Proposta Plano e Orçamento para 2017




Plano de Actividades para 2017



No prosseguimento das iniciativas levadas a cabo nos anos anteriores, no sentido de cumprir os objectivos estatutários e o respectivo programa eleitoral “Pela defesa das Conquistas da Revolução”, a direcção da ACR submete à aprovação da correspondente Assembleia Geral o “Plano de Actividades e Orçamento para 2017”.


1. INICIATIVAS
a) Promover iniciativas, sobre o poder local democrático e regionalização.
b) Realizar em Fevereiro uma evocação/homenagem a Carlos Paredes.
c) Lançamento do livro sobre a “Contra-Revolução”.
d) Promover uma iniciativa conjunta sobre as figuras, pensamento e obra do Gen. Vasco Gonçalves e Alm. Rosa Coutinho.
e) Promover e participar em sessões de esclarecimento nas Escolas e Universidades, e ainda junto ao movi-mento associativo popular e outras iniciativas no âmbito da defesa das Conquistas da Revolução para as quais a ACR seja convidada ou que possa sugerir em ocasiões adequadas, com especial incidência nas actividades relacionadas com as comemorações do 25 de Abril.
f) Prosseguir os contactos com a Câmara Municipal de Lisboa, para a concretização de um espaço para a sede da ACR.
g) Prosseguir os contactos com a Câmara Municipal de Almada, para a obtenção de um local para a constituição do “Centro de Documentação Vasco Gonçalves”.
h) Reactivar a acção dos Núcleos Distritais da ACR.
i) Prosseguir o trabalho de recolha de textos e outros materiais inéditos do Gen. Vasco Gonçalves para edição de um livro.
j) Continuar a publicação trimestral da Folha Informativa.
k) Realizar com os associados, familiares e amigos o jantar comemorativo dos 43 anos do 25 de Abril.
l) Prosseguir a campanha de angariação de novos associados.
m) Prosseguir com as acções conducentes para o pagamento regular das quotas, assim como a recolha de quotização em atraso.


2. OBRIGAÇÕES ESTATUTÁRIAS
a) Realizar a Assembleia Geral Ordinária, para apresentação, discussão e aprovação do Relatório e Contas do exercício do ano de dois mil e dezasseis.
b) Realizar a Assembleia Geral Ordinária, para apresentação, discussão e aprovação do Plano de Actividades e Orçamento para dois mil e dezoito.



ORÇAMENTO PARA 2017




1. RECEITAS
a) Quotas dos associados ……………………5.500,00 Euros
b) Donativos ……………………………………3.000,00 Euros

                                                                               8.500,00 Euros




2. DESPESAS
a) Iniciativas ……………………….…..………3.300,00 Euros
b) Folha Informativa ……………………..…….1.200,00 Euros
c) Comunicação com os Associados …………....1.500,00 Euros
d) Despesas Gerais ……………………………1.500,00Euros
e) Outras Despesas ……………………………1.000,00 Euros

                                                                               8.500,00 Euros

A DIRECÇÃO


Aprovado em reunião desta, a 17 de Novembro de 2016, para submeter à AG.

PELA LIBERDADE E A DEMOCRACIA NA TURQUIA



Reunida a 17 de Novembro, a Direcção da Associação Conquistas da Revolução condena veementemente a suspensão da actividade de centenas de organizações e movimentos sociais sob a acusação por parte do Governo de Erdogan de pertencerem a uma "rede terrorista".
Tendo sido parte interveniente na Conferência que, em Lisboa, a 10, 11 e 12 de Novembro, assinalou o 50º aniversário dos Pactos Internacionais de Defesa dos Direitos Humanos,  por iniciativa da Associação Internacional de Juristas Democratas e da Associação Portuguesa congénere (APJD), a Direcção da ACR saúda o exemplo da Associação de Advogados Progressistas daquele país, também entre nós presente, que recusou fechar portas e antes as declarou firmemente "portas abertas" a todos quantos lutam pela Liberdade e a Democracia.


A notícia de que, regressada do Portugal de Abril, a Delegação turca de imediato foi feita prisioneira, exige a nossa mobilização pela sua libertação e a expressão da nossa solidariedade com todo o Povo da Turquia.

   Lisboa, 17 de Novembro de 2016
   A Direcção da ACR

Intervenção de Manuel Begonha na CONFERÊNCIA INTERNACIONAL NO 50.o ANIVERSÁRIO DA APROVAÇÃO PELA ONU DOS PACTOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS (PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS E PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS ECONÓMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS)

Intervenção do Presidente da Direcção da ACR, Manuel Begonha,  na

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL NO 50.o ANIVERSÁRIO DA APROVAÇÃO PELA ONU DOS PACTOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS
HUMANOS (PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS E PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS ECONÓMICOS,SOCIAIS E CULTURAIS)


Texto elaborado com a colaboração do Vice Presidente - Baptista Alves


Portugal foi durante 48 anos objecto de uma ditadura suportada por uma polícia política repressiva e brutal, que nos tornou num dos países mais atrasados da Europa.
Exaurido por 14 anos de guerra colonial em três frentes, isolado pela comunidade internacional, encaminhava-se para um desastre de proporções catastróficas.
A exploração dos trabalhadores, com particular incidência nos assalariados rurais, assumiu proporções extremas, perseguiu-se a cultura e os intelectuais, encheram-se as prisões políticas. O povo foi mantido na ignorância e entregue a si próprio. Pôs-se de lado a dignidade humana e o povo foi obrigado a optar pela emigração e pelo exílio. Impediu-se o exercício da actividade sindical e associativa. Estabeleceu-se a Censura. Activaram-se os julgamentos viciados. Subalternizou-se a mulher não lhe reconhecendo o direito à igualdade e à cidadania plena. Eliminaram-se as eleições livres.
Para melhor caracterizar esta situação apresentam-se alguns números.
A taxa de inflação que em 1973 foi das mais elevadas da Europa, acusou no índice de preços no consumidor relativo à cidade de Lisboa um acréscimo de 12,5%.
Em 1973 a capitação de rendimento nacional era de 1300 dólares, enquanto a Grécia atingia 1800, a Itália 2300 e a República Federal da Alemanha 5000.
Neste mesmo ano, na agricultura, um trabalhador temporário ganhava cerca de 95$00, diários no continente, havendo contudo distritos em que não excedia os 80$00. O salário da mulher representava cerca de 60% do salário do homem.
Ainda em 1973 quanto a indicadores do nível de saúde, refere-se que o número de habitantes por médico era de 965; a taxa de mortalidade infantil era de 4,48%; 20% dos partos não tinham qualquer assistência e a esperança de vida depois de 1 ano de idade ficava pelos 67 e 73 anos respectivamente para os homens e para as mulheres.
Relativamente ao nível educacional em 1970, 88% da população portuguesa com mais de 10 anos tinha no máximo o ensino primário e destes 26% não sabiam ler. Da população com mais de 15 anos, apenas 2,4% tinha ensino médio ou superior.
Quanto aos equipamentos de saneamento básico, ainda em 1970, somente 40% da população era servida por distribuição domiciliária de água, apenas 17% tinha acesso a qualquer tipo de esgotos e apenas 39% podia dispor de sistemas de recolha de lixos.
Ainda em 1973 da população com idade superior a 60 anos (1,268 milhões), apenas 26,6% recebia pensão de velhice.
Ramiro Correia, médico naval, poeta e revolucionário retrata desta forma a situação que antecedeu o 25 de Abril de 1974.
“Após 48 anos de fascismo, 14 anos de guerras coloniais, 32% de analfabetos, 10% da população emigrada e milhares de mortos e inválidos de guerra.
Após termos índices sanitários dos mais baixos da Europa, problemas dramáticos na habitação e economia desastrosa.
Com o prestígio internacional nulo. Repressão. Censura. Corrupção. Foi neste clima de tragédia que na madrugada do 25 de Abril o MFA e o Povo iniciaram a árdua caminhada para a construção da sociedade socialista em Portugal.”
Contudo o povo português nunca deixou de combater pela liberdade: desde os estudantes, aos sindicalistas, aos agricultores, às mulheres, aos operários, aos militares, não podendo ser esquecida também a violência da luta na clandestinidade. Subitamente Salazar cai da cadeira. Pateticamente Caetano mantém um fantasma na convicção de que ainda detém o poder, enquanto aparenta suavizar o regime. Nada feito. Tomás e seus acólitos são irredutíveis. A guerra é para continuar. As greves de vários sectores alastram por todo o país. Agudizam-se as lutas estudantis, ocorre o luto académico. Funda-se a Intersindical. Conquistam-se as 8 horas de trabalho diário para os assalariados rurais.
E fundamentalmente a luta recrudesce dentro dos quartéis com a contestação a subir de tom.
Desde meados do século passado os militares cada vez mais organizados tentaram levar a cabo revoltas contra a ditadura, nomeadamente:
   -A revolta dos marinheiros em 1936
   -O golpe de Botelho Moniz
   -O golpe da Sé
   -O assalto ao quartel de Beja
   -Tomada do Paquete Santa Maria
Apesar de terem abalado o regime especialmente as duas últimas que tiveram repercussão  internacional, estas acções acabaram por falhar, normalmente por deficiências de planeamento, preparação e execução operacional.
Ocorreram contudo tremendas consequências para os respectivos intervenientes que foram demitidos, presos, torturados ou exilados, com realce para as prisões mais sinistras do Aljube, Caxias, Forte de Peniche e Campo de Concentração do Tarrafal. É de registar que todas estas operações excepto a primeira integraram civis.
A partir dos anos sessenta começou a aumentar o envolvimento dos militares na guerra colonial.
À medida que os anos foram passando, cresceu o número de mortos e feridos que foram gradualmente provocando o cansaço das forças armadas.
Desenvolveu-se então a sensibilização, politização e organização dos militares.
Estes não eram imunes ao trabalho revolucionário efectuado pelos oficiais milicianos já politizados e muitos provenientes do meio estudantil universitário.
Curiosamente na Marinha estes designados por reserva naval, vieram aprender porque na sua maioria pertenciam à elite dominante.
Neste ramo há mais de um século que no Clube Militar Naval se vêm desenvolvendo as mais diversas actividades de carácter político militar, fortemente aglutinadoras que tiveram grande influência na formação dos jovens oficiais.
As câmaras dos navios são também locais para a sensibilização e politização dos mais jovens, bastando um para difundir novas abordagens à ideologia então dominante.
À medida que o tempo decorria, tornava-se cada vez mais clara a necessidade de uma mudança, uma vez que os militares começaram a concluir que estavam envolvidos numa guerra injusta e contra o sentido da história cuja única solução era política.
A partir de 1970 a organização começa a consolidar-se e a ter núcleos em todos os ramos das Forças Armadas.
Já em 1968 oficiais e cadetes da Escola Naval promoviam reuniões conspirativas no Ateneu Comercial de Lisboa.
Em 1973 realiza-se em Aveiro o 3º Congresso Democrático, no qual compareceram 15 oficiais e cadetes da Marinha.
A revolução estava em marcha e tornava-se necessário criar um programa que fosse a expressão da vontade revolucionária do Movimento dos Capitães que passa a designar-se por Movimento das Forças Armadas (MFA). Este programa do MFA foi muito inspirado pelas teses daquele Congresso  que por sua vez reflecte muitos dos princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Uma cópia deste programa foi entregue no jornal “O Século” para ficar como testemunho perante o povo português caso o golpe fracassasse.
O Programa do Movimento das Forças Armadas (PMFA) acompanha os ganhos civilizacionais que a inteligência Mundial, após a 2ª Grande Guerra , consagrara como Direitos da Humanidade: A Carta Universal dos Direitos do Homem e os Pactos internacionais de Direitos Humanos (Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e Pacto Internacional de Direitos Económicos, Sociais e Culturais).
A simples leitura do PMFA, revela-nos que, para além da imediata extinção das estruturas fascistas , o MFA teve como objectivo central, colocar o País numa via progressista sob o primado dos Direitos do Homem. E assim conduziu uma acção revolucionária que não redundou em assassínios, nem culminou numa ditadura militar.
  O capítulo B- Medidas a curto prazo são prova disso mesmo:

5-O Governo Provisório, tendo em atenção que as grandes reformas de fundo só poderão ser adoptadas no âmbito da futura Assembleia Nacional Constituinte, obrigar-se-á a promover imediatamente:
a)A aplicação de medidas que garantam o exercício formal da acção do governo e o estudo e aplicação de medidas preparatórias de carácter material, económico, social e cultural que garantam o futuro exercício efectivo da liberdade política dos cidadãos.

Transcreve-se agora um parágrafo do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP):

Reconhecendo que, em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, o ideal do ser humano livre, usufruindo das liberdades civis e políticas e liberto do medo e da miséria, não pode ser realizada a menos que sejam criadas condições que permitam a cada um gozar dos seus direitos civis e políticos, bem como dos seus direitos económicos, sociais e culturais;

Voltemos ao PMFA

b) A liberdade de reunião e associação
c) A liberdade de expressão e pensamento sobre qualquer forma
e) Medidas e disposições tendentes a assegurar, a curto prazo, a independência e a dignificação do Poder Judicial

Fixemo-nos agora no parágrafo sequente àquele atrás transcrito, do PIDCP

Considerando que a Carta das Nações Unidas impõe aos Estados a obrigação de promover o respeito universal e efectivo dos direitos e liberdades do homem;

Do PMFA

6-O Governo Provisório lançará os fundamentos de:
a)Uma nova política económica, posta ao serviço do Povo Português, em particular das camadas da população até agora mais desfavorecidas, tendo como preocupação imediata a inflação e a alta excessiva do custo de vida, o que necessariamente implicará uma estratégia antimonopolista.
  1. b)Uma política social que, em todos os domínios, terá essencialmente como objectivo a defesa dos interesses das classes trabalhadoras e o aumento progressivo, mas acelerado, da qualidade de vida de todos os Portugueses.
O Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais (PIDESC), na sua Terceira Parte, Artº 6º, refere:
  1. Os Estados  Partes no presente Pacto reconhecem  o direito ao trabalho, que compreende o direito que têm todas as pessoas de assegurar a possibilidade de ganhar a vida por meio de um trabalho livremente escolhido e aceite, e tomarão medidas apropriadas para salvaguardar esse direito.
  2. As medidas que cada um dos Estados Partes no presente Pacto tomará com vista a assegurar o pleno exercício deste direito devem incluir programas de orientação técnica e profissional, a elaboração de políticas e de técnicas capazes de garantir um desenvolvimento económico, social e cultural constante e um pleno emprego produtivo em condições que garantam o gozo das liberdades políticas e económicas fundamentais de cada indivíduo.
De novo no PMFA

7-O Governo Provisório orientar-se-á em matéria de política externa pelos princípios da independência e da igualdade entre os Estados, da não ingerência nos assuntos internos dos outros países e da defesa da paz, alargando e diversificando relações internacionais com base na amizade e cooperação.
8-
a)Reconhecimento de que a solução das guerras no ultramar é política e não militar
b)Criação de condições para um debate franco e aberto, a nível nacional, do problema ultramarino
c)Lançamento dos fundamentos de uma política ultramarina que conduza à paz

O PIDESC, na sua Primeira Parte, Artº 1º, refere:
1.Todos os povos têm direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste direito, eles determinam livremente o seu estatuto político e asseguram livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural.
2.Para atingir os seus fins, todos os povos podem dispor livremente das suas riquezas e dos seus recursos naturais, sem prejuízo das obrigações que decorrem da cooperação económica internacional, fundada sobre o princípio do interesse mútuo e do direito internacional. Em nenhum caso poderá um povo ser privado dos seus meios de subsistência.
3. Os Estados Partes no presente Pacto, incluindo aqueles que têm responsabilidades pela administração dos territórios autónomos e territórios sobre tutela, devem promover a realização do direito dos povos a disporem deles mesmos e respeitar esse direito, em conformidade com as disposições da Carta das Nações Unidas.

Com estas transcrições dos diplomas, longe de serem exaustivas, quisemos mostrar a coincidência de conceitos, ou melhor, mostrar que o PMFA, Lei Constitucional que vigorou durante o período de excepção, até à promulgação da Constituição da República Portuguesa de 1976, reflectia,  no espírito e na letra, muito do que os Pactos de que hoje comemoramos os 50 anos de existência, consagraram como conquistas civilizacionais do nosso tempo. Era já, inquestionavelmente, um programa que se propunha uma  mudança profunda na sociedade portuguesa, orientada pelas tese humanistas que informam aqueles Pactos. 
Até que chegou a madrugada libertadora do 25 de Abril de 1974, com a tomada de poder pelos militares que foram de imediato activamente apoiados pelo povo.
E de acordo com o PMFA a revolução segue impetuosamente, sendo a seguir indicadas as principais alterações institucionais introduzidas na sociedade portuguesa e cujos efeitos económicos foram mais salientes:
    Descolonização; Reforma Agrária; Extensão do sector público; Extensão do sector de propriedade social; Reforço do poder sindical.

E é então que tudo se transforma:

Seguiu-se um 1º de Maio congregador. Foi uma gigantesca manifestação da vontade de mudar. Levantou-se então uma força revolucionária imparável que percorreu toda a sociedade portuguesa, conduzida essencialmente pelos trabalhadores e que juntamente com o MFA se propôs dar imediata execução aos 3 “D” do Programa do MFA- Descolonizar, Democratizar, Desenvolver.
Neutralizou-se a PIDE e a Censura, libertaram-se os presos políticos e, após várias vicissitudes, o ímpeto revolucionário parece ter abrandado com o consulado de Spínola. Mas este será de curta duração e a sua queda permitiu finalmente o avanço da Descolonização, inicia-se a preparação da questão da terra, a epopeia da Reforma Agrária e chegam ao terreno as campanhas de Dinamização Cultural que se revelaram de grande importância na divulgação do Programa do MFA e na acção cívica junto à população.
Como em todas as épocas singulares da história dos povos, surgiu um Homem, o General Vasco Gonçalves, com a dimensão moral e política que este tempo exigia.
Nos 4 Governos Provisórios a que presidiu e apesar das dificuldades próprias destes processos, colocadas desde logo por movimentos contra-revolucionários nacionais e internacionais, foi capaz de responder às necessidades mais prementes, identificando e combatendo as injustiças sociais mais flagrantes provenientes do regime fascista e assim lançando os alicerces para a construção de uma sociedade nova.
Tal objectivo foi conseguido mantendo a economia a funcionar, melhorando mesmo os indicadores económicos, como aliás foi reconhecido por uma delegação do FMI que à época se deslocou a Portugal.
Deste período criativo e transformador da Revolução, decorreram a legalização dos partidos, os avanços nas fábricas, nos campos, nos serviços; os trabalhadores organizam-se e tomam o controlo da produção e defendem-se das tentativas de sabotagem dos patrões; avança a gestão democrática nas escolas e o movimento dos rendeiros e assalariados rurais preparam a Reforma Agrária.
Sucedem-se então as grandes acções revolucionárias que constituíram as Conquistas da Revolução. Muito hoje ouvimos falar delas, mas contudo destacaria as Nacionalizações, o Controlo Operário da Produção, a Reforma Agrária, o Poder Local Democrático, o reconhecimento da igualdade das mulheres e a Constituição da República.
Esta, após sete revisões continua a ser o garante da democracia e o baluarte para a defesa das conquistas da Revolução que ainda restam. Como ouvimos é uma Constituição que vertia para si os direitos individuais consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que defende a independência e a soberania nacionais, e que punha fim ao colonialismo. Apesar de todos os ataques mantém no actual texto constitucional direitos fundamentais que nos levam a lutar pela sua defesa e a exigir o seu cumprimento.

Por tudo isto, apraz-me dizer, que é com imenso orgulho que , hoje, aqui trago, em nome da ACR, o testemunho do nosso apêgo aos valores e compromissos dos PIDCP e PIDESC,neste seu 50º Aniversário.

O mesmo orgulho com que o então Presidente da República, o General Costa Gomes, afirmava perante a Assembleia Geral da ONU, em 17 de Outubro de 1974:

Sou o Chefe de Estado dum Pais que, humilhado por meio século de ditadura, soube iniciar na longa noite de 25 de Abril uma revolução sem sangue que outros classificaram da mais pura do século.
Estamos perfeitamente determinados a salvaguardar a pureza dos principais objectivos revolucionários:
-Devolver ao Povo Português a dignidade perdida, implantando condições de vida justas com instituições democráticas pluralistas e legitimadas na vontade do povo livremente expressa
-Iniciar o processo irreversível e definitivo de descolonização dos territórios ultramarinos sob administração portuguesa. Não mais admitiremos trocar a liberdade de consciência colectiva por sonhos grandiosos de imperialismo estéril.

Para, posteriormente, em Helsínquia, ao apresentar as bases da política externa portuguesa, afirmar:

Efectivamente, o lançamento decidido nas tarefas da descolonização, no que representa de cumprimento do direito dos povos à independência, e de democratização, são os nossos pressupostos para uma política de cooperação.
Para efeito destas coordenadas, dissemos e temos seguido claramente uma política externa baseada tanto no respeito dos nossos anteriores compromissos internacionais como na total abertura a todos os povos do Mundo, com absoluto respeito pelos princípios da igualdade de direitos, não ingerência nos assuntos internos e no reconhecimento do direito dos povos a disporem de si próprios.

O mesmo orgulho com que o então coronel Vasco Gonçalves, referência primeira da nossa ACR, na tomada de posse como Primeiro Ministro do II Governo Provisório, em 18 de Julho de 1974, afirmava:

Ao assumir, por designação do senhor Presidente da República, as funções de primeiro-ministro, desejo reiterar a V.Exa e ao povo português a decisão inabalável de cumprir escrupulosamente o Programa do Movimento das Forças Armadas, cuja proclamação solene ao País, em 25 de Abril de 1974, abriu o caminho para a construção de um Portugal verdadeiramente livre e democrático.

Ou, mais tarde, no célebre discurso de Almada, em 18 de Agosto de 1975, em plena crise política, social e económica, dizia:

Sou membro das Forças Armadas e essa tem sido a maior honra que eu tive na minha vida. Trata-se de uma questão de moral, já que, para mim, moral e política são de par, não podemos dissociar. É verdade que, procedendo assim estou a singularizar-me, a destoar na festa provinciana que leva certos políticos a exibirem publicamente as mazelas para suscitarem simpatias e apoios e a confiarem mesmo aos mais diversos órgãos de Informação estrangeiros os seus hipotéticos pavores, os seus medos apocalípticos e, de um modo geral, por mais que os disfarcem em tiradas de fervor democrático, os seus ressentimentozinhos de ambiciosos frustrados.

Essa gente é como é, e eu sou do Movimento das Forças Armadas


Não fora a traição de uns poucos e o medo - sempre o medo a garantir a continuação da exploração do homem pelo homem - de muitos e Portugal teria novamente dado novos e prometedores Mundos ao Mundo.

Não foi assim, mas mesmo assim não deixámos e não deixaremos de continuar a sonhar.

Manuel Begonha
20161110



ACR no convívio de protesto em Peniche, pela Memória e por Abril


Estivemos aqui, entre centenas de manifestantes, para afirmar a nossa solidariedade com todos os resistentes antifascistas que com a sua luta mantiveram viva a esperança na Liberdade e  criaram as condições para que  o 25 de Abril de 1974 fosse o que foi: uma das mais belas revoluções que o Mundo já viu!

Estivemos aqui para não deixar esquecer a coragem, abnegação e o apêgo à Liberdade, dos homens que ousaram enfrentar a repressão fascista e que apesar dos horrores e da  terrível violência de que foram vítimas, muitas vezes mesmo assassina, não deram tréguas ao regime. E, foi o seu exemplo que inspirou muitos dos jovens militares que naquela madrugada gloriosa puseram também o amor à causa da liberdade acima das suas próprias vidas pondo fim à ditadura que há mais de 48 anos oprimia o nosso povo.

Estivemos aqui na defesa das conquistas da nossa revolução, convictos de que é a memória do que custou a Liberdade que nos dará a força capaz de defendê-la. E, o Forte de Peniche é parte indelével dessa MEMÓRIA!


Estivemos aqui por Abril. 

A ACR fez-se representar, oficialmente, pelo militar de Abril, vice-presidente da direcção, cor. Baptista Alves.


Pedro Soares, um dos ex presos políticos, no uso da palavra



VITÓRIA DE CUBA - VITÓRIA DE TODOS

VITÓRIA DE CUBA
VITÓRIA DE TODOS


   A significativa votação contra o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos, o qual, desta feita, optou pela abstenção acolitado, uma vez mais, por Israel, e que por iniciativa do Governo Cubano somou a vontade de 191 países em plena Assembleia-Geral da ONU, a 26 de Outubro, é motivo de enorme congratulação por parte da Direcção da Associação Conquistas da Revolução, reunida em Lisboa um dia depois.
   Persistindo o bloqueio, cujo definitivo levantamento também representará o fim de um dos mais hediondos crimes contra a Humanidade tendo em conta a Carta das Nações Unidas, a solidariedade internacionalista para com Cuba e o seu Povo não poderá abrandar, antes pelo contrário por também não cair no esquecimento que a Libertação dos Cinco Patriotas Cubanos encarcerados longos anos nas masmorras norte-americanas foi um dos seus mais persistentes objectivos.
   Esta vitória constitui redobrado estímulo para todos quantos lutam pela liberdade, independência nacional  e soberania num Mundo de paz e cooperação entre todos os Povos.

Lisboa, 27 de Outubro de 2016

A Direcção

Debate na Universidade Popular do Porto - O Pluralismo na informação, hoje

O núcleo do Porto da Associação Conquistas da Revolução no âmbito do ciclo de debates promovido sobre a comunicação social, realizará o segundo debate previsto «O Pluralismo na informação, hoje.» no próximo dia 24 de Outubro, pelas 21:30 horas nas instalações da Universidade Popular do Porto.

Convidamos à participação na iniciativa que contará com a presença dos jornalistas:
 Alfredo Maia e Valdemar Cruz.





Forte de Peniche - Defesa da memória, resistência e luta






A Direcção da Associação Conquistas da Revolução, face às recentes notícias sobre a concessão do Forte de Peniche, decidiu em reunião de Direcção, na passada quinta-feira dia 6 de Outubro, opor-se à entrega do Forte de Peniche a privados, considerando a defesa da necessária preservação da memória e resistência ao fascismo e pelo respeito de milhares de portugueses que deram o melhor das suas vidas para que o povo português pudesse viver em liberdade, apelam ao Governo para que o Forte de Peniche permaneça património nacional, símbolo da repressão fascista e da luta pela liberdade. 

Assim apelamos a todos os associados, que assinem e divulguem, a Petição Pública contra a concessão do Forte de Peniche.

Reposição do Feriado do 5 de Outubro

Vingou a reivindicação dos patriotas de sempre



   A reposição do Feriado Nacional do Dia 5 de Outubro - mais uma derrota da direita que não desiste, - ocorrendo no ano em que comemoramos a 40º Aniversário da Constituição da República República Portuguesa, vinca com mais força que tal data sempre se inscreveu no sentido progressista da história que liquidou a monarquia e venceu a fracção dos mais poderosos ideologicamente identificada com a mesma, razão pela qual, na luta anti-fascista, nunca deixou de ser comemorada.
   Os valores essenciais que então moveram as classes mais desfavorecidas foram os que, durante quatro décadas, conduziram os portugueses no combate pelo 25 de Abril.
   A Associação Conquistas da Revolução apela e partilha de todas as manifestações que dela erguerão a bandeira.


Setembro de 2016  

 A Direcção da 

Associação Conquistas da Revolução

COLÓQUIO - MANIPULAÇÃO E CENSURA NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

COLÓQUIO

MANIPULAÇÃO E CENSURA NA COMUNICAÇÃO SOCIAL
(29 SETEMBRO 2016 - 18h LISBOA Casa do Alentejo)


A liberdade e a democracia estão mais longe da Comunicação Social de hoje? Esta censura é menos ou mais complexa e destruidora do que a do fascismo? De onde vem? O que impossibilita e destrói a profissão e a vida dos trabalhadores do jornalismo, nos jornais, revistas, rádios e televisões?
A mediocridade, o medo e o silenciamento substituíram a coragem, a verticalidade e o direito à informação livre e transfiguradora que a Constituição da República proclama e o povo português necessita e exige?

Intervenções de
José David Lopes, José Goulão,
José Vítor Malheiros e Ribeiro Cardoso

Tantas perguntas, tantas respostas e esclarecimentos do que se passa são indispensáveis.

Vamos ouvir-nos. Porque todos temos experiências, análises, observações e silenciamentos a expor, a denunciar e a combater. Participe e exerça o seu direito a ter uma informação democrática e construtora de mais liberdade e perspectivas de futuro para todos.

A propriedade dos meios de comunicação social e a independência da informação

O núcleo do Porto da Associação Conquistas da Revolução realizará um ciclo de debates sobre a comunicação social cujo primeiro debate sobre «A propriedade dos meios de comunicação social e a independência da informação» se realizará no próximo dia 26 de Setembro, pelas 21:30 horas nas instalações da Universidade Popular do Porto.
Convidamos à participação na iniciativa que contará com a presença dos jornalistas Luís Miguel Loureiro e Rafael Barbosa.

Porque se morre em Alcochete numa guerra que não há?


Investigue-se até às ultimas consequências, doa a quem doer.

Falam assim os que falam em nome deste povo. Os mesmos que sem pestanejar nos mandam para as guerras que há, ao arrepio da Constituição da República Portuguesa(CRP) que juraram cumprir e fazer cumprir. Os mesmos que calam o envolvimento do nosso país em estratégias agressivas e de destruição de nações inteiras com o único objectivo de partilhar umas migalhas do festim  para os senhores do Mundo que se apropriam das riquezas naturais desses países. 
No entanto esses mesmos são os que assistem, em silêncio, à destruição do sistema de saúde militar, não se importando de envolver o nosso país em acções contrárias aos princípios estabelecidos no nº1 do Artigo 7º da CRP “da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados...” deixando sem suporte aqueles que, em cumprimento desses desígnios, põem em risco a própria vida.

Investigue-se, mas investiguem-se a sério os porquês de tudo isto, até às últimas consequências e doa a quem doer.

Não é a CRP a Lei Fundamental da República Portuguesa?
No nº2 do Artigo 7º  não está escrito “Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.”?
Quem decide aumentar o envolvimento de Portugal na NATO, com participação activa na sua estratégia de agressão, domínio e exploração de outros povos, ao serviço do imperialismo norte-americano e seus aliados europeus,  não está em flagrante incumprimento da Lei Fundamental?

E, não deixemos também de investigar o envolvimento do nosso país na ameaça a países com os quais mantemos relações diplomáticas e de crescente interesse mútuo, em particular no cerco à Federação Russa através do chamado “escudo anti-míssil” e  da força de intervenção rápida (equipada e treinada para intervir em cenários de guerra de elevada intensidade), recentemente criados. 

E, aqui não podemos deixar de, mais uma vez, alertar para o perigoso caminho que nos estão a impor. A Federação Russa é uma grande potência nuclear tal como os EUA. Entrar neste jogo como alvo é ainda mais perigoso.
Uma última palavra para a família dos soldados vítimas do rigor da instrução militar a que foram sujeitos: O nosso respeito sem limites por todos os que põem as suas vidas ao serviço da Pátria que tanto amamos.



Associação Conquistas da Revolução 20160912

Silas Cerqueira, faleceu no passado dia 22 de Agosto

A ACR associa-se ao pesar pelo falecimento do grande lutador pela PAZ.



Tomamos a liberdade de transcrever o comunicado do CPPC onde Silas Cerqueira dedicou grande parte da sua vida.
...........
Silas Cerqueira, grande lutador do movimento da paz português, faleceu ontem, dia 22 de Agosto,
É com grande tristeza e consternação que o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) informa do falecimento, aos 86 anos, de Silas Cerqueira, nascido a 8 de Setembro de 1929, histórico e incansável lutador do movimento da paz português e dirigente e activista do CPPC desde a sua criação.
Nesta triste ocasião e certo de interpretar o sentimento dos activistas do movimento da paz em Portugal, o CPPC envia à família de Silas Cerqueira as suas mais sentidas condolências e votos de pesar.
Silas Cerqueira é, inquestionavelmente, uma das figuras mais destacadas do movimento da paz e da solidariedade em Portugal, ao qual está ligado praticamente desde a sua criação, na viragem da década de 40 para a de 50 do século XX.
Silas Coutinho Cerqueira, oriundo do Porto, de uma família baptista, cedo integrou o movimento antifascista, nomeadamente, o Movimento de Unidade Democrática – Juvenil (MUD – Juvenil).
Estudou Teologia e Filosofia das Religiões em Louisville e na Universidade de Columbia em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Aí tomou contacto e combateu contra a descriminação racial e também com a cruel realidade da Guerra da Coreia, colocando-se, de imediato, ao lado do povo coreano contra a ingerência e a agressão norte-americana e pela independência e reunificação do seu país, tendo ainda nos EUA convivido com várias personalidades progressistas.
Profundamente marcado por esta experiência e empenhado neste combate, integrou-se no movimento da paz português assim que regressou a Portugal em 1952 – estava-se então nos anos do Apelo de Estocolmo contra as armas nucleares, do Pacto de Paz entre as cinco grandes potências, da contestação à guerra na Coreia e à presença de Portugal na NATO. Em Portugal, eram os tempos duros da repressão fascista, que procurava silenciar pela força a reclamação do povo português à paz, à liberdade e ao progresso.
Este seu envolvimento na luta pela paz valeu-lhe a prisão, em finais de 1952. O seu «crime»? Colocar um ramo de flores num monumento aos combatentes da Grande Guerra, iniciativa tradicional do movimento da paz nesses negros anos de opressão. Esta prisão desencadeou uma imensa contestação por parte da comunidade baptista e dos sectores democráticos portuenses. Em 1955 seria detido no Porto com mais de uma centena de outros jovens dos quais 52 seriam julgados em 1957, entre eles Silas Cerqueira e sua mulher Antónia Lapa. Voltaria a ser preso várias vezes, designadamente em 1953, 1954 e 1958.
Até à Revolução de Abril, iniciada em 25 de Abril de 1974, em Portugal ou em França (para onde foi viver no exílio), e onde foi investigador de ciências políticas no Centre de Relations Internationales (CERI) da Fondation Nationale de Sciences Politiques em Paris bem como na Universidade de Besançon e no Institut des Hautes Études d’Amérique Latine, Silas Cerqueira nunca mais deixou de lutar activa e abnegadamente pelos valores da paz, do desarmamento, da solidariedade, da amizade e cooperação entre povos e Estados, de dar combate ao regime fascista que oprimia o povo português e os povos das colónias africanas.
Durante este período, Silas Cerqueira representou inúmeras vezes o movimento da paz português em reuniões, encontros e congressos do Conselho Mundial da Paz.
Após a Revolução de Abril, Silas Cerqueira regressa a Portugal onde prossegue e intensifica a sua acção em prol da paz, agora em liberdade.
Entre múltiplas e diversificadas iniciativas, em 1975, está na organização da conferência internacional de solidariedade com os povos português e angolano contra a ingerência imperialista, que traz a Portugal o então presidente do Conselho Mundial da Paz, Romesh Chandra.
Em Abril de 1976, participa activamente na constituição formal do Conselho Português para a Paz e Cooperação, que deu expressão legal a uma realidade sólida e há muito existente em Portugal, mas durante anos duramente reprimida: uma frente de luta em defesa da paz que integra pessoas de diversos sectores da sociedade portuguesa, com diferentes ideologias políticas e crenças religiosas.
No Conselho Português para a Paz e Cooperação, Silas Cerqueira teve um papel preponderante no alargamento do movimento da paz e na solidariedade activa com os povos que, um pouco por todo o Mundo, resistiam ao imperialismo.
Em Novembro de 1979, está na organização da “Conferência Mundial de Solidariedade com o Povo Árabe e a sua Causa Central: a Palestina”, realizada em Lisboa. A participação de Yasser Arafat nesta importante iniciativa constituiu a primeira visita do dirigente palestino à Europa Ocidental, contribuindo decisivamente para romper o isolamento a que a causa palestiniana se encontrava então sujeita nesta região do Mundo.
A Conferência Internacional de Solidariedade com os Estados da «Linha da Frente» (Zâmbia, Tanzânia, Botsuana, Moçambique, Angola, Zimbabué, Lesoto e, em representação do povo sul-africano, o Congresso Nacional Africano/ANC), visando a libertação nacional dos povos colonizados e a eliminação do apartheid, realizada em Lisboa, em Março de 1983, teve também a destacada participação de Silas Cerqueira, assim como outras importantes iniciativas designadamente a Conferência de Solidariedade com a Revolução Sandinista da Nicarágua em 1989.
O mesmo sucedeu com a criação do Movimento Português contra o Apartheid, que, partindo da iniciativa do CPPC, congregou diversas organizações e personalidades. Foi no âmbito deste movimento que Nelson Mandela participou num conjunto de acções de contacto com o povo português, que tantas vezes expressou a sua solidariedade para com a luta do povo sul-africano.
Silas Cerqueira foi, desde o primeiro momento, activamente solidário com os povos das antigas colónias portuguesas e com os seus movimentos de libertação nacional, em particular com o povo angolano e o MPLA na sua acção pela consolidação da independência, tendo leccionado como professor convidado na Universidade de Economia Agostinho Neto, em Luanda, de 1989 a 1991. Após o seu regresso a Portugal foi professor na Universidade do Minho até à sua reforma.
Outra grandiosa iniciativa à qual deixa o seu nome ligado é a constituição do movimento «Não às Armas Nucleares», que englobou diversas organizações, sindicatos, municípios e personalidades e promoveu grandes acções unitárias em Portugal.
Silas Cerqueira participou activamente na criação do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) em 2005, onde diversificadas individualidades portuguesas se congregam.
Lutador incansável pela causa da paz, Silas Cerqueira foi membro da Direcção do CPPC durante dezenas de anos, integrando actualmente a sua Presidência.
Silas Cerqueira participou no acto de homenagem a si dedicado, que o Conselho Português para a Paz e Cooperação organizou dia 31 de Maio de 2014.
A melhor homenagem que o CPPC e os amantes da paz podem prestar a Silas Cerqueira é seguir o exemplo deste combatente da paz, prosseguindo a luta pela justa causa à qual dedicou toda a sua vida.
O CPPC informa que o velório de Silas Cerqueira se realizará na Casa da Paz, sede do Conselho Português para a Paz e Cooperação, em Lisboa, na Rua Rodrigo da Fonseca, 56, 2º, entre as 17h e as 22h de Quarta-feira, 24 de Agosto e as 10h e as 16h de Quinta-feira, 25 de Agosto, e que o seu Funeral terá lugar no cemitério do Alto de São João a partir das 17h00.


Venezuela - Comemorações do 205 aniversário da sua independência


A convite da Embaixada da República Bolivariana da Venezuela,a ACR esteve presente no passado dia 5 de Julho, uma vez mais, na cerimónia de colocação de uma oferenda floral no monumento a Simón Bolívar por ocasião do 205 Aniversário da independência daquele país.