Comemoração do 43º aniversário do 25 de Abril - na União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas

A 10 de Abril comemorou-se na Academia Almadense, o 43º aniversário do 25 de Abril.
A iniciativa foi promovida pela União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas.
Representou a ACR Manuel Custódio















intervenção de Manuel Custódio
Estimadas amigas e amigos, camaradas;

O nosso obrigado pelo convite que foi endereçado à Associação Conquistas da Revolução para estar aqui presente um militar de ABRIL.
Convite que muito nos honra.

A nossa Associação foi constituída e inspirada, nos valores e ideais desse grande Homem, que foi o general Vasco Gonçalves, o único 1º Ministro que governou para o seu povo e um dos objectivos da Associação é fazer emergir, na sociedade, os seus valores e ideais.

Camaradas e amigos;
Juntamo-nos hoje, na prestigiada Academia Almadense, para comemorar os 43 anos desse importante levantamento militar, dirigido pelos capitães, naquela radiosa madrugada de 25 de Abril, que derrubou o regime fascista de Salazar. Esta acção dos militares culminou longos e negros anos de lutas, do povo, de muitos democratas e patriotas portugueses, o que permitiu logo a seguir, aquele grandioso  1ºde Maio, dando inicio à Revolução Portuguesa que, por isso,  ficou conhecida por Revolução de Abril. Revolução que trouxe ao povo a alegria, a esperança e a paz. A revolução que escancarou os portões da liberdade e da democracia. Portões que muitos tentaram fechar com golpes, invenções e agressões mas não conseguiram, porque a mobilização das massas era real.

Foram anos vertiginosos esses anos de 74 e 75, para muitos de nós, os mais felizes da nossa vida, há uma lição fundamental para os dias de hoje e de sempre: foi a luta, foi a iniciativa, foi a intervenção das massas que produziram as conquistas. Elas, as conquistas, antes de estarem em lei ou na Constituição, já eram realidade concreta, vida concreta, nos campos, nas fábricas, nas vilas e freguesias rasgando ruas, casas, escolas. Como está bem documentado no livro Conquistas da Revolução, que a nossa Associação publicou

Foi isso que permitiu aquele acto fantástico de poucos meses após o 25 de Novembro que constituiu uma derrota da esquerda militar e desequilibrou a relação de forças, tivesse sido aprovada a Constituição da República, ela própria conquista de Abril. Uma Constituição que consagrou as conquistas fundamentais dos trabalhadores e das massas – as conquistas da Revolução, uma Constituição ao serviço dos explorados, dos mais pobres, da afirmação da soberania nacional, dos direitos dos trabalhadores e de um Portugal desenvolvido. Uma Constituição que começou a ser atacada nesse próprio dia e continuou até aos dias de hoje. Todos temos conhecimento das mais de uma dezena de inconstitucionalidades decididas pelo Tribunal Constitucional relativamente a medidas do Governo PSD/CDS

Constituição, que por proposta das Associações e Clubes militares, na comemoração do seu 40º aniversário, a Câmara Municipal de Almada editou em tipo de livro escolar e distribuiu a todos os alunos do 1º ao 11º ano de escolaridade do seu concelho.

Camaradas e amigos;
Olhamos o mundo e temos razão para estarmos preocupados. Vemos como a extrema-direita tem vindo a reforçar a sua influência por toda a Europa. Vemos como em resultado das intervenções na Libia, Iraque, Afeganistão se generalizou a guerra, arrastando com ela um êxodo em massa, acirrando ódios. Os mesmos que desencadearam a guerra são os mesmos que agora choram lágrimas de pena e dó pelos refugiados. Os mesmos que já restringem direitos e liberdades, como já faz a França e outros países,  são os mesmos que, por causa do terrorismo, financiam os países e vendem armas aos que abrigam os terroristas.

Olhamos para o outro lado do Atlântico e vemos como se desestabilizam países que optaram por querer seguir rumos diferentes daquilo que querem, os que acham que dominam o mundo. O último ataque à Líbia e as ameaças à Coreia do Norte, por parte dos Estados Unidos de Ronald Tramp, aumentam cada vez mais os perigos de guerra, a qual, a ser lançada com a capacidade de destruição que possuem os beligerantes, será uma catástrofe difícil de prever, pois como dizem os especialistas, nem os vencedores de te tal guerra sobrevirão.   

Estes são pois tempos de preocupação. Mas preocupação não pode ser sinónimo de expectativa, paralisia ou desistência. De ficar à espera para ver. De pensar que outros resolverão por nós aquilo que a nós diz respeito.

Amigos e camaradas;
A grande virtude da solução governativa construída após as eleições de 4 de Outubro, de 2015, foi ter afastado o PSD e o CDS do Governo e com isso a interrupção do seu projecto demolidor. Ter-se conseguido isso já foi muito.

Mas se não podemos permitir que se perca a esperança criada com a janela que se abriu com essa solução, também é preciso não ter ilusões, que com o actual o actual Governo os problemas fundamentais que afectam a nossa vida, vão ter resolução. Todos temos consciência das soluções, visões e propostas que separam as forças políticas que suportaram a formação do governo do PS. Conhecemos 39 anos de políticas do PS, sabemos das suas opções. Mas, sabemos também que querer cumprir as regras da União Europeia e satisfazer direitos básicos dos portugueses é o mesmo que querer sol e sombra ao mesmo tempo.

Logo, das duas, uma: ou ganha corpo pela exigência popular, a satisfação dos interesses dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, do direito à saúde, etc; Ou retoma a satisfação dos interesses do Banco Central Europeu, com a obecessão pelo tecto do déficit, e a destruição das nossas vidas. E como há ainda quem não tenha compreendido bem esta situação, compete-nos esclarecer, mobilizar e agir, para combater os planos Bês e se exijam os planos À.

Camaradas e amigos;
Hoje, estamos de novo a precisar de nos dinamizarmos por novas causas e razões.
O momento que vivemos não é de espera, nem de expectativa, mas sim de luta e de acção. Precisamos de novo da intervenção e da luta pelo aumento das pensões e reformas; de salários; de acesso à saúde; de direitos dos trabalhadores e combate à precariedade. Precisamos dessa intervenção na luta pelo direito do nosso povo decidir do seu destino sem ingerências e pressões do FMI, do BCE e outras estruturas. O nosso desenvolvimento só será possível se nos libertarmos dessas pressões e dessas ingerências.

Não quero terminar esta minha intervenção sem manifestar a mais profunda solidariedade da Associação Conquistas da Revolução à União de Juntas de Freguesias de Almada como a todos os seus trabalhadores e às suas lutas por uma vida com qualidade e dignidade.

Quero ainda manifestar a esperança e a certeza, de que as gerações mais jovens saberão dar continuidade à luta pelos valores e ideais desse grande militar, o General Vasco Gonçalves. 

E antes de terminar mesmo, quero informar, que no dia 20 de Abril a Associação Conquistas da Revolução, realiza, na Casa do Alentejo, um Jantar  comemorativo do 25 de Abril.

Viva a Associação Conquistas da Revolução
Viva a Constituição da República
Viva a Revolução de Abril

Almada, 10 de Abril de 2017