O CDS E A CRISE DA DIREITA PORTUGUESA

 

O CDS E A CRISE DA DIREITA PORTUGUESA

 
 Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 
Na sequência do 25 de Abril, Amaro da Costa e Freitas do Amaral criaram um partido político, o CDS, respaldado na Democracia Cristã.
Contudo , os saudosistas mais radicais ou seja, os representantes residuais do fascismo não se reconheceram maioritariamente neste partido e foram fazendo o seu caminho.
Tornou-se um partido constitucional embora não tivesse aprovado a Constituição da República.
Neste processo, ocorreram conversões surpreendentes como a de Adriano Moreira que aderiu ao CDS, pese embora a nódoa no seu currículo, de como Ministro do Ultramar no governo de Salazar, ter em 1961, instituído no Chão Bom ( Ilha de Santiago, Cabo Verde), uma colónia penal com a finalidade de receber prisioneiros oriundos das colónias portuguesas.
Curiosamente no Chão Bom, já anteriormente tinha funcionado o Campo de Concentração do Tarrafal.
Adelino Ferreira Torres, um dos fundadores do MDLP, foi o elemento comprometedor incomodando o partido durante muito tempo.
Com o passar do tempo o CDS com altos e baixos, foi-se adaptando ao regime democrático, acabando por constituir o último baluarte de contenção às forças da extrema direita.
Um notável sinal dos tempos em que vivemos, é ver com apreensão que está a ameaçar extinguir-se, absorvido por forças anti- democráticas à sua direita.
Os partidos que integraram os diferentes governos Constitucionais que se sucederam, foram dando o flanco aos movimentos de extrema direita, como por exemplo com a sua gritante incapacidade de combater a corrupção generalizada, e, controlar a crescente e intolerável desigualdade social.
De acordo com o plano norte-americano conduzido por Steve Banon e Mike Pompeo , para financiar a criação na Europa de partidos de extrema direita proto-fascistas , era inevitável que tal ocorresse também em Portugal.
É é assim que hoje temos no Parlamento, um partido com tais características, pelo qual tanto ansiou o remanescente dos saudosistas do salazarismo.
Tais forças facilmente atacam demagogicamente o poder instituído, o SNS, a Escola Pública e os organismos do Estado , uma vez que previligiam a privatização generalizada, excepto como é evidente em situação de crise, como é a resultante do Covid19, em que desesperam pelo apoio do Estado.
Para demonstrações de ordem unida, ou para acções de violência ou de intimidação, recorrem encapotadamente a grupos neo-nazis do tipo skinheads.
Como no passado os que hoje integram os partidos de direita, salvo raríssimas excepções, jamais combateram a ditadura e o fascismo, pactuando factualmente com estes.
E também não é com eles que hoje podemos contar para defender a democracia e as conquistas da revolução, como se pode bem constatar pela postura colaboracionista do Presidente do PSD.
Mais uma vez compete à esquerda unir-se e erradicar esta ameaça constituída por estes ensaios filo-fascistas.

A LIBERDADE É UMA LUTA CONSTANTE

 Do nosso associado Manuel Rodrigues recebemos o texto que reproduzimos:

“A LIBERDADE É UMA LUTA CONSTANTE”

 

É este o título do livro de Ângela Davis, recentemente editado em Portugal pela Antígona.

Trata-se de uma selecção de intervenções da valorosa lutadora estado-unidense, durante os anos de 2013 a 2015. Se bem que os assuntos versados possam ser tomados como dizendo predominantemente respeito aos EUA, há neles aspectos que, pela sua importância e pela sua abrangência,  nos  tocam a todos.

É este o caso das actividades, relatadas pela autora, de poderosas empresas privadas ditas de segurança, que estão, crescente e ameaçadoramente,  a  condicionar gravemente a vida de populações por esse mundo fora.

 

Exemplos:

- O COMPLEXO PRISIONAL-INDUSTRIAL(CPI) - Com uma população prisional bem superior a dois milhões de pessoas, o CPI estado-unidense é um importante fornecedor de mão de obra às grandes corporações que operam no país; trata-se, de facto, de trabalho forçado, escravo, extorquido a cerca de 0,25US$ por hora!!!

Ora, se bem que o CPI tenha tido como epicentro os EUA, e como principal área de actuação o sistema prisional desse país, desde há muito que as empresas do ramo vêm estendendo os seus tentáculos para outras regiões e para outras sectores de actividade.

 

- A ACÇÃO  DO GRUPO G4S -  A operar em cerca de cem países, com mais de meio milhão de funcionários, esta empresa teve importância decisiva na montagem das estruturas do apartheid israelita e na formação e treino das forças que o aplicam.

O trabalho da G4S em Israel, é um dos pilares  em que se apoia o poder de índole fascista instalado em Telavive para,  de braço dado com o  trumpismo reinante na Casa Branca, aplicarem e difundirem doutrina racista e xenófoba nas forças de segurança e na aplicação das técnicas que lhes são inerentes.

 

 

- A DETENÇÃO E DEPORTAÇÃO DE EMIGRANTES - Actual e muito lucrativo negócio destes conglomerados, ditos de segurança.

A propósito desta  actividade, Ângela Davis relatou, em Outubro de 2013  na Faculdade de Direito de Birkberck no Reino Unido, o seguinte episódio:

“…falei com Deborah Coles, co-directora da  organização Inquest, acerca do caso de Jimmy Mubenga, que morreu às mãos de guardas da G4S durante uma deportação do Reino Unido para Angola. Num avião da British Airwais, com as mãos algemadas atrás das costas, Mubenga foi violentamente empurrado por agentes da G4S contra o banco da frente e a sua cabeça pressionada para baixo com força, numa manobra de imobilização proibida chamada carpet karaoke, para que ele não conseguisse vocalizar a sua resistência. É espantoso o uso deste termo para designar uma manobra que, apesar de ser ilegal, é praticada pela polícia. Indica que a pessoa sujeita a esta manobra é obrigada “a cantar para a alcatifa do chão” ou, no caso de Mubenga, para o banco estufado à sua frente,  abafando-se assim os seus protestos e tornando-os incompreensíveis. Enquanto Jimmy Mubenga esteve imobilizado durante quarenta minutos, ninguém interveio. Quando finalmente houve uma tentativa de lhe prestar os primeiros socorros, estava morto.”

                          

                           //////////////////////////

 O livro de Ângela Davis não é só isto. E, sobretudo, obriga-nos a perguntar:

A quantos Mubenga e a quantos Floyd foram tiradas as vidas até  à visão do vídeo de Minneapolis?

E, a quantos mais teremos ainda de ver  sacrificados, às ordens e às mãos dos mandantes e dos executores dos apartheids inerentes à exploração imperialista?

 

 

Recordando o V Governo Provisório - 45 anos depois

 

 

Recordando o V Governo Provisório – 45 anos depois

 

 

 

O tempo que mediou entre 8 de Agosto de 1975 e 19 de Setembro de 1975 foi o que durou o último governo em que o General Vasco dos Santos Gonçalves foi Primeiro Ministro; o V Governo Provisório.

 

O V Governo Provisório, era constituído, à exceção de um, essencialmente por militares e civis sem filiação partidária e que poderá observar clicando nos links abaixo:

 

https://www.historico.portugal.gov.pt/pt/o-governo/arquivo-historico/governos-provisorios/gp05/composicao.aspx

https://pt.wikipedia.org/wiki/V_Governo_Provisório_de_Portugal

Na ocasião da tomada de posse do governo, Vasco Gonçalves afirmava “nunca é demais repetir que a substituição do velho pelo novo é sempre dolorosa e difícil”.

 

E mais adiante frisava:

 

“Neste momento, e aproveitando uma conjuntura particularmente complicada no desenvolvimento do nosso processo revolucionário, em que as dificuldades económicas resultantes do desmantelamento do sistema económico velho, da crise do capitalismo internacional, dos erros por nós cometidos, se entrelaçam com a grave situação de Angola, com o aumento das pressões internacionais sobre o nosso País e com a incapacidade das forças, a quem a Revolução objectivamente serve para encontrarem um caminho firme de avanço neste processo de transição para o socialismo, as forças reaccionárias, as forças que não pretendem a construção do socialismo em Portugal, desencadearam uma forte ofensiva que tem deparado com aliados onde devia ter inimigos jurados”.

 

A 20 de Agosto, após profundo trabalho de negociações, é dada posse aos Secretários de Estado.

No discurso que proferiu salientava:

 

“É com orgulho de patriota que assisto à tomada de posse dos novos membros do Governo na hora grave que a nossa Revolução atravessa. Este Governo — o V Governo Provisório — é um Governo constituído por patriotas honrados que põem acima de qualquer interesse partidário ou pessoal os supremos interesses da Pátria. Não é um Governo de carreiristas, de políticos profissionais, é um Governo identificado com a Revolução e disposto a consolidar a todo o custo as conquistas alcançadas com o 25 de Abril. É um Governo disposto a tomar as medidas necessárias à salvaguarda da nossa Revolução mesmo que sejam impopulares.

O gesto destes homens, com os quais me sinto completamente identificado e que considero meus camaradas, é um gesto que pela sua grandeza moral se impõe a todos. É um gesto que serve de exemplo às nossas Forças Armadas, que contribui para o seu empenhamento revolucionário e para a sua unidade hoje tão posta em causa pelos inimigos da nossa Revolução.

É um Governo à altura do momento que vivemos, é um Governo de socialistas nos actos e não só nas palavras, é, enfim, um Governo de patriotas.”

……

E seguidamente:

“Ninguém aqui, senhor Presidente da República, está agarrado ao lugar, mas todos estamos ligados a uma Revolução que não queremos ver recuar e muito menos perder.”

………..

 

Do Programa do V Governo Provisório salientamos:

 

“O IV Governo, constituído na sequência do 11 de março e após a institucionalização do Conselho da Revolução e Assembleia do M.F.A., funcionou em sistema de coligação partidária que veio a revelar-se inviável.

Foi contudo na sua vigência que foram adaptadas e concretizadas as medidas de mais profunda transformação social e económica na lógica irreversível do avanço para o socialismo, medidas tomadas sob a orientação e diretiva dos órgãos de maior responsabilidade revolucionária:

Assembleia do M.F.A. e C.R”

…….

 

“São fatores agravantes e igualmente causais desta situação de crise:

- os ataques concertados da reação externa tendentes e isolar e a desmoralizar o País;

- as dificuldades enormes da descolonização em Angola, herança pesada da política spinolista;

- os reflexos sobre a frágil economia portuguesa da crise económica geral do capitalismo;

- os desequilíbrio e instabilidade provenientes do necessário desmantelamento das estruturas monopolistas e fascistas, enquanto não se põem de pé novas estruturas democráticas e revolucionárias e não se estimula a vida das novas instituições a partir de motivações diferentes das da sociedade de consumo capitalista, que hão-,de resultar das transformações operadas na sociedade portuguesa.”

……

 

“O V Governo assumiu a missão de agir de forma unitária e não partidária, possibilitando pausa política para ultrapassagem da crise político-militar e assegurando uma firme defesa das conquistas revolucionárias, quer contra a vasta movimentação reacionária - ataques a sedes de partidos políticos progressistas, campanha na imprensa estrangeira, manobras dirigidos por organizações fascistas nacionais e Internacionais, brutal ingerência estrangeira nos assuntos portugueses, quer contra tentativas de desestabilização do processo revolucionário português por formas capitalista de tipo social-democrata.

Todavia, sendo um Governo não partidário, a sua ação só é possível com o apoio popular e o apoio do M.F.A.”

 

……

 

A extensa legislação promulgada pelo então Presidente da República, Marechal Francisco da Costa Gomes, pode ser observada clicando no seguinte link:

 

https://dre.pt/web/guest/pesquisa-avancada/-/asearch/advanced/normal?advanced.search=Pesquisa+Avançada&_advancedPublicSearch_WAR_drefrontofficeportlet_sort=whenSearchable&_advancedPublicSearch_WAR_drefrontofficeportlet_sortOrder=ASC&dataPublicacaoFim=1975-09-19&types=SERIEI&dataPublicacaoInicio=1975-08-08

 

 

Homenagem a Fernanda Lapa

 Reproduzimos texto escrito pelo nosso Presidente da Assembleia Geral



FERNANDA LAPA

 

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

Conheci a Fernanda Lapa em 1974.
Privei com ela na Direcção da ex Associação de Amizade Portugal - RDA.
Fizemos nesse ano uma visita à RDA, com uma numerosa delegação de intelectuais e muitos jovens.
Desde logo, apreciei na Fernanda a sua combatividade, determinação revolucionária e capacidade de se dedicar a causas justas.
Visitamos em Berlim o teatro Brecht que teve grande significado para ela, pois desde cedo, manifestara a sua vocação para o teatro , onde acabou por se revelar uma notável e polifacetada actriz.
Acompanhei-a desde então, na sua extraordinária carreira a que foi juntando a encenação, o estudo até chegar a professora numa Escola de Teatro.
Lutou muito por ela e pelos outros.
Teve momentos felizes e outros de desilusão.
Por vezes, foi incompreendida porque incomodou e também injustiçada.
Mas nunca desistiu. Não vergou.
A verticalidade era a sua condição.
Manteve-se até ao fim fiel aos seus ideais políticos e sociais.
Foi uma grande mulher do teatro e da cultura.
É uma figura inspiradora.
Estava com J. L. Borges, quando este dizia "que a função libertadora da arte, deita raízes na sua capacidade de sonhar contra o mundo, de dar forma a mundos que são de outra maneira".
Liberta já das máscaras que foi sendo, não encontrará na morte o apagamento.

Manuel Begonha

Verão, fogos, Incendiários e Bombeiros

Verão, Fogos, Incendiários e Bombeiros

 

Marques Pinto

Vogal da Direcção

 

Acabou o mês de Julho e num noticiário resumido duma das nossas estações  televisivas ouvi mais uma vez que mais uns milhares de hectares arderam, umas dezenas de casas foram destruídas, umas dezenas de famílias perderam os seus bens e até o seu tecto de abrigo, algumas dezenas de animais pelo facto de estarem confinados nos seus currais ou abrigos morreram.

Não vou fazer estimativas nem cálculos dos prejuízos de toda a ordem – pois muitas vezes os danos morais são tão ou mais importantes que os prejuízos materiais – também não pretendo vir apelar ou acusar as entidades que pelas suas funções ou responsabilidades poderão estar mais ou menos directamente ligadas aos vários sistemas de prevenção e nestes casos sempre são envolvidas com razão ou sem ela nas falhas ou omissões de meios que poderiam ou deveriam estar em determinado momento.

Há cerca de 50 anos andei durante 2 ou 3 meses a pilotar um avião de monda química transformado para operar em ataques a incêndios florestais com cerca de 900 litros de “calda retardadora”. Actuei no norte do nosso País em mais de uma base criada para esse mesmo efeito e sei bem a carga emotiva que como piloto e sobrevoando varias vezes o mesmo local de incêndio vamos sentindo sempre que aos nossos olhos nos vamos sentindo impotentes para dominar o fogo, bem como a sensação ao verificarmos que passagem após passagem nos apercebemos que estamos todos – bombeiros, população e meios aéreos – a conseguir dominar e reduzir o fogo no terreno.

Mas o principal objectivo desta minha pequena crónica é outro: - chamar a atenção para as origens e causadores e não só os terríveis efeitos que os jornais e televisões nos mostram.

Segundo as entidades policiais  - só este ano de 2020 estarão detidos ou identificados mais de três dezenas de presumíveis incendiários, sendo um deles um jovem que se gabou de ter ateado  - 4 - incêndios numa só região.

Compreendo que omitam nomes até provas concretas, mas quando não é esse o caso e muitos deles confessam quando são detidos, porque não são de imediato fornecidos os nomes como se faz no caso de crimes violentos e são detidos em flagrante?

Será para ocultar os nomes dos que muitas vezes “encomendaram” tais actos?

Todos nós assistimos diariamente à denuncia e apresentação em tribunal dos mais diferentes grandes e pequenos delitos, mas nunca vemos denunciado um incendiário, quando na sua grande maioria até são fogos provocados ou encomendados por interesses que deveriam ser denunciados e revelados os nomes dos seus mandantes.

Quase sempre ou pelo menos na grande totalidade dos casos ficam no segredo da justiça.

Penso que o assunto é tão sério que mereceria que algum grupo parlamentar exigisse que a justiça fosse feita e publicamente conhecida nomeadamente sempre que envolve a morte – eu diria quase assassinato – de pessoas colhidas nos incêndios bem como aquelas que contra ele por oficio e devoção vão enfrentar como é o caso dos nossos Bombeiros em terra e no ar e o pessoal da Protecção Civil

Texto periódico XVII - NÃO TRANSFORMAR UM MITO EM FICÇÃO INTELIGENTE

NÃO TRANSFORMAR UM MITO EM FICÇÃO INTELIGENTE

Manuel Begonha

Presidente da Assembleia  Geral



Em termos da execução da política externa, não haverá grandes diferenças entre o candidato democrata e o republicano, pois ambos são títeres da poderosa máquina militar industrial, da banca e da finança internacional.
Basta recordar no passado próximo, a presidência belicista de Barack Obama e da sua secretária de estado Hillary Clinton, para desfazer o preconceito de uma suposta menor agressividade no comportamento dos democratas no poder discricionário de projecção de força militar.
Num país como os EUA , a figura do Presidente não pode deixar de ter um valor simbólico altamente relevante.
Contudo, D. Trump, é uma personagem atípica que pretende ser notícia todos os dias, para alimentar o seu super ego e credibilizar as suas promessas eleitorais de uma forma enviesada, sob a bandeira do "América Primeiro”.
E assim aparece, a defender o muro na fronteira com o México, força a renegociação Do Acordo do Comércio Livre Norte Americano, impõe a saída da O. M. S., nega as alterações climáticas, institui políticas intolerantes contra as minorias, provoca a desregulação financeira, recusa a não proliferação de armas nucleares, fortalece os bilionários , escarnece da ciência.
Por outro lado, banaliza a ameaça e promove a mentira.
Apoia o poderoso lobi judeu no seu confronto com a Palestina que se prepara , à revelia das convenções internacionais, para anexar os colonatos instalados na Cisjordânia.
Internamente, vem-se dedicando a instituir a arbitrariedade, a autocracia e a excepcionalidade.
Resta-nos esperar que um homem rico e insensato tornado super poderoso que actua nas margens da lei, nestes jogos de dúbias cumplicidades não venha a ser considerado virtuoso, ou pior ainda , que se deixe transformar este mito em ficção inteligente.
Mas acima de tudo, o que importa assegurar é que as armas existentes nos EUA, sobretudo as nucleares, permaneçam em mãos responsáveis e sirvam para limitar a violência e garantir a Paz e não para o seu contrário.

Texto periódico XVI - O perigo de ter um compadre Americano

O perigo de ter um compadre Americano

 

Marques Pinto
Vogal da direcção


Desde miúdo me recordo de ouvir como proverbio a seguinte frase “quando as comadres se zangam...é que se descobrem as verdades “.

A recente publicação do livro do Bolton veio trazer a publico alguns factos e “mexericos” passados no interior da Casa Branca e narra pelo meio de episódios anedóticos demonstrativos da ignorância e falta de conhecimentos, que pensamos nós europeus, seriam básicos para exercer aquela alta função, num país que pretende ditar leis e comportamentos ao mundo.

Este livro traz a lume muitos outros factos que revelam e dão a conhecer actos e ordens que fariam corar ou talvez mesmo obrigar um juiz a ordenar inquéritos.

 

Contudo e subordinando-me ao titulo quero para já referir o facto de Trump ter pedido ao seu amigo e protegido Boris para o deixar meter a mão na conta que o Governo da  Venezuela tinha no Banco de Inglaterra e fazer um pequeno saque de uns largos Milhares de Milhões de Dolares para “agraciar”  o grande democrata Juan Gaidó que parecia necessitar de uns “apoios materiais” para comprar umas figuras ou figurões mais relutantes aqui pela União Europeia e pelo continente Sul -Americano.

 

Claro que aproveitou a boa vontade do Banco de Inglaterra e como o vizinho do Sul não estava disposto a financiar a construção do muro com o México parece que para esse fim o Trump sacou mais uns 600 milhões para ajudar na dita obra de beneficência pois pretendia evitar que os americanos emigrassem clandestinamente para o México e fossem levar problemas de emigração clandestina para lá...ou talvez eu tenha compreendido mal toda a situação.

 

Segundo as investigações feitas por jornalistas americanos parece que alguns dos 24 mil milhões de dólares  - 24 Biliões como os americanos costumam escrever – também serviram para as festas e despesas luxuosa nos hotéis da Colombia onde os pobres mercenários e seus patrões se hospedavam aquando da tentativa de golpe a partir da Colombia.

 

Para terminar deixo um conselho em tom de gozo:

Se te metes em aventuras desonestas, assaltos e roubos...escolhe bem os compadres com que te dás .

Texto Periódico XV - EM DEFESA DE ANA JANEIRO

 

EM DEFESA DE ANA JANEIRO

Manuel Carvalho
Vogal da Direcção

Nunca viajou de avião, tão pouco de comboio, mesmo quando ia à vila por altura da feira de Março fazia o percurso de sete quilómetros descalça porque os sapatos velhos, descambados, não davam muito jeito ao andar e no regresso, vaidosa, com os sapatos novos ainda não moldados, dolorosos, também fazia parte do caminho descalça até porque os novos sapatos havia que poupá-los, para outros dias, mais felizes.

De camioneta só andou uma vez, a minha tia Ana Janeiro para ir visitar o seu homem, meu tio Olímpio Gonçalves, o sardinheiro, ao hospital de São José. Foi na camioneta da carreira e o meu pai foi esperá-la à Garagem dos Claras, ali junto da Almirante Reis.

Esteve em nossa casa dois dias, teria eu prá aí oito anos. Num desses dias fomos no eléctrico da Carris passear ao fim da tarde a Algés. Deambulámos. No lusco-fusco do aproximar da noite, passámos junto ao rio grande de Pedro Barroso, com a linha férrea de permeio, tal como nos campos da Golegã com o rio pequeno que corre estreito junto da linha do outro comboio fumarento, quando ela a olhar para o horizonte de águas calmas e de fraca rebentação exclama de espanto incontido: “EIA, TANTO ARROZ!” Arrozais dos seus horizontes e da procura do sustento do dia-a-dia nos campos alagados de águas paradas, nas terras da “Fanga,” de Redol, quer na plantação, na monda ou na ceifa com as sanguessugas sequiosas alapadas às pernas magras e secas a fazerem concorrência ao patrão agrário ou ao grande seareiro de terras a perderem-se de vista no horizonte da planície. À noite, depois de ter ateado a fogueira no lar térreo da chaminé para cozer as couves com feijão com um pedaço de toucinho já amarelo, ela para dar algum alívio às suas pernas doridas, sofridas, juntava-se ao seu homem a aquecerem-se no borralho com um pequeno tronco de figueira teimoso de queima difícil a soltar esguichos, do centro dos seus topos, com alguns silvos, de fumarolas brancas, da seiva leitosa ainda viçosa da árvore, acres ao cheiro, silvos esses, únicos ouvidos na silêncio da noite da cozinha silenciosa de chão de terra batida.

Pelo exposto e dadas as circunstâncias atenuantes, peço aos senhores jurados ambientalistas, que ilibem a Ana Janeiro de qualquer crime ambiental, mesmo considerando a queima daquele pedaço de tronco de figueira, julgado seco, que expelia do seu interior fumarolas brancas, acres ao cheiro.

A Paz que pretendemos e merecemos


A Paz que pretendemos e merecemos

 

Marques Pinto

Vogal da Direcção

 

 

Para muitos dos leitores que assistam aos nossos noticiários televisivos ou tentem compreender pela leitura da nossa imprensa, o que se vai passando nos últimos meses nos EUA, deve ser difícil de destrinçar o programa proposto pelo partido Republicano, conhecido abreviadamente por GOP - good old party – actualmente no poder com Donald Trump sentado na Sala Oval do programa do Partido Democrata.

Realmente quando assistimos há poucos meses ao discurso do candidato Bernie Sanders, com preocupações de caracter social pacifista e agora ouvimos Joe Biden que segundo alguns comentadores, mesmo que ganhe as eleições, será apenas uma figura para esquecer pois deverá ser substituído rapidamente pela/o vice-presidente, dado o seu estado de saúde mental,  penso que nada de novo se avizinha na perspectiva de pacificação e redução das tensões militares entre os grandes blocos.

 

No meu ponto de vista como Europeu e sobretudo como defensor da busca tão rápida quanto possível de uma situação de paz e equilíbrio politico-económico no mundo, creio que o desanuviamento da tensão militar está a passos largos caminhando no sentido oposto, e com ambos os partidos norte-americanos a caminharem juntos e em uníssono no mesmo sentido belicista e afirmando ao mundo que se o bloco oriental não ceder ás suas exigências de cedência do controlo territorial, marítimo e aéreo nas suas próprias zonas costeiras e espaço marítimo, os Estados Unidos assim os obrigarão como Polícia Marítimo e Aéreo do Globo terrestre.

Claro que desde há muito vimos a instalação de fortes dispositivos militares por toda a “nossa” Europa em volta do território Russo, alguns até a poucas dezenas de quilómetros da fronteira como é patente na Polónia.

 

Gostaria de saber qual a resposta do direito de reciprocidade caso a China ou a Rússia alugassem um espaço para instalação militar no Canadá ou no México.

Claro que hoje cada vez menos as instalações fixas e bem referenciadas se tornam importantes numa confrontação militar – que desejo ardentemente nunca presenciar – pois a capacidade instalada nos modernos submarinos nucleares cujo paradeiro e localização parece cada vez mais improvável saber - como foi o caso do tal submarino desconhecido que durante meses andou pelo mar Báltico – supera em muito qualquer arsenal nuclear dos anos 80.

 

Penso que seria mais ajuizado e profícuo que neste momento de pandemia os governantes europeus, pelo menos aqueles que não estão ainda á volta da grande manjedoura das notas verdes - cuja rotativa não para enquanto houver papel e tinta verde – e que alimentará e atrairá cada vez mais bajuladores, se dispusessem a negar apoio aos belicistas e chamar á razão todos aqueles que ameaçam a paz e a segurança de todos nós e a não seguir o caminho que um qualquer despenteado mental inglês tomou,  enviando mais forças navais e aéreas para o Mar da China aumentando e engrossando as provocações de parte a parte.

Centenário do nascimento de Mário Sacramento

No passado dia 4 de Julho de 2020, realizou-se, no Museu Marítimo de Ílhavo uma sessão evocativa  do centenário do nascimento de Mário Sacramento.
Entre os vários oradores o nosso vogal da direcção Jorge Sarabando, proferiu uma intervenção que pode ser lida clicando aqui

Texto periódico XIV ->A Palestina – Estado Independente ou mero terreno de “coutada” para Israel


A Palestina – Estado Independente ou mero terreno de “coutada” para Israel

 

Marques Pinto
Vogal da Direcção



Israel tem tido nos últimos anos um dos governos mais agressivos em relação aos estados seus vizinhos e duma maneira afrontosa quanto ao estado independente da Palestina que foi forçada a  “abrigar” no seu seio, aquando da criação de Israel.

 

Embora possa parecer exagero para alguns que agora leem este apontamento, desde a sua criação que os Israelitas copiaram e aperfeiçoaram os métodos de terrorismo de grupo e depois de estado, primeiro com inúmeros ataques sangrentos e de alta violência contra o governo e forças Inglesas que ainda tinham a Palestina sob o seu domínio com a capa de potencia administrante, levado até ao extremo do assassinato do Alto representante Inglês para a Palestina, conquistando assim uma apressada saída da Inglaterra muito debilitada por uma Guerra.

 

Em seguida os Israelitas  -ex judeus vindos de várias proveniências - provocaram por via armada e violenta a fuga de muitas famílias palestinianas dos principais centros urbanos que lhes interessava ocupar e concentrar as famílias judias.

Em pouco tempo assimilaram e melhoraram as técnicas e procedimentos que para com eles tinham tido os nazis antes e durante a guerra.

Curiosamente os seus serviços de informações, policiais e para-policiais organizaram-se e adoptaram os mesmos procedimentos - talvez até com mais requinte e capacidade em meios – com que as forças nazis tinham actuado desde meados dos anos 30 e haviam usado na horrível perseguição aos judeus na Alemanha e depois nos territórios anexados e ocupados.

Não podemos escamotear o facto de que em muitos dos que escaparam á perseguição, mas viram desaparecer muitos membros das suas famílias, o desejo de vingança era compreensível, contudo não foram os palestinianos que os perseguiram, mas sim quem hoje domina política e financeiramente grande parte da Europa em que vivemos.

 

Mas quando estes actos persecutórios passam a ser quase doutrina de estado e superiormente sancionados e em muitos casos até incentivados ou mesmo ordenados pelas mais altas instâncias governativas, contra populações indefesas que nada tiveram a ver com as atitudes dos nazis, começa a ser muito preocupante.

Mais preocupante ainda quando já se passaram três quartos de século e vemos que a violência empregue pelas ditas forças da ordem israelitas contra elementos civis Palestinianos, desarmados, muitos deles mulheres, de todas as idades e até adolescentes, que vão ao ponto extremo de tornar esses civis em incapacitados físicos quando não mesmo mortos.

 

Contudo Israel como emanação estatal do grande poder sionista goza de total protecção não só dos Estados Unidos da América onde o seu poder financeiro e portanto político nomeia, elege e paga quem bem defende os seus interesses em todas as áreas, mas também nos grandes areópagos da politica europeia para não dizer a nível mundial e assim sempre terá o apoio para executar a sua politica expansionista através do “apropriamento ilegal” de terrenos dum outro estado -Palestina - que de “hospedeiro” á força passou a ser uma colónia fornecedora de terrenos e trabalho barato ao seu “hospedado”.

 

Claro que possivelmente vamos ver a anexação de imenso território palestino com a total complacência duma União Europeia – que de união começa a ter cada vez menos - mas que é também terreno de caça dos grandes interesses financeiros mundiais que há muito são dirigidos pelas famílias judias -pelo menos desde o seculo XVII – primeiro a partir da nossa península Ibérica e depois a partir da Holanda – país que deveria erigir um grande monumento que perpetuasse a ignorância e estupidez dos reis católicos de Espanha e dum seu lacaio que deu pelo nome na historia de D. Manuel I que para casar com a filha dos reis vizinhos ajudou a arruinar Portugal em menos de duas dezenas de anos.

 

Sim refiro-me á Holanda que á custa da expulsão do grande capital administrado pelos Judeus deixou de ser um pântano, para com dois  portos de mar dominar o comercio na Europa e possuir a maior frota mercante da época e hoje tenta sempre desconsiderar os “tais” países do Sul da Europa, que a ajudaram a tornar-se um país com o dinheiro e conhecimentos que os judeus expulsos da Península para lá levaram.

NOS 75 ANOS DE HIROXIMA

Do nosso sócio Manuel Rodrigues recebemos o pequeno texto que tem anexado um poema de Carlos Loures.

Desde já agradecemos a sua colaboração e exortamos os associados a enviarem escritos que se enquadrem no espírito dos nossos estatutos

 

NOS  75  ANOS  DE  HIROXIMA

Ainda a humanidade estava a sair do pesadelo da II Grande Guerra, já o espectro de outro se lhe apresentava: o terror atómico com que o capital imperialista ameaçava os povos. Nas condições em que estava o Japão, naquele Agosto de 1945, outra intenção não podia ter tido a utilização de armamento nuclear para destruir duas cidades, com as terríveis consequências pretendidas e conseguidas.A situação em que hoje nos encontramos, justifica que o acontecimento seja devidamente lembrado.

É que os herdeiros e continuadores dos que ordenaram a destruição de Hiroxima e de Nagasaqui, apresentam-se, também hoje, determinados a deitar mão  a todo o tipo dos  meios de que dispõem , para, em seu benefício, continuarem a submeter a esmagadora maioria dos seres humanos a vidas de servidão. De tal maneira que, por vezes e à primeira vista, parecem intransponíveis os obstáculos à obtenção da soberania pelos povos e da dignidade pelos  homens.

E, no entanto, por mais que a grande burguesia financeira destrua, assassine, corrompa e minta, há e haverá cada vez mais, trabalhadores e povos que não se agacham, e que se batem (com custos é certo) pelo fim desta noite negra com que nos querem cercar, e pela edificação de um mundo decente e humano. 

É que os homens são portadores de dois instrumentos decisivos:

Um, cuja raiz, como bem cantou Carlos de Oliveira, “Não há machado que corte”   -   O PENSAMENTO;

Outro, uma gazua capaz de romper todos os muros e cercos

-    A    ESPERANÇA.

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Nos vinte anos de Hiroxima, Carlos Loures e Manuel Simões recolheram poemas de autores portugueses sobre o acontecimento e, numa antologia que o fascismo perseguiu, deram-nos à estampa na sua editora “Nova Realidade”.

É desse livro o poema que a seguir se transcreve.

Para o ler clique AQUI

A IRRESPONSABILIDADE MATA



A IRRESPONSABILIDADE MATA

 

 

Manuel Begonha

Presidente da Assembleia Geral

 

 

Ao nível global, vivemos numa época em que se sucedem os atropelos à responsabilidade social dos cidadãos, numa clara demonstração de défice de espírito cívico e de uma interpretação enviesada da cidadania.

Por provocação, exibição, ou auto complacência, muitos prejudicam os sacrifícios e esforços de outros, correndo também riscos desnecessários.

Vem isto a propósito, do ocorrido num recente acontecimento festivo em Odiáxere, Lagos, onde cerca de uma centena de irresponsáveis, ao iniciarem um novo foco de contágio de COVID-19, puseram em causa a abnegação do tempo de confinamento e penosos cuidados de muitos algarvios que assim preservaram a sua mais valiosa fonte de financiamento que é o turismo.

Talvez fosse pedagógico que pessoas com este comportamento, fossem levadas a assistir ao inenarrável sofrimento dos doentes mais afectados pela doença.

Apenas respiram ligados a uma máquina que lhes fornece oxigénio através de um tubo agressivamente invasivo.

Talvez que então através do medo, fosse possível suplantar o facilitismo.

Estes cidadãos parecem esquecer que o presente não é o seu único tempo e que estão em guerra contra um inimigo com armas desiguais.

Ele não se vê.

Também por vezes, não sabemos se estamos perante uma obra do acaso, ou da intervenção dolosa de alguém.

Infelizmente, há quem conviva bem com o "quanto pior melhor" ou por razões eleitoralistas extremas, ou para assim desgastar e exacerbar posições dos elementos do SNS.

Quando a pandemia parecia entrar em tempo de relativa Paz e com os mais velhos a continuarem a proteger - se, seria bom que os irresponsáveis tivessem presente o que escreveu Ana Margarida de Carvalho.

"Em tempo de paz enterram-se os pais em tempo de guerra enterram-se os filhos".

 

 

Texto periódico XIII - Maio/Junho

 

 

 

Maio/Junho

 

Valdemar Santos

Vogal da Direcção

 

 

   O desconfinamento – como soi dizer-se – deste Maio terminado, proporcionando encontros não marcados numa das esplanadas da Av. 5 de Outubro, junto à Estação dos TST, em Setúbal, motivou alguém a dirigir-se-nos nestes termos: «Lembras-te daquela carta de Maio de 1936 enviada de Lisboa para a Internacional Comunista da Juventude, que reunira em Congresso em Moscovo, pelo “Gonçalves”, responsável pela Federação das Juventudes Comunistas?» E dando conta de «novas organizações que indicam grandes possibilidades de trabalho que temos na província», designadamente «as mais próximas de Lisboa às quais o Comité Central pôde dar uma ajuda permanente»? Sendo que o Montijo estava entre elas? (12ª página do Tomo I das Obras Escolhidas daquele que, nosso Sócio de Mérito, adivinhamos: Álvaro Cunhal, Edições Avante!, 2007).

   Neste decorrer de Junho, eis um conjunto de perguntas fáceis de alinhavar, retomando um texto já editado em páginas de jornal.

   Um homem de 42 anos vivia então na Estrada Nova do Montijo. «Entregue pela Administração do Concelho do Barreiro deu entrada na PSP em 13-12-36, recolhendo incomunicável a uma esquadra. Transferido para a 1ª esquadra em 30-12-36. Transferido para a Cadeia do Aljube em 31.12.36. Transferido para a Fortaleza Militar de Peniche em 17.3.37. Transferido para a Colónia Penal de Cabo Verde em 5.6.37. Em 11-6-943 pelas 2.40 horas faleceu na Colónia Penal de Cabo Verde.»

   Que mais se pode saber por esta zelosa «Biografia Prisional» a cargo da Polícia de Defesa e Vigilância do Estado? Que era filho de José Francisco Alves dos Reis e de Maria da Conceição, tinha 1,69m de altura e cor «natural», mas não «alcunha», um dado supostamente obrigatório da ficha, sabe-se porquê. Nome: «José Manuel Alves dos Reis». «Nacionalidade portuguesa, Naturalidade Setúbal».

   Um outro tarrafalista setubalense, Manuel da Graça, conheceu-o: dera entrada no Campo da Morte Lenta também em 36, saiu em 45. E igualmente Cândido de Oliveira - sim, o da «Taça Cândido de Oliveira».

   Esteve um dia na «frigideira», a câmara de cimento grandemente responsável ela também por muitas mortes, das quais, desde a inauguração da Colónia até à saída do autor citado, em 1943, «65 por biliosa e 42 por tuberculose numa população de 220 presos».

   «Foi para a frigideira o Alves dos Reis por não terem ido buscar o caldo das dietas», eis a «ocorrência» do dia 14 de Fevereiro de 1941 anotada pelos próprios anti-fascistas (Dossier Tarrafal, outra edição Avante! de Outubro de 2006 a assinalar os 70 anos da decisão de Salazar de abrir mais, muitas mais valas). A 15, «foram-no buscar às 3 horas da manhã por se encontrar doente.»

   Voltaram a Portugal, como se sabe, em Fevereiro de 1978, os restos mortais daqueles que enfim puderam receber a justa homenagem nacional, expressa numa das mais impressionantes manifestações realizadas após o 25 de Abril, enchendo um longo percurso de avenidas rumo ao Cemitério do Alto de São João, na capital, onde se ergue o Memorial com os seus 32 nomes talhados na pedra negra.

   O amigo da esplanada da avenida, seguramente por inconformismo, rematou, comprometedor: «Temos de voltar a lembrar isto. Como diria Brecht mais uma vez, mau tempo para lirismos».

Texto periódico XII Quando um País quer “impor” aos outros ...o que o seu Governo não permite em “casa”



Quando um País quer “impor” aos outros ...o que o seu Governo não permite em “casa”

 

Marques Pinto

Vogal da direcção

 

Claro que  todas estas cenas de violência que estão a encher os nossos écrans de TV nos noticiários, estão a fugir   ao  controlo e vontade de uma embaixada que apenas gosta de passar a imagem do seu Presidente a falar - ou será ditar -  ao grupo de jornalistas cada vez mais reduzido que vai assistindo ás suas  “conversas em família” e  que quase sempre se enerva com algumas perguntas  que não estão previstas na respostas “feitas” pelos  seus assessores.

 

Mas enfim deixemos os complicados problemas raciais que sempre existiram e demorarão muito tempo a ser resolvidos naquela sociedade que desde que os seus primeiros colonos chegaram às suas costas Atlânticas resolveu por força da maioria branca profundamente religiosa que os habitantes locais e aí residentes há alguns milhares de anos só serviriam se fossem dóceis e submissos para fornecer trabalho – não remunerado, evidentemente.

 

Como tal não era facilmente exequível e do outro lado do oceano havia uma mão de obra mais submissa por estar ali completamente deslocada em terreno e clima, a solução foi um genocídio pelas armas ou pelo confinamento em zonas áridas e improdutivas de quase 90% da população indígena.

Desconheço se também lhes foi proposto um tipo de regime “democrático” que não quiseram aceitar   sem ser por imposição violenta e forçada

 

 

A propósito da referida  “democracia estado-unidense” e por que passaram neste mês de Maio 15 anos sobre o acontecimento venho recordar os nomes de  Cinco Cubanos que por amor ao seu País se sacrificaram em permanecer  oito anos na Florida para descobrir e denunciar a  rede “Fondation” que financiada pela CIA e  alguns autoexilados Cubanos,  promoveu actos do  mais repugnante terrorismo,  como   a bomba no avião  DC-8 da  Aviacion Cubana – que provocou 73 mortos em  outubro de 1976, e que   entre Abril e Setembro de  1997  colocou bombas em mais de 13 hotéis em Cuba.

Recorde-se que desde 1959 os actos de terrorismo violento em Cuba fizeram mais de 3500 mortos e na sua quase totalidade estiveram por trás desses actos assassinos preparados e/ou financiados pelos serviços especiais dos USA.

 

Estes cinco Cubanos que estudaram e recolheram a informação comprovativa da actividade terrorista permitindo ao Governo Cubano apresentar provas e exigir ao Governo Americano uma tomada de posição sobre tais factos.....foram presos  em 1998 após  o Democrata Bill Clinton ter considerado que eles haviam estado nos Estados Unidos num processo de conspiração contra a segurança dos USA e condenados  entre 15 anos e prisão perpétua.

Em 2007 Dez Prémios Nobéis entre os quais José Saramago e Ramos Horta apresentaram um pedido de apreciação do caso...mas nem assim na altura foi concedido qualquer reabertura do caso

 

Os nomes dos cinco Heróis Cubanos são Gerardo, Tony, Fernando, Ramon e René


Em memória de George Floyd assassinado pela polícia numa rua de Minneapolis

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral



Em memória de George Floyd assassinado pela polícia numa rua de Minneapolis

Quanto Vale a Vida de um Homem

Sob o domínio da insensatez, da arrogância, da indiferença e da prepotência, perpetrado pelo governo de Donald Trump, ocorre perguntar quanto vale a vida de um homem.
Quando verificamos o crescimento de crises à escala global, o sentimento de injustiça torna - se um garrote sobre a nossa consciência colectiva, aumentando uma insatisfação corrosiva , misto de impotência e revolta. O povo vai suportando uma canga intolerável que não deve ser tida por inevitável, pois tal pode conduzir ao conformismo. O cenário a que assistimos, parece que pretende roubar o futuro ao povo norte americano.
Quando se anseia pelo futuro cria-se mais passado.
A luta terá de ser dirigida contra essa atitude.
Urge reinventar outro caminho, a confirmar numas eleições que estão próximas, momento supremo em que irá surgir talvez a oportunidade dos EUA se descobrirem, lançando uma espécie de luz sobre tudo o que os rodeia.
Porque a esta administração a história não irá absolver.

Texto periódico XI "Quando os Fantoches Têm o Poder"


Marques Pinto

Vogal da direcção



Neste momento temos pelo Mundo e em diferentes Continentes vários governos liderados por verdadeiros fantoches e notem, não quero que se identifique fantoche com palhaço  -profissão que me encantou em catraio bem como aos meus filhos e agora ainda são apreciados pelos meus netos.

Para mim o fantoche é a personagem que serve interesses doutros que não querem dar a cara na defesa e conservação dos seus interesses por mais mesquinhos e vergonhosos que sejam.  

Claro está que ao fantoche também  lhe é permitido retirar proveito pessoal e para a camarilha que o rodeia no poder. 

Não é necessário enumerar nomes e países onde os vamos encontrar, pois por demais os leitores os sabem identificar.

Contudo também nesta classe de governantes temos "fantochezinhos" e "Fantoches", e nesta  diferenciação importa muito o que com os seus actos afectam poucos ou muitos milhões e por vezes em muitos países.

Li há pouco que uma destas "curiosas figuras" continua a pressionar o Governo do Canadá para que esse governo extradite para os Estados Unidos uma senhora que é a Directora Comercial de uma das maiores empresas de telecomunicações da China e a pedido dos USA foi retida no Canadá por "fraude comercial"...mas que curiosamente ainda não foi tipificada ....como fraude ou acto ilegal...mas apenas como acto comercial que não é do interesse dos USA.

Mas agora temos também mais um  ridículo desse mesmo Fantoche que na sua preocupação de criar mais pontos de fricção com a China decidiu vir em apoio das minorias islâmicas que habitam nas províncias do Oeste da China e segundo o Governo Americano "estão a ser alvo de perseguição" por apenas terem cometido umas centenas  de assassinatos de cidadãos chineses ...que não eram islâmicos, mas tinham o azar de serem seus vizinhos.

Assim Trump sempre defensor de todas e quaisquer minorias em qualquer parte do mundo pretende que tais actos sejam rapida e eficientemente tratados como ofensas aos direitos humanos ao mais alto nível, sancionando dura e eficazmente o Governo de Pequim.

 

Curiosamente na mesma revista e sobre os efeitos da pandemia, vinha um estudo sobre as percentagens dos falecidos nos USA que aponta que mais de 63% dos casos mortais se verifica nas classes sociais mais desfavorecidas nomeadamente nos afro-americanos que sendo cerca de 14% da população constituem mais de 41% dos óbitos por Covid 19.

 

Gostaria de saber ou ter dados válidos sobre a aceitação que este novo defensor dos povos islâmicos tem por parte das populações civis do Iraque ou do Afeganistão, onde os exercitos e mercenários americanos as "protegem" e cujo país  invadiram para lhes garantir a "única e verdadeira democracia á Americana"

 

Mas claro que a guerra do Afeganistão é pior que a história da "Nau Catrineta" e talvez um dia se possa contar porque começou há quase um quarto de século e é preciso manter...por mais custos em vidas que vá custando a guerrilheiros, militares e sobretudo á população civil indefesa e mártir já em muitos milhões de vidas.