Congresso "Conquistas da Revolução" - Intervenção de António Avelãs Nunes, Presidente da Assembleia Geral da ACR




Congresso "Conquistas da Revolução" Intervenção de António Avelãs Nunes, Presidente da Assembleia Geral da ACR



Há 40 anos a nossa Pátria deixou de ser “lugar de exílio” (Daniel Filipe) para os portugueses.

            Durante quase 50 anos de “injustiça e de vileza”, de “medo e de traição” (Sophia), o fascismo condenou-nos à opressão, à pobreza e ao analfabetismo, à guerra colonial e à emigração em massa. Mas, como diz uma canção do meu tempo de estudante de Coimbra, “é nas noites mais negras que as estrelas brilham mais” (Fernando Machado Soares). E elas brilharam na noite negra do fascismo, que encarcerou e assassinou muitas delas, como se as estrelas se pudessem encarcerar e mesmo assassinar… Tudo com a cumplicidade e o apoio activo do “mundo livre”, as chamadas democracias ocidentais. Salazar bem poderia ter dito: a Europa está connosco; o mundo livre está connosco…

            Mas o povo que faz a História nunca desertou da luta, organizou-se e foi sempre caminhando, um passo atrás, dois passos à frente, rumo à vitória. E esta surgiu num Abril cheio de cravos vermelhos, quando o povo fardado pegou em armas para pôr fim à ditadura.

            As portas que Abril abriu (Ary dos Santos) conduziram directamente ao Maio dos trabalhadores. Nesse 1º de Maio de 1974 começou, verdadeiramente, a revolução, porque nele se revelou e lançou a Aliança Povo-MFA. O povo já tinha enfeitado com cravos vermelhos as espingardas dos soldados de Abril, dizendo com flores que não queria mais guerra. Já tinha dado caça aos pides e já tinha libertado os presos políticos. Já tinha começado a exercer os seus direitos e a gozar as suas liberdades. Mas foi com o 1º de Maio que o povo impôs a Spínola e aos que o apoiavam o reconhecimento imediato dos partidos políticos, a aceitação do papel dos sindicatos, a libertação das câmaras municipais e das juntas de freguesia dos fascistas que as ocupavam ilegitimamente.

            Pelas portas que Abril abriu entrou a festa, a liberdade e a democracia.

 E, como o povo é quem mais ordena, entraram também a criação do salário mínimo nacional e a sua fixação em 3.300$00, duplicando ou triplicando o rendimento de milhões de trabalhadores portugueses, que ficaram com um poder de compra superior ao do atual salário mínimo.

E entrou o reconhecimento do direito das mulheres a aceder à magistratura, à diplomacia e a outros cargos públicos e a proclamação da igualdade de direitos entre homens e mulheres.

E entrou a generalização dos direitos da segurança social, o direito ao subsídio de Natal, a generalização do direito a férias e ao subsídio de férias, o aumento do abono de família e de outras prestações sociais. E entrou a atribuição do direito a 90 dias de licença de parto e a consagração do direito ao subsídio de desemprego.

As portas que Abril abriu abriram o caminho da revolução. Consciente disto mesmo, o povo, em aliança com o MFA, foi exercendo todos os seus direitos, mesmo antes da sua consagração legal.

Foi o povo que, logo no dia 25 de Abril, aboliu a censura e exerceu, sem limitações, a liberdade de pensamento e de expressão, bem como a liberdade de reunião, de associação e de manifestação, apesar de o MFA apelar às pessoas para que ficassem em casa.

Foi o povo que ocupou as sedes da União Nacional-Acção Nacional Popular, da Pide, da Legião e da MP, deitando todo este lixo para o respectivo caixote.

Foi o povo que exigiu nas ruas o fim da guerra colonial e o reconhecimento do direito dos povos colonizados à autodeterminação e à independência, pondo fim à resistência dos últimos bastiões do colonialismo.

Foi o povo trabalhador que impôs os partidos políticos, os sindicatos e o direito à greve, que saneou as autarquias e assumiu a administração das empresas abandonadas ou sabotadas pelos patrões.

 Foram os trabalhadores que chamaram a si o controlo dos bancos que persistiam em sangrar o País e que ocuparam e cultivaram as terras do latifúndio, sob o lema a terra a quem a trabalha, transformando os ideais em força material: 550 UCPs e cooperativas passaram a cultivar mais de um milhão de hectares de terra, dando emprego a mais de 50 mil trabalhadores e criando riqueza como nunca antes, riqueza repartida por toda a comunidade.

Foi o povo que impôs a nacionalização da banca, dos seguros e dos sectores estratégicos, a reforma agrária, o controlo operário, a subordinação do poder económico ao poder político democrático, pondo termo ao poder dos grupos monopolistas que tinham sido a base de apoio do fascismo.

Foi o povo que escreveu nas ruas, nos campos, nos mares, nas cidades, nas fábricas, nas oficinas, nos quartéis, nas escolas, nos hospitais e nas repartições públicas as normas que viriam a ser consagradas na CRP, promulgada pelo Presidente Costa Gomes em 2 de Abril de 1976 para entrar em vigor no dia 25 de Abril desse ano. E com a CRP veio a criação do SNS, o desenvolvimento e a melhoria da escola pública, o poder local democrático.

Portugal mudou radicalmente. E mudou para muito melhor. Apesar da situação herdada do fascismo, apesar da situação internacional desfavorável (o mundo capitalista vivia em 1973 em depressão complementada por acentuada inflação – a famosa estagflação) e apesar do boicote do “mundo livre”, o período revolucionário foi, em Portugal, um período de crescimento económico e de desenvolvimento social. Isto mesmo consta de um Relatório da insuspeita OCDE, ao reconhecer que, em finais de 1975, a economia portuguesa gozava de uma “saúde invejável”.

A revolução portuguesa ajudou também a mudar o mundo, nesse mesmo ano em que o poderoso exército do imperialismo sofreu uma derrota humilhante no Vietnam, cujo povo obrigou os EUA a uma capitulação sem condições. A derrota do fascismo colonialista em Portugal veio acelerar e consolidar a vitória dos movimentos de libertação nas antigas colónias portuguesas, pondo fim ao último império colonial e abrindo o caminho à derrota do apartheid na África do Sul.

O 25 de Abril valeu a pena. Vale a pena celebrar Abril e continuar a defender os valores de Abril e as conquistas de Abril!

E as conquistas de Abril, as conquistas da revolução, andam associadas a um homem, a um militar de Abril, que encarnou, como nenhum outro, o espírito e a força da Aliança Povo-MFA, que acreditou nas capacidades do povo português e que trabalhou, dia e noite, para tornar realidade no nosso País o programa político que viria a ser plasmado na CRP. Refiro-me, como já adivinharam, a Vasco Gonçalves.

Por mais que queiram ‘matar’ a sua memória pelo silêncio, ele faz parte da História de Portugal nos anos da Revolução, porque ele fez História, sempre do lado dos trabalhadores e sempre ao lado dos trabalhadores. Primeiro-Ministro, por indicação do MFA, de 18.7.1974 até 2.9.1975, os seus Governos – apesar de deles fazerem parte, salvo o V Governo Provisório, forças que, manifestamente, não queriam que a revolução avançasse – procuraram acompanhar os anseios populares e deram ao povo trabalhador inteira liberdade para exercer os seus direitos e para expressar a sua vontade.

O Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves está associado aos momentos mais importantes do processo revolucionário: o reconhecimento por Portugal do direito à autodeterminação dos povos, incluindo a aceitação da independência dos territórios coloniais; a legalização do direito à greve (DL nº 372/74,de 27 de Agosto); o reconhecimento do direito dos trabalhadores desempregados aos benefícios concedidos pela Previdência (DL nº 411/74, de 5 de Setembro); a institucionalização do subsídio de desemprego (DL nº 169-D/75, de 31 de Março); a actualização do salário mínimo para 4.000$00 (DL nº 292/75, de 16 de Junho); o reconhecimento dos trabalhadores do estado (incluindo os militares e os membros das forças militarizadas) a uma remuneração mínima e ao subsídio de férias (DL nº 294/75, de 16 de Junho); a nacionalização dos bancos emissores – Banco de Portugal, BNU e Banco de Angola (DL nºs 450, 451 e 452, de 13 de Setembro de 1974); a legalização da gestão democrática das escolas (DL nº 806/74, de 31 de Dezembro); a nacionalização da banca e dos seguros e dos sectores básicos e estratégicos da economia; o reconhecimento do controlo da produção organizado pelos trabalhadores (DL nº 203-C/75, de 15 de Abril); a legalização da reforma agrária, levada a cabo pelo operariado agrícola nas terras do latifúndio, mas dando particular atenção aos apoios a prestar pelo estado aos pequenos e médios agricultores, especialmente no norte e centro do País, e também à proteção dos rendeiros com a consagração de um novo regime do arrendamento rural (DL nº 201/75, de 15 de Abril), e ao direito dos povos a administrar os baldios.

Vasco Gonçalves não foi deputado à Assembleia Constituinte. Mas acreditou que era possível construir em Portugal, como um dia escreveu, “uma via pacífica e pluralista para a democracia e o socialismo, garantida pelas Forças Armadas”. Por isso ele esteve com os trabalhadores, com os jovens, com as mulheres, com os militares do MFA em todas as ações, em todas as lutas através das quais se foram escrevendo, com tintas fortes, os princípios e os direitos que a CRP veio consagrar. Ele esteve comprometido com todas as ações do povo português

- para “defender a independência nacional, garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, estabelecer os princípios basilares da democracia, assegurar o primado do estado de direito democrático e abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno” (do Preâmbulo da CRP);

- para fazer da República portuguesa “uma República soberana, baseada na dignidade humana e na vontade popular e empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes” (art. 1º CRP);

- para fazer de Portugal “um estado democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democráticas, (...) com o objectivo de assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras” (art. 2º CRP), um estado cujas tarefas fundamentais são as de “garantir a independência nacional, criando as condições políticas, económicas e sociais que a promovam, e (…) abolir a exploração e a opressão do homem pelo homem” (art. 9º CRP);

- para fazer de Portugal um estado que “preconiza a abolição de todas as formas de imperialismo, colonialismo e agressão, o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos” (art. 7º CRP).

A expressão gonçalvismo foi inventada pelos adversários da Revolução para reduzir o movimento revolucionário a uma espécie de seguidismo messiânico e para desvalorizar e depreciar o mais destacado timoneiro do movimento revolucionário no seio do MFA. Ela é filha do medo de quem a inventou, medo da revolução, medo do socialismo, e a violência e o destempero das calúnias que ela pretendia (e ainda pretende) veicular foram subindo à medida do medo dos seus inventores.

 Criada para ser usada depreciativamente contra Vasco Gonçalves e contra as políticas que este representava, esta expressão acabou por se transformar numa homenagem a Vasco Gonçalves. Em 1977, ele próprio descodificou esta campanha: “Hoje em dia, falar de gonçalvismo é identificar o gonçalvismo com as conquistas da revolução”; “hoje em dia, a luta contra o gonçalvismo é, na realidade, uma luta contra a Constituição”.

Verdade de ontem, verdade de hoje. A CRP recorda-lhes a Revolução e as conquistas da Revolução. E Vasco Gonçalves continua a ser para eles, ainda que o neguem mil vezes, o rosto e o símbolo da Revolução de Abril.

Apesar dos rombos que sofreu, a CRP continua a ser um obstáculo aos avanços da direita revanchista e saudosa do passado, que continua a olhá-la com maus olhos, considerando-a uma manifestação do império do mal. Outros há, no entanto, no afã de enterrarem tudo o que cheire à Revolução de Abril, têm procurado vestir a C RP com roupas de Novembro, desrespeitando-a sempre que podem e mostrando-se sempre, em nome da ‘modernidade’ (eles acompanham sempre as ‘modas’…), dispostos a revê-la (encostados à direita).

Para nós, ela continua a ser um bom programa para reunir à volta dele os democratas que queiram trabalhar para fazer de Portugal uma Pátria soberana e independente, um país mais livre, mais justo e mais fraterno, em que o poder económico e financeiro esteja efectivamente subordinado ao poder político democrático.

Estes mesmos que nunca quiseram nem querem nada que se pareça com a revolução aliam-se à direita na obra inglória de ‘matar’ de novo Vasco Gonçalves, desta vez pelo silêncio. Todos eles ‘encenaram’ as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril como se ele não tivesse existido. Mas ele existiu e vai ficar na História, mesmo quando já ninguém se lembrar dos seus adversários e destes ‘encenadores’ que procuram tirar do retrato da História um dos seus actores mais destacados.

“Homem de um só rosto e de uma só fé”, como diria o velho Sá de Miranda, Vasco Gonçalves sublinhou um dia que “o socialismo que queremos consiste (também) na possibilidade de cada cidadão ser um homem de lisura, um homem limpo, um homem íntegro, um homem transparente”. Parece que desenhava o seu próprio retrato, porque Vasco foi isso mesmo: um homem de lisura, um homem limpo, um homem íntegro, um homem transparente. Um homem que sempre olhou o povo olhos nos olhos, e que disse num dos seus discursos: “Esta cara não se esconde, não muda, não renuncia. É a minha cara. (…) É a cara a quem vocês pedirão contas”.

Este era Vasco Gonçalves, “homem inteiro”, “homem verdade”, o “Vasco igual a povo”, o Companheiro Vasco, símbolo maior da Aliança Povo-MFA. Homem do MFA (“essa gente é o que é, eu sou um homem do MFA”, como repetia tantas vezes), que faz da sua participação no 25 de Abril, ao lado dos capitães, o momento mais alto da sua vida, não se esquece, porém, de sublinhar que “é o povo que faz a História”.

Um dia confidenciou ao seu Amigo João de Freitas Branco: “O que mais me espanta nestes tipos é a falta de patriotismo”. Como patriota que foi, ele entendia, porém, que “a Pátria são os portugueses de carne e osso, (…) é o povo que vive dia a dia os eus problemas, mas que sofre e que tem alegrias, que constrói o futuro, dia a dia”.

Termino esta minha fala com uma mensagem de Vasco Gonçalves:
“O futuro com que sonhei não é cada vez mais saudade, é, sim, cada vez mais, necessidade imperiosa. Assim o povo o compreenda”.
É nossa obrigação dizer-lhe que não nos esconderemos, que não mudaremos de rumo, que não renunciaremos aos nossos ideais.
Com o teu exemplo e a tua força, Companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço!


António Avelãs Nunes

Lisboa, 4 de Outubro de 2014

Congresso "Conquistas da Revolução" - Intervenção de Manuel Begonha Presidente da ACR






Boa tarde a todos

Este Congresso teve como referência o General Vasco Gonçalves, figura ímpar e principal motivo de inspiração da nossa Associação. De facto a razão primeira que nos movimenta é preservar o seu pensamento e a sua obra.
Se outro mérito não tivesse este tão rico e participado Congresso, foi pelo menos o de discutirmos temas que não foram abordados em nenhumas outras sessões comemorativas, colóquios e seminários, integrados no 40º aniversário do 25 de Abril e muito menos nas oficiais, claramente situacionistas.

As intervenções que aqui foram proferidas permitem-nos perceber melhor o que foram os 48 anos de ditadura e o ignóbil fascismo que nos oprimiu e que tão estéril foi para Portugal.
Ficou claro o combate pela liberdade que tantos extractos do nosso povo desenvolveram, desde os estudantes, aos sindicalistas, aos agricultores, às mulheres, aos operários, incluindo os militares, sem esquecer a violência da luta na clandestinidade. E foram todas estas acções que nos permitiram estar hoje aqui.

Nesta árdua caminhada assistimos à importância que a guerra colonial teve na alteração da análise que os militares faziam da situação, passando a concluir que estavam envolvidos numa guerra injusta e contra o sentido da história.
Sob o beneplácito untuoso de Salazar e Caetano, passamos a viver com a PIDE, exploraram-se os assalariados rurais e assassinou-se Catarina Eufémia.
Perseguiu-se a cultura e os intelectuais e assassinou-se José Dias Coelho.
Falava-se “numa casa portuguesa com certeza”, mas que de dignidade nada tinha.
Encheram-se as prisões de Caxias, Aljube e Peniche e o Campo de Concentração do Tarrafal. Manteve-se o povo na ignorância e entregue a si próprio. Teceram-se laudas à emigração. Escolheu-se o exílio. Impediu-se o exercício da actividade sindical e associativa. Estabeleceu-se a Censura. Activaram-se os Tribunais Primários. Subalternizou-se a mulher não lhe reconhecendo o direito à igualdade e à cidadania plena. Realizou-se o assalto ao Quartel de Beja. Eliminaram-se as eleições livres.
E tudo isto aqui foi retratado.

Subitamente Salazar cai da cadeira. Pateticamente Caetano mantem um fantasma na convicção que ainda detém o poder, enquanto aparenta suavizar o regime. Nada feito. Tomás é irredutível. A guerra é para continuar.
Realiza-se o Congresso de Aveiro. As greves de vários sectores alastram por todo o país. Agudizam-se as lutas estudantis e o luto académico. Funda-se a Intersindical Nacional. Conquistam-se as 8 horas de trabalho diário para os assalariados rurais.
A luta recrudesce e dentro dos quartéis, com a ajuda dos milicianos, a contestação sobe de tom.

Até que chegou a madrugada libertadora do 25 de Abril de 1974, com a tomada do poder pelos militares que foram de imediato activamente apoiados pelo povo.
Ramiro Correia resume deste modo a situação até então vivida:
“Após 48 anos de fascismo, 14 anos de guerras coloniais, 32% de analfabetos, 10% da população emigrada e milhares de mortos e inválidos de guerra.
Após termos índices sanitários dos mais baixos da Europa, problemas dramáticos na habitação e economia desastrosa.

Com o prestígio internacional nulo. Repressão. Censura. Corrupção. Foi neste clima de tragédia que na madrugada do 25 de Abril o MFA e o Povo iniciaram a árdua caminhada para a construção da sociedade socialista em Portugal”.
Seguiu-se um 1º de Maio congregador. Foi uma gigantesca manifestação da vontade de mudar. Levantou-se então uma força revolucionária imparável que percorreu toda a sociedade portuguesa, conduzida essencialmente pelos trabalhadores e que juntamente com o MFA se propôs dar imediata execução aos 3 “D” do Programa do MFA – Descolonizar, Democratizar, Desenvolver.

Neutralizou-se a PIDE e a Censura, libertaram-se os presos políticos e, após várias vicissitudes, o ímpeto revolucionário parece ter abrandado com o consulado de Spínola. Mas este será de curta duração e a sua queda permitiu finalmente o avanço da Descolonização, inicia-se a preparação da questão da terra a epopeia da Reforma Agrária e chegam ao terreno as campanhas de Dinamização Cultural que se revelaram de grande importância na divulgação do Programa do MFA e na acção cívica junto à população.
Como em todas as épocas singulares da história dos povos, surgiu um Homem, o General Vasco Gonçalves, com a dimensão moral e política que este tempo exigia.
Nos 4 Governos provisórios a que presidiu e apesar das dificuldades próprias destes processos, colocadas desde logo por movimentos contra-revolucionários nacionais e internacionais, foi capaz de responder às necessidades mais prementes, identificando e combatendo as injustiças sociais mais flagrantes provenientes do regime fascista e assim lançando os alicerces para a construção de uma sociedade nova.
Tal objectivo foi conseguido mantendo a economia a funcionar, melhorando mesmo os indicadores económicos, como aliás foi reconhecido por uma delegação do FMI que à época se deslocou a Portugal.

E isto está claro no que aqui hoje foi dito.
Deste período criativo e transformador da Revolução, decorreram a legalização dos partidos, os avanços nas fábricas, nos campos, nos serviços; os trabalhadores organizam-se e tomam o controlo da produção e defendem-se das tentativas de sabotagem dos patrões; avança a gestão democrática nas escolas e os movimentos dos rendeiros e assalariados rurais preparam a Reforma Agrária.
Sucedem-se então as grandes acções revolucionárias que constituíram as Conquistas da Revolução. Muito hoje ouvimos falar delas, mas contudo destacaria as Nacionalizações, o Controlo Operário da Produção, a Reforma Agrária, o Poder Local Democrático, o reconhecimento da igualdade das mulheres e a Constituição da República.

Esta, após sete revisões continua a ser o garante da democracia e o baluarte para a defesa das conquistas da Revolução que ainda restam. Como ouvimos é uma Constituição que vertia para si os direitos individuais consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que defende a independência e soberania nacionais, e que punha fim ao colonialismo. Apesar de todos os ataques mantém no actual texto constitucional direitos fundamentais que nos levam a lutar pela sua defesa e a exigir o seu cumprimento.
No entanto, um país nestas condições era inaceitável e perigoso para o capital nacional e internacional que de imediato desencadeou uma gigantesca ofensiva contra este Portugal, fortemente apoiado pelas forças reaccionárias externas.

Iniciam-se as reuniões espúrias de Mário Soares e do Grupo dos 9 com o embaixador Frank Carlucci, percursoras do golpe do 25 de Novembro. Divide-se o MFA. O PS e alguns dos 9 coligam-se com a direita e a contra-revolução. Incentiva-se a extrema-esquerda.
Otelo envereda por uma política errática. Trai-se Vasco Gonçalves. Crescem as cedências à soberania nacional e a submissão do poder político ao poder económico, ou seja ao BES e seus aliados. Metodicamente destrói-se a indústria nacional. Cresce a sabotagem económica. Dá-se o pronunciamento de Tancos e a demissão de Vasco Gonçalves. Extingue-se a 5ª Divisão do EMGFA e as campanhas de dinamização cultural. Promulga-se a Lei Barreto e a destruição da Reforma Agrária.

Desenvolvem-se redes bombistas. Cria-se o ELP e o MDLP. Atacam-se as sedes do PCP e do MDP. Ataca-se há onze anos a contratação colectiva. Tenta aumentar-se o horário de trabalho. Faz-se um ataque selvagem ao ensino público, investigação, SNS e acesso aos Tribunais. Baixam os salários. Cresce o desemprego. Reaparece a Censura a iniciativas como esta. O país volta a perder o crédito nacional e internacional. E vai ficando mais triste e mais inseguro.

Finalmente que futuro para Portugal?
É claro que terá de ser de luta para travar este Governo em que os ministros cometem erros grosseiros, pedem desculpas, arranjam bodes expiatórios, mas não se demitem. Ou seja o Governo em vez de desenvolver vende o património nacional, apenas se preocupando com a consolidação da ideologia dominante; é gritante o défice de liderança e de gestão, entregando-nos nas mãos do capital internacional e aos ciclos especulativos. Cria-se então um ambiente de inibição colectiva de enfrentar o risco e a diferença, muitas vezes identificado como pessimismo.

A economia não é conduzida tendo em vista a investigação e o desenvolvimento, isto é o rumo que conduza à especialização e ao conhecimento.
Não se verifica a capacidade de identificar o fundamental e de descrevê-lo sem equívocos. Tal postura reflecte a ausência de um pensamento estratégico e um plano para o país.
As decisões são tomadas ao sabor da sorte e do acaso, sendo um disfarce para a ignorância e o fatalismo.
O que se espera de um Governo é competência. Isto é, saber fazer as escolhas adequadas e não andar à deriva.

Este gigantesco embuste está criado. Mas não está consolidado. Temos de ir buscar às lições do passado próximo e dos combates contra a ditadura, novas formas de luta, mais elaboradas, mais criativas, mas sempre determinadas para voltar aos caminhos da justiça, solidariedade e bem-estar para todos os portugueses.

E nós estamos atentos a isto tudo. A ACR no programa para 2015, integra um conjunto de acções que não dará tréguas a este Governo. Só resistindo seremos dignos do Homem que hoje também estivemos a homenagear. O General Vasco Gonçalves.

Manuel Begonha Presidente da ACR

Apresentação do livro VASCO, NOME DE ABRIL no Porto

No passado dia 22 de Setembro ocorreu no Porto, na Atmosfera M , perante numerosa assistência, o lançamento do livro Vasco Nome de Abril. Estiveram na mesa Manuel Begonha e Baptista Alves da Direcção da ACR, Jorge Sarabando dirigente do núcleo local da ACR e Avelino Gonçalves Ministro do Trabalho do 1º Governo constitucional. A sessão decorreu num ambiente muito animado mas também emotivo.









Intervenção de Avelino Gonçalves
na sessão de apresentação do livro
VASCO, NOME DE ABRIL
na ATMOSFERA M
no Porto
em 22.SETEMBRO.2014

Nenhuma revolução é redutível a um homem.
Mas há homens cujo nome fica indubitavelmente ligado a uma revoluçção.
No caso do 25 de Abril, Vasco Gonçalves é, muito justamente, um deles.
O Movimento das Forças Armadas comprometeu-se com três objectivos: Descolonizar, Democratizar e Desenvolver.
Fez tudo, ou quase tudo, para cumprir, pela sua parte, estes três desígnios.
Reconheceu o direito dos povos das colónias à autodeterminação e à independência.
Liquidou a ditadura e assegurou-se de que fosse elaborada e promulgada a Constituição.
Promoveu uma série de medidas tendentes a desenvolver o país no plano económico e social.
Designadamente, promoveu a liberdade de iniciativa empresarial, garantiu condições para o acesso de todos ao ensino, assegurou que o Estado assumisse o controlo de sectores chave da actividade económica como a banca e os seguros, a metalurgia pesada e a petroquímica e os colocasse ao serviço do povo e do país.
Em todas estas situações tiveram sempre um indispensável papel as estruturas dirigentes do Movimento das Forças Armadas, nas quais Vasco Gonçalves teve um destacado papel por mais de um ano.
Não é nenhum privilégio viver sob uma ditadura.
Há muito para contar, mas o que há para contar não é, em geral, bonito de ouvir.
Pode sublinhar-se a luta dos resistentes, a sua coragem, a sua capacidade de enfrentar os esbirros e de os remeter à sua condição de poltrões.
Mas esse modo de contar a vida não pode escamotear o brutal sofrimento, as privações e revolta irresolvida que a perseguição, a prisão arbitrária, a tortura, o isolamento e a privação da vida em família, da convivência com os filhos sempre representou para os antifascistas atingidos pela repressão.
A PIDE e a sua rede de bufos e informadores, a Censura, os Tribunais Plenários, as medidas de segurança, a Legião e a Mocidade Portuguesa, os serviços de propaganda do regime, os Governadores Civis e os delegados do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência constituiam em conjunto com outras instituições uma rede opressiva que violentava, esmagava, oprimia, secava a naturalidade criativa.
Quem não recorda a odiosa Lei 27003 que impunha a chamada “declaração anticomunista” e exigia a delação por parte das chefias da administração pública e de serviços autónomos e, até, das empresas privadas?
Quem esquece as medidas administrativas arbitrárias de encerramento temporário que se abatiam sobre empresas em que se registassem greves?
Nunca morreu no povo português a aspiração à liberdade.
Repetidas vezes (dezasseis ao todo), militares e civis se levantaram em armas contra a ditadura e pagaram com a pisão, a tortura, o degredo e por vezes com a morte a sua oposição ao fascismo.
Ao longos dos 48 anos da ditadura sempre os mais diversos grupos profissionais e estratos e sectores da população lutaram pelos seus interesses e direitos e pela liberdade.
Ao longo de dezenas de anos os trabalhadores texteis, os metalúrgicos, os corticeiros, os estivadores, os caixeiros, os trabalhadores rurais do Alentejo e Ribatejo, como também os bancários, os profissionais de seguros, os empregados de escritório, os professores e os médicos uniram-se na luta por melhores salários, pela redução da jornada de trabalho, pelo direito a férias e por garantias de segurança social.
Aqui no Porto, funcionou muitos anos a Comissão Democrática de Trabalhadores, estrutura ligada ao Movimento da Oposição Democrática.
Na Comissão Democrática de Trabalhadores participavam activistas sindicais de diversos sectores profissionais, designadamente metalúrgicos, texteis, gráficos, bancários, escritórios, seguros, barbeiros, alfaiates, caixeiros.
Os membros da CDT promoviam uma intensa participação dos seus sectores de actividade em iniciativas cívicas e políticas, sessões, concentrações,, romagens e manifestações promovidas em torno de datas significativas como o 31 de Janeiro, o 5 de Outubro e o 1.º de Maio.
Algumas dessas jornadas, como o 31 de Janeiro de 1962, o 1.º de Maio de 1971 e a jornada contra a carestia da vida de 15 de Abril de 1972 foram grandiosas jornadas de luta.
Jornalistas franceses que visitaram Portugal em 1974 testemunharam um país surpreendente: grande número de analfabetos, falta de estradas e de escolas, falta de esgotos e saneamento, falta de estruturas e serviços de saúde, barracas e ilhas insalubres, etc.
Em 1974 Portugal sustentava uma guerra colonial em três frentes, Guiné, Angola e Moçambique, enquanto a inflação trepava até valores insustentáveis.
A mortalidade infantil atingia os 45%o (e hoje é de cerca de 3%o).
Na década que precedeu o 25 de Abril emigrou mais de 15% da população.
Eram profundas as desigualdades, mesmo no seio das classes trabalhadoras.
Grupos profissionais havia, como os texteis ou os funcionários públicos, que venciam salários de miséria, que chegavam a ser dez vezes mais baixos do que aqueles que os bancários auferiam.
O SMN fixado em Maio de 74 nos três mil e trezentos escudos abrangeu 56% dos trabalhadores portugueses e mais de 60% dos funcionários públicos.
Nos campos do norte e centro os caseiros e rendeiros eram esmagados pelas condições desiguais das parcerias.
Há a ideia de que Vasco Gonçalves foi muito responsável pelo aconteceu a Portugal em 74 / 75.
Eu acho que foi e que por isso Portugal e os portugueses lhe devem muito.
Em dois anos, de Abril de 74 a Abril de 1976, Portugal sofreu uma profunda transformação.
Por mais de metade desse período Vasco Gonçalves permaneceu à testa do Goveno.
Com tal vigor e determinação que muitos meses depois ter sido vencido (de termos sido vencidos), o impulso da sua governação marcava ainda os acontecimentos.
Vasco Gonçalves tomou posse como Primeiro Ministro do II Governo Provisório em meados de Julho de 1974.
A sua tomada de posse marcou a derrota do Golpe Palma Carlos, desbaratado pela Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas.
O projecto autoritário de Spínola e Sá Carneiro de apressar as eleições presidenciais, reforçar os poderes de Spínola e adiar as da Assembleia Constituinte saiu derrotado.
Seguiu-se um ano de governos presididos por Vasco Gonçalves.
Em Agosto de 1975 Vasco Gonçalves preside ainda ao V Governo Provisório mas era já evidente que a generosidade e intrepidez de Vasco Gonçalves e dos seus companheiros de Governo era um sacrifício de heróis condenados.
Em Setembro de 75 Vasco Gonçalves é substituído na chefia do governo mas o ímpeto profundo da Revolução prossegue durante meses.
Em Abril a Constituição da República é aprovada com a única oposição do CDS e de imediato promulgada pelo chefe de estado general Costa Gomes.
Durante largo tempo a Reforma Agrária avança e resiste. A Lei Barreto que desencadeou a destruição legal da Reforma Agrária é de 1977.
Naturalmente se a Revolução prossegue ainda e em certos aspectos se aprofunda sem Vasco Gonçalves no Governo, isso acontece porque o movimento popular de massas que foi sempre um elemento primacial da Revolução mantém a sua enérgica acção mesmo para além da vitória do golpe do 25 de Novembro.
A elaboração da Constituição da República de 2 de Abril de 1976 foi possível, ainda, porque forças influentes no quadro civil e militar se mantiveram combativas e fieis aos objectivos da Revolução para além do 25 de Novembro.
A Constituição de 1976 é a tradução jurídico-política do triunfo da Revolução do 25 de Abril.
O seu clausulado para além de configurar o estado de direito, consagra e destaca na sua estrutura jurídica liberdades e direitos fundamentais no plano político, económico, social e cultural.
É assim que consagra no Título III, Parte I, os direitos económicos, sociais e culturais e nomeadamente o direito ao trabalho, à segurança social, à saúde, à habitação, à qualidade de vida, os direitos da família, dos pais e da infância, dos jovens, dos deficientes e da terceira idade, mas também o direito à educação e à cultura, ao ensino, à fruição e criação cultural e à cultura física e desporto no quadro dos direitos fundamentais.
A Constituição de 1976 reflectiu a concepção humanista, solidária e progressiva da sociedade que sempre marcou a acção dos mais destacados protagonistas do processo revolucionário e, entre eles, Vasco Gonçalves.
A consagração destes normativos constitucionais ia de par com as reivindicações dos trabalhadores e das massas populares, dos jovens e das mulheres, nas ruas, nos locais de trabalho, nas escolas.
Naturalmente que no processo histórico há também tempos de recuo.
São dessa ordem os tempos que vivemos actualmente, em que uma minoria possidente e opressora consegue fazer recuar provisoriamente as conquistas dos cidadãos e dos povos.
Os mesmos que dirigem as grandes empresas transnacionais tentam chamar a si, por completo, as rédeas do poder.
Não lhes basta o poder económico. Vêm sequestrando o poder político, com a colaboração dos que se passam para o lado do neoliberalismo e do imperialismo, com a conivência dos que se apressam a aceitar como inevitável o transitório avanço da opressão e do medo, dos que desistem do sonho de uma sociedade mais justa e mais fraterna.
A nível nacional e global os grandes centros financeiros têm tecido as mais ardilosas formas de cerco e de domínio. Nas últimas dezenas de anos a concentração do rendimento e da riqueza faz-se a um ritmo dia a dia mais veloz e por todo o mundo dito desenvolvido cresce a desigualdade.
Os grandes senhores do mundo conseguem chamar a si a grande parte da riqueza produzida com o sangue, suor e lágrimas de milhões e milhões de deserdados.
Numa época em que os avanços científicos e tecnológicos permitiriam que baixasse o tempo de trabalho e melhorasse a qualidade de vida das massas trabalhadoras, é o contrário que vem acontecendo.
É um caminho que não é inevitável e que se não for rapidamente revertido nos levará aos mais graves dos desastres, no sentido de uma sociedade em conflito, de um poder político concentracionário e opressor.
O Homem não tem que ser o lobo do Homem.
A Humanidade tem feito o caminho do progresso pela cooperação e pelo reconhecimento da dignidade de cada homem.
Os valores por que se bateu Vasco Gonçalves e proclamados na Constituição da República Portuguesa não são utópicos nem dispensáveis.
Há áreas de actividade que têm de ser geridas em termos de bens públicos. O abastecimento de água ao domicílio, os serviços de saúde, o ensino, a energia, as telecomunicações, a produção e distribuição dos produtos alimentares, a defesa do meio ambiente não podem ser transformadas em coutadas do grande capital transnacional antes têm de ser geridas em termos de bens públicos.
É necessário afirmar  o primado da política sobre a economia. Os povos têm o direito de escolher a sociedade que querem construir.
Como disse Vasco Gonçalves, moral e política vão de par, não se podem dissociar.
É preciso sonhar e, prosseguir, desenvolver e retomar sempre a luta por um mundo melhor, por um mundo de liberdade e de paz, por um mundo desenvolvido e solidário, em que, nas palavras de Vasco Gonçalves em Almada, cada português possa livre e feliz. 

Faleceu o Coronel Fernando Queiroz de Azevedo

Caros Amigos

Morreu mais um Militar de Abril, o nosso querido amigo Caros Amigos

Morreu mais um Militar de Abril, o nosso querido amigo Queiroz de Azevedo.
Estava muito doente com um cancro espalhado que não teve a assistência devida, no tempo útil, no actual Hospital das Forças Armadas, onde nem baixa obteve depois do incipiente diagnóstico que foi feito.
Caminhou depois para a Fundação Champalimau onde o encaminharam de urgência para o Hospital da Cruz Vermelha. Ali resistiu poucos dias devido ao estado adiantado da doença, Faleceu hoje. Ainda estive com ele há dois dias, reconheceu-me, apertou-me a mão com força e assim estivemos alguns minutos, onde mentalmente lhe prometi denunciar, com muita revolta, a situação decadente em que a actual governação colocou a assistência na doença dos militares da nossa Pátria.
Que a vida do Fernando Azevedo, revolucionário de Abril, sirva para que as Forças Armadas acordem e digam basta a esta camarilha que nos despreza.

João Bilstein Sequeira
Cor Cav. Ref..

Comissão Organizadora do Congresso



Comissão Organizadora do Congresso

Armando Myre-Dores
Baptista Alves
Beatriz Nunes
José Casanova
Manuel Begonha
Modesto Navarro
Nuno Lopes

Algumas intervenções iniciais que serão acompanhadas por outras intervenções que estão a ser solicitadas

Intervenção de abertura
Avelãs Nunes

Painel 1
O Derrubamento da ditadura fascista
Nuno Lopes

Painel 2
O Processo Revolucionário
Vítor Lambert
Baptista Alves
Henrique Mendonça
José Sucena

Painel 3
A contra-revolução -- A resistência Perspectivas futuras
Modesto Navarro
Joaquim Ponte
José Capucho

O congresso está aberto a outras intervenções mediante inscrição atempada dos participantes

CONGRESSO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO"


Congresso Conquistas da Revolução     4 e 5 de Out.

Saiba mais sobre este nosso Congresso ,no âmbito do nosso programa das comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril, clicando na nossa página ao cimo e à direita, em "CONGRESSO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO" . Poderá já saber dos seus conteúdos, painéis e respectivos horários. Tem ainda a possibilidade de utilizar a respectiva ficha de inscrição.

A Direcção


PALESTINA LIVRE

Por uma PALESTINA LIVRE

A ACR desde sempre solidária com o combate a estas agressões e contra a ocupação da Palestina, convida os seus associados a estarem presentes nesta manifestação.


Esta nova agressão israelita em grande escala – que utiliza como pretexto a morte de três jovens israelitas, em circunstâncias ainda por apurar 

já provocou milhares mortos, incluindo crianças, e centenas de feridos, para além da destruição sistemática de habitações,escolas e instituições palestinianas.

Não se pode esquecer o resultado da última agressão de grande escala levada a cabo por Israel contra a população Palestina da Faixa de Gaza, a operação “Chumbo Fundido”, iniciada a 27 de Dezembro de 2008 e que provocou 1400 mortos e 5000 feridos, a maioria dos quais civis palestinianos, mulheres e crianças, na qual Israel recorreu, inclusivamente, a armas proibidas, como o fósforo branco.

Não se podem esquecer as dezenas de anos de ocupação ilegal, de repressão, de usurpação e saque, de permanente humilhação por parte de Israel contra o povo palestino, de que, por exemplo, são testemunho as mais de 1500 crianças palestinianas mortas pelas forças de Israel, somente após 2000.
Condenamos a atitude cínica dos EUA que declarou uma vez mais que “Israel tem o direito de se defender” e a ambiguidade da União Europeia que, objectivamente, tomam o agressor como «vítima» e a vítima como «agressor».

A escalada agressiva de Israel não pode ser desligada dos planos de domínio do Médio Oriente por parte dos EUA e seus aliados, com os quais tentam, por todos os meios, esmagar os povos que não se submetem às suas intenções e hegemonia, como aconteceu com o Iraque, a Líbia ou a Síria.


A responsabilidade do Banco de Portugal no caso GES/BES

A ACR acha de toda utilidade a leitura deste artigo de autoria do estudioso,analista e economista Eugénio Rosa sobre mais uma das falsas promessas dos dirigentes deste país e do seu conluio com as jogadas financeiras dos poderosos.Há um ano que o BdP sabia de operações fraudulentas,há um mês estimulou um aumento de capital no BES(cujos investidores  foram enganados e ficaram ontem sem nada)  e ainda deu 15 dias a Ricardo E. Santo para aumentar o prejuízo semestral de 1.100 milhões para 3.700 milhões de euros.QUE REGULAÇÃO É ESTA???

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A responsabilidade do Banco de Portugal no caso GES/BES

– a "segurança absoluta" dos depósitos na banca de que fala o governo e o BdP


por Eugénio Rosa [*]
Ao longo destes últimos anos, o governo, os supervisores, e os defensores da banca nos media têm procurado convencer os portugueses que a gestão dos banqueiros em Portugal foi e é diferente da verificada em outros países e que a situação da banca no nosso país é sólida e não tem problemas. Isto não é verdade, e a prová-lo estão os casos graves do BPN, do BPP, do BCP e agora do BES a mostrar que a gestão privada da banca não é de confiança.

Neste estudo vamos analisar dois pontos: a responsabilidade da supervisão (Banco de Portugal), no caso do BES, e que segurança têm os depósitos na banca. E isto porque os media têm procurado convencer a opinião pública de que o BdP interveio no BES atempada e eficazmente, o que não é verdade, e que os depósitos até 100.000€ estão seguros, o que é duvidoso tendo em conta os recursos atuais do Fundo de Garantia de Depósitos. Uma informação clara e objetiva, é fundamental não só para os clientes da banca mas para todos os portugueses pois são eles que acabam por pagar os desmandos dos banqueiros.

A RESPONSABILIDADE DO BANCO DE PORTUGAL NO CASO GES/BES 

Os media têm procurado convencer a opinião pública que, no caso do GES/BES, o Banco de Portugal, entidade responsável pela supervisão da banca, atuou atempada e eficazmente. Isso não corresponde à verdade. Para concluir isso, basta recordar que a KPMG, que exercia as funções de auditor externo e de ROC no BES, tinha colocado uma "enfase" (um chamada de atenção) nas contas de 2013 do BES. A KPMG começa por dizer que, segundo a sua "opinião, as demonstrações financeiras consolidadas apresentam de forma verdadeira e apropriada , em todos os aspetos materialmente relevantes, a situação financeira consolidada do Banco Espirito Santo em 31/12/ 2013 ", o que não era verdade, mas logo a seguir acrescenta:
Sem afectar a nossa opinião expressa no parágrafo anterior, chamamos à atenção para a Nota 46, a qual descreve a situação relativa à subscrição, pelos clientes do Grupo BES, de instrumentos de dívida emitidos pela Espírito Santo International, S.A. ("ESI") e refere a expectativa do Conselho de Administração do Banco quanto aos possíveis meios de reembolso dos mesmos através da implementação do plano de desalavancagem dos activos da ESI, do apoio dos seus accionistas e da capacidade da ESI para a obtenção ou renovação de linhas de crédito nos mercados financeiros e ainda do eventual apoio que possa vir a ser necessário por parte do Grupo ESFG e do BES.
E na Nota 46, pág. 182 do Relatório e Contas de 2013 do BES pode-se ler o seguinte: "No âmbito desta atividade foram subscritos pelos clientes do BES, instrumentos de dívida emitidos pela Espírito Santo International, S.A. ('ESI') e pelas suas filiais Espírito Santo Property, S.A. e Espírito Santo Industrial, S.A. no montante de 3 035 milhões de euros, dos quais 1 565 milhões de euros eram detidos, em 31 de dezembro de 2013, por clientes de retalho e 1 470 milhões de euros eram detidos à mesma data por clientes institucionais. Em 14 de Março de 2014, o valor dos instrumentos de dívida detidos por clientes de retalho ascendia a 867 milhões €" 

Não é preciso ser muito inteligente para concluir, se a KPMG, que recebia milhões € de um cliente (BES), escreveu isto sobre as contas do cliente (BES), é porque a situação era já muito grave e preocupante. Portanto, o Banco de Portugal já tinha informações há muito sobre a situação no BES, porque ao longo de 2013 os auditores do BES fizeram, porque são obrigados, relatórios de auditoria interna que são enviados ao BdP e realizaram reuniões com o BdP, já que é uma prática corrente. Quem tenha lido o livro "O último banqueiro " conclui que o Banco de Portugal já tinha dados seguros, incluindo denúncias graves feitas pelos próprios acionistas, de irregularidades graves no grupo BES. No entanto, apesar de estar de posse desta informação pelo menos há mais de um ano, não atuou, deixou a situação agravar-se com graves consequências não só para os acionistas e clientes do banco, mas também para todos os portugueses, já que terão efeitos graves na crise económica e social (muitas empresas, não só do próprio grupo, mas também clientes do banco, poderão entrar em falência), e os contribuintes não estão seguros de que Passos Coelho, dando mais uma vez o dito por não dito, não venha a utilizar fundos públicos para "salvar" o BES. A única intervenção rigorosa que se pode exigir a este governo é não intervir e não utilizar dinheiros públicos pois, segundo Marques Mendes, o governo prepara-se para, com o dinheiro do empréstimo da "troika" que Portugal terá de pagar, criar um "BES bom", para onde vão os ativos "bons, para depois vendê-lo a saldo pagando os contribuintes a fatura já que os bancos que fazem parte do chamado "Fundo de resolução" (em 31/12/2013 tinha apenas 183 milhões €), utilizado como intermediário não pagarão, o mesmo com o "BES mau", para onde serão transferidos os ativos "tóxicos" pois os anteriores acionistas tudo farão para não o pagar e não suportar a fatura. 

A PROMISCUIDADE DAS FUNÇÕES DE AUDITOR EXTERNO E DE ROC NA BANCA 

O governador do Banco de Portugal queixa-se e ataca agora a KPMG por não ter revelado ao supervisor a verdadeira dimensão das irregularidades e eventuais crimes cometidos no BES.

No entanto existe na banca, um grave problema de promiscuidade, que contribui para afetar a qualidade e objetividade dos auditores externos e dos Revisores Oficiais de Contas (ROCs) o que, eventualmente, contribuiu para o que sucedeu no BES. E esse problema de promiscuidade grave, que afeta a qualidade da auditoria e do trabalho do ROC é, a nosso ver, a concentração no mesmo grupo – KPMG, Deloitte, etc – das funções de auditor externo e de Revisor Oficial de Contas (ROC), não havendo qualquer segregação de funções. Para além disso a mesma empresa faz auditoria a muitas empresas do mesmo grupo recebendo elevados honorários que naturalmente não quer perder. E tudo isto tem tido a cobertura do Banco de Portugal como vamos provar.

Para isso observem-se os dados do quadro 1, que constam dos relatórios e contas de 2013 dos diversos bancos, pois eles tornam claros e compreensíveis os problemas que afetam a qualidade da auditoria e da fiscalização de contas em Portugal.
Quadro 1.
Como mostra o quadro 1, excetuando a CGD, é o mesmo grupo de consultoria que tem a função de auditor externo e de revisor oficial de contas (ROC) em cada banco, portanto não existe qualquer segregação de funções que é fundamental para garantir a qualidade da atividade, pois se existisse, os órgãos de fiscalização de cada banco poderiam comparar e cruzar as informações fornecidas por duas entidades especializadas, o que certamente obrigaria tanto o auditor externo como o ROC a serem mais exigentes no seu trabalho. É evidente também que os muitos milhões de euros pagos pelos bancos a estes grupos de consultoria levam-nos naturalmente a "não criar ondas" e a tudo fazerem para agradar os clientes, pois caso contrário correm o risco de serem substituídos por concorrentes.

No Montepio Geral (Caixa Económica) opusemo-nos a esta concentração de funções – auditor externo e ROC no mesmo grupo de consultoria – no entanto o Banco de Portugal, a que recorremos, deu cobertura à decisão do conselho de administração de contratar para as duas funções o mesmo grupo de consultoria (KPMG), situação que se verifica em outros bancos, como revela o quadro 1, o que é só possível com o acordo do Banco de Portugal.

E agora o governador do Banco de Portugal queixa-se da qualidade da auditoria da KPMG, quando é a própria entidade que ele dirige a dar cobertura a situações na banca que torna inevitável que isso aconteça. Esperemos que, com as alterações que vão ser feitas proximamente no regime legal das instituições financeiras, a concentração das duas funções no mesmo grupo seja proibida, eliminando-se assim a promiscuidade que existe nesta área importante da atividade bancária, e que tem contribuído para as irregularidades que se têm multiplicado nos bancos, com consequências graves para os acionistas, depositantes, associados e contribuintes já que enfraquece a fiscalização e controlo.

O FUNDO DE GARANTIA DE DEPÓSITOS TEM APENAS 1.490 MILHÕES € PARA GARANTIR 117.411 MILHÕES € DE DEPÓSITOS NA BANCA 

O governo e o Banco de Portugal têm repetido que os depósitos bancários estão garantidos (têm segurança absoluta, dizem eles) , pois existe um Fundo de Garantia de Depósitos, financiado obrigatoriamente pelos bancos, que garante o pagamento dos depósitos até 100.000€ por titular, em caso de dificuldades dos bancos. Por isso, interessa analisar com maior profundidade e com grande objetividade esta questão, até porque ela, com o que está a suceder na banca, onde cada vez se sente menor segurança, preocupa todos os portugueses. Para isso, construímos dois quadros com dados do Relatório e Contas de 2013 do Fundo de Garantia de Depósitos publicado em 2014.
Quadro 2.
Como revela o quadro 2, existem em Portugal cerca de 16,1 milhões de titulares (cada português tem mais de uma conta bancária, em média, sendo titular em cada uma delas), no entanto, 82% dos titulares (13,2 milhões) possuem apenas 14,2% dos depósitos (22.488 milhões €), enquanto 1,2% dos titulares (apenas 194.148) possuem 38% do valor dos depósitos (60.173 milhões €). Também neste campo a desigualdade e a concentração de riqueza é muito grande.

Vejamos agora quais são os depósitos que são garantidos pelo Fundo e quais os recursos que existem para garantir esses depósitos segundo dados constantes do próprio Relatório e contas de 2013 do Fundo de Garantia de Depósitos. O quadro 3, com dados do relatório, e do Banco de Portugal, permitem ficar a saber isso.
Quadro 3.
Segundo o Boletim Estatístico de Junho de 2014 do Banco de Portugal os recursos de clientes existentes na banca somavam, em 31/12/2013, 253.164 milhões €. E segundo o Relatório e contas de 2013 do Fundo de Garantia de Depósitos, na mesma data, os depósitos abrangidos pelo Fundo de Garantia eram apenas 158.349 milhões €, o que correspondia a 62,5% do total de recursos de clientes na banca. E como o Fundo só cobria valores até 100.000€ (se um titular tem 500.000€ só a parcela até 100.000€ é que está coberta), consequentemente os depósitos cobertos pela garantia eram apenas 117.411 milhões €, ou seja, 46,4% dos recursos dos clientes na banca e 74,1% do valor dos depósitos abrangidos pela garantia. E de acordo com o próprio Relatório e contas de 2013 do Fundo de Garantia, para garantir estes 117.411 milhões € de depósitos, o fundo tem em seu poder apenas 1.490 milhões €, o que corresponde a apenas 1,27%. É esta a garantia absoluta de que fala o governo e o Banco de Portugal. Para dizer isso, eles partem do pressuposto que as dificuldades da banca não vão acontecer simultaneamente em relação a todos os depósitos que estão cobertos pela garantia, e esperamos que isso nunca suceda. Mas para que isso não suceda, é necessário que as entidades de supervisão, nomeadamente o Banco de Portugal e a CMVM, tenham um comportamento muito mais interventivo e preventivo na banca, evitando que as situações aconteçam e a má gestão não se multiplique impunemente e não se limitando, como tem acontecido, a intervir depois do mal feito. Apesar de tudo isto, terminamos este estudo com um conselho aos leitores: que sigam o ditado popular, e "não coloquem todos os ovos (o seu dinheiro) num único cesto" (banco), nem façam depósitos superiores a 100.000€. 
02/Agosto/2014
Ver também:
  • Resolução do Banco de Portugal, divulgada às 22h45 de 03/Agosto, em que anuncia a injecção de 4,9 mil milhões em novo banco que sucede ao BES
  • PCP propõe a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito à situação do BES/GES , 03/Ago/14
  • Prejuízos do BES: expressão de uma gestão danosa e da cumplicidade de governos e supervisores , 30/Jul/14
  • "A culpa do buraco do BES não pode morrer solteira" , 31/Jul/14
  • A defesa dos interesses nacionais face aos desenvolvimentos no BES e no Grupo Espírito Santo , 26/Jul/14 

    [*] Economista, edr2@netcabo.pt 
  • Lançamento do livro "Vasco, nome de Abril"


    Como já anunciámos esta sessão realizou-se na Casa do Alentejo no dia 18 de Julho, registando os 40 anos da tomada de posse do nosso General Vasco Gonçalves como Primeiro-ministro do Segundo Governo Provisório.

    Tratou-se de mais uma homenagem a um dos mais ilustres "capitães de Abril" com o lançamento do livro VASCO,NOME DE ABRIL,editado pela ACR, com 75 depoimentos de várias personalidades da vida nacional e internacional .

    Além das já publicadas fotografias que registam o evento. Publicam-se hoje estes videos que completam um pouco mais do que se passou na cerimónia.


    O apresentador Cândido Mota faz a introdução à sessão


    Tavares Marques e Manuel Diogo leem 5 poemas alusivos a Vasco Gonçalves



    Apresentador Cândido Mota lê texto sobre Vasco Gonçalves


    O presidente da direcção da ACR, cmdt. Manuel Begonha, no uso da palavra