O MUNDO VIVE OS ESTERTORES DO CAPITALISMO | José Goulão

 

O MUNDO VIVE OS ESTERTORES DO CAPITALISMO

José Goulão

 

 O chamado Ocidente colectivo entrou numa deriva existencial que pode arrastar o mundo para o caos e uma tragédia de proporções imagináveis, porque o único antídoto que conhece é o da guerra - método da mentalidade colonial perene e da sua expressão extrema, o imperialismo.

O Ocidente, dizem os estrategos ocidentalistas, é a “nossa civilização”. Um conceito que assume o autoconvencimento de uma superioridade rácica, do direito a definir princípios civilizacionais e humanos únicos  - os “nossos valores - da posse das riquezas do mundo por uma espécie de usucapião divino. E que, se necessário, assenta em supremacia religiosa – o espírito de cruzada. De que a guerra contra o Irão e as atrocidades na Palestina são exemplos.

Porém, o Ocidente colectivo está a fragmentar-se.

Em termos simplistas, começou por quebrar-se em dois, devido ao terramoto Trump, um imperador que tem qualquer coisa de Nero e coloca o seu narcisismo psicopata acima de tudo, principalmente da vida humana.

Trump, contudo, não é um fenómeno que surgiu do nada, como uma espécie de erro histórico. É fruto do estado de decadência e de disfuncionalidade a que chegou o motor do dinheiro, que faz mover  o Ocidente colectivo e garante a fonte de todas as suas supostas superioridades. O capitalismo entrou na fase decisiva da sua crise existencial. Isto é, depois de atingir o estado de anarquia neoliberal, e uma vez que esta não consegue, mesmo assim, sustentar todas as farsas como representante da democracia, da liberdade, do humanismo e dos direitos humanos, derrapa agora para um desespero ainda mais extremista: o fascismo.

É aí que estamos, embora o fascismo esteja a chegar-nos com facetas diferenciadas, por exemplo entre a franqueza descuidada de Trump e as elaborações próprias, com resquícios aparentes de democracia, de um Merz (num país que arreganha os dentes), de um Starmer, de um Montenegro venturista, de um Zelensky, de um Modi, de um Macron, de uma Meloni, etc.

O Ocidente colectivo fragmentou-se pelo Atlântico, entre os Estados Unidos e a Europa, mas não se fica por aí. Na Europa, a União Europeia desmorona-se numa angústia de orfandade, porque Trump parece levar a sério a intenção de lhe retirar a tutela militar.

Os Estados Unidos e Israel, numa simbiose que materializa o imperial-sionismo em termos operacionais militares, ocupam-se do Médio Oriente, de maneira a tentar garantir as riquezas naturais e estratégicas reforçando a presença policial do estado sionista.

Trump deixou à União Europeia, num quadro em que a NATO não sabe às quantas anda, a tarefa de se haver com a Rússia e, para já, defender o fascismo zelensquista até ao derradeiro suspiro. Vale à União Europeia que a Rússia não é uma ameaça militar real. Mas se continuar a insistir…

O Ocidente colectivo fragmentou-se, mas em todos os nichos a única estratégia de sobrevivência que conhece é a guerra. É isso que nos leva ao caos e, quiçá, à tragédia.

São os estertores do capitalismo, que assim dispara em todas as direcções manejando o fascismo. Mas que haja luta até que os povos de todo o mundo acordem e tentem evitar que o desespero da anarquia capitalista conduza o planeta ao extermínio da vida tal como a conhecemos.

 

 

UM MUNDO INSANO QUE É O NOSSO | Manuel Begonha - sócio da ACR

 

UM MUNDO INSANO QUE É O NOSSO
Manuel Begonha sócio da ACR 

Vive-se actualmente num ambiente anti - russo que acicatado pela comunicação social e respectivos mandaretes,  se está a tornar numa paranóia afectando grande parte da nossa opinião pública.
Catão o Antigo, terminava invariavelmente os seus discursos com a frase Delenda Cartago, "Cartago deve ser destruída" que se tinha transformado numa obsessão.Cartago era uma poderosa Cidade- Estado localizada na actual Tunísia, concorrente da Roma Imperial.

- Parece ser então urgente apagar a Rússia, quer do seu papel decisivo na derrota do nazi-fascismo na 2ª Guerra Mundial, quer de quaisquer manifestações desportivas, culturais ou históricas. O Ocidente está enfermo. 

- É imperativo mobilizar todos para a Ucrânia rapidamente e em força. Esgotem-se os arsenais da UE, engorde-se a indústria militar Norte-americana. 

- Que sejam anatemizados os jornalistas, os políticos, os comentadores, os militares e todos os que tenham opinião. Todo o contraditório será castigado. Censure-se a liberdade de expressão do pensamento. 
.
- Todas as violência do neoliberalismo serão toleradas. Todos os ataques à liberdade e direitos individuais e colectivos serão incentivados. Condenem-se as mobilizações anti-fascistas e todas as batalhas democráticas. 
Ignore - se o direito internacional. 
Nada se passa no Irão, Israel ou Cuba. 
São caprichos de Trump. 

- Ressuscite-se Bellini para criar uma nova "Norma", que faça soar o tambor da guerra, mesmo que ocorra uma hecatombe na Ucrânia, pondo em risco o futuro da humanidade. 

- As lições da história não colhem no nosso tempo. Mas as obsessões que fizeram história permanecem na memória dos homens. Delenda Rússia.

 

ESTÃO OS EUA E A UE DE COSTAS VOLTADAS? | Manuel Begonha - Sócio da ACR

 

ESTÃO OS EUA E A UE DE COSTAS VOLTADAS?
Manuel Begonha - Sócio da ACR

Estamos a viver as sequelas de um choque de sistemas económicos, a industrialização socialista de modelo chinês versus o capitalismo financeiro neoliberal.
Trata-se de uma nova guerra fria contra a China e seus potenciais aliados económicos, como a Rússia, a Ásia Central, Sul e Leste Asiático.
A UE na sequência da invasão da Ucrânia cortou o comércio e o investimento bilateral com a Rússia. 
Chegariam divisas à Europa para pagar as importações  de gás natural barato, com a exportação para a Rússia de mais produtos manufacturados industriais, como os da indústria automóvel, para além de variados investimentos financeiros.
Este comércio e investimento bilateral foi travado por um longo prazo, uma vez que a NATO - essa relíquia sobrante do mundo atlântico - arrastou a UE para uma guerra contra a Rússia. 

Nestas condições, os EUA estão a obrigar a UE a armar-se porque lhes interessa, torná- la um parceiro valioso numa futura guerra, contra a Rússia e a China que estão preparando, por estes países serem os principais motores da multipolaridade, principal obstáculo à manutenção da hegemonia norte-americana. 
Importa no entanto ter em conta algumas decisões tomadas pelos EUA, veículadas por Trump que por vezes é tomado como uma autoridade incontestada. 
Trump faz de bufão, porque tem um comportamento narcísico e megalómano que se adequa ao papel que lhe foi atribuído, pelos verdadeiros mandantes que são os líderes neoliberais da máquina militar industrial que integra muita gente do lobby sionista. 
Cria então um ambiente de caos, amplificado pela comunicação social arregimentada, através das suas permanentes ameaças, desmentidos e adiamentos que provocam oscilações na bolsa que permitem aos seus controladores ganhar fortunas. 
Portanto não nos iludamos. Se por alguma razão for substituído, os seus potenciais sucessores como Vance, Hegset, Rubio ou outro qualquer integrante da sua equipa, não serão melhores. 
Recorrem paralelamente á instrumentalização da fé e enveredando pela teologia do domínio que deixa de ter como objetivo a justiça social, passando a legitimar o poder e o dinheiro. 
Tentam igualmente difundir a ideia de que estão imbuídos da missão messiânica de destruir todos os que possam constituir um empecilho a que os EUA sejam de novo os donos do mundo, porque são os ímpios e diabólicos. 
No entanto esta prepotência para com os filhos de um Deus menor, tem uma geometria variável, pois tanto se podem virar para Gaza, Venezuela, Irão, Cuba, Panama, Colombia ou mesmo o Canada ou Gronelândia, sem excluir outro país que as circunstâncias determinarem. 

A Ucrânia saiu agora das atenções, porque se destina a ser sacrificada pelos EUA e UE, para atingirem o verdadeiro objectivo. 
Tal como aconteceu com o desmantelamento da URSS em 1989, procuram prolongar a guerra para criar condições que afectem a economia russa e baixar o respectivo nível de vida por forma a criarem um descontentamento generalizado que conduza á queda de Putin e do seu regime. 

Contudo se o armamento produzido com tecnologia europeia atingir objectivos vitais no seu território, há sempre o perigo de ocorrer uma retaliação com bombas nucleares tácticas, para destruir infraestruturas militares na Ucrânia e fazer um primeiro aviso à UE. 
Resta avaliar o que se irá passar resultante da guerra em curso no Irão.