Romagem à campa do General Vasco Gonçalves no décimo aniversário do seu falecimento - 11 de Junho - 11.00 horas - Cemitério do Alto de São João
11 de Junho - 11.00 horas
Cemitério do Alto de São João
A Associação Conquistas da Revolução promove no dia 11 de Junho, pelas 11.00 horas, uma romagem à campa do General Vasco Gonçalves, no cemitério do Alto de São João, pela passagem do 10 º ano do seu falecimento.
Assim o fizemos todos os anos desde que a nossa Associação foi criada e com mais razões o fazemos neste ano em que se comemora o 41º aniversário de Abril - desse Abril de cujos ideais libertadores e transformadores Vasco Gonçalves foi o mais puro e fiel interprete.
Contamos com a vossa presença e com a vossa acção mobilizadora junto de muitos outros amigos e companheiros,no sentido de fazermos da romagem do dia 11 um expressivo momento de comemoração de Abril e das Conquistas da Revolução e uma justa homenagem a um dos seus mais destacados construtores.
Saudações
A Direcção
23 de Maio - ACR no Festival Liberdade
A ACR fez-se representar pelo vogal da Manuel Carvalho, no Festival Liberdade promovido pela Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), em conjunto com os municípios seus associados.
16 de Maio - A ACR esteve presente na Casa do Pessoal do Arsenal do Alfeite
A ACR fez-se representar pelo vogal da Manuel Carvalho nas comemorações do aniversário do 25 de Abril promovidas pela Casa do Pessoal do Arsenal do Alfeite.
Intervenção proferida por Manuel Carvalho
Sr.
Presidente da Casa do Pessoal do Arsenal do Alfeite
Sr.as
e srs convidados
Caras
amigas e amigos,
O
nosso obrigado pelo convite que foi endereçado à Associação
Conquistas da Revolução para estarmos aqui presentes.
Convite
que muito nos honra.
Permitam-me
que tenha aqui umas breves palavras relativas, à ASSOCIAÇÃO
CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO:
Ela
é constituída por cidadãs e cidadãos civis e militares amantes da
liberdade e da democracia e que pretendem defender e repor toda a
verdade sobre as acções concretizadas dentro do programa das forças
armadas (MFA) e lembrar e homenagear os seus promotores quer civis ou
militares, das conquistas legítima e democraticamente obtidas no
período mais fecundo, patriótico e criativo do 25 de abril.
Conquistas
do povo trabalhador português entretanto destruídas ou em vias de
desaparecimento por quem tem ocupado o poder político a partir de
1976.
A
ACR tem pautado a sua actuação cultivando o espírito
revolucionário e a consciência social progressista, pela construção
de uma democracia política, económica, social e cultural amplamente
participada, que a Constituição da República Portuguesa, aprovada
em 2 de Abril de 1976, viria a consagrar.
Assim
tem levado a efeito:
palestras,
colóquios, e a produção de documentação e livros de modo que a
história recente não seja deturpada, reescrita ou simplesmente
esquecida, como é o caso da tentativa de prescrição da memória e
o legado do General Vasco Gonçalves.
A
muralha de aço construída pelos trabalhadores em volta do
companheiro Vasco sofreu uma fenda com a contrarrevolução a dividir
o MFA o que levou à demissão do General após a atribulada
Assembleia de Tancos. Mas o povo português e os seus trabalhadores
saberão, mais dia, menos dia, reparar essa muralha.
Lembro
aqui e homenageio o companheiro Vasco que foi o único 1º ministro
que diminui, consideravelmente o fosso entre ricos e pobres.
E
pegando neste tema “o fosso entre ricos e pobres” oferece-me
fazer os seguintes comentários:
-
Nunca se criou tanta riqueza como agora. Riqueza que só pode ser
criada pelos trabalhadores;
-
Nunca o grande capital concentrou nas suas mãos tanta riqueza, como
agora, espoliando os trabalhadores;
-
Nunca a mão de obra foi tão barata como agora;
-Nunca
a oferta de mão de obra foi tão grande como agora, devido ao
criminoso e inaceitável desemprego.
O
neoliberalismo e a sua tão defendida ditadura do mercado livre com
os seus gestores de topo gananciosos, manhosos e trafulhas, abre uma
verdadeira guerra entre oprimidos
contra os opressores,
GUERRA
ENTRE QUEM TRABALHA E CRIA RIQUEZA CONTRA O GRANDE CAPITAL
ESPECULATIVO CRIMINOSO E GANANCIOSO.
A
generalidade dos portugueses está a sofrer e a pagar os efeitos
desta guerra iniciada em 2008, mas alimentada por décadas de
política de direita, e provocada pelo capital estrangeiro
especulativo.
Parte
da dívida tem origem externa, outra parte resulta de fenómenos de
corrupção, de compra de favores, de uma política ao serviço dos
detentores do dinheiro.
Não
usufruímos nem beneficiámos com muitos desses créditos que agora
nos estão a fazer pagar por diversas vias:
PRIVATIZAÇÃO
DE BENS PÚBLICOS, BAIXOS SALÁRIOS, REDUÇÃO DE PENSÕES, REDUÇÃO
CRIMINOSA DE SERVIÇOS SOCIAIS, DESEMPREGO EM VALORES INACEITÁVEIS
MESMO NUMA ECONOMIA DE MERCADO.
Paralelamente
crescem a evasão fiscal e a fraude de quem tem influência política
e económica, cresce a economia virtual do sistema financeiro ilegal,
dos offshore, dos bancos virtuais, das empresas fantasma,
CRESCE
A SUA IMPUNIDADE.
O
sistema financeiro produz o crédito e a dívida como mecanismos de
apropriação de mais-valias geradas pelos trabalhadores.
Ao
povo grego que pretende outras alternativas de modo a diminuir os
inaceitáveis sacrifícios e miséria dizem-lhes com cinismo e forte
dose de chantagem:
se
precisam de ajuda têm que fazer mais reformas;
– LEIA-SE
MAIS ROUBO AOS TRABALHADORES.
A
nós que fomos um caso de “dito sucesso” através do roubo aos
trabalhadores, aumentado o fosso entre ricos e pobres.
Dizem-nos:
embora a austeridade tivesse ido longe de mais têm que continuar a
fazer reformas
–
leia-se:
mais do mesmo - ou seja, mais roubo aos trabalhadores.
A
luta está a agudizar-se. Este é, pois, um tempo de organização,
de resistência, de tomada de consciência e acumulação de forças
para o combate.
Importa
afirmar:
que
-
Não desistiremos de ser cidadãos de corpo inteiro,
-
Não desistiremos de ser portugueses,
-
Não desistiremos de Portugal.
Felizmente
muitos e muitos portugueses e portuguesas continuam a lutar, nos seus
locais de trabalho, nos seus sindicatos, nas suas organizações de
classe e no poder local democrático, por Abril e que saberão
responder com dignidade e patriotismo reafirmando os valores de Abril
de que são depositários. Mas é responsabilidade de cada um de nós,
que está com Abril, mobilizar outros.
TRAZ
MAIS UM AMIGO TAMBÉM - OU VENHAM MAIS CINCO – COMO CANTAVA O POETA
CANTOR - JOSÉ AFONSO.
Todas
as homenagens ao Zeca nunca são demais mas esta será a melhor
homenagem que lhe prestamos. Homenagem feita pela luta dos
trabalhadores.
Organizemo-nos,
então, com base na Constituição da República e nos valores de
Abril. ----- Após as grandiosas comemorações populares do 41º
aniversário do 25 de Abril num forte movimento de resistência e
luta e de um grande 1º de Maio nunca visto seguem-se outras lutas
que nos aguardam.
Nunca,
como hoje, foi tão importante e decisivo, como dizia o poeta “FAZER
FLORIR ABRIL DE NOVO”
A
finalizar quero Saudar aqui todos os trabalhadores do Arsenal do
Alfeite, consubstanciados nesta CASA, com toda a sua tradição de
luta antifascista e de resistência, por um Portugal digno e
democrático DE ABRIL.
VIVAM
OS TRABALHADORES DO ARSENAL DO ALFEITE!
VIVA
O INTEMPORAL ZECA AFONSO!
VIVA
O 25 DE ABRIL!
VIVA
PORTUGAL!
9 de Maio - Festa de comemoração do 70.º aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo, realizada pela Associação Iúri Gagárin no dia 9 de Maio de 2015, no Clube Estefânia, em Lisboa
Na festa de comemoração do 70.º aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo,
realizada pela Associação Iúri Gagárin no dia 9 de Maio de 2015, no Clube Estefânia o nosso Vice-Presidente da Direcção, Baptista Alves, proferiu uma intervenção onde frisou as razões que levaram ao conflito; a ineficácia das políticas anti-crise adoptadas, quer ao nível das nações quer ao nível internacional, que explicam o arrastar da depressão.
Na sua longa intervenção reavivou alguns pontos fundamentais relacionados com o desenvolvimento da guerra; as atrocidades cometidas pelos nazis nos campos de concentração. Relembrou o importante papel desempenhado pelo heróico povo soviético.
Ao longo da sua intervenção também podemos apreciar uma interessante síntese histórica sobre os principais marcos que ocorreram desde o fim da II Guerra Mundial até aos nossos dias.
Podem apreciar toda a intervenção clicando no último icon do lado direito
Na sua longa intervenção reavivou alguns pontos fundamentais relacionados com o desenvolvimento da guerra; as atrocidades cometidas pelos nazis nos campos de concentração. Relembrou o importante papel desempenhado pelo heróico povo soviético.
Ao longo da sua intervenção também podemos apreciar uma interessante síntese histórica sobre os principais marcos que ocorreram desde o fim da II Guerra Mundial até aos nossos dias.
Podem apreciar toda a intervenção clicando no último icon do lado direito
2 de Maio - Clube Estefânia
No passado dia 2 de Maio a ACR marcou presença nas comemorações do 41º aniversário do 25 de Abril. Fez-se representar pelo sócio Almeida Moura que proferiu uma intervenção alusiva à efeméride que se comemorava
*****
*****
Senhor Presidente do Clube
Estefânia
Minhas
Senhoras, Senhores
Em
nome da Associação Conquistas da Revolução agradeço o convite,
que nos honra, para comemorar convosco o 25 de Abril de 1974.
Em
meu nome expresso também o meu Obrigado. Para além de me sentir
duplamente honrado – por estar convosco, por representar a ACR –
é um privilégio estar aqui.
As
palavras que Vos dirijo são da minha inteira responsabilidade. Têm
a ver com o que vivi há 41 anos, com o que vivi durante estes 41
anos, com o modo como sinto este Presente. Mas têm, sobretudo, a ver
com o Futuro: os anseios, as expectativas, os sonhos, as esperanças,
os afectos, também os medos, os fantasmas, os mitos, as
contradições, tudo o que nos faz Seres Humanos, individual e
colectivamente.
Para
poder olhar para o Futuro, e escolher o caminho a percorrer para lá
chegar, preciso de entender o Passado, colocando perguntas claras e
procurando respostas firmes, mesmo que doam: Por que aconteceu o 25
de Abril? Para quê? Que Futuro queria, queríamos, que fosse meu,
que fosse nosso, um nosso onde eu me sentisse inteiro e livre? Que
aconteceu nestes 41 anos? Que fiz, que fizemos, dos sonhos, anseios,
esperanças, expectativas, afectos, que eram meus, nossos? Como, e
porquê, chegámos a este Presente? Um Presente nosso, de facto, ou
apenas emprestado? Ou mesmo imposto?
Nesta
sequência de perguntas, cujas respostas não são fáceis,
encontramos um primeiro, e enorme, desafio: Passado, Presente e
Futuro co-existem, interagem, são interdependentes. Sem jogar com
palavras, chamo Vida a esta profunda e inescapável relação.
Mas
a mesma sequência de perguntas comporta, dentro de si, uma terrível
armadilha: as palavras!
São
elas que nos ensinam a entender o Passado. São elas que nos permitem
analisar o Presente. São elas que nos ajudam a escolher os caminhos
que devemos percorrer para construirmos o Futuro.
Mas
são elas também que nos dividem.
Um
exemplo: Igualdade.
Foi
uma palavra-chave para que o 25 de Abril acontecesse. Foi uma palavra
constante nas nossas bocas durante estes 41 anos, gritada e defendida
como um Direito inalienável. Que é, irrecusavelmente.
Mas
foi também uma palavra que o “outro lado de Abril”, o lado
contra o qual Abril se fez, adulterou, e adultera, em seu proveito
próprio: não é verdade que quem tem exercido, e exerce, o Poder,
neste nosso País (não só), não se cansa de usar todos os meios e
instrumentos a que possa deitar mão para, em nome dela, nos dividir?
E
que faço eu, fazemos nós, para lutar contra este abuso se, ao fim
de 41 anos, continuamos a confundir divergências com diferenças?
Medo de que qualquer cedência represente uma traição aos Valores e
Princípios que defendo, defendemos? Claro que sim, o que me obriga,
nos obriga, a uma constante auto-crítica para continuar a caminhar
de pé, inteiros e livres.
No
entanto, será só esse medo?
Creio
que não. Há um outro medo, aquele que está dentro de um desafio a
meu ver determinante para chegar ao Futuro que anseio: o desafio de
cumprir o Dever de reconhecer a Dignidade da Diferença.
O
cumprimento deste Dever é exigentíssimo, e impõe-nos irmos ao
fundo de nós mesmos, para encontrarmos respostas que defendam os
Valores e Princípios que são os nossos, com a força necessária
para derrotar “o outro lado de Abril”, que tem demonstrado,
sobretudo nos últimos 30 anos, que, de facto, só tem, e só
defende, interesses.
Cumprindo
este Dever, ganharemos força para impor o Direito à Igualdade. E
com isso defender a Liberdade como campo aberto onde cabem os
Afectos, a Solidariedade, a Complementaridade e a Cooperação que
definem a nossa Humanidade, rejeitando a competição e o domínio de
uns (muito poucos) sobre os outros (a esmagadora maioria).
E
seremos nós os autores, os protagonistas, na construção do nosso
Futuro, recusando que quem quer que seja nos imponha a sua vontade,
por mais “bem embrulhada” em palavras bonitas (a maior parte
delas usurpadas de nós), ou em “cenários inevitáveis”, com que
se apresente.
É
tempo de um Povo com quase 900 anos de vida afirmar bem alto – para
se ouvir cá dentro, e na Europa e no Mundo – que o seu Futuro só
a si compete definir, escolher, construir
Homenagem a Michel Giacometti em Peroguarda
A Associação Conquistas da Revolução vai promover, a 21 de Junho em Peroguarda (Ferreira do Alentejo), um conjunto de iniciativas de homenagem a Michel Giacometti.
Michel Giacometti nasceu em Ajaccio, na Córsega, em 1929. Desde cedo tomou contacto com outros países e culturas, nomeadamente do Norte de África, para onde foi viver com o tio, funcionário colonial, e onde partilhou o seu mundo de infância com crianças espanholas e árabes.
Em 1947, com 18 anos, já em Paris, realizou estudos de música e arte dramática. Em 1950, lançou vários projectos de revistas culturais e de poesia: Igloo, Ferments e Griffonnage. Criou uma companhia de teatro popular e participou em três estágios de arte dramática, organizados pelo Ministère de l’Education. Publicou ainda uma pequena brochura de versos, Mélika.
Estudou na Sorbonne, no curso de Letras e Etnografia, curso que interrompeu devido à sua participação na greve contra a discriminação dos árabes na vida pública de Argel, período durante o qual viajou pelo norte da Europa, tendo participado em cursos livres de etnografia na Noruega. Colaborou nas revistas Simoun e Cahiers du Sud e foi correspondente da Mission Française en Nouvelle Guinée.
Em 1956, organizou a Mission Méditerranée 56, recomendada pelo Musée des Arts et Traditions Populaires, que se propunha investigar as tradições populares de todas as ilhas mediterrânicas. Por razões de saúde, foi forçado a abandonar o projecto, regressando a Paris onde esteve hospitalizado. Neste período, tomou contacto com a música tradicional portuguesa. A leitura da obra do compositor e musicólogo Kurt Schindler, Folk Music and Poetry of Spain and Portugal, despertou-lhe o interesse e sensibilizou-o para a urgência de salvar o “ouro puro” das canções encontradas em Trás-os-Montes.
Michel Giacometti chegou a Portugal em finais de 1959 e decidiu iniciar o levantamento sistemático da música regional portuguesa. Os primeiros trabalhos no terreno foram realizados em Trás-os-Montes e, verificando a permanência dos espécimes musicais recolhidos por Schindler em 1931, apresentou um projecto de investigação etnomusicológica no nordeste transmontano à recentemente criada Comissão de Etnomusicologia da Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe recusou o apoio. Na sequência, Giacometti criou os Arquivos Sonoros Portugueses (ASP), em finais de 1960, e convidou o compositor Fernando Lopes-Graça a colaborar no projecto. Numa carta, datada de 13 de Dezembro de 1960, dirigida ao compositor, Giacometti comunica-lhe que acabou de “fundar os Arquivos Sonoros Portugueses e de se ligar por contrato a organismos culturais estrangeiros que mostraram mais entusiasmo que a Fundação …”.
Os Arquivos Sonoros Portugueses constituíram-se como um meio estratégico para desenvolver o plano de investigação, que previa a recolha, o estudo e a divulgação da música tradicional portuguesa. Entre 1960 e 1983, os ASP publicaram várias colecções discográficas, num total de 24 discos, sendo de destacar a colecção da Antologia de Música Regional Portuguesa, aconselhada pelo International Institute for Comparative Music Studies and Documentation e pelo International Music Council.
Em 1962, Michel Giacometti foi autor do filme O Alar da Rede realizado por Manuel Ruas, com produção da Rádio Televisão Portuguesa e, entre 1963 a 1983, produziu uma série de programas radiofónicos para a Emissora Nacional, Radio France, BRT, WDR, Sveriges Riskradio sobre a música tradicional portuguesa e as suas funções.
Deu, também, grande importância à salvaguarda da literatura oral, tendo iniciado em 1965 a sua recolha sistemática, a par e passo com a recolha musical. Entre 1972 e 1980, fez parte da equipa de investigadores da Faculdade de Letras de Lisboa, Instituto de Geografia, integrado no projecto Linha de Acção de Recolha e Estudo da Literatura Popular.
Foi autor do programa televisivo Povo que Canta, transmitido entre 1970 e 1973, com a realização de Alfredo Tropa e produção da RTP. Estes trinta e sete programas bimensais constituem ainda hoje um dos mais importantes documentários realizados no âmbito da etnomusicologia portuguesa, e só foram possíveis pelo imenso trabalho de investigação levado a cabo no terreno pelo próprio Michel Giacometti.
Em 1975, dirigiu o Plano de Trabalho e Cultura, Recuperar a cultura popular portuguesa, objectivo para estudantes do Serviço Cívico, com a colaboração dos professores Jorge Gaspar, Machado Guerreiro e Manuel Viegas Guerreiro. Integrado no Serviço Cívico Estudantil, este projecto contou com o apoio de entidades oficiais e particulares, como o Ministério da Comunicação Social, INATEL, FAOJ, Câmaras Municipais, Juntas Distritais e Fundação Calouste Gulbenkian. A colaboração voluntária de jovens universitários, intensificou a recolha de norte a sul do país, tendo resultado no levantamento de inúmeros documentos de literatura oral, inquéritos sobre as condições de vida, de saúde e higiene públicas, colheram-se fórmulas medicinais populares e cautelas supersticiosas, músicas, além da recolha de alfaias agrícolas.
Em 1975, enquanto membro da Comissão de reorganização da FNAT/Inatel, apresentou o projecto “Centro de Documentação Operário–Camponesa” (CDOC), que, além da reformulação da estrutura existente, propunha uma nova filosofia de acção cultural. Em associação com o Plano Trabalho e Cultura, todos os materiais resultantes das campanhas nacionais do Serviço Cívico Estudantil e toda a documentação produzida foram entregues ao CDOC e, mais tarde, transferidos para o Museu do Trabalho em Setúbal.
Em 1981, editou com Fernando Lopes-Graça e através do Círculo de Leitores o Cancioneiro Popular Português, importante colectânea de canções e músicas instrumentais, que procura mostrar a multiplicidade dos géneros e estruturas musicais, na diversidade das características regionais.
A década de oitenta ficou, ainda, marcada pela preocupação de Giacometti em encontrar uma instituição que acolhesse todo o seu acervo. Em 1981, vendeu a colecção de instrumentos musicais e de objectos etnográficos à Câmara Municipal de Cascais, que fundou o Museu da Música Portuguesa. Em 1984, vendeu o arquivo sonoro à Secretaria de Estado da Cultura, encontrando-se, hoje, todo este acervo sonoro no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa.
Durante todo este tempo, Giacometti manteve a investigação de campo, que continuou até ao fim da sua vida. Em Agosto de 1990, numa campanha em Peroguarda, o trabalho do etnomusicólogo foi acompanhado pelo jornalista Adelino Gomes, que fez a última reportagem sobre o seu trabalho. Giacometti dizia que a “primeira qualidade que um etnomusicólogo precisa de ter é o amor ao trabalho e o amor sincero ao povo”. É talvez a melhor síntese do perfil deste investigador, e que ajuda a entender a sua grande dedicação à defesa da cultura tradicional portuguesa. Fernando Lopes-Graça dedicou-lhe a obra “À memória de Michel Giacometti, por tudo o que o povo português e a sua bela música tradicional lhe ficaram devendo”.
O etnomusicólogo veio a falecer em Novembro desse mesmo ano, tendo sido enterrado em Peroguarda a seu pedido.
Sessão no Barreiro sobre Nacionalizações anunciado pela Associação Conquistas da Revolução
Em nome da Associação Conquistas da Revolução, convidada pelo conjunto das Juntas de Freguesia do Barreiro para participar no almoço evocativo do 45º aniversário das manifestações operárias no Barreiro, a 1 e 3 de Maio de 1970, sujeitas a brutal intervenção das forças da GNR e palco de várias prisões, alargadas aliás a outros concelhos, o Coronel Baptista Alves, Militar de Abril e Vice-Presidente da ACR, tornou público o objectivo de realizar na noite de 19 de Junho, nos Penicheiros, naquela cidade, uma Sessão Comemorativa das Nacionalizações.
Sucedendo-se na palavra a Carlos Moreira, Presidente da União de Freguesias do Alto-Seixalinho, Santo André e Verderena, Alfredo Matos, um dos anti-fascistas presos, e Carlos Humberto Carvalho, Presidente da Câmara, Baptista Alves evocou os governos de Vasco Gonçalves e as Conquistas da Revolução que igualmente vincou serem inseparável fruto da intervenção dos trabalhadores e das massas populares e da sua unidade com o MFA. Samuel e vozes anónimas cantaram Abril.
A iniciativa de 19 de Junho resultará de uma alargada conjugação com instituições, organizações e associações, com destaque para os sindicatos da CGTP-IN.
Associação Conquistas da Revolução presente nas Comemorações do 25 de Abril no Seixal
Mais de 200 trabalhadores participaram no almoço convívio comemorativo do 25 de Abril que a Associação dos Serviços Sociais dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Seixal uma vez mais levou a cabo na cantina dos Serviços Operacionais do Município, no passado dia 28 de Abril.
Coube precisamente ao Vice-Presidente daquela, Manuel Janeiro, a abertura do período de intervenções, no qual tomaram a palavra ainda José Nobre, da Comissão Sindical (STAL), António Santos, em nome da União das Juntas de Freguesia do Seixal, Arrentela e Paio Pires e demais Juntas do Concelho, Alfredo Monteiro e Joaquim Santos, respectivamente Presidentes da Assembleia e Câmara Municipais, e a anteceder o forte coro colectivo da "Grândola, Vila Morena", o membro da Direcção da ACR, o Militar de Abril Capitão-Tenente Manuel Carvalho.
Os Valores da Revolução de há 41 anos, a obra do Poder Local democrático onde de forma particular se consubstancia a unidade dos eleitos, dos trabalhadores e das populações organizadas, a denuncia da política de direita dos sucessivos governos PS, PSD e CDS-PP, as Conquistas da Revolução e a defesa da paz, perpassaram as palavras ditas, não falando evocar outros 40 anos, os dos governos do General Vasco Gonçalves.
Intervenção de Manuel Begonha, Presidente da ACR, no jantar comemorativo do 41º aniversário da Revolução de Abril
Encontramo-nos hoje a comemorar o 41º aniversário da Revolução de Abril. Decorrente do Programa do MFA, surgiram os 3 D – Descolonizar, Democratizar e Desenvolver.
40 anos volvidos, podemos constatar:
Que a Descolonização com alguns incidentes de percurso, uns mais bem sucedidos do que outros, cumpriu-se, repondo Portugal no lugar que lhe competia entre as nações livres.
Que a Democratização teve um marco muito significativo que foram as primeiras eleições livres, especificamente para os Representantes da Assembleia Constituinte que iria produzir a Constituição da República, promulgada a 2 de Abril de 1976, a mais progressista e mais de acordo com os interesses do povo que conhecemos. Apesar de ter sido revista sete vezes, ainda é a mais importante salvaguarda das Conquistas da Revolução.
Que o Desenvolvimento depois do pujante arranque verificado com as nacionalizações e a reforma agrária, entre outras, conseguidas nos governos de Vasco Gonçalves foi progressivamente desvirtuado e conduzido por ideologias neo-liberais e social-democratas que perduraram até hoje.
A importância das nacionalizações não deve porém ser esquecida, pois combateram a sabotagem económica e no caso da banca a fuga de capitais. Já a reforma agrária demonstrou como é possível aumentar a produtividade da nossa agricultura.
Vivemos agora um presente em que a Europa se tem vindo a transformar numa feira de transferências, em que o trabalho se transfere para o capital, ou seja dos pobres, o povo, para os ricos que constituem as elites privilegiadas detentoras e gestoras do capital internacional. E legislam para perpetuar esta situação, impedindo que os mais pobres não tenham a mesma capacidade de aceder à saúde, à educação, à fruição da cultura e de uma forma de vida independente, fazendo crescer as desigualdades na distribuição da riqueza e do trabalho.
Desta forma, não existem verdadeiras reformas, enquanto estas não constituírem na transferência do poder de uma classe para outra.
Os objectivos deste governo não reflectem directamente o interesse do povo, o que deverá levar os democratas a compreender que se inserem numa luta de classes, devendo fazer opções, ou continuaremos a ser subjugados pelo oportunismo, pela ambiguidade e pela incoerência de uma política de direita que destroi progressivamente os alicerces da nossa sociedade.
Embora o país pareça estar em trânsito, numa procura que é flutuante e que indica uma disponibilidade, precisa de encontrar meios para se afirmar.
Estamos pois perante um governo que necessita de ser mudado até porque ao contrário de Vasco Gonçalves – a quem o povo português nunca questionou o caminho que escolheu e cujas iniciativas sempre demonstraram um elevado grau de patriotismo e coragem moral – falsifica a realidade quando pretende na sua actuação prática considerar a introdução do imprevisto. Ora o imprevisto não altera os planeamentos bem executados, que devem estar preparados com alternativas para o superar. O que se verifica é o remendo permanente e a constatação de que nunca se governará com verdade. Reina a convicção de que tudo correrá bem, desde que se deixem os acasos acontecerem.
É certo que o governo não consegue ocultar a sua essência neo-liberal o que lhe granjeou a simpatia dos dirigentes da comunidade europeia, a que corresponde uma forma agressiva de exercer o poder, à semelhança dos governos da Sra. Thatcher. Convém, no entanto, nunca esquecer a velha máxima, “se raspares a superfície de um neo-liberal por baixo surge o filo-fascista”.
Importa agora reflectir acerca da imperiosa necessidade de mudança e das eleições que se aproximam.
Uma das causas das pequenas ditaduras é a falta de reacção das massas. Dizia Mandela que “não é necessário ter estudado para querer gozar determinados direitos fundamentais, para ter aspirações, para fazer reivindicações. Não tem nada a ver com a educação.” Ou seja, as lutas que se avizinham não devem apenas incluir as elites politicamente educadas ou as representações partidárias, mas sim todos os que têm sido esquecidos e espezinhados pela política anti-social deste governo.
Devemos então contribuir para emancipar os trabalhadores, pela conquista do poder que lhes permita obter os objectivos justos de natureza económica e social, sem que a manifestação do medo, enfraqueça os que temem perder o emprego ou mesmo a redução do seu salário e das condições de trabalho.
Não deveremos omitir que em questões eleitorais um sistema de governo baseado na propaganda e na mentira pode sair reforçado por uma afirmação convincente do seu poder. Não é por acaso que a Comissão Europeia e as agências de rating começam a desenvolver os seus mecanismos de chantagem. É necessário abordar também o caso das alianças à esquerda. Se forem consideradas necessárias deve ser salvaguardado um mínimo dos objectivos programáticos de cada partido e serem reanalisadas as suas relações mútuas. Terão de ser encontradas formas correctas de entendimento, sem que ocorram tentativas de predomínio.
Com estes governantes não se pode pactuar, pois isto apenas trará mais prepotência e mais poder junto do seu eleitorado e a legitimação de cálculos errados e decisões falaciosas.
Estamos em Portugal perante a ameaça de forças reaccionárias externas e algumas das internas ligadas ao passado fascista. Só por isto os patriotas deverão unir-se na defesa da democracia e da liberdade e não para tratar questões menores que normalmente se resolvem por si próprias. Nos momentos difíceis é que os grandes movimentos de unidade são necessários.
A verdade é que sendo os processos argumentativos infindáveis, o neo-liberalismo vai continuando com o seu processo inexorável de destruição. Será então necessária a eminência de uma catástrofe financeira e o perigo de alienar a nossa soberania para acordar a nossa capacidade revolucionária?
É preciso reencontrar as grandes causas pelas quais tão denodadamente combatemos e retomar o caminho que nos leve a recuperar o que já perdemos. A nossa luta não será a do escravo a quem a esperança na vitória é negada.
O facto deste governo e o Presidente da República nos terem conduzido à presente situação, torna claro que mesmo que os seus desígnios não tivessem sido ideológicos serão culpados perante a História. A História que é o registo dos desmandos e misérias dos homens, pode ser pesquisada e analisada que dificilmente encontraremos um conjunto de desastres políticos, económicos e sociais, como os que se têm verificado nestes últimos quatro anos.
É nós queremos estar cá para os julgar.
VIVA O 25 de Abril
VIVA A ACR
Manuel Begonha, Presidente da ACR
Manuel Begonha, Presidente da ACR
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