23 Abril - ACR promoveu jantar comemorativo do 43º aniversário do 25 de Abril

Foi na casa do Alentejo, com a participação de mais de 100 pessoas.


























Intervenção de Manuel Begonha, Presidente da ACR, no jantar comemorativo do 43º aniversário do 25 de Abril

As comemorações do 43º Aniversário do 25 de Abril, ocorrem num período de grandes preocupações a nível mundial, algumas das quais insólitas, mas no entanto muito preocupantes.
A nível interno, mantém-se um governo com um suporte parlamentar imprevisível para muitos, mas que se tem mostrado responsável. Não constitui para a EU um motivo de satisfação, gerando grandes desconfianças e até invejas, mas não deixa de constituir um desafio que explica os inadmissíveis ataques a que periodicamente nos sujeita.
Mas o problema fundamental com que estamos confrontados, é o do investimento público. É óbvio que este está fortemente condicionado pelos juros a pagar devido ao resgate que sofremos. Torna-se assim inevitável a renegociação destes juros, no que diz respeito ao correspondente valor e prazo de pagamento.
Outra questão mais complexa será a saída da zona euro. Contudo, tal passo deverá ser estudado com profundidade, devendo aguardar-se pela inadiável evolução de uma EU dividida e titubeante, minada por nacionalismos estreitos e sem uma visão internacionalista.
Por enquanto dá sinais de tentar reforçar a penalização e menorização dos países mais pobres, enquanto se acobarda com as consequências do Brexit.
Por outro lado, o BCE sem controlo democrático, dedica-se a harmonizar o poder financeiro, na óptica dos poderosos.
Por agora, importa ver concretizada a saída do País do procedimento por défice excessivo.
Ainda no que respeita a problemas internos que urge solucionar, destaca-se a situação preocupante da banca e o assombroso valor das respectivas imparidades, ligadas à criminosa protecção aos grandes devedores, sem esquecer os 10 mil milhões de euros, misteriosamente remetidos para paraísos fiscais.
Muitos factos anómalos permanecem numa conveniente obscuridade, uma vez que a comunicação social foi tomada pelas forças de direita – que com esta forma de poder, querem continuar a transmitir o legado da sua incapacidade – e lamentavelmente também pelo PS, logo a partir dos primeiros governos constitucionais. Conseguiram assim instaurar o medo e o conformismo que constrange hoje a maioria esmagadora dos jornalistas. Normalmente, os critérios editoriais entendem não ser do interesse público os assuntos que importam à esquerda, excepto quando a querem envolver na baixa política, exercendo deste modo uma forma objectiva de censura.
Importa voltar ainda à questão do investimento público que o estado deverá afectar a estruturas produtivas, para garantir um crescimento prolongado e a recuperação do emprego.
Mas existem outros tipos de investimento que de uma forma indirecta, poderão ter enormes repercussões na melhoria das condições de vida dos portugueses, devendo assim serem rapidamente resolvidos. Realçaria de entre muitos outros, os seguintes:
  • Mais pessoal e melhores equipamentos para os hospitais públicos; mais Centros de Saúde e melhor protecção à 3ª idade.
  • Recuperar o património escolar; promover a investigação e a inovação atribuindo mais bolsas de estudo.
  • Recuperação do património construído, nomeadamente de edifícios de interesse público em acentuado estado de degradação e apoio a actividades criativas no âmbito da cultura.
  • Criar condições para fazer regressar ao país jovens talentos emigrados e fixar os que ainda cá permanecem.
  • Erradicar a pobreza, construção de habitação social e distribuição de mais criteriosos subsídios.
  • Acautelar a situação dos actuais e futuros pensionistas da Segurança Social e CGA, revendo algumas leis que regem a Segurança Social, com reflexos na sustentação da CGA.
  • Reformar a justiça e a investigação criminal, atribuindo-lhes mais e melhores meios técnicos e humanos.
  • Eliminar a banalização da corrupção e a institucionalização da impunidade.
Julgo que estes serão contributos que também ajudam a defender as Conquistas da Revolução.
A nível internacional. O panorama não é muito animador.
A pressão dos refugiados e do terrorismo reforça o argumentário da extrema-direita e afecta a EU já destabilizada, aumentando o risco de o maior grupo parlamentar do Parlamento Europeu ser proveniente dessa extrema direita.
A instabilidade dos países mediterrânicos do Norte de África, a guerra da Ucrânia e o cerco às fronteiras russas do Báltico ao Mar Negro, tornou-se um pretexto para o reforço do expansionismo e agressividade da NATO.
Na zona da Ásia Pacífico, desenham-se novos alinhamentos como a  Rússia e o Japão, os EUA e a Índia a China e o Japão, com objectivos que vão desde a procura de matérias-primas, à aquisição de tecnologias de ponta, ou ao mero cerco económico e político-militar à China e à Coreia do Norte.
Um novo peão surge agora com intenções ambíguas, a Turquia, que apesar de desconfiança mútua, ensaia uma aproximação à Rússia num sério desfio à NATO.
 Considero no entanto que o factor de importância mundial mais significativo, é a figura de Donal Trump, que constitui ainda um intrigante caso de estudo.
 O actual Presidente dos EUA, é uma figura atípica que pretende ser notícia todos os dias, para alimentar o seu super-ego e credibilizar as suas promessas eleitorais de uma forma enviesada, sob a bandeira do “América primeiro”.
É assim que aparece a defender um muro na fronteira com o México, força a renegociação do Acordo de Comércio Livre Norte-Americano, nega as alterações climáticas, institui políticas intolerantes contra muçulmanos e imigrantes, provoca a desregulação financeira, recusa a não proliferação nuclear, fortalece os bilionários e a transformação da convivência bilateral em unilateral.
Elegeu para inimigos principais, primeiramente a China, tentando enfraquecer a respectiva economia, pondo em causa o acordo Trans - Pacífico, ainda que haja quem admita que na região Ásia - Pacífico, este facto poderá beneficiar a China. 
Recentemente, recuou e anunciou que vai manter a política de uma só China.
O Irão aparece a seguir, não sendo despiciendo admitir que para além de outras implicações estratégicas, seja para proteger Israel, pressionado pelo poderoso lobi judeu que pretende no seu confronto com a Palestina ver anulada a política dos dois estados, fazendo aprovar uma lei expansionista e racista à revelia da Lei Internacional para a Palestina que impedirá a criação de um Estado Palestino viável e soberano.
Muito recentemente já com António Guterres Presidente da ONU, dois comissários norte americanos desta instituição, após deslocação à Palestina, produziram um relatório onde denunciam o genocídio, o apartheid e crimes de guerra, cometidos pelo Estado de Israel contra a Palestina, que deu entrada na agenda da ONU, de onde foi retirada dois dias depois sem qualquer justificação. Este facto, provocou o pedido de demissão da Coordenadora da Comissão de Assuntos Sociais daquela organização, Rima Khalaf.
Internamente vem-se dedicando a instituir a arbitrariedade, a autocracia e a excepcionalidade.
Dir-se-á que ocorre uma convulsão no neoliberalismo que irá cair sobre Trump, escolhido para a resolver.
Mas o mais inesperado e potencial portador de um enorme risco, incerteza e imprevisibilidade, é a luta que se desencadeia entre as decisões de Trump e os objectivos das agências de informação e Segurança, nomeadamente a NSA e a Cia.
 Estas temem que Trump rejeite o programa de hegemonia mundial dos EUA que suporta o gigantesco orçamento anual do complexo militar industrial, devido à intenção de que a América deve regressar a casa e preocupar-se menos com países estrangeiros. É claro que foi aprovada uma enorme verba alegadamente para modernização das FA’s, o que mesmo assim é diferente do que se gastaria a consumir armamento e munições por tempo indeterminado nas constantes guerras pontuais, apanágio da política agressiva norte americana.
A anunciada decisão de Trump de reduzir as perigosas tensões com a Rússia no combate ao Estado Islâmico na Síria, entra em conflito com a orientação neo-conservadora seguida por Obama, de alimentar uma guerra por procuração, destinada a mudar o regime pelo derrube de Assad.
Ainda assim, Hillary Clinton fortemente apoiada pela CIA, preferia ir mais longe, impondo um zona de interdição de voo e o confronto com os russos.
A verdade é que estas agências, raramente são objecto de controlo democrático, sendo concebidas para disseminar a desinformação, o engano e a propaganda.
Resta-nos esperar que um homem rico e insensato tornado super–poderoso, que actua nas margens da lei, nestes jogos de dúbias cumplicidades não venha a ser considerado virtuoso.
Ou pior ainda que se deixe transformar este mito em ficção inteligente.
Mas acima de tudo o que importa assegurar é que as armas existentes nos EUA, sobretudo as nucleares, permaneçam em mãos responsáveis e sirvam para limitar a violência e garantir a paz e não para o seu contrário.
Mas apesar de ser este o mundo em que vivemos, estamos hoje aqui a comemorar um dia histórico para Portugal, porque acreditamos que ainda seremos capazes de lutar para o transformar.
No Portugal que queremos construir, não há lugar para a desigualdade que hoje nos atinge. Para a mentira. Para que se morra na defesa de interesses que não sejam os do nosso povo.
Queremos honrar a figura e obra de Vasco Gonçalves, assumindo a nossa solidariedade, fraternidade e responsabilidade para com o ideais e os sonhos que trazemos de Abril.
Continuaremos a lutar! 
Viva o 25 de Abril!
Viva Portugal!