Intervenção de Baptista Alves na AG do CPPC em 20221117


Intervenção na Assembleia Geral do CPPC
07
de Novembro de 2022

Baptista Alves
Presidente da Assembleia Geral do CPPC
Presidente da Direcção da ACR

 

A situação internacional de hoje é a pior situação já vivida no pós II Guerra Mundial.

Ao imenso rol de ingerências e intervenções militares directas em países não submissos aos interesses das potências dominantes, ao longo destes últimos 77anos, junta-se agora a grande ameaça de confrontação directa entre as maiores potências militares do planeta. Pior cenário não pode a imaginação humana conceber.

Com o fim da Guerra Fria e o desmantelamento do Pacto de Varsóvia, os EUA e seus aliados, ao invés de iniciarem o desmantelamento da NATO como seria plausível, lançaram-se numa desenfreada ocupação militar no Leste Europeu, reforçando e alargando a aliança com o evidente propósito de sitiar a Federação Russa.

E fizeram-no usando toda a panóplia de estratagemas e artimanhas adquirida no seu passado, recheado de ingerências externas noutros países e à revelia dos acordos a que estavam vinculados.

Aliás é oportuno dizer que, no passado recente, pós 11 de Setembro de 2001, a intervenção militar dos EUA em países soberanos, passou a ser decidida com base em legislação especial própria, à margem do direito internacional e mesmo dispensando a aprovação do próprio Congresso.

Tudo justificado no âmbito da “cruzada contra o terrorismo internacional”, com a anuência e mesmo parceria de outros países da NATO e com o silenciamento descarado por parte dos grandes meios de comunicação social, amestrados e rendidos aos interesses dominantes.

A história há-de fazer-se com verdade, escalpelizando acontecimento a acontecimento e tirando ilações outras que não as que nos querem a todos meter pelos olhos dentro.

Nada acontece por acaso, tudo se insere nas estratégias de domínio que têm norteado as lideranças no chamado Mundo ocidental, acorrentadas aos interesses dos grandes grupos económico-financeiros, apátridas e viciados na rapina das riquezas naturais do planeta, suportados num poderio militar nunca antes visto, espalhado por todo o Globo … e já não só (a militarização do espaço já não é só ficção).

E chegamos ao ponto em que estamos hoje, mais uma guerra na Europa. Desta feita, uma guerra pensada e trabalhada há catorze anos a esta parte, com inconfessáveis objectivos estratégicos e políticos:

1.  Enfraquecer a Federação Russa como primeiro passo para apontar a Pequim e esmagar o “milagre económico chinês”;

2.  Reforçar a dependência económica e militar da União Europeia em relação aos EUA, acabando de vez com qualquer pretensão a uma voz autónoma no concerto das grandes nações;

3.  Recuperar a supremacia militar mundial, abalada pela concorrência das potências emergentes dispostas a libertarem-se do abraço de ferro a que têm estado submetidas;

4.  Manter e reforçar o domínio do comércio internacional, do sistema financeiro baseado no dólar e de todas as “ferramentas” tecnológicas que utiliza para continuar a sugar as riquezas dos outros povos e evitar assim o previsível colapso da sua própria economia.

Destes quatro objectivos, numa análise simplista, diria que o segundo está já plenamente atingido: A União Europeia dobrou-se aos ditames do outro lado do Atlântico, deixando-se engajar nesta tenebrosa aventura belicista de consequências inimagináveis. Quanto aos outros três, só o futuro o dirá… se sobrar futuro!

A imensa capacidade de destruição dos armamentos actuais, a existência de arsenais nucleares, de armas químicas e biológicas, capazes de por em causa a sobrevivência da humanidade, associada ao facto de o conflito se centrar entre as duas maiores potências militares do planeta, não deixa qualquer outra saída para esta situação, que não seja: Parar isto, já!

Só mesmo mentes doentes podem acreditar numa qualquer solução militar para esta trapalhada e a escalada da guerra em curso, sub-reptícia, com o envolvimento indisfarçável de forças armadas de países inseridos na NATO, faz prever o pior, … e o pior nós sabemos bem o que é, por pura aritmética:

-     Basta lembrarmo-nos de que, no século XX, na II Guerra Mundial, o saldo foi de aproximadamente 50 Milhões de mortos para já não falar na destruição de cidades e países inteiros;

-     A capacidade de destruição do armamento existente hoje nos arsenais das grandes potências militares é incomensuravelmente superior ao existente na altura…

100 vezes? 200 vezes? Provadamente muito mais.

Mas então o que fazer?

-     Lutar! Lutar como sempre temos feito no CPPC, solidariamente com todos os movimentos defensores da paz no nosso país, em uníssono com os movimentos integrados no Conselho Mundial da Paz, em particular com os movimentos europeus que coordenamos, pelo fim imediato das hostilidades;

-     Apelar pela negociação duma Paz duradoura, construída no respeito dos direitos de todos os povos do Mundo, no âmbito de uma Conferência Internacional alargada e pugnar pelo “desarmamento geral, simultâneo e controlado” e “a dissolução dos blocos político-militares”, nos termos do Artigo 7º da CRP de 1976.

(Deixem-me aqui abrir um parêntesis para dizer, que a Constituição de Abril está agora sob a ameaça de mais uma revisão constitucional, o que provavelmente não será também por acaso).

Impõe-se-nos ainda:

-     Denunciar a tremenda injustiça deste Mundo tão desigual em que vivemos hoje, que permite a concentração da riqueza mundial nas mãos de poderosos grupos económico-financeiros transnacionais que ditam e decidem das nossas vidas - á margem dos poderes políticos instituídos ou com a sua vassala conivência - e agora se arvoram no direito de jogar na “roleta russa” a sobrevivência de toda a humanidade.

-     E, em defesa da vida na Terra - desta maravilhosa realidade que, até prova em contrário, é única em todo o Universo - apelarmos à mobilização geral, de todas as pessoas de bem, para a luta pela Paz e pela Vida.

Paz sim! Guerra não!

 

 

 

 

 

 

 

 

O ALVORECER DE UM NOVO MUNDO

O ALVORECER DE UM NOVO MUNDO

 

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral da ACR

 

Nos passados dias 15 e 16 de Novembro do corrente ano, decorreu em Bali, na Indonésia a 17 reunião da cúpula do G20.

Putin não esteve presente, tendo sido substituído por Sergei Lavrov, nem pela 1 vez Bolsonaro, ainda combalido pelas eleições no Brasil.

 O G20 é uma organização que integra as maiores economias mundiais.

Ficou clara nesta reunião, o despertar de uma divisão entre o Norte e o Sul Global, que culminou na ausência de consenso, na condenação expressa da Rússia na invasão da Ucrânia, na respectiva declaração final.

Esta fractura foi notória entre os países constituintes do G7, os EUA, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Dos restantes, a China emerge como um dos novos países em ascensão, dispostos a contrariar a hegemonia dos EUA.

Foi intensa a actividade da diplomacia chinesa nesta ocasião.

A 14 de Novembro, o seu dirigente Xi Jinping esteve reunido com Joe Biden, onde foram discutidos temas como a situação climática, a guerra na Ucrânia e especialmente vincadas as linhas vermelhas que foram traçadas, no que respeita a qualquer ingerência externa em Taiwan.

Foi ainda acordado manter abertas as linhas de comunicação.

Xi Jinping manteve ainda conversações com Trudeau, Macron, Alberto Fernandez, Presidente da Argentina, António Guterres e especialmente com o líder alemão Scholz que se fez acompanhar por uma importante comitiva de 12 empresários. Foi aprovado com a gigante BASF, um enorme investimento numa fábrica de plásticos em Guangdong.

Rishi Sunak, primeiro ministro do Reino Unido, viu a sua reunião cancelada devido a declarações desastrosas acerca de Taiwan, contrariando as declarações de Joe Biden.

Novos factores estão na origem de uma mudança da ordem mundial que estão a dar uma nova centralidade ao Sudeste Asiático.

 


 

➮ 1. BLOCOS COMERCIAIS REGIONAIS E INTERNACIONAIS

- ASEAN Associação de Nações do Sudoeste Asiático (Organização que inclui dez países):

Tailândia, Filipinas, Malásia, Singapura, Indonésia, Brunei, Vietname, Myanmar, Laos e Camboja,

sendo a principal parceira da: 

- OCX Organização de Cooperação de Xangai

Integra a China, Rússia, Índia, Paquistão e Irão e mais três países da Ásia Central.

Tem como parceiros de diálogo a Turquia, Arábia Saudita, Egipto e Qatar.

Representa mais de 70% do território euro-asiático, quase metade da população e cerca de 30% do PIB mundial.

- UEE União Económica Euro-Asiática

A ser construída pelo russo Sergei Glasiev e que compreenderia a Rússia, Bielorrússia, Casaquistão, Quirguistão e Tajiquistão.

Para além de Cuba, Moldávia e Uzbequistão como observadores, pretende ainda englobar vários Estados que fizeram parte da URSS.

Juntamente com a China, seriam países, onde seria testada uma nova moeda e constituiria um impressionante conjunto de países produtores de petróleo.

- NOVA ROTA DA SEDA

Em afirmação, como uma estratégia de desenvolvimento do governo chinês, integrando as vertentes económica e tecnológica mas não a militar.

Desenvolve infraestruturas e investimentos em países da Europa, Ásia e África, incluindo rotas marítimas e terrestres, numa perspectiva de cooperação e de ligação da China ao resto do mundo.

Acima descreveram-se as Organizações Regionais nas quais a China tem um papel determinante.

- APEC Organização Económica Asia - Pacífico

Inclui 21 países, localizados no círculo do Pacífico tão variados como a China, EUA, Rússia, Austrália, Canadá, Indonésia, Japão, Nova-Zelândia, Tailândia, México e Chile.

Na América Latina existem:

- CELAC Comunidade de Estados Latino-Americanos

Bloco intergovernamental composto por 33 países que promove também acordos com a China.

- MERCOSUL Mercado Comum do Sul

É basicamente uma tentativa de união aduaneira com Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela ( suspensa), tendo como associados a Bolívia, Chile, Colômbia, Peru, Guiana e Suriname.

Daqui se depreende, a enorme importância que a eleição de Lula teve para o reforço da unidade da América Latina e o ressurgimento da CELAC.

2. EXPANSÃO DOS BRICS NOS PRÓXIMOS 4 ANOS

·      A parceria estratégica BRICS PLUS, encontra-se com uma dinâmica multiplicadora que pretende ter na correspondente 4 fase mais 30 países até 2027.

·      Assim, já efectuaram o pedido oficial de adesão a Argentina, Irão, Argélia, Indonésia e Tailândia.

·      Mostraram-se já oficialmente interessados a Turquia, Arábia Saudita, Afeganistão, Egipto, Nicarágua, Nigéria, Casaquistão e Emiratos Árabes Unidos

·      A confirmar-se este projecto os BRICS PLUS, ficarão a controlar a maioria da produção de gás no planeta.

3. NOVAS APROXIMAÇÕES ENTRE ALGUNS PAÍSES E ORGANIZAÇÕES

·      Têm ocorrido aproximações entre países, algumas muito surpreendentes

·      Verificaram-se novos acordos entre a Arábia Saudita, a Índia e o Irão com a Rússia.

·      A Argentina e o Chile já manifestaram interesse na Nova Rota da Seda.

·      A China está a aproximar-se da CELAC.

·      É preciso ter especial atenção à aproximação à China de países chave do Sudeste Asiático, como a Turquia, Irão, Paquistão e notavelmente a Indonésia, grande produtor de petróleo e minérios.

4. CRIAÇÃO DE UM NOVO SISTEMA FINANCEIRO

A desconfiança causada pelos EUA ao confiscar os dólares da Venezuela, Afeganistão e Rússia, bem como a condução da Rússia e China para a concretização de um mundo multipolar, implicará a criação de um novo sistema financeiro a ser utilizado por muitos dos países que estão incluídos nas organizações atrás apresentadas.

Tal começará, com experiências regionais com a nova moeda e irá recorrer ao recurso ao ouro e a matérias primas (commodities).

5. ESTRATÉGIA DOS EUA

-     Os EUA continuam a investir em movimentos pro- ocidentais na Rússia, para conseguir obter a queda de Putin e suas políticas.

-     A emenda de Jim Inhofe e Jack Reed na lei de Alocação de Recursos para a Defesa Nacional FY2O23 (NDAA), a ser aprovada implicaria um enorme aumento no orçamento de Defesa, muito para além do previsível apoio à Ucrânia, especialmente na qualidade e sofisticação do armamento, destinado a preparar uma guerra convencional em terra contra a Rússia.

-     Por outro lado, o Congresso discute a proposta de colocar Taiwan como parceiro especial da NATO e trata-lo como uma Nação, o que vai contra as linhas vermelhas definidas por Xi Jinping nas recentes conversações com Biden.

-     Aumentar as sanções contra a China especificamente no que se refere a chips de alta tecnologia.

- Finalmente reforçar o QUAD-DIÁLOGO DE SEGURANÇA QUADRILATERAL - constituído pelos EUA, Índia, Japão e Austrália, organização militar destinada à contenção da China na região do Indo- Pacífico.

-     Desta união militar, decorre a AUKUS, mais sofisticada e confiável, apenas com os EUA, Austrália e Reino Unido.

Ver:

·      Pepe Escobar: G20 em baixa BRICS em alta - Brasil 247 em 17 Nov 22

·      Meden Benjamin é Nicholas J. S. Davies – Countercurrents

·      Notas e apontamentos dispersos de Michael Hudson, Douglas McGregor, Larry Johnson, Scott Rider e Thomas Palley

NOTA FINAL

A notável ascensão da China a caminho para um mundo novo, que acabamos de observar, pelos caprichos próprios da memória, fez-me recordar vivamente, a arrebatadora interpretação da grande actriz Fernanda Alves, do Grupo de Teatro da Cornucópia, na peça "A grande imprecação diante dos Muros da Cidade" de Tankred Dorst e encenada por Mário Barradas.

Ocorreu numa Campanha de Dinamização Cultural no distrito de Castelo Branco em Janeiro de 1975.

É uma fábula passada na antiga China sobre uma camponesa que vai até às muralhas da cidade implorar ao Imperador pelo marido, um soldado que está ao seu serviço.

Pode ser a metáfora, de uma sociedade que está num beco sem saída, tem as portas fechadas e os muros têm de ser transpostos.

 

 
Em 6 de Novembro de 2022 no Teatro Sá de  Miranda em Viana do Castelo
realizou-se um espectáculo "Recordar Adriano"
fotografias podem ser vistas clicando AQUI

 

UM PAÍS COM DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

 

UM PAÍS COM DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

Vários militares que se distinguiram de variadas formas na concretização da Revolução de 25 de Abril de 1974, quando da sua morte e respectivo funeral, foram ignorados pelos poderes políticos.
No entanto, foram combatentes pela libertação do país, revolucionários que lutaram contra o estado fascista, ou tiveram um papel determinante nesse dia luminoso, ou continuaram a sua actividade transformadora para além dessa data.
E nada lhes foi concedido. O que conseguiram teve que ser imaginado e conquistado.
Como foram muitos, a quem não conseguiram deturpar o pensamento, fazendo-os tolerar o autoritarismo, e para não cometer nenhuma injustiça irreparável por omissão, limitar-me-ei a destacar adiante aqueles que conheci bem e de quem fui amigo.
E contudo, a estes nenhuns erros foram perdoados.
Por outro lado, outros que estiveram com a ditadura salazarista em funções governativas, e ainda que após o 25 de Abril, tivessem feito obras meritórias, quando do seu funeral tiveram honras de Estado.
Rapidamente o seu passado foi esquecido e nada pesou na avaliação do respectivo percurso de vida.
Valeram por aquilo que quiseram apreciar neles.
Parece então que lutar pela liberdade, penaliza e desvirtua os que nesta tarefa se envolveram, também porque não quiseram ficar presos ao acaso. Escolheram um caminho para o futuro.
Para estes, não houve no seu funeral a presença do Presidente da República ou do primeiro-ministro, nem votos de pesar no parlamento, passagens pelo Mosteiro dos Jerónimos, ou decretados dias de luto.
São figuras de todos conhecidas.
É preciso então nomeá-los, como quem nomeia o tempo, para que apesar de tudo não se afastem da nossa memória.
Vasco Gonçalves e Rosa Coutinho, Dinis de Almeida e Costa Martins, Varela Gomes e Ramiro Correia, Costa Santos e Eurico Corvacho.
Lembro aos mais jovens que procurem conhecer melhor quem foram estes militares que cumprindo ao longo da sua vida os seus ideais sem tergiversações, garantiram que vivam hoje num Portugal mais moderno, livre e democrático, com uma Constituição da República avançada , embora ainda com uma gritante desigualdade social.
Aos mais velhos, apelo a que não se esqueçam da obrigação de reparar as injustiças, a que estes homens foram sujeitos.
Mas, o seu passado não está morto. Nada está quieto. Não há ninguém que consiga calcar aquela terra.
Dizia Marguerite Yourcenar "que a vida para cada homem é uma derrota assumida".
Para estes não foi.
No fim, para tais patriotas haverá sempre uma luz do outro lado do silenciamento.

 

Recordando Ramiro Correia

 

RECORDANDO RAMIRO CORREIA

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 
 
Ramiro Pedroso Correia, nasceu em 15 de Outubro de 1937, no bairro de Alfama, em Lisboa.
Faria nesta data 85 anos.
Era um desportista de eleição, tendo-se distinguido especialmente no badminton, em que foi campeão nacional.
Começou cedo a despertar para os problemas políticos e sociais, tendo na sequência da crise académica de 61/62, ficado ligado à criação da secção editorial da Comissão Pro-Associação de estudantes de medicina em Coimbra , em cuja universidade concluiu o Curso Geral de Medicina.
Posteriormente , optou pela especialidade de cardiologia e investigador na área de vecto-cardiografia no Hospital de Santa Maria em Lisboa.
A sua carreira naval, embarcado, terminou em 1970 numa comissão em Moçambique na fragata "Álvares Cabral", onde desenvolveu uma intensa actividade cultural e desportiva com a respectiva guarnição, nomeadamente no jornal de bordo "O Chocalho". Foi numa altura em que estando na corveta "João Coutinho", aprofundei o meu contacto com ele que se intensificou, a partir de 1972 no Grupo n 1 de Escolas da Armada em Vila França de Xira.
Em 16 de Março de 1974, Ramiro Correia liderou comigo um grupo de oficiais que prendeu o respectivo Comandante, a fim de evitar que ele enviasse forças para impedir o avanço da coluna militar, proveniente das Caldas da Rainha em direcção a Lisboa.
Ramiro era também poeta e em Janeiro de 1973, edita o seu primeiro e único livro de poesia, intitulado "Na Clivagem do Tempo".
No entanto, escreveu muitos outros poemas dispersos por várias publicações.
Lembro do seu livro o seguinte :
"Um dia dei por mim a chorar
e meu avô que é marinheiro
e morreu agarrando o Sol com as duas mãos
atravessou o riacho
e com o seu sorriso de búzio e maio
atirou-me um cacho de uvas
foi assim "
Em 25 de Outubro de 1974 é apresentada publicamente numa conferência de imprensa no Palácio Foz, a Comissão Dinamizadora Central (CODICE), para a qual me convidou, integrada na 5ª Divisão do EMGFA que em conjunto com a Direcção Geral de Cultura Popular e Espectáculos, irá levar a cabo o Programa de Dinamização Cultural, coordenado por Ramiro Correia.
Em 17 de Março de 1975 passa a fazer parte do Conselho da Revolução, escolhido pelos seus camaradas da Armada.
Em 24 de Junho de 1975, primeiro tenente médico naval, graduado em Capitão-de-Mar-e-Guerra, assume o cargo de chefe da 5ª Divisão do EMGFA.
A partir desta data, substitui-o como coordenador da CODICE.
Na sequência do golpe de 25 de Novembro, desiludido, Ramiro oferece-se como médico cooperante em Moçambique.
A 1 de Maio de 1976, partirá com a família, onde com a sua mulher Isabel Lacximy, igualmente médica foi colocado no Hospital Central do Maputo.
Por indicação do Presidente Samora Machel, passa a ocupar funções no Conselho Coordenador deste Hospital.
Apesar de fervilhar em projectos, numa tarde trágica no Bilene, cessam estas ideias e planos , quando juntamente com a mulher e o filho mais novo morrem, ao virar-se a embarcação na qual velejavam, devido a uma onda mais forte.
Lacximy morre por congestão e Ramiro com o filho às costas, ao tentar trazer para terra o corpo dela, não resiste e afoga-se. O filho mais velho mandado nadar para terra salvou-se.
E assim desaparece jovem um homem de quem tanto se poderia esperar da sua inteligência, criatividade, amor à liberdade e indomável espírito revolucionário.
 
O seu funeral, ocorrido a 13 de Outubro de 1977,
constituiu uma impressionante manifestação de pesar. Por decisão popular e de alguns camaradas mais íntimos, dezenas de milhares de pessoas empunhando cravos vermelhos, fizeram a pé o percurso desde a Capela de S. Roque no Ministério da Marinha ao cemitério do Alto de S. João.
Terminei o elogio fúnebre que então lhe fiz afirmando :
"... Tolerante, era ao mesmo tempo, implacável para quem responsavelmente, tentasse perpetuar o estado de aviltamento do povo português. Era aliás, um homem simples e cativante, de uma estatura intelectual e humana invulgares.
Ramiro Correia, morreu, mas o seu espírito, e a sua obra, continuarão a iluminar as noites do nosso desencanto. "
 
Nutria uma grande admiração pelo General Vasco Gonçalves. 
Acerca dele escreveu :
" Vasco Gonçalves, defesa lúcida dos trabalhadores, o democrata que não pactua com manobras palacianas, que não aceita pressões externas humilhantes, que sabia bem como a divisão dos militares progressistas enfraquecia a Revolução."
 
O pensamento e obra de Ramiro que tinha uma excepcional formação cultural e política, ficaram bem marcados em todos os campos em que interveio.
No militar, a sua acção nas campanhas de dinamização cultural e ação cívica. 
Na escrita, deixou numerosos textos sobre as mais diversas matérias.
Lembro as suas reflexões, acerca da arte, tema que muito o interessava, num discurso no Centro Nacional de Cultura em 1975.
"Sempre foi claramente afirmado pelos militares, que desde os primeiros momentos contactaram escritores, artistas plásticos, cineastas, críticos, actores, músicos, cineclubistas, todos, que não nos encontramos perante um golpe militar, mas de algo muito mais profundo e belo, de uma Revolução em marcha a caminho do socialismo.
A Arte não deve estar ao serviço da Revolução.
A Arte é, em si própria Revolução. "
E numa intervenção na RTP em 6 de Junho de 1974 :
"... o fascismo é irreconciliável com a Arte. A Arte é apelo permanente à inteligência e sensibilidade de um povo. O fascismo fomenta a degradação, conduz à morte. Portanto, há logo aqui uma oposição absoluta entre o fascismo e a Arte."
Encontrei-me com o Ramiro em muitos locais ao longo dos seus últimos anos de vida. No entanto, parece-me tê-lo sempre conhecido. Não precisávamos de trocar muitas palavras para nos entendermos quer nos momentos de euforia, quer nas horas de tensão, como nos tempos de desencanto, nos sentimos velhos, muito velhos (quase crianças).
Olhava a vida com um profundo sentido poético, mas na prática conseguia os rasgos geniais para as soluções mais concretas.
Dou comigo a pensar que após este encontro com o trajecto de Ramiro quase nada ficou dito. Não é fácil em poucas linhas apreender o universo dos que se debruçaram sobre um país, à beira da vontade de seguir, e atiraram para dentro dele uma proposta, uma réstia de sol, lutando até ao fim, dizendo sim à vida.

MFA E LUTA DE CLASSES - - Ramiro Correia, Pedro Soldado, João Marujo
RAMIRO CORREIA SOLDADO DE ABRIL - - Eduardo Miragaia, Joaquim Vieira, Manuel Vieira
5ªDIVISÃO MFA REVOLUÇÃO E CULTURA - - Manuel Begonha

 

O grande ventríloquo e o seu boneco na Europa

 

O grande ventríloquo e o seu boneco na Europa

 

 Marques Pinto

Vogal da Direcção

 

Para quem tenha prestado atenção ás declarações recentes da Liz  Truss, primeira ministra do Reino Unido e recentemente empossada  - curiosamente -no dia da morte da Rainha de Inglaterra, deverá ter notado que foi até agora a única figura politica de certo relevo a vir expressamente apelar a uma acção de ataque “preventivo” contra a Rússia com o “uso de armas nucleares, mesmo que tal acção levasse a uma guerra de efeitos arrasadores, desde que tal fizesse desaparecer definitivamente a ameaça Russa”.

 

Penso que qualquer habitante na nossa Europa - apelidada frequentemente pelos EUA de Velho Continente – que tenha o mínimo de compreensão e saúde mental terá ficado preocupado e apreensivo com esta declaração, a não ser,  tal como eu penso o “ Boris, despenteado mental” afinal deixou a herdeira certa no seu posto que teria sido obrigado a abandonar com um “hasta siempre” largado com o sorriso alvar que o caracterizava.

 

Recordemos aqui que o Boris tanto em Londres como na visita a Kiev teve sempre a preocupação de apelar e insistir que a Ucrânia não deve aceitar entrar em qualquer tipo de negociações de paz até que a Russia não seja destruída...mesmo que tal empobreça significativamente todo o Continente Europeu

 

Claro que tal recado dito e repetido e agora atentando nas afirmações da nova “despenteada mental” que herdou o cargo, uma única certeza nos fica: Os EUA tal como o ventríloquo, tem ou melhor continua a ter no seu velho aliado e subordinado, que habita a grande ilha europeia o boneco porta-voz dos seus desejos e vontades que por certo pudor perante o resto do mundo os EUA  por vezes não querem transmitir de viva voz.


Para onde caminha a Europa

 

PARA ONDE CAMINHA A UE

 Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral
 
 
O colapso da URSS a partir de 1989, ficou a dever-se a diversos factores, desde o desvio da prática socialista, à corrupção de alguns dirigentes, mas sobretudo ao desgaste das funções do Estado, ocorrido durante a guerra fria, devido ao aumento dos custos com a Defesa.
Sentiu a necessidade de acompanhar o aumento e modernização do arsenal militar dos EUA, tendo-se deixado arrastar para a guerra no Afeganistão.
Pareceu ignorar que enquanto num país capitalista como os EUA, a produção de armamento enriquece os respectivos fabricantes e indústrias associadas, num país de modelo socialista, as despesas crescentes e sucessivas do orçamento militar irão defraudar outras funções essenciais do Estado, como o apoio social, a saúde, a educação, a habitação e os rendimentos familiares.
É assim, de crise em crise, chegaram ao consulado de Gorbachov.
Presentemente, assistimos a uma tentativa da NATO para repetir a receita.
A Rússia, com a invasão da Ucrânia vê -se confrontada com o aumento da despesa militar, aplicação de sanções, mobilização de cada vez mais pessoal e as consequências sociais da diminuição do PIB.
As dificuldades criadas pelas sanções, parecem estar a ser compensadas pelas exportações de gás natural e outros produtos para os países da Grande Eurasia, outros para a África e para a América Latina, mas principalmente para os BRICS, a que se juntou o Irão.
Tal não evita algum descontentamento do povo russo com a guerra, especialmente os familiares dos combatentes e correspondentes vítimas.
Os EUA definem como objectivo estratégico, o enfraquecimento da Rússia uma vez que são um importante parceiro económico da UE, são a porta para a Eurasia, são um poderoso aliado da China - o verdadeiro alvo a abater - e tem um papel decisivo na construção de um novo mundo multipolar.
Nenhuma destas circunstâncias, diz respeito à UE, o que torna algo surpreendente o respectivo envolvimento tão profundo e militante na guerra da Ucrânia.
Se ainda é, pelo tão apregoado receio de uma expansão da Rússia para os países vizinhos, a actual guerra quebrou claramente esse mito, face à evidente incapacidade demonstrada em derrotar a NATO numa guerra convencional.
Serão ainda sequelas do passado comunista da Rússia, que hoje como é sabido é governada por uma política neoliberal?
Estaremos a ser manipulados por um irracional anti - comunismo?
Seja como for, a subordinação da UE aos ditames dos EUA, apenas lhe está a trazer um incalculável prejuízo.
E assim, vão prolongando esta guerra, assinando o fantasmagórico tratado de Kiev, permitindo a alegada utilização de militares da NATO, fardados de ucranianos e contribuindo para uma situação que poderá levar a Rússia a sentir-se encurralada e acabe por recorrer a uma saída nuclear da qual a UE seria a primeira vítima.
Espera-se que com o aproximar do Inverno, o aumento do custo de vida e os problemas sociais decorrentes das sanções, conduza os povos da Europa a manifestarem-se, tornando os respectivos governos menos beligerantes, criando assim condições para que se consiga alcançar a tão desejada paz.

 

"Me engana que eu gosto"

 

“Me engana que eu gosto”

 

Marques Pinto
Vogal da direcção

 

 

Há alguns dias em conversa num grupo de amigos ouvi uma conhecida frase normalmente atribuída e usada na nossa língua irmã, o “Português do Brasil”.

A frase “me engana que eu gosto” poderá ser usada em múltiplas e diversas ocasiões e circunstancias, contudo no caso presente e a que me refiro aplica-se á sistemática deturpação da verdade, encobrimento e até por vezes a negação de factos e acontecimentos que foram relatados na imprensa e até noticiários televisivos de outros países europeus pertencentes á mesma manada europeia liderada pela capataz designada e escolhida ---  não foi sequer eleita – pelo patrão residente no outro lado do Atlântico.

 

Refiro-me ao quase total alheamento dos nossos “media” em relação á crise e contestação frequente e com grande adesão de elevada percentagem da população rural da Holanda contra a politica que o seu governo a mando da dirigente nazi está a prejudicar toda a agricultura na Holanda, e que tem levado a acções e manifestações frequentes e de grande impacto local como cortes de estradas, e até o deposito de umas centenas de kilos de excrementos frente a residências de políticos seguidistas das acções contra os interesses da população rural.

 

Lembro também a quase total inexistência de imagens e noticias sobre as manifestações anti-crise económica e preços de produtos essenciais que levou muitas dezenas de milhares de Checos a manifestarem-se nas ruas.

Em toda a Europa uma população minimamente esclarecida já está a entender e a fazer entender aos seus representantes nos respectivos governos que é absolutamente necessário e urgente pôr fim a uma situação que encoberta e camuflada por uma guerra está a permitir com a total anuência e permissividade dos seus governantes que os EUA/Nato levem a cabo rapidamente a destruição económica da Europa e a tornem num pequeno grupo de países totalmente domados e subservientes a interesses financeiros e económicos sem capacidade industrial nem energética própria o que no seculo 21 equivale a tornar-se num grupo de países párias e obedientes e quase servos de patrões e interesses estranhos.

 

Penso que será altura de cada um fazer uma análise calma e fria sobre a situação que vivemos e o que realmente pretende deixar aos seus filhos e netos e mesmo que tenha um espirito servilista e acomodatício deve por imperativo de consciência pensar se os seus netos não o poderão julgar no futuro e que juízo farão.

Tópicos para debate na reunião da presidência do CPPC apresentados por Baptista Alves

 

 

 

Reunião da Presidência do CPPC

(13 de Setembro de 2022)

Tópicos para o debate

 

Baptista Alves

(Presidente da Mesa da Assembleia da Paz e Presidente da Direcção da ACR)

 

A situação internacional é hoje caracterizada por uma mudança acelerada na geoestratégia planetária consequente do ressurgimento de outros polos de poder disputando a hegemonia dos EUA nos campos económico e militar.

Com o desmantelamento da União Soviética e o fim da Guerra Fria, os EUA levando a reboque os países europeus engajados na OTAN, então já sem adversário, lançaram-se numa desenfreada corrida expansionista no Leste Europeu, no Médio Oriente e em África, derrubando governos insubmissos, através de ingerências de todo o tipo ou mesmo de intervenções militares sangrentas (Na Jugoslávia, na Sérvia, na Líbia, no Iraque, no Afeganistão e na Síria). Fizeram-no com a complacência da grande maioria dos Estados membros da ONU, com ou sem mandato desta, apenas ancorados na sua supremacia militar incontestada. E mantêm hoje, na lista dos Estados alvos selecionados, a Rússia, a China e o Irão, identificados como não democráticos, desrespeitadores dos direitos humanos, com líderes perigosos autocratas (Cuba e Venezuela, também lá estão) e todos são portanto alvos privilegiados de sanções económicas.

A guerra psicológica desencadeada através dos meios de comunicação social, dominados, na quase totalidade, pelos grandes grupos económicos do planeta que suportam esta estratégia do império global, não tem paralelo na história da humanidade.

O Mundo de hoje, do século XXI da nossa Era, com todos os poderosos meios de informação que um alucinante progresso nos faculta, ficou completamente, ou quase, às escuras: dormiu tranquilo debaixo do ribombar dos  ataques  que  os media amestrados silenciavam afanosamente: cavando  autênticas valas comuns dos direitos humanos.

Como tudo nesta vida não dura sempre, assim aconteceu … e na Síria tudo começou a mudar.

A Síria não estava só! A Federação Ruça e a Síria tinham um tratado de defesa mútua e accionaram-no. E, o que parecia ser, à partida, uma passeata para os bombardeiros, tornou-se num arriscado jogo de medição de forças.

O Irão pôde respirar um pouco, o Afeganistão destroçado, viu fugir os ocupantes e caiu outra vez nas mãos dos talibans… e por aí adiante.

E, chegamos à Europa novamente em guerra, agora na Ucrânia.

Uma guerra que não começou agora, já vinha acontecendo desde 2014. Nós, os ditos ocidentais, é que só agora a vimos. Acordámos tarde… e estremunhados deixámo-nos engajar na ratoeira que o império arquitectou para o ataque final e submissão da Federação Russa e,… por tabela, chegar e submeter a China.

E, o que parece ser mais interessante, é que todos sabem que isto não vai ser possível, … dum lado e do outro do tabuleiro. Todos, a meu ver, estão a jogar na 2ª hipótese: Uma 2ª Guerra Fria. A corrida aos armamentos satisfaz a gula dos complexos industriais-militares e não só (Ou será que os investimentos americanos, na compra de terras na Ucrânia -um terço da área arável) não têm importância? E todos os outros já consolidados nos territórios dos países do leste europeu garantindo o controlo sobre matérias-primas essenciais?

Então, e a China? A China não aparenta estar interessada em nada disto, muito pelo contrário, afigura-se-me que os interesses chineses não o aconselham, mas que estão a ser empurrados para isto, parece ser um facto.

Não creio que esta 2ª hipótese tenha “pernas para andar”. Mais cedo do que se pensa, os interesses divergentes dos diferentes protagonistas de todos estes eventos irão ser postos no tabuleiro, sem rodeios, e são eles que vão decidir o caminho. E, os aparentes consensos actuais vão inexoravelmente desfazer-se. E, a vítima será, muito provavelmente, a União Europeia. E, eu interrogo-me se premeditadamente, ou não?

Da terceira hipótese, ninguém no seu perfeito juízo quer admitir sequer que possa vir a acontecer, mas é disso que a nós, lutadores pela Paz se nos impõe, em primeiro lugar, falar e alertar todo o Mundo para que jamais se volte a falar disso: um conflito generalizado com utilização de armas de destruição massiva (nucleares, biológicas ou químicas e outras com efeitos de destruição semelhantes).

Deixando de parte a aberrante situação para que nos deixamos arrastar - nós os portugueses que até temos bem claramente inscrito na CRP a nossa determinação em preconizar o desarmamento geral e simultâneo e o desmantelamento dos blocos político-militares – podemos intuir que o resultado deste conflito, já com características de pré-III Grande Guerra, não passará disso mesmo e poderá terminar a curto prazo com uma Conferência de Paz - aberta a todos os Estados do Mundo - donde saia uma nova ordem Mundial, baseada no respeito pela soberania dos Estados, ou melhor, suportada nos princípios  estabelecidos no Artigo 7º da nossa CRP de Abril.

É evidente para todos nós, que sou um optimista. Mas acreditem que desde há muito, tento acompanhar a evolução desta magna questão da Paz, e também desde há muito que suspeito que haverá mais hipóteses de chegar a esse objectivo, num Mundo multipolar (Este mesmo Mundo que já temos e que a cegueira congénita de alguns não os deixa ver).

Seremos, ou não, capazes de construir um novo Mundo, com regras assumidas por todos, onde nenhum Estado possa pensar que pode subjugar outro sem consequências, onde os blocos militares sejam desnecessários, onde o desarmamento geral universal e controlado seja um facto, onde seja finalmente possível viver em Paz e construir um Mundo melhor, mais fraterno e mais feliz?

Um Mundo que respeite os direitos dos povos, os direitos do Homem, os diretos das crianças e toda a panóplia de conquistas civilizacionais já consagradas na Carta das Nações Unidas e onde toda a imensa capacidade científica e técnica criada ao longo de séculos e toda a que havemos ainda de criar, seja colocada exclusiva e definitivamente ao serviço da vida.

A GUERRA DAS NAÇÕES - Manuel Begonha

 

A GUERRA DAS SANÇÕES

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

O Primeiro Ministro, António Costa, referiu na sua mais recente entrevista que a crise que se avizinha, é resultado da guerra na Ucrânia.
Ninguém duvida de que a Rússia, por razões que não estão no âmbito deste texto aprofundar, invadiu a Ucrânia.
As respectivas trágicas sequelas estão bem à vista.
Mas é conveniente não esquecer que na prática, a dita crise teve origem nas sanções aplicadas à Rússia, cujas repercussões foram mal avaliadas pela UE no seu afã de obedecer às ordens do amigo norte-americano.
Mais uma vez, afinal os EUA são até agora, o único vendedor desta guerra e sem ter sacrificado qualquer militar, excepto mercenários e agentes encobertos.
Passou a ser um importante fornecedor de gás e petróleo à UE, enriqueceu a máquina militar industrial, com a produção de armamento e outros serviços, para além de ter feito ajoelhar a indústria europeia e em especial a Alemanha, logro este que a sra Merkel pressentiu, manifestando-se contra a estratégia de expansão da NATO e as provocações á Rússia.
Mas como as lições do passado são rapidamente esquecidas, resta-nos aguardar que piores consequências não venham a caminho, actuando-se em conformidade com as disposições para a paz da ONU e se removam os obstáculos, para que se chegue a um acordo negociado que é do interesse de todos.


 

Apresentação do livro "OMundo velho está a morrer. O novo ainda não nasceu" de Avelãs Nunes sábado dia 10 de Setembro na Feira do Livro em Lisboa

 

 É já no próximo sábado, dia 10 de Setembro, pelas 14:30, no Palco da Praça Azul da Feira do Livro em Lisboa que será apresentado o livro 

"O mundo velho está a morrer. O novo ainda não nasceu". 

Este é o tempo dos monstros – Apontamentos para tentar compreender a guerra na Ucrânia em conversa com o autor António Avelãs Nunes.