Intervenção de Baptista Alves, presidente da direcção da ACR, no Porto em 12 de Março

 Intervenção de Baptista Alves, presidente da direcção da ACR, no Porto em 12 de Março de 2022

 



 

 

Conheci o General Pezarat Correia em Angola, pouco tempo depois
do 25 de Abril de 1974.
Pezarat Correia era então Major e foi um dos primeiros nomes que
registei na minha memória como responsável do MFA.
Depois do 16 de Março, a nossa esperança numa reviravolta cresceu e intuíamos que “a coisa estava para breve”, mas nada sabíamos.

No dia 25 de Abril de 1974, não sei dizer a hora, mas muito cedo ainda, fui mandado apresentar no comando da Região Aérea para uma reunião de emergência, na qualidade de comandante da minha unidade, a Delegação do Serviço de Infraestruturas da Força Aérea, que episodicamente era, por ser o oficial mais antigo presente na área. O Director Delegado bem como os outros comandantes das unidades encontravam-se a acompanhar o então Secretário de Estado da Aeronáutica numa visita à zona de operações no Norte.
Foi aí que tive conhecimento de que havia movimentações militares em Lisboa e que as mesmas tinham sido desencadeadas com uma canção conhecida.

Depois foi uma confusão, linda de se ver, diga-se de passagem, voavam notícias à velocidade da luz, todos queriam entender o que se estava a passar.

Em data que não sei precisar, em eleições realizadas em cumprimento de directivas revolucionárias, fui eleito como representante da minha unidade nas estruturas do MFA de Angola e foi já nessa qualidade que participei numa 1ª reunião de coordenação presidida pelo então Major Pezarat Correia.
Imaginam com certeza a dimensão da tarefa que tivemos que enfrentar, porque, mesmo sabendo-nos “ a bem da Nação” um tanto ignorantes em questões políticas, não nos dispensámos de avançar para sessões de esclarecimento junto dos nossos camaradas e colaboradores menos informados, procurando ganhá-los para os objectivos do MFA: o fim da guerra e a transição pacífica do poder para os angolanos. E, para nossa surpresa, os resultados foram surpreendentes, tendo a nossa engenharia se disponibilizado de imediato para tarefas de apoio à melhoria das condições de vida das populações dos “musseques” de Luanda e, o nosso pessoal civil, demonstrado grande vontade em aderir a um projecto, que começámos a desenvolver na altura, para integração futura das nossas capacidades produtivas nos Serviços de Obras Públicas do novo Estado Angola, em gestação.

Entretanto seguíamos os acontecimentos que se sucediam em ritmo acelerado em Lisboa, sem compreender muito bem o porquê da inacção que se registava em Luanda.

Obviamente que seguíamos e conhecíamos as dificuldades dos camaradas empenhados nas negociações com os movimentos de libertação e não só, mas confesso que alguns dos acontecimentos foi só mais tarde, em grande parte na leitura dos livros publicados pelo General Pezarat Correia, que me apercebi do contexto em que se inseriam.
Exemplo disso foi o facto de, em Outubro de 1974, quase 6 meses após o 25 de abril, ainda se encontrar em funções a Câmara nomeada pelo regime anterior de que era presidente o Engº Palmeirim- pessoa que nunca conheci- e um grupo de cidadãos, durante uma reunião de Câmara, ter exigido a demissão de toda a vereação e, ao que se dizia na altura, ameaçando atirar os vereadores pela janela.
Então, já tinha praticamente a minha Comissão de Serviço terminada, a minha família já estava em Lisboa e eu aguardava apenas o meu substituto para regressar também, o que só viria a acontecer em Fevereiro de 1975.

Na tarde desse mesmo dia, do assim chamado na altura “assalto à CMLuanda”, estando a ouvir a reportagem pela rádio, sou surpreendido com um telefonema do Chefe do Estado Maior da Região Aérea a comunicar-me que era necessário nomear de imediato um oficial da FAP para integrar uma Comissão Provisória para a Câmara, para substituir o Presidente e toda a Vereação e que o meu nome tinha sido indigitado para o efeito. A nomeação,
assinada pelo então Alto- Comissário, Almirante Rosa Coutinho, estava já a caminho e devia apresentar-me na CMLuanda às 08h00 do dia seguinte.
E foi assim que conjuntamente com o Capitão-Tenente Caeiro Junça da Marinha e o Capitão Miliciano Solano de Almeida (Arquitecto) assumimos a presidência da CM e as responsabilidades inerentes a toda a vereação, até que foi possível a constituição de uma Comissão Administrativa com participação de representantes locais.

Deixem-me dizer que na altura a CMLuanda, para além das normais funções duma grande cidade, que já era, tinha também a seu cargo os Serviços de Água e Electricidade e os transportes Urbanos e no meu caso pessoal, com 31 anos de idade, coube-me a presidência do CA dos SMAE para além de outras responsabilidades na gestão dos serviços da Cãmara.
Muito haveria que contar sobre este período, que a revolução de Abril nos proporcionou viver, mas para este debate o que me interessa referir é que, ao chegarmos à Câmara deparamos com a existência no cofre da Presidência de um diploma de cidadão honorário que a edilidade tinha decidido atribuir ao Presidente da República General António de Spínola numa visita programada para Angola que, por força do 28 de Setembro não se chegou a realizar.
Ao tempo, não nos preocupou muito a relação que, eventualmente, existiria entre estes e outros acontecimentos vividos em Luanda, alguns de extrema gravidade, mas hoje interrogo-me, em voz alta na presença do General Pezarat Correia: O que teria acontecido se o desfecho do 28 de Setembro tivesse sido outro?

De regresso a Lisboa, fui colocado no GDACI, no alto de Monsanto e poucos dias após dá-se o golpe contra-revolucionário 11 de Março, sendo o GDACI uma das unidades visadas.
Após o 11 de Março, algum tempo depois, sou novamente catapultado para funções civis, desta feita para o Ministério das Obras Públicas, sendo  inistro na altura, o Cor Augusto Fernandes e o Primeiro- Ministro, o General Vasco Gonçalves.
O general Pezarat Correia era então conselheiro da Revolução e uma referência para todos nós militares e para mim em particular pela afinidade que sentia na paixão por Angola que se reflectia nos seus escritos.

Mergulhar mesmo na revolução popular em curso, entrar na vida dos nossos cidadãos em luta por uma vida melhor, foi uma experiência inesquecível e um roteiro para toda a minha vida e isso não é indissociável a figura ímpar do General Vasco Gonçalves, cuja superiordade moral, humanidade, fervor revolucionário e patriotismo o agigantam aos nossos olhos tanto mais quanto a pequenez dos seus adversários e detratores se evidencia.
Recordar este período, faz-nos obrigatoriamente reviver os dolorosos acontecimentos do chamado “Verão Quente de 1975” e do 25 de Novembro. O General Pezarat Correia era então Comandante da Região Militar Sul e Conselheiro da Revolução, e integrou o Grupo do Nove.
As posições públicas desassombradas que o General Pezarat Correia tem assumido sobre este período e sobre V.G. e a sua decisão de integrar a CH das comemorações do centenário do seu nascimento, calaram fundo na nossa ACR, que tem Vasco Gonçalves como patrono e a defesa das conquistas da revolução como objecto.

Naquilo em que tive o privilégio de participar directamente, a concretização da política para a área da habitação - que logo no 1º Governo Constitiucional se aniquilou- direi apenas que ainda hoje é objecto de estuda nas escolas universitárias da área da habitação e urbanismo, no nosso país e no estrangeiro e que sobre ela já foram produzidos alguns filmes, muitos livros e teses de mestrado e doutoramento que atestam bem a sua valia, refiro-me
concretamente ao projecto SAAL.
É óbvio que isto, o reconhecimento do Direito à habitação sem sofismas, é apenas uma pequena fracção do que foi o avanço civilizacional proporcionado pela Revolução de Abril, preconizado no PMFA e levado à prática pelos Governos provisórios, em particular pelos Governos presididos pelo General V.G. Só quis deixar expresso o meu testemunho pessoal que pouco acrescentará ao imenso património de memórias que a nossa ACR se propõe valorizar e defender, mas que muito, mesmo muito, me enriqueceu… e me fez militante de Abril para toda a vida.

E, acima de tudo dizer que estamos aqui hoje, eu e o Cmte Manuel Begonha, nesta iniciativa do Núcleo ACR do Porto, pelo muito apreço que nos merece o trabalho aqui desenvolvido e porque não nos dispensámos de participar estando presente um dos mais prestigiados Capitães de Abril, o General Pezarat Correia.

ENCONTRO com PEZARAT CORREIA - Porto, 12 de Março

Intervenção inicial de Jorge Sarabando
Vogal da Direcção e
Coordenador do Núcleo do Porto da Associação Conquistas da Revolução



Esta sessão integra-se numa série, do nosso plano de actividades, que designámos como “Encontros com...”, para os quais convidamos personalidades que se tenham distinguido na defesa dos valores de
Abril.

Escritor Augusto Baptista; Cor Eng Baptista Alves; Maj Gen Pezarat; Cor. Castro Carneiro e Jorge Sarabando

Esta série foi iniciada pelo Encontro com Frei Bento Domingues, em que participaram o Bispo Emérito D. Januário Torgal Ferreira e o Prof. Sérgio Branco, sindicalista, leigo dominicano, e que teve um momento musical a cargo do Prof. Guilhermino Monteiro.
No Encontro de hoje, tivemos um momento musical, com Pedro Marques e João Sousa, a quem felicito pela grande qualidade das suas interpretações, a que se seguirão as intervenções do fotojornalista e escritor Augusto Baptista, do Coronel Castro Carneiro, um dos militares responsáveis pelas operações
militares do 25 de Abril na região Norte, e do Coronel Engº Baptista Alves, Presidente da nossa Associação, bem como do General Pezarat Correia, que finalizará. A todos quero agradecer a sua pronta disponibilidade para participarem neste acto, que significa também uma singelíssima homenagem a um dos membros mais destacados do MFA, Movimento das Forças Armadas, que tornou possível a Revolução de Abril, Pedro de Pezarat Correia.
Antes de lhes dar a palavra, quero aqui lembrar a nossa actividade que, em 2021, foi marcada pelas comemorações do Centenário do General Vasco Gonçalves. Recordo o concerto realizado em Vila Nova de Gaia, o colóquio “A obra e o homem”, em Matosinhos, a Exposição dedicada a Vasco Gonçalves, no Porto, e ainda a apresentação do livro “Cem Cravos” que lhe é dedicado.
E aproveito para aqui anunciar as nossas próximas iniciativas:

  • em 2 de Abril, sessão comemorativa da Constituição da República, em conjunto com outras associações culturais do Porto;
  • em 24 de Abril, jantar comemorativo da Revolução;
  • em 25, sessão em Chaves, em parceria com a União de Sindicatos; durante o debate, não deixaremos de evocar um ilustre flaviense, o Marechal Francisco da Costa Gomes, Presidente da República no período mais decisivo da Revolução, a quem a Pátria e a Democracia tanto devem.
  • no mesmo mês, abertura da Exposição itinerante “Revolução dos Cravos – vivências a norte”.

Seguir-se-ão os ciclos intitulados “Três meses – três livros” e “Cadernos de Abril”.
Iniciaremos este ano uma série de debates com temáticas relativas ao processo revolucionário, incentivando a apresentação de trabalhos pelas gerações mais jovens, que integramos no programa comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril.

Umas breves palavras, apenas, sobre o General Pezarat Correia, certo que estou de que os nossos convidados melhor dirão sobre o seu percurso militar e académico, o seu carácter, a sua personalidade, o seu perfil cívico e humano.
Pedro de Pezarat Correia nasceu na cidade do Porto, filho e neto de militares. Seu pai, o então Tenente António Joaquim Correia, foi um participante activo da revolta militar de 7 de Fevereiro de 1927, a
primeira e a maior contra a Ditadura, em que no Porto e em Lisboa, recorde-se, perderam a vida mais de duas centenas de pessoas, militares e civis. Viria a ser deportado para Angola.
Pezarat Correia fez o curso liceal no Colégio Militar, e a licenciatura em Ciências Militares na Escola do Exército, pertencendo à Arma de Infantaria.
Cumpriu seis comissões nas antigas colónias, na Índia, em Moçambique, Guiné e Angola, onde se encontrava no 25 de Abril. De imediato aderiu ao movimento libertador, gesto coerente de quem havia conspirado, com outros camaradas de armas, contra a ditadura fascista, designadamente no Movimento Militar Independente. Integrou a Comissão Coordenadora do MFA de Angola, que teve um papel decisivo no longo e violento processo de descolonização.
Regressado a Portugal, foi nomeado Comandante da Região Militar Sul, e pertenceu ao Conselho da Revolução desde o início, em Março de 1975, até à sua extinção, em Outubro de 1982, decorrente da 1a Revisão Constitucional.

Foi um dos subscritores, em Agosto de 1975, do Documento dos Nove.
Não tendo sido promovido, em 1986, quando lhe competia, por razões estranhas ao seu percurso profissional, ou seja, razões políticas, pediu passagem à reserva, no posto de Major-general do Exército.
Foi um dos fundadores da Associação 25 de Abril, e director da revista Referencial durante 24 anos.
Foi, desde 1996, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde fundou e leccionou a cadeira de Geopolítica e Geoestratégia.
Em 2017, doutorou-se pela Universidade de Coimbra, com apresentação e defesa da tese “Da descolonização”, aprovada com distinção e por unanimidade.
Será difícil referir, na sua vasta obra literária, títulos mais em evidência. Mas permitam-me escolher dois, entre vários possíveis.
O primeiro é, justamente, a sua tese de doutoramento. Nela, o autor rompe com o discurso dominante, ao descrever, de modo bem informado e documentado, o longo processo histórico da descolonização, e ao considerar, e demonstrar, que o verdadeiro sujeito da descolonização é sempre o colonizado.
O segundo é “Do lado certo da História”, livro/entrevista de Manuela Cruzeiro, que junta a outros de sua iniciativa e do Projecto História Oral do Centro de Documentação 25 de Abril, como os dedicados a Melo Antunes, Vasco Lourenço, Vasco Gonçalves ou Costa Gomes. Nele podemos seguir, com as suas próprias palavras, o percurso singular de um militar de formação bem castrense, o seu inconformismo com a ditadura, a luta anti-colonial, a construção da democracia, a defesa da Reforma Agrária e doutras conquistas de Abril, a actuação da direita das ideias e dos interesses para recuperar poderes e privilégios. Dessa direita, e “das suas máscaras, alibis e pretextos”, tão bem descrita nos versos de Sophia de Mello Breyner.
Reiteramos o nosso agradecimento pela sua presença, que muito nos honra, neste encontro de democratas, unidos em defesa da liberdade, da igualdade, da paz, do valor do trabalho, da dignidade humana.





Iniciativa na Baixa da Banheira - Centenário nascimento General Vasco Gonçalves - 11 de Março

Iniciativa na Baixa da Banheira - Centenário nascimento General Vasco Gonçalves - 11 de Março 2022



 

O acto de inauguração da Exposição do Centenário do nascimento
do General Vasco Gonçalves na passada sexta-feira, 11 de Março,
no Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira, foi potenciado nas
palavras do seu Presidente, Vítor Barata, pelo conjunto de iniciativas
muito variadas que durante este mês ocorrem naquela emblemática
associação do concelho da Moita, e que garantem a sua visita
organizada. 

Foram dados os exemplos de logo dois dias depois estar
agendado um debate organizado pelo Movimento Democrático de
Mulheres (MDM) e a União de Resistentes Antifascistas Portugueses
(URAP), e a 20 deste mês um outro, pela Associação de Amizade
Portugal-Cuba (AAPC), ambos de temáticas específicas, assim como
convívios populares de diferenciada índole, incluindo de jovens.
 

Cap Ten Manuel Carvalho

Diamantino Cabrita, também dirigente do GAC, fez a
apresentação do evento, cabendo ao Capitão-Tenente Manuel
Carvalho, em representação da Direcção da Associação Conquistas
da Revolução (ACR), que promove a Exposição, a intervenção de
fundo, entendendo assim rematar: «Para finalizar, neste Mundo de
Guerra, quero aqui afirmar: “Não à guerra, sim à Paz”».
 

 

Pelo punho do Militar de Abril a ACR deixou a marca da sua
participação no Livro de Honra, tendo sido promovida a venda de
duas das suas edições: «100 Cravos para Vasco Gonçalves» e
«Quem foi Vasco Gonçalves».







 


O MUNDO UNIPOLAR É UMA AMEAÇA PARA A PAZ

 O MUNDO UNIPOLAR É UMA AMEAÇA PARA A PAZ

Manuel Begonha - Presidente da AG da ACR

 
Embora se verifique um declínio e uma crise latente nos EUA , estes permanecem muitíssimo poderosos, nomeadamente nas áreas militar, industrial, económica e da propaganda.
Vamos analisar algumas das formas como têm sido utilizados estes poderes.
 
Militar
- É um país militarista cuja doutrina estratégica é dirigida para a projecção de força para o exterior.
Tem praticamente tantos porta-aviões como o total dos restantes países.
- Possuem mais de 400 bases e instalações militares fora do seu território, a maioria das quais cercando a Rússia e a China.
Este número torna irrelevante o somatório deste tipo de unidades de todas as outras nações.
Ironicamente, têm Guantanamo em solo cubano. - Só a partir do século XX, levaram a cabo mais de 240 intervenções, golpes de Estado, invasões e destruições em nações soberanas, em todos os continentes , excepto na Oceânia.
Em muitas destas ocorrências com o recurso abusivo à NATO, organização que já devia ter sido extinta em 1991 termino da guerra fria.
- Foi o único país do mundo a usar a arma nuclear, bombas atómicas sobre o Japão.
 
Industrial
Ocorre uma tendência para a perda da hegemonia dos EUA e destruição de parte da sua base industrial , devido ao financiamento desregulado de empresas de alta tecnologia.
Permanece, no entanto, como o maior exportador de armamento do mundo, acumulando enormes lucros à custa da proliferação de guerras muitas vezes por eles provocadas, porque na guerra não prevalece a moral mas sim os interesses.
Importa aqui questionar a quem interessa a guerra. 
 
Económica
Tendo o dólar como moeda de troca, vai ditando as suas leis da oferta e da procura.
Submete todo o mundo ocidental à sua vontade, como recentemente se verificou ao fazer ajoelhar a Alemanha , impedindo -a de utilizar o gasoduto Nord Stream 2, impondo a compra do seu gás natural liquefeito, muito mais caro que terá graves repercussões na economia da UE, contribuindo assim deliberadamente para o respectivo enfraquecimento.
Quem ousar tentar escapar a este esmagamento, será punido com pesadas sanções.
 
Propaganda
A propaganda dos EUA tem representações em quase todos os meios de comunicação do planeta , tentando impor um pensamento de sentido único.
Todos estes procedimentos caracterizam uma prática imperialista e um sistema unipolar.
Apesar de tudo isto, o imperialismo quer retomar a liderança moral do Ocidente , embora continue a partilhar o mundo para a exportação de capitais.
É pois natural que ocorra uma certa proximidade e empatia com países como a Rússia e a China que são os principais actores que têm lutado por um mundo mais multipolar, portanto mais seguro, ao travar expansão e o domínio hegemónico do mesmo adversário, os EUA. 
 
Como é sabido a Rússia e a China não são comunistas.
A Rússia é um país capitalista e neoliberal.
A China tenta harmonizar os dois sistemas - o capitalista e o comunista.
São no entanto, anti-imperialistas. 
 
A batalha anti-imperialista ultrapassa os conceitos de socialismo e comunismo.
Não o eram muitos dirigentes mundiais que construíram a história da humanidade por lutarem contra o imperialismo.
Para além do anti-imperialismo desejaria para o futuro da humanidade, um mundo multipolar onde reinasse a Paz, a Liberdade, a Democracia e o Socialismo.

 

Intervenção de Baptista Alves no dia 3 de Março de 2022

Intervenção de Baptista Alves, presidente da direcção da ACR, no dia 3 de Mar,
na
iniciativa promovida pella AE e o CPPC,
na qualidade de Pres. da AG do
CPPC.

 

Estamos a viver tempos muito difíceis. Ainda não totalmente livres
da ameaça pandémica que nos assola, eis-nos perante o espectro
negro de mais uma guerra na Europa.
Não vou tecer quaisquer considerações sobre os acontecimentos
que nos trouxeram até aqui, porque o farão com certeza outras
intervenções, com propriedade e o saber que importa a uma
audiência universitária.
Lembrar apenas que já no ano passado, quando se vivia um
aumento da tensão EUA/China em torno da questão de Taiwan, o
Prof. Frederico de Carvalho, em artigo publicado na revista da OTC,
nos deu uma perspectiva, fundamentada e sustentada, da extrema
delicadeza desta questão maior da Humanidade, a PAZ, cujos níveis
de risco, medidos no relógio simbólico denominado de “Relógio do
Destino Final”, ultrapassavam os registados em 1953, o ano que
havia registado o maior perigo para uma confrontação nuclear (2
min para a meia-noite registava o relógio), fixando-se então (2020,
2021) nos 100 s.
Quantos segundos marcará hoje o relógio?
Há alguma razoabilidade nesta loucura?
É preciso parar e reflectir.
Para esta Humanidade que somos hoje, no século XXI da nossa Era,
a resolução pacífica dos conflitos entre Estados é a única via
aceitável, como inaceitável é o reforço e expansão dos blocos
político-militares, ao invés da sua dissolução, para a construção de
um Mundo de Paz em que pretendemos viver.
Falhámos! Falhámos todos, e, se um mínimo de humildade
consciente não nos fizer parar, vamos matar-nos uns aos outros
sem sabermos bem o porquê … e, acreditem, muito provavelmente
não ficará ninguém para o contar!
E a solução é tão simples que até dói que a não tenhamos
entendido já:
Artigo 7º, nº2 da CRP de 1976, uma conquista da revolução de
Abril
“Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e
de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas

relações entre os povos, bem como o desarmamento geral,
simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e
o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista
à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a
justiça nas relações entre os povos.”
Este é o caminho. Não há outro.

A II edição da Guerra Fria, com este ou qualquer outro nome que
lhe queiram dar, está, a meu ver, condenada ao fracasso, porque
lhe falta a razão ideológica na qual se acobertava a I.
É verdade que cumpriria dois grandes objectivos da estratégia
imperialista:
- satisfazer a gula desmedida da poderosíssima indústria do
armamento;
- Travar a ascensão meteórica das potências económicas
emergentes, obrigando-as a gastos militares insuportáveis.
Mas também não é menos verdade que num Mundo multipolar
como o é já o Mundo de hoje os interesses de cada um dos
diferentes polos se sobreporão inexoravelmente nas disputas
inerentes.
Há portanto, a meu ver, nesta nova realidade, condições de grande
preocupação e perigosidade mas também condições mais
favoráveis á obtenção de consensos em questões vitais para a
Humanidade e principalmente na exigência do seu cumprimento.
É facto que a corrida aos armamentos e ao desenvolvimento de
novas e terríveis armas de destruição massiva, químicas, biológicas
e nucleares não tem parado de crescer, mas também é facto que as
razões ideológicas, religiosas ou mesmo de combate ao terrorismo,
deixaram de ser convincentes para um Mundo tão causticado pelos
efeitos nefastos das ingerências, ocupações militares e guerras de
agressão e pilhagem feitas em seu nome. Efeitos que são cada vez
mais difíceis de esconder nestes tempos da comunicação global.
Há portanto razões para alguma esperança no futuro.

O ORIENTE PRÓXIMO HORIZONTE DO MUNDO

 O ORIENTE PRÓXIMO HORIZONTE DO MUNDO

Manuel Begonha

Presidente da Assembleia Geral


Enquanto que os EUA e a UE mantêm guerras, ingerências e sanções em vários países do médio - oriente, o Irão emerge apesar de tudo isto, como uma peça relevante no xadrez político que fervilha no sudoeste asiático. Este país com uma longa história na região procura na Ásia uma saída alternativa.
Como declarou o deputado iraniano Mohsen Zanganeh :" Penso que se concentramos a nossa atenção nos países orientais, especialmente aqueles da Ásia Central, Ásia Oriental , bem como na Europa Oriental em vez de nos concentramos no Ocidente, podemos definitivamente beneficiar do seu considerável potencial económico. "
Desenha-se claramente uma aliança China, Russia e Irão, chamada Parceria da Grande Eurasia que inclusive anunciou já, exercícios navais conjuntos no Golfo Pérsico.
O Irão finalizou um plano abrangente de cooperação por 25 anos com a China e aderiu ainda à Organização de Cooperação de Xangai (SCO). Está também a ser negociado, baseado neste acordo, um outro por 20 anos com a Rússia.
Abriu-se também o Corredor Internacional de Transporte e Trânsito Golfo Negro que irá impulsionar a Iniciativa Rodoviária e do Cinturão Leste - Oeste liderado pela China (BRI) e para o Corredor Internacional de Transportes Norte - Sul, liderado pela Rússia e pela Índia.
Este corredor envolve a Rússia, Ásia Central, Azerbeijão Europa, Turquia, Irão, Afeganistão e Índia, sendo um sistema de trânsito multimodal de 7200 Km em conexão com a (BRI).
Na cimeira da Organização de Cooperação Económica (ECO) o Azerbeijão, Irão e Turquemenistão finalizaram um acordo de troca de gás.
Deste acordo resultou também o desenvolvimento das enormes reservas de petróleo e gás off shore, existentes no Mar Cáspio.
Por outro lado, espera-se a conclusão do Trans Caspian Pipeline (TCP) que atravessa o Mar Cáspio e que irá estabelecer a ligação ao corredor de Gás do Sul e à TANAP da Turquia.
A ramificação final para a Europa será finalmente concluída através do gasoduto Nabuco que traria para a região gás em abundância. É claro se não houver sabotagem política, como facilmente se adivinha.
Convém recordar que numa disputa recente com a UE, o impedimento da construção do gasoduto North Stream 2, fará esta sofrer unilateralmente com a correspondente não utilização, porque indo ao encontro dos ditames dos EUA, impondo a compra do seu gás natural liquefeito (GNL), muito mais caro, devido aos elevados custos de extracção e de transporte.
Em contrapartida a Rússia tem um novo acordo estratégico com a China.
O gasoduto "Power of Siberia", começou a exportar gás do leste da Sibéria para o nordeste da China há dois anos.
Estes países fizeram um acordo para a construção de um segundo gasoduto Power of Siberia 2 que transportará gás natural da península de Yamal no Artico Russo, para o nordeste da China. Tal significa que este gás tanto poderá facilmente abastecer a China como a Europa.
Encontram-se ainda em execução projectos ferroviários para ligar o Golfo Pérsico ao Mar Negro, através do Irão, Azerbeijão e Georgia que permitirá a movimentação de mercadorias dos portos do Sul do Irão para a Europa Central por via exclusivamente terrestre.
Estes factos podem explicar as tentativas de desestabilização e uma permanente política de agressão com recurso à NATO, aos países oriundos ou não da ex União Soviética, através de sanções, chantagens e ameaças perpetradas pelos EUA, lamentavelmente acolitados pela UE.
Não será dispiciendo admitir que estas novas rotas deste importante recurso energético que é o gás natural desencadeie uma desenfreada e perigosa corrida aos armamentos.
Podemos considerar que esta estratégia se destina a enfraquecer a economia da Rússia e da China, forçando - as a aumentar os gastos militares em prejuízo do respetivo desenvolvimento e melhoria social, à semelhança do que foi feito com a URSS que poderá ter conduzido ao seu colapso.
A parceria da Grande Eurásia, é impulsionada pela defesa dos interesses comuns de um conjunto de Estados que pretende criar um novo paradigma multipolar, gerando nova riqueza que harmonize as necessidades de um todo.
E assim, se libertarão do monopólio unipolar dos EUA.

 

EM MEMÓRIA DE VASCO GONÇALVES

 

EM MEMÓRIA DE VASCO GONÇALVES
Intervenção de Manuel Begonha em 2022/01/20 na Casa do Alentejo
– Reunião com a Comissão de Honra -

 

Estamos aqui hoje reunidos para dar início a um difícil combate que torne possível a edificação de um monumento evocativo do General Vasco Gonçalves, o ponto culminante das comemorações do centenário do seu nascimento.

Foi um homem íntegro, de grande cultura humanitária e que lutava por um Portugal melhor, erradicando o elevado grau de pobreza e de ignorância que a todos diminuía. E fê-lo por uma razão muito simples. Punha o seu Povo, a Pátria, acima de quaisquer ambições políticas.

São dele as seguintes palavras:

“A Pátria não é uma entidade abstracta, não é uma entidade mítica, mas é uma entidade concreta, constituída por todo um Povo de carne e osso, que vive dia a dia os seus problemas, que sofre e tem alegrias”

É necessário que para o futuro fiquem as nossas referências positivas, aquelas que foram justas, porque não se pode perder a vontade de ter coragem, porque há quem por deturpação do pensamento tolere o autoritarismo e o fascismo.

Não devemos esquecer, nem que seja por cansaço ou para não prolongar o sofrimento que o que foi mais cedo ou mais tarde volta com maior virulência.

Põe Shakespeare numa fala de Macbeth:

“Chamuscámos a serpente, não a matámos.
Curar-se-á e será a mesma, já a nossa medíocre aleivosia permanece exposta ao perigo da sua antiga presa.”

Por isso nada está feito enquanto não o estiver completamente.

No monumento que pretendemos erguer, o respectivo autor, arquitecto Siza Vieira, não deixa dúvidas sobre os méritos da grande obra que lhe cabe; a necessidade de preservar para sempre e inculcar na nossa juventude a memória dos valores deste homem, aquele que esteve ao nosso lado para subir as montanhas mais difíceis.

Constituirá uma fonte de inspiração, uma mostra de nobreza de carácter, uma vontade de nos afirmarmos detentores de um País livre, sem ter medo e sem a necessidade de os mais pobres terem de pedir uma fatia ao futuro.

Que fique lá bem recordado que os Revolucionários não têm o direito de desistir, nem de admitir desesperar.

Que fique lá que queremos que a luz de Vasco Gonçalves, continui a iluminar o nosso pensamento.

E assim ficará nas nossas mãos esta missão para levar a cabo, certamente com grande esforço, mas que a todos dignificará.


A Esquerda e as ELEIÇÕES

 

A ESQUERDA E AS ELEIÇÕES 
 
 
Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral 
 
 
Relativamente às próximas eleições tem-se verificado que a direita e a extrema-direita fascizante, serão tentadas a unir-se, com o objectivo de tomar o poder.
Tal significaria, um forte ataque à Constituição da República Portuguesa,(CRP) ou seja, a reversão das principais conquistas da revolução nela integradas e a instituição de uma política de mais deveres e menos direitos.
É por isto que a esquerda deve encontrar uma estratégia centrada na defesa do essencial que é a CRP e no honrar um passado de luta anti - fascista que não pode renegar, cedendo a cantos de sereia europeístas, ou por sentir ameaçados os seus interesses.
Os partidos políticos não são todos iguais.
Não basta proclamar-se de esquerda senão transportarem um forte ideal motivador e transformador.
A esquerda tem de ser motora de uma sociedade nova, onde cesse a exploração do homem, subsista a dignidade humana e se lute pela paz entre os povos.
Um partido de esquerda não pode coexistir com situações intoleráveis que estão a corroer a nossa sociedade, devendo ser implacável no combate à corrupção, à desigualdade social e à ineficácia da justiça.
Um partido de esquerda jamais poderá alienar a soberanía nacional, vendendo a grupos estrangeiros sectores básicos da nossa economia, nem vergar-se acriticamente aos ditames da UE.
E é por isto que os seus partidos devem ter extremo rigor, na selecção dos seus representantes para cargos públicos.
Os partidos de esquerda devem preservar a respectiva independência não recorrendo ao voto útil na primeira volta em quaisquer eleições.
Nem deverá haver contemplações, com o oportunismo político e o taticismo calculista na Assembleia da República ou nas Autarquias.
Pelo contrário, os partidos de esquerda devem lutar denodadamente por defender e divulgar os seus programas e conquistar novos eleitores.
Se não garantirmos o presente, o futuro nunca abandonará o nosso penoso passado. O presente, não é o nosso único tempo.

Centenário nascimento Américo Leal

 

 

 

 

 


Fotografia Américo Leal

 

Comemora-se hoje, dia 20 de Janeiro, o centenário do nascimento de Américo Leal, lutador antifascista e sócio fundador da ACR.

Nascido em Sines a 20 de Janeiro de 1922, Américo Leal começou a trabalhar na indústria corticeira com apenas 12 anos de idade tendo, nos anos 40, integrado o Comité Nacional da Cortiça, juntamente com corticeiros do Barreiro, Évora, Silves e Sines.

Em 1943 foi preso pela PIDE, permanecendo durante 45 dias na prisão do Aljube, em Lisboa. E em 1944 aderiu ao PCP.

Fez parte do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e após o 25 de Abril teve um papel destacado na luta pela concretização e defesa da Reforma Agrária.

Foi deputado, pelo distrito de Setúbal, à Assembleia Constituinte e nas duas primeiras legislaturas da Assembleia da República.

 

Américo Leal é ainda autor dos livros “O rosto da Reforma Agrária”,

O Vale do Sado no Mundo de dois opostos” e “Quem somos! - Testemunhos “.

 

Ao assinalar os 100 anos do seu nascimento a ACR presta, assim, homenagem a um homem cuja vida foi um exemplo na luta contra o fascismo, pela liberdade e pela democracia.

 

 


AS FORÇAS ARMADAS E AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS

 AS FORÇAS ARMADAS E AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS

 Manuel Begonha
Presidente da Mesa da Assembleia Geral

 
 
Na maioria dos países capitalistas as respectivas Forças Armadas, foram formadas de acordo com uma doutrina anti-progressista e anti-comunista importada dos EUA.
Desta forma tem-se verificado ao longo da história recente que sempre que um país indique pretender seguir essas vias, as correspondentes Forças Armadas reagem com um golpe de estado mais ou menos violento, sempre com a ajuda intervencionista norte-americana.
Os casos já ocorridos foram tantos que seria demorado lembrá-los todos.
A título de exemplo recordo o que sucedeu na Indonésia entre 1965-1966 com a deposição do Presidente Sukarno, em cujo golpe se estima terem sido mortos 500000 comunistas. No Brasil com o golpe dos coronéis em 1964 no qual foi violentamente deposto o Presidente João Goulart.
No Chile com o afastamento sangrento do Presidente Salvador Allende em 1973, no golpe encabeçado por Augusto Pinochet. É bom não esquecer também o golpe de 25 de Novembro de 1975 , em Portugal.
Tudo isto vem a propósito de um país com a importância estratégica do Brasil para os EUA no seu plano de controlo da América Latina.
Se Lula, que não é comunista, vencer as próximas eleições presidenciais , terá de ter muita subtileza, equilíbrio e inteligência política, na escolha do seu governo e nos partidos que nele integrar, porque as Forças Armadas brasileiras globalmente anti-democráticas, fortemente anti-comunistas e aliciadas com inúmeras regalias, constituem um risco permanente de perpretarem um golpe de estado.
Mas tal também não pode significar fazer concessões ao liberalismo, de tal forma que possa defraudar a luta popular e o movimento social que o terá conduzido ao poder.

Talvez a Oeste tenhamos novidades

 

Talvez a Oeste tenhamos novidades

 

Marques Pinto
Vogal da Direcção

 

 

Estamos a viver em quase todo o mundo, com particular gravidade para o que agora se designa pela Grande Eurásia, um período de grande instabilidade a todos os níveis mas talvez o mais preocupante para todos os que pela sua idade e vivencia, sabem que nestas situações de grave crise internacional, infelizmente, são sempre os mais desprotegidos ou mais próximos dos pontos de confronto que serão os mais atingidos, seja por risco da própria vida seja por todos os outros motivos e meios que indirectamente os  atingirão mesmo vivendo neste recanto da Europa

 

Claro me refiro às constantes ameaças de uma confrontação entre os Estados Unidos - que naturalmente arrastarão os seus aliados da Nato, que com aprovação ou não da ONU sempre seguirão fielmente as ordens do dono – lembremos a guerra do Iraque – e a China ou a Rússia, por motivos diferentes, mas com um objectivo comum.

Claro que neste momento olhamos para a Ucrania e Taiwan, que antigamente todos os mais velhos conhecemos pela Iha Formosa, mas na realidade os Altos Comandos Militares Americanos pensam mais na tomada do poder politico interno que numa escaramuça distante que apenas serve e tem servido para aumentar de modo exponencial os gastos militares e.…as fabulosas compras e encomendas aos fabricantes.

Como sempre nestas situações é preciso criar um engodo dum “vil e ardiloso inimigo para enganar a opinião publica” e aí a Rússia e a China servem bem o propósito

 

Para explicar o que representa o presente objectivo do real poder nos Estados Unidos temos sempre de juntar a Grande Finança e as Grandes Petrolíferas com o Complexo Industrial e Militar dos EUA, que juntos manipulam totalmente os dois Grandes Partidos Estado-Unidenses com particular realce após a época Bush e desde que puseram ao seu serviço conhecidas figuras dos Democratas como a Hillary Clinton.

 

Todos os que no último ano e particularmente após a saída/fuga/abandono pelos EUA e UK do Afeganistão terão acompanhado os noticiários internacionais viram o recrudescer na opinião publica com particular realce para toda a imprensa Americana numa campanha anti governo Biden e o reacender dessa campanha com as noticias de um possível apoio ao regresso do “Trumpismo” com Trump ou outro que siga o seu ideal quase proto-fascista.

            Passados que são 12 meses ainda nem sequer se culpabilizou ninguém pelo assalto ao Capitolio de 6 de Janeiro e embora se falem em muitas figuras políticas...nada se converteu em acusação.

 

Talvez uma tomada de poder real pelos Generais se aproxime...mas atenção que os Generais não são Capitães e Tenentes e os altos postos militares sempre se deram bem com sistemas autoritários e não democráticos.

 

Enquanto olhamos para o Oriente...talvez tenhamos surpresas a Ocidente.

LEMBRAR JOSÉ DIAS COELHO, SESSENTA ANOS

 


Rodrigo de Freitas
Suplente da Mesa da Assembleia Geral

 

 APÓS O SEU IGNÓBIL E BÁRBARO ASSASSINATO

19.DEZEMBRO.1961

1 – Não é possível esquecer! Não é possível ignorar! Torna-se imperioso e inadiável lembrar aqueles da sua geração, mas sobretudo os jovens de hoje, detentores do futuro. Viver, lutar, enfrentar 48 anos duma ditadura fascista salazarista, imposta ao povo português. Para que conste sobre José Dias Coelho:
Nasceu em Pinhel em 19 de Junho de 1923. Depois de ter passado por várias escolas e instituições, frequentou com sua companheira Margarida Tengarinha a Escola Superior de Belas Artes na área de escultura, sendo ambos expulsos e impedidos de ingressar em qualquer outro estabelecimento de ensino.
Foram demitidos de professores das escolas onde leccionavam. Era corrente em escolas superiores e universidades assim suceder a quem lutava pelos seus ideais, pela liberdade, pela igualdade colectiva, contra o obscurantismo e miséria da grande maioria dos portugueses.
 

2 – “A MORTE SAIU Á RUA”
Eram cerca das 18h30 de 19 de Dezembro de 1961, quando José Dias Coelho descia a Rua do Lusíadas para a Rua da Creche, Largo de Stº Amaro, Lisboa. De um carro saltaram vários indivíduos que o perseguiam. Agarraram-no, encostaram-no à parede e deram-lhe voz de prisão. Resistiu e gritou “É A PIDE! SOU COMUNISTA!”. Foram as suas últimas palavras. Um dos esbirros da PIDE de pistola na mão deu dois tiros, um deles à queima-roupa. Tombou encostado à parede. Momentos depois os esbirros que o agarravam meteram-no num carro e rapidamente arrancaram… testemunhas viram-no cair… Eram 19 horas em todos os relógios…!
 

3 – Cerca das 20 horas dois indivíduos deixam o corpo moribundo no hospital da CUF. Tiveram que se identificar. Tratava-se de agentes da PIDE da brigada de José Gonçalves.
 

4 – No Instituto de Medicina Legal de Lisboa, onde foi autopsiado em 23 de Dezembro de 1961, os peritos concluíram que a causa de morte foi “um tiro disparado no peito à queima-roupa com intenção de matar…” Tratava-se de um crime politico. Os nomes dos agentes e do responsável dos tiros, vieram a saber-se, após o 25 de abril de 1974, quando na sede da PIDE na Rua António Maria Cardoso, começou a funcionar a Comissão de Extinção da PIDE, sob a orientação da Marinha Portuguesas.
 

5 – DO TRIBUNAL MILITAR DE STª CLARA À FARSA DO JULGAMENTO DOS CARRASCOS QUE ASSASSINARAM JOSÉ DIAS COELHO.
Em Janeiro de 1967, 16 anos depois do crime realizou-se o julgamento com juízes da composição mais reacionária do corpo da justiça de Salazar, vindo à memória os juízes dos tribunais plenários sendo escolhidos a dedo pelo governo e os presidentes
escolhidos pelo ministro da justiça. A estes “juízes“ políticos, Aquilino Ribeiro, chamou prostibutários, longe de prever que após o 25 de Abril de 1974 pairaria no ar de alguns tribunais o fantasma de António Spínola, nomeado presidente da Junta de Salvação Nacional, instalada no Palácio de Belém. Spínola tudo fez para que a comissão de extinção da PIDE/DGS não fosse criada e pudesse desempenhar as suas funções com isenção e verdade… 

Assim se revelou mais uma vez os “caracteres” e intenções de Spínola, concretizadas com golpes, ataques e traições a tudo o que o programa do MFA estava a levar à prática. É esta iminente figura que é louvado a Marechal, dado como “pai” da democracia. Mas o tempo e a história acabarão por colocar tal marechal na merecida prateleira do lixo tóxico.
Voltando ao julgamento, após a leitura da sentença, que absolveu os Pides, as pessoas que assistiram gritaram “Assassinos! Assassinos!”, gerando-se grande confusão no tribunal. Terminaria a saída da assistência indignada, com alas de Pides na escadaria do tribunal de Stª Clara, insultando provocatoriamente Margarida Tengarinha e sua cunhada Maria Adelaide com palavrões dos mais soezes, reles e sórdidos.
 

Assim, a sentença vergonhosa proferida por juízes reacionários o permitira.
 

Ainda sob estes acontecimentos, José-Augusto França, historiador e critico de arte escreveu um artigo no DL em 4 de Fevereiro de 1977, indignado, dedicado a José Dias Coelho, com o titulo, “O preço da vida de um escultor”.
Todo este dramático acontecimento, terá, sempre, como canção e música “A morte saiu à rua” que José Afonso dedicou a José Dias Coelho, num acto de coragem e risco, perpetuando a sua acção política, pela paz, pelos seus ideais, a sua corajosa militância, a sua coragem, a sua sensibilidade artística, tudo pela liberdade e felicidade do povo do seu país, e dos povos de todo o mundo, sujeitos às mais indignas formas de opressão e repressão.
 

Recordo, mais uma vez, José Dias Coelho, não deixando de registar os testemunhos vividos e escritos de Margarida Tengarinha, de Manuel Loff, entre muitos outros.

E um apelo faço às novas gerações para meditar, estudar, divulgar,
como foi penoso e arriscado conquistar a liberdade e o sonho que comanda
A VIDA.

Rodrigo de Freitas, aos 85 anos, num exercício de memória enquanto esta responde.
19 de Dezembro de 2021

 


 

 

 

 

 

A INCERTEZA

 

A INCERTEZA
 
 Manuel Begonha
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
 
A incerteza causada pela pandemia, devido ao aparecimento de sucessivas variantes do Covid19 e os respectivos reflexos na economia, a alteração de hábitos e rotinas, têm tido sequelas graves no âmbito comportamental dos portugueses.
Quando se agrava a luta pela sobrevivência, se perde a confiança na eficácia das vacinas e este ciclo parece não ter fim, a sociedade adoece e acaba por se voltar contra ela própria, gerando agressividade, intolerância e egoísmo.
Quando ultrapassaremos o que escreveu Hesse?
"Estranho é caminhar na densa névoa. Nenhuma árvore vê a outra. Cada um está sozinho."

No falecimento de Francisco Lobo

 

No falecimento de Francisco Lobo

 

 

   No passado sábado, após um prolongado estado de saúde muito debilitado, faleceu no Barreiro outro nosso querido companheiro, Francisco Lobo. Francisco Leonel Rodrigues Lobo perfez, no passado dia 17, 90 anos naquela terra onde nasceu, e onde logo aos 14 anos começou a trabalhar numa empresa metalúrgica. Em meados dessa década foi admitido na CUF, e posteriormente fixou residência em Setúbal, ingressando na empresa de indústria automóvel, a IMA.

   Nas Notas Biográficas do seu livro “Histórias de Setúbal – 1974 a 1985” editado em 2008 pela Delegação de Setúbal da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), da qual foi membro da Direcção e Director do seu Boletim, recorda-se a sua prisão pela PIDE em Janeiro de 1962 na sequência da sua ligação ao assalto do Forte de Beja, tendo por isso estado nas prisões 33 meses.

   «Nas eleições de 1969 e 1973 participou activamente em acções de sensibilização dos cidadãos para os actos eleitorais promovendo o recenseamento, participando em reuniões, distribuído propaganda eleitoral, fiscalizando as urnas, tendo mesmo presidido, em 1973, a um comício distrital realizado no antigo Casino Setubalense».

   Aderiu ao Partido Comunista Português em 1974, integrou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Setúbal em Maio, e entre 1979 e 1985 foi Presidente da mesma.

   Em 2003 a Câmara da sua terra natal atribui-lhe o galardão “Barreiro Reconhecido”, e no ano seguinte a de Setúbal a Medalha de Honra “Paz e Liberdade”.

    A páginas 193 da nossa 1ª edição de 2014 “Vasco, nome de Abril”, ele descreve uma das deslocações a Setúbal do General Vasco Gonçalves, e da sua estranheza do mesmo perante o Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalização que durante cerca de 3 mil horas de trabalho noturno voluntário os operários da Setenave construíram nos estaleiros navais para, a 1 de Outubro de 1985, em plena Praça de Portugal e comemorativa do 15º aniversário da CGTP-IN, o oferecerem à cidade: «A escultura é construída por um cubo que significa estabilidade e as lâminas apontadas ao céu a força, a chama, a vida. Depois de lhe ter dado estas informações, Vasco agarrou-me nas mãos e disse: “Agora compreendo perfeitamente… que coisa maravilhosa!”».

   Membro da Comissão de Honra do Centenário de Vasco Gonçalves, podemos escrever: Francisco Lobo, Nome de Abril!

O APOIO SOCIAL ÁS FORÇAS ARMADAS - UMA OBRA PRIMA DE MALÍCIA

 

O APOIO SOCIAL ÁS FORÇAS ARMADAS - UMA OBRA PRIMA DE MALÍCIA
 
 
 Manuel Begonha
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
 
Primeiro, fecharam os Hospitais da Marinha e do Exército.
Depois, transfere-se a assistência aos militares e respectivas famílias para o Hospital da Força Aérea.
Seguidamente, negam-se condições de trabalho e remuneratórias dignas ao pessoal aí prestando serviço que desgastado, sai para os hospitais privados.
No orçamento de Estado para 2022, acenam-se com 700 milhões de euros para o SNS que não passa de uma falácia porque esta quantia apenas pagará amortizações e dívidas, pouco restando para contratar mais médicos e restante pessoal de saúde, bem como para comprar e manter novos equipamentos.
No passo seguinte, empurram-se os militares para os Hospitais Privados.
Finalmente, numa obra prima de malícia, o dinheiro que os militares descontam obrigatoriamente para a ADM, 3.5% do correspondente vencimento, é desviado para outros fins que não o pagamento das dívidas aos hospitais privados.
Estes, ou os respectivos médicos, retaliam cortando progressivamente o crédito aos militares.
E assim despudoradamente, acaba-se com o apoio à saúde destes que passarão a pagar as despesas hospitalares do seu bolso.
Deste modo e em especial aos combatentes da guerra colonial ainda sobreviventes, parece que se pretende que o seu crepúsculo perca luz e passem a temer a noite.
Tristemente, vão envelhecendo, tentando afastar o tempo agreste da pobreza.

A Ignorância dos perigos que desconhecemos e que corremos

 A Ignorância dos perigos que desconhecemos e que corremos

 

Marques Pinto
Vogal da Direcção


Penso que muitos de nós vivendo neste pequeno cantinho da Europa, vamos ignorando muitos dos riscos que a nossa espécie corre, de um modo muito mais perigoso do que a grande maioria pensa.
Claro que de um modo geral e porque se têm acumulado nos últimos anos um enorme arsenal atómico na Europa Ocidental - fruto sobretudo das tensões criadas pelos que habitam na outra margem do Oceano Atlantico - que segundo os especialistas em conflitos atómicos bastaria a deflagração de 3 a 5% desse armamento para que grande parte do território mais populoso da Europa Central ficasse um deserto de seres vivos.
Contudo o que me levou a colocar esta chamada de atenção foi um facto muito pouco divulgado ou mesmo quase escondido pelos grandes meios de comunicação e que aconteceu há poucos dias no Mar da China.
O submarino nuclear USS “Connecticut” SSN ( da classe Seawolf ) bateu em imersão num objecto ou relevo desconhecido e terá vindo á superfície perto das Ilhas Paracel - 150 milhas duma base de submarinos Chinesa na provincia de Hainan.
Claro que alem do risco de poluição atómica, com todas as possíveis consequências para a fauna marinha e o próprio ambiente foram denunciadas não só pela China como pelas Filipinas.
Nada se sabe ou pelo menos nada tem transparecido nos meios de comunicação e o que levanta mais suspeitas sobre a gravidade do incidente é que a própria Marinha Americana proibiu a divulgação e toda a guarnição durante uma semana ficou totalmente incomunicável.
Apesar da ocorrência em aguas territoriais de outro país a Marinha Americana não autorizou qualquer investigação ou inspecção.
Evidentemente que só através dos Governos das Filipinas e da China se conseguiu detectar e publicitar tal incidente pois até agora a “ignorância” dos grandes meios de comunicação se tem mantido fiel ao encobrimento de tal incidente.
Penso que este incidente independentemente da causa e dos efeitos mais ou menos graves que tenha provocado ou venha ainda a provocar, demonstra e deve-nos fazer pensar seriamente no que poderia acontecer com uma ocorrência semelhante aquando duma das eventuais “visitas amigas” de tal tipo de navios nucleares aos nossos portos ou mesmo em secretas patrulhas submarinas tão frequentes junto ás nossas costas dado que são rotas de inúmera navegação civil e sobretudo militar de tantos países.

(*) O artigo completo, em inglês, encontra-se neste link

https://www.informationclearinghouse.info/56840.htm