.

- O ataque do Hamas a Israel

A 7 de Outubro de 2023 o Hamas provocou um ataque indiscriminadamente violento contra Israel do qual resultaram milhares de mortos e feridos e vultuosos danos materiais.
A suspeita de conspiração, reside em não se perceber como foi possível ao Hamas armar-se, preparar e executar uma operação desta envergadura , sem conhecimento de Israel que tem espiões em Gaza, na Síria, no Líbano e noutros países limítrofes, detém serviços de informação considerados insuperáveis e unidades militares especiais em alerta permanente.
Como retaliação Israel aproveitaria o pretexto para expulsar os palestinianos sobreviventes de um ataque demolidor a Gaza.
Também se especula haver petróleo e gás natural no litoral de Gaza.
Uma vez que o assunto está na ordem do dia, ocorre perguntar o que pretenderia o Hamas com esta acção, dado que sabia perfeitamente que o acto de vingança sobre Gaza seria desmedido e arrasador.
Com os dados por agora disponíveis, admite-se que esperaria o apoio militar do Hezbollah e de outros países como o Líbano e a Síria e que quereriam boicotar os acordos em curso entre Israel, a Arábia Saudita e a Jordânia.

Pode então concluir-se que em todos os casos, o preço a pagar pelo país que iria beneficiar no final com estes ataques, se pode admitir ser inaceitável, pois redundou em enormes catástrofes, quer em perdas de vidas humanas quer materiais.

Exceptua-se o caso do ataque atómico ao Japão, cujo perpretador os EUA, apenas tiveram uma condenação moral de toda a humanidade, por terem sido o primeiro e único país a desencadear um crime desta natureza.

 

Inauguração virtual do monumento a Vasco Gonçalves

APRESENTAÇÃO DO MONUMENTO DE HOMENAGEM AO GENERAL VASCO GONÇALVES | Manuel Begonha | 20231005 Voz do Operário

 

APRESENTAÇÃO DO MONUMENTO DE HOMENAGEM AO GENERAL VASCO GONÇALVES 
Manuel Begonha, Presidente da Mesa da Assembleia Geral | 05 de outubro de 2023 na Voz do Operário em Lisboa

Aproxima-se o 50.º aniversário da comemoração do 25 de Abril.
Este dia ficará para a história, devido aos jovens militares que através de um golpe de estado, derrubaram Marcelo Caetano e puseram fim a 48 anos de ditadura.
Ocorreram muitos actos heróicos e podemos considerar como símbolo Salgueiro Maia.
Ao contrário do que muitos querem fazer crer, o 25 de Abril não se esgotou neste glorioso dia, porque as grandes transformações sociais e políticas que a este se sucederam, permitiram concretizar o Programa delineado pelo MFA, a partir da unidade que se verificou entre o povo e o MFA e assim começar a construir a revolução, liderada pelo General Vasco Gonçalves e mãe de uma das mais belas Constituições do mundo.
A nossa.
Foi um período fecundo em que o povo trabalhador demonstrou a sua criatividade e convicção na luta e o movimento operário teve um papel determinante, no controlo público das empresas estratégicas no desenvolvimento da economia.
Estamos aqui hoje porque queremos lembrar que a Revolução ficou em grande parte a dever-se aos 4 governos provisórios presididos pelo General Vasco Gonçalves.
Por vezes acontece ao longo da história que na época certa determinados homens, devido ao seu elevado sentido ético e moral, conseguiram levar consigo os povos a partilharem com eles, o próprio destino.
Vasco Gonçalves, conseguia através da palavra e do gesto, da entoação e da postura, ganhar a confiança do povo e a sua força, encarnando um ideal pelo qual se anseia e que se acredita poder alcançar através dele.
Dentro desta perspectiva, comprometeu-se a libertar-nos dos dolorosos grilhões da pobreza, da privação e de todas as formas de discriminação.
No entanto, teve de conciliar a sua condição de "engenheiro, amante da música, da matemática e da literatura, competente técnico e militar exigente, respeitador da disciplina e da ordem" com vendavais de opiniões, desencontros, traições e tibiezas, próprias de um período revolucionário.
Como sabemos e deu bastas provas disso, era um homem para quem a lealdade e a verdade eram inseparáveis sem que tal implicasse fraqueza ou ingenuidade.
Como afirmou em Almada :" O socialismo que queremos, consiste também na possibilidade de cada cidadão ser um homem de lisura, um homem limpo, um homem íntegro, um homem transparente".
Nós que o conhecemos bem, podemos com segurança afirmar que estas palavras espelham a sua verdadeira personalidade.
Sabia naturalmente liderar sem qualquer tipo de autoritarismo, recorrendo ao exemplo para transmitir as suas directivas, sabendo que estar no topo é também não esquecer as bases.
Também foi obrigado a confrontar-se com a evidência que as más decisões, ou as falsas intenções, têm de ser eliminadas através de acções enérgicas, consequentes e decididas, porque desde cedo se apercebeu que na política a rectidão e a grandeza de carácter, não se impõem por si só ao embuste e à hipocrisia.
Depressa entendeu que a sua luta pelo socialismo estava a ser barrada, especialmente quando a contra - revolução começou a aprender com a revolução.
Vasco Gonçalves era um homem frontal e não era apreciador dos conceitos e estratagemas políticos contidos no Príncipe de Maquiavel e talvez por isso tenha sido acusado de idealismo irreal ou de radicalismo perigoso.
No entanto, no meio deste turbilhão a revolução ia consolidando as suas conquistas, abrindo caminhos que se revelaram de importância não apenas nacional, pois foram um modelo para apontar as vias do futuro.
As permanentes tentativas de desgaste, foram penosas para o General, bem como as ameaças pelas armas, feriam as suas convicções, porque entendia que quem pega em armas, irá perecer perante as armas. 
Tornou-se também evidente que o General não ambicionava o poder, mas foi firme na defesa da revolução, dizendo :" Ninguém está agarrado ao poder, mas todos estamos ligados a uma revolução que não queremos ver recuar e muito menos perder" e noutra ocasião :"O MFA só fixa um objectivo : lançar os fundamentos para que o povo português possa escolher livremente as instituições pelas quais se quer reger. 
Depois, recolherão aos quartéis para defender as conquistas democráticas." 
Passados todos estes anos e face à implacável ofensiva que se tem agravado, para destruir as conquistas da revolução e a democracia de Abril, o pensamento e a obra de Vasco Gonçalves que não se podem aprisionar, continuarão a ser estudados, visto serem um poderoso instrumento de transformação social. 
E é por isto que os seus numerosos inimigos tentam a apropriação e o silenciamento das suas ideias, constituindo o respectivo combate, um dos objectivos da nossa associação. 
Não tenho dúvidas de que no futuro Portugal chegará à conclusão que este Homem estava certo, sendo aqueles que o derrubaram que a história julgará como verdadeiros criminosos. 
Não deveremos na nossa luta esquecer que quem aceita uma decisão injusta sem agir, colabora com ela. 
A Pátria deve reconhecer aqueles a quem muito deve. 
Assim sendo e para resgatar o apagamento a que pretendem remeter Vasco Gonçalves, se torne imperioso imprimir no imaginário do povo, um símbolo físico, um monumento que será esse veículo, concebido por Siza Vieira porque o passado nem sempre está desperto no coração dos homens. 
Portanto, assumimos o compromisso de levar a cabo uma obra prometida inacabada, pois não deixaremos que a frustração seja um modo de encarar a vida e que situações que parecem incontestáveis se transformem em simples quimeras. 
Para concretizar a nossa tarefa, devemos ser dignos de Vasco Gonçalves que afirmava :

" Nós temos que ser a geração dos homens que se sacrificam".

E é por isso que aqui estamos firmes, hoje. 
           Viva Vasco Gonçalves !!
           Viva Portugal !!

 

Intervenção de Baptista Alves em 20231005 | Voz do Operário | Sobre o monumento a Vasco Gonçalves

Sobre o monumento a Vasco Gonçalves
Intervenção de Baptista Alves
na Voz do Operário em 5 de Outubro de 2023

 

Esta iniciativa insere-se nas comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril de 1974, promovidas pela nossa ACR e tem como objectivo concretizar o terceiro grande passo com vista à construção e implementação do Monumento de homenagem ao General Vasco Gonçalves, na Alameda D. Afonso Henriques, a inaugurar em 25 de Abril de 2024.

 

O primeiro grande passo foi o convite ao Arquitecto Álvaro Siza, em cumprimento de decisão da Comissão de Honra das Comemorações do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves - levado a cabo por um grupo constituído por Avelãs Nunes, Manuel Begonha e Baptista Alves-foi um auspicioso início deste processo pela adesão imediata e, diria mesmo, entusiástica do Arquitecto e seus colaboradores e, muito particularmente, pelo Arquitecto António Madureira.

 

O segundo grande passo foi o contacto com a CMLisboa, para cuja concretização foi criada uma delegação da Comissão Executiva do Monumento- constituída por Baptista Alves, Manuel Begonha, Martins Guerreiro, Nuno Pinto Soares, Joaquim Judas, Daniel Cabrita e Helder Costa- foi marcado por um inconcebível rol de peripécias que me vou dispensar de referir, por serem de todos conhecidas, mas foi marcado também pelo desenvolvimento do estudo prévio do Monumento que apresentámos publicamente, na Casa do Alentejo, no Jantar comemorativo do 49º Aniversário do 25 de Abril de 1974. E, como não podia deixar de ser, divulgámos por todos os meios ao nosso alcance, com especial relevância por via NET, dado adquirido que é o total silenciamento por parte dos grandes meios de comunicação social dominantes,… dominados.

 

Façam o que fizerem os semeadores de escolhos, de todos os matizes, o Monumento já existe, porque do génio de Álvaro Siza já nasceu, e é já património cultural e político de todos nós, gente de Abril.

 

O terceiro grande passo, estamos a dá-lo hoje, dia 5 de Outubro, dia de afirmação republicana, com o lançamento da subscrição pública para a construção do Monumento, a que se seguirá a inauguração virtual, pelas 19H00, na Alameda D.Afonso Henriques. Esta iniciativa marcará também o início do processo de construção física do Monumento, em mármore de Estremoz, a ser doado à cidade de Lisboa, onde nasceu o General V.G., no Bairro da Graça, e onde viveu, lá para os lados das Avenidas Novas.

 

Chegamos aqui! Vencemos barreiras, incompreensões e crises de desânimo. E aqui estamos! Com o grande objectivo ao nosso alcance:

Comemorar o 50º Aniversário do 25 de Abril de 1974 com a inauguração do Monumento de Homenagem ao General Vasco dos Santos Gonçalves, na Alameda D. Afonso Henriques.

 

Faremos hoje história, com a inauguração virtual do Monumento  criado por um dos maiores Arquitectos do nosso tempo, aqui, na cidade onde nasceu e viveu o General Vasco dos Santos Gonçalves, um dos nossos maiores.

Ali mesmo, a meio do espaço entre a Graça, onde nasceu e as Avenidas Novas, onde viveu:

 

-Na belíssima Alameda D. Afonso Henriques que acolhe anualmente as comemorações do 1º de Maio;

 

-Frente ao IST, referência da Engenharia Portuguesa e símbolo que também foi do Movimento estudantil que corajosamente afrontou a ditadura, engrossando assim o movimento anti-fascista português que não concedeu tréguas ao regime de Salazar e Caetano;

 

-Naquele espaço que ostenta o nome do fundador da nação que somos, queremos deixar gravado o nome do refundador da nação que queremos ser: o Portugal de Abril.

 

Viva Vasco Gonçalves !!!

Viva a República !!!

Viva o 25 de Abril !!!

Viva Portugal !!!


Intervenção de Manuel Begonha, no dia 1 de Outubro do corrente ano, em Setúbal,representando a ACR na cerimónia evocativa do aniversário da inauguração do Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações

 

Intervenção de Manuel Begonha, no dia 1 de Outubro do corrente ano, em Setúbal,representando a ACR na cerimónia evocativa do aniversário da inauguração do Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações


Exmo Sr Presidente da Câmara Municipal de Setúbal

Exmo Sr Presidente da Junta de freguesia de S. Sebastião
Exmo Sr Coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal
Exmo Sr Representante da URAP
Minhas Senhoras e meus senhores

Vivemos hoje uma data notável.
Foi em 1 de Outubro de 1985 que foi inaugurado o Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações e em 1de Outubro de 1970 que foi criada a CGTP-IN.
Mas tudo começou naquela madrugada libertadora de 25 de Abril de 1974 , dia em que um conjunto de jovens militares tomou o poder, num golpe de estado que derrubou o governo fascista de Marcelo Caetano, pondo fim a uma ditadura que durou 48 anos. Contudo, o povo português nunca deixou de combater pela liberdade ao longo deste período, desde os operários, os estudantes, os camponeses, os intelectuais, os anarquistas, os católicos progressistas, mas na sua maioria elementos integrados no PCP, não podendo ser esquecida a violência da luta na clandestinidade, nem vários golpes militares fracassados.
Muito destes, ainda sobreviventes, constituem hoje as fileiras da URAP.
Por outro lado a CGTP-IN já tinha conquistado um papel de destaque na organização e formação ideológica dos trabalhadores, enquanto que os militares nos seus movimentos associativos iam forjando a necessidade de pôr fim à situação vigente.
Mas o período mais transformador da nossa revolução, ficou a dever-se à luta determinada dos trabalhadores e do povo que uma vez unidos ao MFA, durante os 4 governos provisórios presididos pelo General Vasco Gonçalves, foi capaz de responder às necessidades mais prementes da população, assim lançando os alicerces para a construção de uma nova sociedade, dando assim cumprimento ao determinado no programa do MFA.
Foi neste período que sucederam as grandes transformações democráticas em Portugal a que chamamos Conquistas da Revolução, muitas das quais foram consagradas na Constituição da República.
Desenganem-se pois, aqueles que nas próximas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, as querem reduzir apenas ao golpe militar, omitindo a acção do General Vasco Gonçalves.
O Monumento cuja data de inauguração agora assinalamos representa bem a força e a criatividade dos trabalhadores que não se pouparam a esforços para erguer este símbolo de unidade e confiança no futuro.
Residi em Setúbal de 1973 a 1990, onde vivi os dias inesquecíveis da Revolução.
Quero recordar Francisco Lobo, que teve uma vida de luta incansável, para tornar esta cidade mais igual, mais justa e mais feliz.

Ainda temos uma Constituição da República que após sete revisões continua a ser o garante da democracia.
É uma Constituição que verte para si os direitos individuais consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem e que defende a independência e soberanía nacionais e que nos levam a lutar pela sua defesa e a exigir o seu cumprimento.
Se o fizermos lutaremos pela nossa dignidade e honraremos a memória de todos os que tornaram possível, a nossa presença hoje aqui.

Viva o 25 de Abril!!!!
Viva Portugal!!!!

 

Vasco Gonçalves em Setúbal a 1 de Outubro | Valdemar Santos, vogal da direcção

 

Vasco Gonçalves em Setúbal a 1 de Outubro

Valdemar Santos | vogal da direcção

 

Dezenas de participantes oriundos de vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa e vizinhos atravessaram a Rotunda da Praça de Portugal, em Setúbal, pelas 10h30 do passado domingo, e, junto ao Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações, assim deram corpo à iniciativa conjunta da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), Associação Conquistas da Revolução (ACR) e União dos Sindicatos de Setúbal (USS), evocando uma vez mais a fundação da Intersindical Nacional, a CGTP-IN, a 1 de Outubro de 1970.

Entre os intervenientes falou o Comandante Manuel Begonha, Presidente da
Assembleia Geral da ACR, e Francisco Leonel Rodrigues Lobo, o inesquecível Presidente da Câmara Municipal sadina com toda a carga da Revolução dos Cravos, já falecido, não podia deixar de ser evocado por mais de uma vez, não tivesse ele descrito na nossa edição «Vasco Nome de Abril» uma das deslocações a Setúbal do General Vasco Gonçalves. Perante a estranheza deste face a tal estrutura, aquela que durante cerca de 3 mil horas de trabalho noturno voluntário os operários da Setenave construíram nos Estaleiros Navais para, a 1 de Outubro de 1985, a oferecerem à cidade, Francisco Lobo explicou-lhe que «o cubo significa estabilidade e as lâminas apontadas ao céu a força, a chama, a vida». E logo Vasco agarrou-lhe as mãos e disse: “Agora compreendo perfeitamente… que coisa maravilhosa!”».

Acto de homenagem a Salvador Allende e aos democratas chilenos | Jorge Sarabando, vogal da direcção | Responsável pelo núcleo do Porto

Acto de homenagem a Salvador Allende e aos democratas chilenos

(nos 50 anos do golpe militar comandado por Pinochet)

11 de Setembro de 2023, Fundação Engº António Almeida

Intervenção de Jorge Sarabando | vogal da direcção e responsável pelo núcleo do Porto da ACR

 

 

Em Setembro de 1973, o Governo de Unidade Popular, presidido por Salvador Allende, médico e durante anos deputado, senador e ministro, continuava firme na defesa das profundas transformações operadas na vida económica e social do Chile, em cumprimento do seu programa: nacionalização da produção do cobre e de indústrias estratégicas antes dominadas por interesses estrangeiros, Reforma Agrária, controlo público da Banca, criação de um dinâmico sector público comercial e industrial, aumento da parte dos salários no rendimento nacional, que alcançou os 58%, escolarização de 99% das crianças entre os 6 e os 14 anos, melhoria do acesso aos cuidados de saúde pela população, que se havia traduzido já numa acentuada diminuição da mortalidade infantil. A Unidade Popular era constituída pelos Partidos socialista e comunista, Partido Radical, Movimento de Acção Popular Unitário, Partido Popular Independente, Partido Social-democrata e, mais tarde, a Esquerda Cristã.

Ao mesmo tempo, enfrentava uma poderosa acção desestabilizadora, fomentada e financiada pela oligarquia financeira e pelo governo dos Estados Unidos, com as “greves” dos camionistas, paralisações diversas, sabotagem económica, boicotes externos, campanha hostil na imprensa, golpes e ameaças de golpes militares. Militares constitucionalistas, como o Chefe das Forças Armadas, General Schneider, assassinado na rua, Comandante Araya, Ajudante de Campo de Allende, morto a tiro na varanda de sua casa, General Prats, assassinado em Buenos Aires, são marcas de uma conspiração que não conhecia limites para atingir os seus fins. 

Apesar dos efeitos da estratégia de tensão, da imagem criada de caos e degradação, das iniciativas concertadas de partidos de direita, de altos comandos militares e do grupo armado fascista “Patria y Libertad”, as eleições de Março de 73 reforçaram a votação nos partidos da Unidade Popular, que ultrapassou os 43%, sendo eleitos mais 3 senadores e 6 deputados.

Ficou claro para as forças de direita, para os militares golpistas, estreitamente ligados às ditaduras da região, à CIA e às autoridades norte-americanas, que só pela violência e não por meios legais poderiam derrubar o governo de Unidade Popular.

A brutalidade da violência utilizada por Pinochet e os outros militares golpistas ultrapassou todas as conjecturas: o cerco e o bombardeamento do Palácio de la Moneda, a morte dos seus defensores e do Presidente Salvador Allende, que recusou demitir-se, como exigia a Junta Militar, prisões em massa, tendo sido parte dos presos enclausurados no Estádio de Santiago. Segundo o Grupo de Trabalho Especial, criado pela Comissão da ONU para os Direitos Humanos, sediada em Genebra, foram cerca de 90 mil pessoas presas e três mil executadas, sem julgamento. Entre tantos que foram torturados e mortos, recordamos com emoção o nome de Vítor Jara. Os seus assassinos só agora, 49 anos depois, foram condenados judicialmente. Cerca de 50 mil chilenos tiveram de abandonar a sua Pátria.

Poucos dias após o golpe militar morreria, por causas ainda não esclarecidas, o poeta Pablo Neruda, Prémio Nobel, amigo e conselheiro do Presidente Allende. A Junta Militar quis proibir o funeral público, mas centenas de pessoas compareceram, afrontando as autoridades.

No Chile, como na Argentina, no Brasil e noutros países da América Latina, o imperialismo afogou em sangue e com a maior crueldade os processos emancipadores, libertadores, progressistas que irromperam nas décadas de 60 e 70, não hesitando em derrubar pela força governos legítimos, democraticamente eleitos. É dessa época a “Operação Condor”, pela qual foram feitas desaparecer milhares de pessoas, parte delas atiradas de aviões no alto mar.

Chegaram depois os “Chicago boys”, os discípulos de Hayek e Friedman, que fizeram do Chile um laboratório de experimentação das receitas do neoliberalismo: reduções salariais, privatizações do sector público da economia e mesmo da Segurança Social que, diga-se, mais tarde, falida, teve de ser renacionalizada.

Hoje como ontem, as oligarquias locais, com o apoio do imperialismo norte-americano, procura de novo conter a onda progressista e de afirmação soberana que tem ocorrido em diversos países latino-americanos. Os métodos seguidos poderão ser diferenciados, com recurso a militares golpistas ou a líderes populistas, mas os objectivos e os interesses em causa são os mesmos.

A solidariedade com os povos da América Latina , com os povos de todo o mundo em luta contra o fascismo, lá onde irrompa e seja qual for a máscara que use, é um modo de honrar a memória de Salvador Allende, dos democratas e revolucionários chilenos e de dizer que o seu sacrifício não foi em vão.    


O MUNDO TRANSFORMA-SE | Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

O MUNDO TRANSFORMA-SE
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

Enquanto que a nossa comunicação social vai massacrando a opinião pública com a queda do avião em que seguiriam os principais responsáveis do grupo Wagner, acontecimento inequivocamente relevante, convém trazer á colação, o golpe militar recentemente ocorrido no Níger, causador de um muito menor frenesim informativo, que poderá afectar significativamente a exploração colonial de matérias primas pela França e outras empresas multinacionais.
Esta ocorrência, é muito significativa para a luta em curso em África pelo predomínio político, uma vez que o poder revolucionário agora instalado é pro-russo.
Face à ameaça francesa de invasão do país ,secundada pelos EUA, para repor o Presidente deposto, recorrendo a mercenários jiadistas, admitia-se a deslocação para o Níger do grupo Wagner, para ajudar a defender a nascente revolução, motivo pelo qual seria prudente aos nossos comentadores deixar assentar o pó e não enveredar pela via das especulações precipitadas.
Mas outro acontecimento de enorme importância e também silenciado, é a adesão de novos países aos BRICS, anunciada pelo Presidente Cyril Ramaphosa, na sequência da cimeira em Joanesburgo, África do Sul e na qual o Presidente Lula, teve uma intervenção de carácter internacionalista, notável.
São eles a Argentina, Irão, Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Egito e Etiópia.
A entrada simultânea do Irão e da Arábia Saudita que têm sido antagonistas na disputa pela liderança no Médio Oriente é surpreendente.
Este reforço dos BRICS, abre uma nova frente de confronto entre os eixos Eurasia e Atlântico, conduzidos respectivamente pela Rússia e China e pelos EUA..
Entretanto a Argentina amplia a importância da América Latina, no contexto de guerra fria global em vivemos.
A criação de uma moeda comum, com exclusão do dólar, como uma nova forma de pagamento e autonomia, entre os seus integrantes, constitui um objectivo complexo e apenas concretizável a médio prazo.
Segundo o jornal Financial Times, " a Arábia Saudita e os Emiratos Árabes Unidos (EAU), apresentam-se hoje como os dois maiores exportadores de petróleo e dispostos a contribuir para retirar a hegemonia aos EUA".
O Sheik Mohamed bin Bayed Al Nahyan dos EAU, tem garantido que o seu Estado se torne uma potência militar.
Por seu lado, o primeiro ministro Saudita Mohammed bin Salman, tem investido enormes quantias no desenvolvimento do país.
Ambos se mostraram dispostos, a não seguirem as doutrinas norte-americanas e a não dependerem de compromissos com estes.
A nova ordem mundial que se encontra em formação e que apoiam, por verem oportunidade para novas iniciativas, conforme informação de Emile Hokayen, director da segurança nacional no Instituto Internacional para Estudos Estratégicos.
Em Junho, o ministro do investimento da Arábia Saudita, Khalid Al Falih, elogiou a aliança sino - árabe, sugerindo que Riad se tornou "uma ponte que liga o mundo árabe à China, tendo anunciado o lançamento de uma Rota da Seda moderna entre a China e os países árabes."
Outros países aguardam a formalização do pedido do seu ingresso na Organização que se passará a designar por BRICS PLUS.
Se a harmonização dos interesses de um conjunto de países tão importantes for bem sucedida, poderá constituir uma extraordinária alteração no mundo actual.

NÃO ACHEM NATURAL | Manuel Begonha - Presidente da Assembleia Geral

NÃO ACHEM NATURAL
 Manuel Begonha - Presidente da Assembleia Geral

 

Vivemos num mundo em convulsão onde se desenvolve uma guerra devastadora e interminável, cujas despesas inviabilizam o bem estar dos povos.
Onde ocorrem pesadas sanções e retaliações.
Onde impera a desigualdade e o arbítrio.
Onde se perpetuam os bloqueios sem qualquer justificação como o de Cuba.
Onde se respira sob uma espada nuclear e uma crise ambiental.
Onde a humanidade se vai tornando progressivamente paranóica.
Onde ainda ocorre lembrar um poema de Bertold Brecht, incluído em " A excepção e a regra 'de 1930.
"Pedimos expressamente que não achem natural
aquilo que acontece sempre!
que nada seja tido por natural
neste tempo de confusão sangrenta,
de desordem ordenada, de arbitrariedade
sistematizada,
de humanidade desumanizada,
para que nada disto se mantenha "


Comemorações do 212 aniversário da independência da Venezuela

 

A associação esteve presente nas comemorações do 212º aniversário da independência da Venezuela representada pela vogal da direcção Beatriz Nunes


UMA VIAGEM AO BRASIL Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

UMA VIAGEM AO BRASIL
Manuel Begonha | Presidente da Assembleia Geral

 

Esta viagem oferecida a um irmão meu, revestia-se de características especiais, o que nos permitiu visitar locais não percorridos pelos circuitos turísticos e também por ter sido mais demorada que o normal.
No período em que decorreu, estava em vigor o chamado " plano cruzado", constituído por um conjunto de medidas económicas, lançado pelo Presidente José Sarnay, que congelou os preços, com o fim de reduzir a inflação mas com o passar do tempo não se mostrou sustentável porque as mercadorias escassearam. Esta situação provocou o esgotamento das reservas cambiais e a economia colapsou.
Mas enquanto durou os preços eram muito baixos, tornando-se muito vantajosos, para portadores de divisas como o dólar ou o escudo.
Nestas circunstâncias, tendo nós começado a viagem pelo Rio de Janeiro que é de facto uma cidade maravilhosa no que ao aspecto paisagístico diz respeito, uma vez que visitámos os locais mais emblemáticos e outros como algumas favelas de que no fim falarei.
Foi a única viagem que recordo, na qual me senti rico à custa do escudo.
Por um preço inimaginável fomos a vários espectáculos e restaurantes, dos quais recordo um no Scala, com a Simone brasileira, incluindo jantar.
O que tornava esta cidade menos atractiva era a insegurança em que se vivia.
Ao longo do Calçadão existiam torres de vigilância policial.
Curiosamente não se viam na rua pessoas do tipo classe média.
Reinava o que vulgarmente se designa por " Povão".
Verificámos posteriormente que a classe social mais endinheirada, vivia em condomínios fechados, gradeados, com guardas muitas vezes
armados, de onde saía de automóvel para ir aos seus destinos e assim voltavam.
Para evitar ser roubado, resolvi distribuir o dinheiro que levava, recordo que ainda não havia multibanco, por três partes. A mais significativa, no cofre da recepção do hotel e não no do quarto. Tinha comprado uma bolsa púbica, na qual guardava outra parte para as compras e despesas do dia. Esta, vista de certos ângulos devia dar-me um aspecto insólito pelo seu volume e também por vezes, me causou embaraços para arranjar uma posição decente para retirar as notas. Mas na verdade foi eficaz.
E finalmente uma carteira de bolso com pouco dinheiro que era para não ofender o ladrão em caso de assalto.

A Baía é uma cidade muito interessante, intensa e colorida, exibindo em muitas ruas, janelas, Praças e igrejas um exuberante passado colonial.
Visitámos entre outros locais, o Mercado Artesanal que pelos seus contrastes e evocações históricas é imperdível.
Deslacamo-nos de escuna à Ilha de Itaparica que possui uma excelente praia e um casario típico, já utilizado em cenários de algumas telenovelas.
Conhecemos o Ubirajara, um miúdo com os seus oito anos que nos conseguiu, junto a uma igreja, vender as características pulseiras, devido à sua invulgar empatia, esperteza, teimosia, revelando ser um impressionante exemplo de um lutador pela sobrevivência.
No entanto, a insegurança perdurava. Certa noite, quando pretendíamos sair do hotel para um passeio a pé, o porteiro olhou para nós como se fossemos de outro planeta e desaconselhou vivamente tal aventura.
Mais tarde verifiquei que quando se pretendia sair para jantar fora, o hotel chamava um táxi de sua confiança que nos iria também buscar para o regresso.
Perante tal desilusão, reentramos no hotel e por acaso espreitei para a sala de jantar.
Tinha um expositor piramidal com uma indiscritivel variedade dos maravilhosos doces baianos.
Para um guloso inveterado como eu, foi um convite irrecusável.
A família quindim e todos os seus parentes, foram devidamente apreciados e não sei se ainda hoje, ando a pagar tal excesso, quando por vezes os valores da glicémia aparecem altos.
Mas a Baía vingou-se.
Conseguiram roubar a carteira do meu irmão no Elevador Lacerda.

Olinda é uma jóia de um passado colonial muito bem conservada o que a todos engrandece.
O seu património construído é notável.

Recife era na época uma cidade em renovação.
Como seria de esperar, tem boas praias e algumas construções relevantes como a antiga prisão, transformada em museu. 
O meu irmão tinha lá um amigo, negociante de várias coisas e também de arte, cuja enorme moradia, toda murada, era permanentemente vigiada por guardas armados. 
Emprestou-nos o seu carro com motorista, também armado, no qual nos fomos á oficina de cerâmica de Francisco Brennan, em plena selva, émulo brasileiro de Henry Moore e Fernando Botero. 
Teve a gentileza de me oferecer um azulejo. 

Manaus pelos seus contrastes, é uma cidade que parece diferente de todas as outras. 
Fomos aconselhados para não deixar de provar um peixe de rio chamado pirarucu. 
Mal chegámos fomos de táxi a um restaurante longínquo à beira do rio Negro, famoso pela qualidade deste peixe. 
O pior, é que daí em diante em todo o lado nos serviam esta especialidade, até no voo de regresso ao Rio de Janeiro. 
Um dos locais mais exóticos da cidade é o antigo mercado. 
Lá estão todas as espécies amazónicas, desde cabeças de macaco, répteis, mamíferos, aves, frutos e legumes variados, até às mais diversas espécies de roedores, insectos e peixes entre os quais o famoso pirarucu que é enorme, podendo ultrapassar os dois metros de comprimento. 
Só vi algo semelhante no Oriente, especialmente na Índia. 
Também é de realçar o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, de estilo renascentista, com uma cúpula única, símbolo maior da cidade que foi designada a " Paris dos Trópicos". 
Representa o respectivo apogeu devido ao ciclo da borracha, tão bem descrito por Ferreira de Castro no seu livro " A Selva". 
Nele se realiza a festival Amazonas de Ópera desde 1997.
Contudo, o ponto alto desta estadia terá sido a subida do rio Amazonas, designado desde a nascente por Solimões. 
É famoso o encontro das águas entre o rio Negro e o Solimões, a partir do qual o rio recebe o nome de Amazonas até à foz, fenómeno a que assistimos. 
Continuamos a subir o Solimões, ora de navio, ora de piroga, através da floresta onde vimos povos indígenas, com as suas exibições de giboias ao pescoço, macaco, aves belíssimas, a gigantesca flor Vitória - Régia, para além de termos comido alguns alimentos difíceis de descrever, porque felizmente não cheguei a saber o que eram. 
A certa altura uma senhora que na piroga ia cheia de medo dos jacarés que nunca vimos, resolveu com o seu olhar assustado, chamar hipopótamos, certamente amazónicos, às capivaras que pacificamente se banhavam. 

De regresso ao Rio de Janeiro, ainda visitámos uma das favelas que o rodeiam. 
Imaginei então que se toda aquela gente que vive muitas vezes em condições sub-humanas, descesse e invadisse a cidade, não seria uma forma de combater a desigualdade. 
Pus a questão aos meus acompanhantes locais. 
Disseram "O povo não é revolucionário. Acomoda-se" 
Na verdade, parte do povo elegeu Bolsonaro, mas também recentemente na sua maioria foi capaz de eleger Lula, um Presidente que tem pugnado pela igualdade, justiça, soberanía nacional e também pela Paz no Mundo.