Evocação de CARLOS PAREDES em 19 de Fevereiro na VOZ do OPERÁRIO


No passado dia 19 de Fevereiro a Associação Conquistas da Revolução, promoveu uma evocação e festa de Amizade a Carlos Paredes no salão da Voz do Operário.

Na opinião de muitos dos assistentes, "presenciou-se ao vivo um dos melhores espectáculos que garantidamente terão ocorrido em Portugal nos últimos anos".

E cremos que assim foi, pois numa sala completamente cheia actuou um conjunto de músicos, declamadores e técnicos do mais alto nível, que ofereceram grandes interpretações de música, canções e poemas frequentemente interrompidos pelos aplausos da audiência.

Na sequência da intervenção final do Presidente da Direcção da ACR, Manuel Begonha, na qual foi verberada a ausência dos órgãos da comunicação social, falada e escrita, todos expressamente convidados, com especial destaque para a RTP, empresa pública, a assistência sublinhou este facto com ruidosos protestos.
Manuel Begonha
No entanto, este procedimento já vem sendo habitual sempre que a cultura é veiculada por agentes fora do sistema vigente e que contrariem os critérios editoriais destes órgãos, o que ultrapassa um mero desinteresse para se tornar numa forma objectiva de censura.
É contudo necessário não nos resignarmos, pois deste modo, estamos a entrar num suicídio colectivo.
Como dizia Martin Luther King - "Temos que nos arrepender nesta geração, não tanto das más ações da gente perversa, mas sim do pasmoso silêncio da gente boa".
A sessão terminou num ambiente de alegria e confraternização com os artistas no palco, a cantarem, acompanhados pela assistência, a "Grândola Vila Morena".










Mariana Abrunheiro

Gonçalo Lopes

Gonçalo Lopes e Mariana Abrunheiro

Mariana Abrunheiro

Joana Bagulho

Joana Bagulho

Joana Bagulho

Raquel Bulha


Samuel

Samuel e Nuno Tavares

Samuel

Fernando Tavares Marques - declamador



Fausto Neves, Manuel Pires da Rocha e Hugo Brito




Fausto Neves

Coro Lopes Graça da Academia de Amadores
de Música











Henrique Fraga e Marco Matos


Bruno Costa e Paulo Figueiredo - CORDIS






Alexandre Branco e Bruno Costa




Fernando Tavares Marques e Sena Nunes 

Manuel Begonha





Evocação Carlos Paredes - Intervenção de Manuel Begonha




Em nome da Direcção da ACR quero agradecer a vossa presença que nos dá muita satisfação e muito nos honra.
Quero agradecer à Direcção da "Voz do Operário" a cedência destas excelentes instalações bem como aos correspondentes colaboradores que muito irão contribuir para o sucesso deste espectáculo.
Agradeço também a generosidade dos artistas, produtor e técnicos e ainda ao nosso associado que cedeu um inédito de Carlos Paredes que tornaram possível concretizar estarmos aqui hoje.
Embora tivesse colaborado nesta homenagem desde a primeira hora não é possível a Luisa Amaro, companheira de Carlos Paredes, estar presente devido a uma intervenção cirúrgica, da qual felizmente está bem.
Igualmente Carlos Canhoto não irá estar presente devido a uma doença imprevista.
Luisa Amaro pediu-me para vos transmitir a sua grande decepção por não estar hoje convosco, desejando o maior sucesso para este evento que muito a sensibiliza.
Lembro que uma iniciativa deste tipo, apesar da compreensão de todos os intervenientes, tem custos, pelo que apreciamos que olhassem com simpatia para o envelope que se encontra na vossa cadeira.
A ACR foi constituída para lutar pelas "Conquistas da Revolução" que foram conseguidas, maioritariamente, nos quatro governos provisórios presididos pelo general Vasco Gonçalves que é aliás o patrono da nossa associação.
Lutamos igualmente por não deixar esquecer aqueles que entendemos, se libertaram da lei da morte - assim convoco Camões para esta festa - pela obra que produziram para a consolidação das "Conquistas da Revolução".
Destes, no campo da cultura e especificamente no da música, tem justíssimo lugar o Carlos Paredes que deu novos mundos à guitarra portuguesa e a quem estamos agora a evocar e a homenagear.
Carlos paredes nasceu em Coimbra, a 16 de Fevereiro de 1925 e faleceu em Lisboa a 23 de Julho de 2004.
Compositor e guitarrista fulgurante constitui um símbolo impar da história da música portuguesa contemporânea.
Apesar de ter ficado conhecido como mestre da guitarra portuguesa, ao ser certa vez, em Espanha, tratado por mestre, respondeu, com a sua reconhecida modéstia, que não era mestre mas sim funcionário público.
E assombrosamente assim era, porque este grande homem era arquivista de radiografias no hospital de S. José.
Liga-me ao Carlos uma grande amizade, respeito e reconhecimento cimentados na 5ª divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, onde nos idos 1974/75, integrou o departamento de música da CODICE, organismo que coordenou as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA, no qual para além de se ter dedicado a várias intervenções públicas, por todo o país, elaborou um método para o ensino da guitarra às crianças, infelizmente desaparecido.
Revelou-se, sempre, um homem tímido mas vertical e dotado de uma grande cultura humanista e política, imbuído de profundas convicções, para além de ser um admirável conversador.
Por tudo isto, é com grande orgulho que vos comunico que em reunião de Direcção foi aprovado, por unanimidade, propor a atribuição à próxima Assembleia Geral, a atribuição a Carlos Paredes a qualidade de sócio de mérito da Associação Conquistas da Revolução.
Finalmente desejo que se divirtam, confraternizem e que saiam daqui mais inspirados para continuar a luta que todos os dias nos espera.
Muito obrigado
VIVA CARLOS PAREDES!!!

Professor Mário Ruivo



Prof. Mário Ruivo



O Professor Mário João de Oliveira Ruivo, nascido em Campo Maior em 1927 e que deixou a nossa companhia em 25 de Janeiro em Lisboa, era conhecido internacionalmente como cientista e investigador no campo da Oceanografia Biológica e tendo-se formado em Biologia na Faculdade de Ciências de Lisboa em 1950, 

Segui-se a sua especialização na Sorbonne de Paris, em Oceanografia Biológica , desenvolvendo a partir dessa data activa investigação em vários Países, e frequentemente convidado a participar e dar o contributo do seu conhecimento em organizações internacionais.

Na Organização da FAO das Nações Unidas, foi Director de Divisão em Roma durante 5 anos após deixar o lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros no 5º Governo Provisório em 1975, tendo ainda desempenhado o lugar de Secretário de Estado das Pescas, nos 3 Governos Provisórios anteriores, sempre convidado pelo General Vasco Gonçalves que reconhecia no Prof. Mário Ruivo uma pessoa de elevada cultura e de espirito aberto e profundamente anti-fascista.

Sendo um Homem de ciência não deixou contudo de desde jovem manifestar e assumir sempre posições firmes contra a ditadura, tendo sido dirigente da Direcção Universitária de Lisboa, do MUD Juvenil, e por esse motivo perseguido e preso pela ditadura em 1947, quando ainda estudante. 

A sua obra e estudos apresentados e reconhecidos internacionalmente tornaram o Professor Mário Ruivo em figura de elevado prestigio para Portugal, tendo sido condecorado e homenageado por vários países, como Brasil, Espanha, França, etc. tendo ainda em 2015 sido distinguido pela União Europeia com o Prémio Cidadão Europeu.


Á sua familia  a "Associação Conquistas da Revolução" - onde deixou admiradores e amigos -  expressa por esta via os seus pêsames.