POR UM NOVO 1 DE MAIO | Manuel Begonha - Sócio da ACR

 POR UM NOVO 1 DE MAIO 
Manuel Begonha - Sócio da ACR

 

Não seria previsível que 52 anos após o 25 de Abril, estivéssemos hoje após as  comemorações desta data que foi de grande exaltação e alegria, sombreados por alguma frustração e tristeza. 
Nesta tempestade em que vivemos por falta de informação nas Escolas e na Comunicação Social, a juventude é impedida de conhecer o verdadeiro alcance da Revolução, por não ter sofrido as sequelas de uma ditadura em que todos eramos prisioneiros políticos. A muitos recordará os dias límpidos e de grande esperança, a que nunca deixaremos de associar a figura do General Vasco Gonçalves, que tanto contrastou com a pesada asa negra que durante quarenta e oito anos ocultou a luz a Portugal.
Estamos a viver o tempo da vingança dos que nunca se identificaram com o espírito renovador de Abril. 
É verdade que quando a crise se agudiza e o sentimento de injustiça se torna um garrote sobre a nossa consciência colectiva, aumenta uma insatisfação corrosiva, misto de impotência e de Revolta. O povo vai-se tornando triste sob uma canga que embora insuportável não parece definitiva, mas que pode conduzir ao conformismo e á banalização do neofascismo.
E é esse que fica em silêncio e está ausente das comemorações. 
Entramos num cenário em que percebemos que nos querem roubar o futuro. 
Estamos então envolvidos numa luta pela conquista da alegria e felicidade de Abril, que de facto se instalou em Portugal, ocupando um espaço inesquecível na nossa cidadania. Dizer Abril é dizer abertura à esperança renovada. Trata-se de uma data simbólica consolidada na vontade de um povo como foi evidente nas ruas de todo o país nesta última comemoração. 
Se for preciso recuar deverá ser apenas para tomar balanço para nos libertarmos de um governo incompetente, obstinado e sem humanidade.
É certo que estão integrados numa Europa dividida e belicista que entende que o caminho é promover a pobreza e a desigualdade, conduzida por uma UE que parece retomar uma variante do nazismo ao pretender executar o holocausto da economia dos países do Sul.

Nada se vislumbra que galvanize os portugueses para combater a crise que não criaram, uma vez que apenas se tomam medidas contra o povo. Por outro lado, não há confiança na informação veiculada, por se verificar estar grande parte da comunicação social condicionada pelo poder político e económico.

Sobre o destino dos dinheiros públicos, apenas sabemos o que é desviado para a Ucrânia para continuar uma guerra que há muito devia ter acabado. 
A propalada redução do deficit externo, apenas se vai tentando concretizar à custa do poder de compra dos portugueses, do desemprego para garantia da redução dos salários, da destruição da economia, da emigração dos jovens, do desprezo pela cultura e pela escola pública, da redução da prestação dos serviços de saúde, em claro prejuízo dos mais velhos, que por serem frágeis financeiramente, não têm alternativa.

Contudo se tivéssemos um Governo livre do tráfico de influências e promiscuidade, não atolado no “sistema” em que a banca controla o poder político, poderiam ser tomadas algumas medidas que parecem óbvias, para libertar o país destas grilhetas que nos  imobilizam e reduzir as gritantes desigualdades que nos asfixiam. 

É claro que tais medidas não estão no horizonte deste governo estribado numa legalidade Constitucional. Contudo, um Governo não é legítimo apenas porque decorre do voto popular. Em democracia terá de governar de acordo com a Constituição da República, não abdicando de defender a soberania nacional, transformar a defesa dos interesses do povo no principal argumento para o bem comum e proceder de acordo com a ética e o espírito de justiça que o prestigie aos olhos dos cidadãos.
Quando repetida e deliberadamente incorre em práticas anticonstitucionais capciosas e fraudulentas, acusando depois o Tribunal Constitucional por este repor a legalidade, torna-se ilegítimo.
Não resta ao povo português outra alternativa senão enterrar as práticas do exercício deste tipo de democracia já demasiado musculada, que continua a tentar dividir-nos para aplanar caminho para impor os seus ditames
Urge mudar. Somos convocados a fazer soar os tambores da Revolta, contra este Governo, esta política e o imperialismo que nos sufoca.
O combate será na rua, nas empresas, na Assembleia da República, onde se torne imperioso fazer renascer Abril.
O difícil é continuar a lutar quando o desistir é fácil.
Não desistiremos, continuaremos a lutar com os desempregados, com os jovens, com os reformados, com os humilhados, com os oprimidos, com as mulheres e homens de Portugal, por um novo 1 de Maio. Enfim lutaremos por uma Pátria honrada e de Abril.