ESTÃO OS EUA E A UE DE COSTAS VOLTADAS? | Manuel Begonha - Sócio da ACR

 

ESTÃO OS EUA E A UE DE COSTAS VOLTADAS?
Manuel Begonha - Sócio da ACR

Estamos a viver as sequelas de um choque de sistemas económicos, a industrialização socialista de modelo chinês versus o capitalismo financeiro neoliberal.
Trata-se de uma nova guerra fria contra a China e seus potenciais aliados económicos, como a Rússia, a Ásia Central, Sul e Leste Asiático.
A UE na sequência da invasão da Ucrânia cortou o comércio e o investimento bilateral com a Rússia. 
Chegariam divisas à Europa para pagar as importações  de gás natural barato, com a exportação para a Rússia de mais produtos manufacturados industriais, como os da indústria automóvel, para além de variados investimentos financeiros.
Este comércio e investimento bilateral foi travado por um longo prazo, uma vez que a NATO - essa relíquia sobrante do mundo atlântico - arrastou a UE para uma guerra contra a Rússia. 

Nestas condições, os EUA estão a obrigar a UE a armar-se porque lhes interessa, torná- la um parceiro valioso numa futura guerra, contra a Rússia e a China que estão preparando, por estes países serem os principais motores da multipolaridade, principal obstáculo à manutenção da hegemonia norte-americana. 
Importa no entanto ter em conta algumas decisões tomadas pelos EUA, veículadas por Trump que por vezes é tomado como uma autoridade incontestada. 
Trump faz de bufão, porque tem um comportamento narcísico e megalómano que se adequa ao papel que lhe foi atribuído, pelos verdadeiros mandantes que são os líderes neoliberais da máquina militar industrial que integra muita gente do lobby sionista. 
Cria então um ambiente de caos, amplificado pela comunicação social arregimentada, através das suas permanentes ameaças, desmentidos e adiamentos que provocam oscilações na bolsa que permitem aos seus controladores ganhar fortunas. 
Portanto não nos iludamos. Se por alguma razão for substituído, os seus potenciais sucessores como Vance, Hegset, Rubio ou outro qualquer integrante da sua equipa, não serão melhores. 
Recorrem paralelamente á instrumentalização da fé e enveredando pela teologia do domínio que deixa de ter como objetivo a justiça social, passando a legitimar o poder e o dinheiro. 
Tentam igualmente difundir a ideia de que estão imbuídos da missão messiânica de destruir todos os que possam constituir um empecilho a que os EUA sejam de novo os donos do mundo, porque são os ímpios e diabólicos. 
No entanto esta prepotência para com os filhos de um Deus menor, tem uma geometria variável, pois tanto se podem virar para Gaza, Venezuela, Irão, Cuba, Panama, Colombia ou mesmo o Canada ou Gronelândia, sem excluir outro país que as circunstâncias determinarem. 

A Ucrânia saiu agora das atenções, porque se destina a ser sacrificada pelos EUA e UE, para atingirem o verdadeiro objectivo. 
Tal como aconteceu com o desmantelamento da URSS em 1989, procuram prolongar a guerra para criar condições que afectem a economia russa e baixar o respectivo nível de vida por forma a criarem um descontentamento generalizado que conduza á queda de Putin e do seu regime. 

Contudo se o armamento produzido com tecnologia europeia atingir objectivos vitais no seu território, há sempre o perigo de ocorrer uma retaliação com bombas nucleares tácticas, para destruir infraestruturas militares na Ucrânia e fazer um primeiro aviso à UE. 
Resta avaliar o que se irá passar resultante da guerra em curso no Irão.