JOÃO ABEL MANTA E A DINAMIZAÇÃO CULTURAL
Manuel Begonha | sócio da ACR
Já após o 25 de Abril, os artistas e sócios da Sociedade Nacional de Belas - Artes encontraram finalmente condições para debater os problemas da classe e do país.
É nesta instituição que se organiza o MDAP (Movimento Democrático dos Artistas Plásticos), que tomou a decisão de participar activamente com a CODICE (COMISSÃO DINAMIZADORA CENTRAL) organismo responsável pelas Campanhas de dinamização cultural, integrado na 5ª Divisão do EMGFA.
Estabelecem-se ligações com os artistas plásticos que se encontravam fora do país, alguns radicados, outros exilados.
Nas reuniões do MDAP, já com um secretariado, decidiu-se a criação de grupos de acção que actuavam nas escolas e assembleias de trabalhadores, das quais saíram nomeados para participar na CODICE, o animador cultural e pintor Rodrigo de Freitas e o pintor e cenógrafo João Moniz Pereira como consultor artístico, a quem mais tarde se juntou o pintor e designer Marcelino Vespeira, em Março de 1975, e Álvaro Patrício, em Maio deste mesmo ano.
Estes dois membros iniciais instalaram-se no Palácio Foz, a 6 de Novembro de 1974.
Em 9 de Dezembro de 1974 a CODICE convocou uma reunião com os artistas plásticos, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz.
Esteve presente o Director da Cultura Popular e Espectáculos, Vasco Pinto Leite.
Deram a sua adesão
*Ver abaixo
Embora não estando presentes, comunicaram a sua disponibilidade os seguintes artistas :
Manuel Filipe, Jeny de Carvalho, Carmo Pólvora, Luisa Nogueira, Maria Velez, João Hogan, Virgílio Domingues, Eduarda Teixeira, Clara Semide e Lima de Carvalho.
No decurso da reunião, muitas ideias e sugestões foram apresentadas, tendo mesmo sido questionado o que era prioritário fazer.
Houve mesmo quem se comprometesse a entregar as suas propostas em arte final ou maquete.
O escultor José João Brito elaborou uma medalha que foi elaborada e apresentada em missões oficiais do MFA.
Bartolomeu Cid dos Santos, a leccionar na "Slade School of Fine Art" em Londres, comunicou a sua adesão e propôs - se de imediato a executar a gravura " 25 de Abril de 1974".
Sector de Artes Gráficas da CODICE
Este sector desenvolveu actividade nas seguintes áreas :"
1 Cartazes
De João Abel Manta, foram os seguintes :
1974 Dez " Os presentes de Natal das FA's"
1974 Dez "MFA - Povo/ Povo - MFA"
1975 Maio " MFA - Sentinela do Povo"
1975 Jul " Povo - Vasco - MFA"
1975 Jul "O Povo está com o MFA
De outros artistas, todos editados em 1975 :
" A cultura é a Liberdade do Povo " - Maria Velez
" Com a Revolução - Pela Cultura " - Justino Alves e M. George
" Forças Armadas - Raízes de uma Revolução " - Marcelino Vespeira
" Povo - Voto "/ Voto - Povo" - Marcelino Vespeira
"Unidade Povo - MFA" - Rogério Amaral
" A Revolução em Marcha" - Artur Rosa
" A Flor da Liberdade" Catarina João
" O Boato" - Henrique Ruivo
" Emigrante -" Unidos Venceremos "- Armando Alves
" Semana do Emigrante" - Marcelino Vespeira
" Poder Popular - Unidade Revolucionária" - Marcelino Vespeira
2. Painéis
Durante o desfile /manifestação do 1 de Maio de 1974, um grupo de pintores sugeriu que fosse pintado um painel como forma de celebrar a liberdade, à vista de todos.
O espaço seria junto à Galeria de Arte Moderna e no pátio contíguo, onde já funcionava o Mercado do Povo no dia 10 de Junho desse ano de 1974.
A intenção era executar uma pintura de uma tela com 4,50 m X 24,00 m, dividida em 48 partes, tantos quantos os anos do regime ditatorial que o povo português sofreu e também quantos os pintores.
Acabada a pintura Marcelino Vespeira exclamou :
"Revolução aberta, arte liberta".
3. Pinturas murais
Executados por todo o país sendo os mais significativos em Viseu, Lisboa, Évora e Figueira da Foz..
4. Calendários
Produzido por João Abel Manta
5. Selo dos CTT
Desenhado por João Abel Manta
6. Autocolantes
Por Moniz Pereira e Ana Cláudia
7. Banda desenhada e brochuras
Desenhos de A. Patrício e texto de Modesto Navarro e o " Programa do MFA" de João Machado, para além de outros livrinhos
Com a morte de João Abel Manta, perdemos um dos mais criativos e originais artistas que produziram cartazes ilustrativos da Revolução de 25 de Abril.
É uma referência gráfica intemporal.
Os seus cartazes convocam - nos para um universo de união.
Foram um forma acessível e apelativa de passar a mensagem da Revolução e devido à sua grande qualidade gráfica, ficaram muito impressivamente na memória dos portugueses.
A representação de figuras humanas tornou mais empática a respectiva leitura.
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Nota : Transcrições do livro " 5ª Divisão, MFA, Revolução e Cultura de Manuel Begonha, pag. 47 e seguintes
