URBANO TAVARES RODRIGUES: escritor e sedutor indignado.



Pelo falecimento de Urbano Tavares Rodrigues, no passado dia 9 de Agosto, a Associação Conquistas da Revolução manifesta o seu pesar pela perda de um enorme militante da luta antifascista e um dos mais brilhantes escritores contemporâneos e mais relevantes expoentes da nossa literatura. Sobre o homem e obra desta figura ímpar das nossas letras e da sua acção revolucionária publicaremos o artigo “URBANO Tavares Rodrigues…Até já amigo!”-do membro da nossa Direcção e coordenador da nossa Folha de Informação, M.Duran Clemente,com quem tinha uma particular relação de amizade como o próprio descreve.

Neste momento doloroso a Direcção da Associação Conquistas da Revolução endereça aos familiares de Urbano Tavares Rodrigues profundas condolências e toda a solidariedade na sua dor.

COMEMORAÇÂO DOS 230 ANOS DO NASCIMENTO DE SIMÂO BOLÍVAR






COMEMORAÇÂO DOS 230 ANOS DO NASCIMENTO DE SIMÂO BOLÍVAR
Senhora Ministra Conselheira, encarregada de negócios da República Bolivariana da Venezuela

Minhas senhoras e meus senhores
É para mim uma grande honra estar aqui, hoje, Dia Internacional de Solidariedade com a Revolução Bolivariana, na qualidade de Vice-Presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), para comemorar os 230 anos passados sobre o nascimento de Simão Bolívar. Tanto mais quanto, para além de nos permitir felicitar o povo da República Bolivariana da Venezuela na pessoa da Senhora Ministra Conselheira, Margarita Mêndola, é também, e muito particularmente, a oportunidade para uma vez mais sentirmos o pulsar da revolução bolivariana, iniciada em 1998 com a eleição de Hugo Chávez Frias.
Simão Bolívar, militar e líder político venezuelano, nascido a 24 de Julho de 1783,é uma das figuras mais ricas da História Universal. Para os venezuelanos, para toda a América Latina, foi um herói, revolucionário e libertador, tendo liderado o acesso à independência da Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela .Foi também, um dos principais responsáveis pelo lançamento das bases ideológicas democráticas na América Latina e percursor na promoção da integração continental ao convocar, em 1826, o Congresso do Panamá considerado o princípio das Conferências Pan- Americanas.
Um Homem de ideias revolucionárias, um Homem muito à frente do seu tempo. Um visionário e um sonhador.
A sua visão do futuro está bem patente na frase seguinte, que lhe é atribuída:
O novo Mundo deve ser constituído por nações livres e independentes, unidas entre si , por um corpo de leis em comum que regulem os seus relacionamentos externos.”
Dois séculos passados, sabemos bem o preço que Humanidade já teve que pagar e sabemos também o muito que ainda falta para lá chegar. A Liberdade e a Independência conquistam-se na luta. Sabiam-no, Hugo Chávez e seus companheiros, na Venezuela, como o sabiam os Homens do MFA, em Portugal. Sabiam e sabemos todos que só os povos serão capazes de vencer estes combates.
Ao longo dos últimos 14 anos foram notórias as transformações políticas, económicas e sociais na Venezuela. Todos os índices demonstram que o desenvolvimento económico e que o progresso social continuam na República Bolivariana da Venezuela. Prossegue a extraordinária redução da pobreza. Prosseguem as políticas sociais com a expansão da saúde pública gratuita para todos, da educação pública gratuita, da cultura, da habitação e da própria alimentação
Ao longo de todo este tempo da Revolução Bolivariana, o povo cerrou fileiras á volta do seu Presidente Hugo Chávez e derrotou todas as tentativas dos inimigos da revolução, internos e externos. Logo em 2002, um golpe de Estado, é abortado, como abortadas foram as tentativas de ingerência externa nos actos eleitorais que se lhe seguiram, inclusive, nas últimas eleições que deram a vitória de Nicolás Maduro.
A Revolução Bolivariana venceu.
Em Portugal sabemos bem, saber de experiência feita, o que custa a Liberdade e a construção de uma vida digna para todos.
Os poderosos predadores da Humanidade, sempre acolitados por “ amigos” internos, não nos dão tréguas. Afinam e refinam as suas manhas e disfarces e, volta não volta, aí estão: sempre com a conhecida tática de vendedores de promessas, para, mal as gentes se distraiam, começarem, como dizia o nosso poeta cantor “ A comer tudo, a comer tudo e não deixar nada.”
É assim que, hoje, os portugueses estão a ser expropriados dos seus mais elementares direitos, tão duramente conquistados durante a Revolução de Abril de 1974, a coberto duma política de austeridade que nada mais é do que o empobrecimento forçado do país para o tornar mais dócil á voragem da exploração e da agiotagem nacional e internacional.
Nuvens bem negras se perfilam no nosso horizonte. Ameaças sérias ao futuro de Portugal, é certo, mas por entre elas o Sol, que já brilhou por aqui numa madrugada de Abril, vai conseguir penetrar e acordar este povo. E se o povo acorda, o povo vence.
Antes de terminar seja-me permitido apresentar, em nome do CPPC, os nossos agradecimentos à Direcção da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, pela cedência das instalações e por toda a colaboração prestada.
Termino como comecei, felicitando, em nome do CPPC, o povo da República Bolivariana da Venezuela e de toda a América Latina, pelo aniversário do nascimento de Simão Bolívar e recorrendo a outro nosso poeta, abranger neste abraço fraterno todos quantos, sabem, como Simão Bolívar, sabia,
QUE O SONHO COMANDA O MUNDO
José Baptista Alves,Vice-Presidente do CPPC e membro da Direcção da ACR.

A Associação Conquistas da Revolução apoia a Greve Geral de 27 de Junho



A “Associação Conquistas da Revolução”, face à gravidade do momento que se vive no nosso país, declara total solidariedade com as lutas entretanto desenvolvidas pelos trabalhadores, pela juventude, pelos homens e mulheres de Abril, manifesta o seu total apoio à greve geral convocada para 27 de Junho e apela à participação dos seus associados e de todos os democratas em defesa das conquistas soberanas do povo português na construção dum futuro melhor, livre de ingerências e imposições estrangeiras.

A progressiva destruição das conquistas de Abril é inaceitável e obriga a recorrer às formas de luta adequadas no quadro constitucional. Impõe-se, assim, fazer deste dia - de greve geral contra o pacote de exploração e empobrecimento - uma grande demonstração de repúdio ao violento e injusto ataque à dignidade e independência dos portugueses e demonstrar a unidade dos trabalhadores e do povo.


Defender Abril. Conquistar o Futuro.

FOLHA INFORMATIVA (nº 2) de Junho/2013













A ASSOCIAÇÃO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO regista hoje,18 de Junho de 2013, a passagem do segundo aniversário da sua constituição



Do Relatório e Contas, relativo à nossa actividade de 2011 e 2012,podemos retirar a seguinte passagem:
«Realizámos a 18 de Junho a Assembleia Constitutiva da Associação com a seguinte ordem de trabalhos:”A ACR e os seus objectivos”,”Apresentação, discussão e votação da proposta de Estatutos da Associação” e “Eleição da Comissão Instaladora da Associação”.
Tendo estado presentes 151 aderentes foi eleita a Comissão Instaladora, formada pelos mesmos membros impulsionadores que se constituíram, desde do início do ano, como Comissão Promotora….
Esta Comissão Instaladora ficou encarregada de proceder à escritura da ACR e de preparar a Assembleia-Geral Eleitoral, ou seja, de executar todos os actos até à instalação da ACR.
Ainda nesta Assembleia foram aprovados os Estatutos da ACR e a proposta de, neles, o General Vasco Gonçalves ser considerado «sócio de mérito da Associação Conquistas da Revolução, a título póstumo». Tal aspecto ficou consagrado no artigo sétimo dos mesmos Estatutos.»
Através dos nossos meios próprios de comunicação (blogue, correio electrónico e folha informativa )e de algumas entrevistas temos divulgado a todos os nossos associados e ao público em geral o desenvolvimento das nossas acções e a planificação das que desejamos realizar no futuro.
Nestes dois anos passados, as nossas acções têm procurado concretizar o programa eleitoral ou seja «O nosso objectivo para o triénio 2012-2014 é dar cumprimento aos estatutos da ACR e dar resposta às propostas que satisfaçam a concretização do objecto fulcral da Associação: a defesa das Conquistas da Revolução.O nosso combate irá orientar-se no âmbito da Cultura, da Informação, da Luta pela Paz e Defesa da Soberania, da Independência Nacional e da Solidariedade.»
«Pretendemos promover em vários pontos do País todo o tipo de iniciativas culturais, desde exposições, conferências, incentivando as actividades teatrais, musicais, literárias e todas as que forem possíveis recorrendo, entre outras, à experiência e meios ainda existentes, utilizados nas Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica»
«A informação é um instrumento fulcral para podermos entender a propaganda e manipulação que nos rodeia, com recurso a todo o tipo de novos profetas que tentam explicar-nos a razão das suas teorias com argumentos previamente mastigados e formatados. »
«O que se passa no mundo não nos deve ser estranho. Necessitamos de estar atentos aos objectivos da estratégia de globalização que permite a flexibilidade sem limites do capital, não considerando condições de trabalho justas nem normas de segurança no trabalho, impedindo os países mais fracos, como o nosso, de defenderem os seus direitos, por exemplo sobre as pescas, agricultura, indústria e emprego.»
Estando a ser confrontados com uma realidade desesperante «Ao Portugal de Abril – momento mais luminoso da nossa história colectiva - sucedeu este Portugal sombrio, negro, gerado por 37 anos de política de sucessivos governos PS/PSD/CDS-PP: o Portugal do desemprego; da precariedade; dos roubos nos salários e nas reformas; dos roubos nos direitos laborais e sociais; das injustiças sociais e do aumento do fosso entre pobres e ricos: da exclusão, da pobreza, da miséria e da fome; do afundamento da economia nacional; da venda a retalho da independência e da soberania de Portugal; do domínio absoluto do poder do grande capital nacional e transnacional sobre o poder político; de uma democracia precária, crescentemente carenciada de conteúdo democrático e trazendo-nos todos os dias à memória o tempo que «em Abril, Abril venceu».
É essa política da contra-revolução - executada nas últimas quatro décadas por quase uma vintena de governos da troika nacional, em frontal desrespeito pela Constituição da República, fora da lei Fundamental do País de há dois anos para cá, sob a batuta da troika ocupante - a única responsável pelo estado de desgraça a que Portugal chegou.
É essa política de ódio a Abril que urge derrotar e substituir por um política de sentido oposto, logo inspirada nos valores de Abril.
Por isso….com a firme convicção de que é nos valores de Abril - nas suas conquistas políticas, sociais, económicas, culturais, civilizacionais - que se encontra a solução para os muitos e graves problemas criados pelos governos e pela política da contra-revolução. Com a certeza de que a conquista de tal solução depende, no essencial, da luta dos trabalhadores e do povo.
Com os trabalhadores e o povo, com a intervenção organizada de todos os homens, mulheres e jovens identificados com os valores de Abril, conquistaremos um rumo novo para Portugal.»
Resta-nos neste dia reafirmar que é nossa vontade, que é vontade dos órgãos sociais desta Associação, mantermos firmes e coesos na defesa das nossas conquistas de Abril em sintonia e colaboração com todos os nossos associados a quem ,neste aniversário, prestamos a nossa fraterna e solidária homenagem.

Abril vencerá! Porque Abril é o futuro



Intervenção de Manuel Bacelar Begonha Presidente da ACR na Romagem à campa do General Vasco Gonçalves



Estamos aqui para evocar o General Vasco Gonçalves no 8º aniversário da sua morte.
Quanto vale a vida de um homem? Julgo que vale pelo seu sonho e pela sua obra. Conhecemos o homem quando com ele contactamos frequentemente e lhe podemos apreender o projecto, ou quando conhecemos o seu reflexo através da sua obra.
Conhecer Vasco Gonçalves é tomar contacto com uma natureza motivadora que leva a uma nova consciência e a uma melhor compreensão do nosso meio social. Muitos de nós o ouvimos falar e certamente nos deixámos empolgar. Como escreveu o professor Teixeira Ribeiro: "Pois é principalmente isso - a simplicidade, a sinceridade e o entusiasmo - tudo junto em doses extremas, que faz Vasco Gonçalves um caso à parte na nossa oratória política."

Com Vasco Gonçalves vivemos a única época da nossa história moderna, em que as pessoas acreditaram que seria possível mudar a vida pelas suas próprias mãos.
Hoje estão-nos a retirar a vida pelas mãos de uma Europa vingativa que nos quer fazer expiar pelo crime de termos sido marcados por um governante, Vasco Gonçalves, que nos deixou o seu mais importante legado que são as conquistas sociais e políticas que foram conseguidas durante a Revolução.
Para seguir os seus desígnios essa Europa encontrou um governo que se rege pelo total desrespeito pela Constituição da República e pelo povo português. Partidários  da austeridade destroem a economia. Coniventes com a corrupção e com o grande capital financeiro, não se regem por uma justiça independente. Amigos da opacidade escondem os seus objectivos e a forma como os atingem, simulando não ter rumo.
Contrariamente à política patriótica e de defesa da dignidade do homem, seguida por Vasco Gonçalves, - a quem se pode atribuir individualmente a maior responsabilidade pelos acontecimentos mais importantes dos nossos dias, - este governo tenta impor um clima de medo e de incerteza para mais facilmente impor a violência das suas medidas, prioritariamente sobre os mais desprotegidos, os funcionários públicos, os pensionistas e os reformados. A sua óptica de reforma do Estado, passando por cima dos desempregados e dos jovens, não é mais de que o desmantelar do Estado Social. Este deverá então ser substituído pela prática da caridade.

Com Vasco Gonçalves o governo era uma promessa de um país decente, fraterno e progressivo. O presente, é um factor de instabilidade, especializado em tornar medidas provisórias em permanentes, insistindo em  forçar a aprovação de decisões anti-constitucionais.
Vasco Gonçalves era detentor de uma capacidade de empatia, irrepetível e inimitável, defensor intransigente do carácter, da cultura e da liberdade.
Era um revolucionário no pleno sentido da palavra, sempre fiel às suas convicções que mergulham profundamente nas aspirações do povo. Sempre se apercebeu da importância da defesa da Constituição da República, tendo afirmado: "O essencial da Constituição Portuguesa está de acordo com as grandes transformações revolucionárias operadas no decurso do nosso processo revolucionário. A essas transformações chamamos Conquistas da Revolução e uma delas é a própria Constituição!" e ainda "A defesa da Constituição Portuguesa é, portanto, a defesa das conquistas da nossa Revolução e, assim, a defesa do direito dos povos à livre escolha do seu regime político e cultural."

Hoje em dia, o governo não tem um compromisso com o povo português, baseado na confiança e na credibilidade; sucedem-se as humilhações ao país como a patética subserviência à Alemanha e os atentados à soberania nacional, com o apoio empenhado do Presidente da República, que não consegue cumprir o papel de defensor da Constituição, prisioneiro que está das suas inseguranças e contradições.
Parecem estar apenas à espera de um novo ciclo histórico que traga outros ventos para a Europa, enquanto o país se vai degradando. São um corpo estranho a Portugal estando ao serviço do Capital financeiro global.
O que presentemente se observa é ser o governo constituído por uma coligação assimétrica ou de geometria variável em que um dos partidos, o PSD apenas se interessa por uma carreira europeia e o outro, o CDS em não perder votantes para as eleições internas, assim pautando o seu caminho.
Todas as simulações, mentiras e tergiversações fazem com que o Governo se mova num teatro de sombras em que as personagens vão mudando e se esfumam até se transformarem noutras. Passos Coelho de Átila o Reformador, transmuta-se em Conde Drácula; Portas o nóvel Maquiavel, passa a Cavaleiro da Triste Figura, enquanto que Gaspar o mágico da bola de vidro surge como o Grilo Falante da Troika. Assim, recorrendo às artimanhas do disfarce e do teatro de fantoches, vão produzindo um espectáculo deplorável, até ao fechar do pano, num palco vazio e sem luz.

Pelo contrário, a política económica e financeira dos Governos de Vasco Gonçalves era clara e transparente. Assim, no Relatório Análise e Projecção das Condições Macroeconómicas em Portugal, de uma missão a Portugal patrocinada pela OCDE e levada a cabo, entre 15 e 20 de Dezembro de 1975, por três elementos do Departamento de Economia do MIT, pode ler-se o seguinte: "Para um observador exterior lendo apenas as tabelas estatísticas nacionais sem uma palavra acerca da revolução social, o registo do último ano e meio em Portugal não parece diferente do resto da Europa, com algumas diferenças intrigantes. Mas os maiores impactos de uma reduzida produção e investimento, deficites da balança de pagamento e inflação todos parecem familiares e em alguns aspectos menos sérios para Portugal do que em alguns dos outros países da Europa Ocidental." E mais adiante "Para um país que recentemente passou por uma reforma social, uma enorme mudança na sua posição de mercado externo e seis Governos Revolucionários nos últimos dezanove meses, Portugal goza de uma inesperada boa saúde económica."

Apesar de amado pelo povo era anti-populista, não gostando de exibições, mantendo-se sóbrio e discreto, sendo no entanto capaz de enfrentar as situações adversas com franqueza e frontalidade, vencendo por vezes a sua timidez com um grande e efusivo entusiasmo quando pugnava pelas Conquistas da Revolução de Abril. No livro Companheiro Vasco, escreve--se: "Este General sem basófia, que tanto aprecia o concreto e o real, este antimaquiavel sereno e irredutível recusa afável mas definitivamente qualquer asserção passível de cheirar a culto de personalidade".
Este General que reconheceu que "o período mais feliz da minha vida, aquele em que me senti mais realizado foi o período em que fui Primeiro Ministro. Foi o mais criador da Revolução e é desse período que tenho as maiores compensações."
Para voltar à questão inicial de avaliar quanto vale a obra de um homem a quem se ficou a dever a materialização de muitos dos ideais revolucionários de Abril, importa agora aprofundar o seu pensamento e o sentido do seu combate, seguindo as suas próprias palavras:
"Para mim é gratificante o facto de ter despertado sentimentos tão contraditórios porque isso significa que a política de que procurei ser obreiro estava no caminho certo da libertação das classes mais desfavorecidas da nossa sociedade, dos pobres, dos humildes, dos explorados e dos que não têm voz, embora muitos, talvez a maioria, não tivessem consciência disso.
E estava no caminho daqueles que, não pertencendo às classes mais desfavorecidas, se identificaram com os interesses e as suas justas aspirações, que estavam com os interesses da nossa Pátria, que é o nosso povo."
Como esta posição se aplica aos dias de hoje.

Daquilo que ficou dito, veio-me entretanto à memória, a propósito da figura e obra de Vasco Gonçalves, o poema de Sidónio Muralha:

"Com os pés na terra,
a quilha que singra,
o arado que rasga,
o rasgo que cria,
vimos o começo,
e o fim dos tiranos,
que outros alarguem
nosso gesto rude
de semeador."

Vasco Gonçalves era de facto um semeador.

Desde a honestidade intelectual à firmeza nas convicções, semeou um projecto de liberdade para o futuro de que não abdicaremos. As pétalas dos cravos de Abril estão a soltar-se, algumas poderão ser levadas pelos ventos do esquecimento, mas a semente foi lançada muito fundo, as suas raízes continuarão a iluminar o nosso pensamento e outros cravos renascerão puros e fortes empunhados pelos nossos filhos.

VIVA O GENERAL VASCO GONÇALVES
VIVA PORTUGAL





Romagem à campa do General Vasco Gonçalves

















Romagem à campa do General Vasco Gonçalves


 


 11 de Junho - 11.00 horas - Cemitério do Alto de São João

A Associação Conquistas da Revolução promove no dia 11 de Junho, pelas 11.00 horas, uma romagem à campa do General Vasco Gonçalves, no cemitério do Alto de São João, pela passagem do 8º ano do seu falecimento. Apelamos à vossa participação.

Saudações

A Direcção

PAGAMENTO DE QUOTAS




A DIRECÇÃO SOLICITA A TODOS OS ASSOCIADOS O PAGAMENTO DAS SUAS QUOTAS.

ESCLARECEMOS QUE A QUOTA  É  DE 1 EURO MENSAL.(como mínimo)

AGRADECE-SE O PAGAMENTO SEMESTRAL OU ANUAL.

Transferência para a CGD (NIB) :0035 2178 0002 9245 6304 6  
ou envio por cheque para a nossa sede :Rua Portas de Santo Antão,58-

CP 1150-268 Lisboa

Saudações Amigas        A Direcção 

[Para esclarecimentos contactar a Tesoureira Beatriz Nunes:  960292981

25 de Maio Concentração às 15H00 em Belém!


A Associação Conquistas da Revolução integrará a concentração e convida os seus associados a juntarem-se-lhe, pelas 15H00, no Largo dos Jerónimos (antigo terminal dos carros-elétricos da carris).

SAUDAÇÃO ao 1º DE MAIO





Neste lº de Maio, Dia do Trabalhador, saudamos os trabalhadores portugueses e a sua central sindical, a CGTP – IN - e manifestamos a nossa total solidariedade com a luta por eles desenvolvida.

Neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, saudamos as massas trabalhadoras que - dando continuidade às importantes jornadas que foram as grandiosas manifestações de massas realizadas nos últimos meses - vêm à rua comemorar o seu Dia, lutando pelos seus direitos, por Abril, pelo futuro - e que, certamente, aqui afirmarão, hoje, a sua determinação de prosseguir, intensificar e ampliar a luta necessária.

Neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, saudamos a luta dos  trabalhadores pelo direito ao emprego com direitos, contra as alterações à legislação laboral, contra a precariedade e o desemprego, contra os salários em atraso, contra os roubos cometidos por sucessivos governos representantes dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros – com a certeza de que, lutando pelos seus interesses e direitos, é por Abril e pelas suas conquistas que os trabalhadores lutam.

Neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, lembramos o Primeiro 1º de Maio, aquele em que, uma semana após o Dia da Liberdade, os trabalhadores, o povo e os militares de Abril, iniciaram a caminhada rumo às grandes conquistas revolucionárias que viriam a transformar profunda e positivamente Portugal – e saudamos essas conquistas que, alcançadas através da unidade POVO/MFA, foram componentes estruturantes da democracia de Abril consagrada na Constituição da República Portuguesa.

Neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, saudamos a luta das massas trabalhadoras e populares enquanto instrumento de acção essencial para derrotar a ofensiva dos partidos da política de direita contra Abril e para conquistar um futuro de desenvolvimento, progresso, liberdade e justiça social para Portugal – e recordamos palavras do general Vasco Gonçalves, dirigidas em 17 de Maio de 1975 aos trabalhadores da Sorefame: «Vós tendes na mão, vós e os outros trabalhadores, e aqueles que estão interessados em construir um Portugal democrático, um Portugal que aponte para o socialismo, vós tende na mão o futuro da nossa Pátria»

VIVA O 1º DE MAIO!
VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!

DESFILE DO 1º MAIO DA CGTP - 14H30 - MARTIM MONIZ - ALAMEDA



A Associação Conquistas da Revolução integrará o desfile de Lisboa e convida os seus associados a juntarem-se-lhe, pelas 14H30, na Rua de São Lázaro, para a partir dali, participarem no desfile até à Alameda.

Mensagem da Associação Conquistas da Revolução no 39ºaniversário do 25 de Abril




Abril é o futuro.

Comemoramos Abril sempre!

Fazemo-lo tendo presente nas nossas memórias, de forma impressiva, aquele dia 25 do ano de 1974 – Dia da Liberdade – bem como o processo revolucionário que se lhe seguiu e que, nascido da aliança Povo/MFA, viria a conduzir à construção da democracia mais avançada alguma vez existente em Portugal: democracia económica, política, social, cultural, amplamente participada e tendo como referência básica a independência nacional - a Democracia de Abril, como, muito justamente, lhe chamámos.

Fazemo-lo recordando a Revolução de Abril e as suas Conquistas que transformaram profunda e positivamente Portugal e foram ponto de partida para a materialização de um projecto que tinha como vector determinante o respeito pelos direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e do País: a liberdade, os direitos sociais e laborais, a justiça social, as nacionalizações, a reforma agrária, a descolonização, a paz, a independência nacional – Conquistas que são o símbolo dos valores e dos ideais da Revolução de Abril e que continuam a afirmar-se, na situação actual, como setas apontadas ao Futuro.

Fazemo-lo sublinhando a importância histórica da Constituição da Republica Portuguesa que, aprovada em 2 de Abril de 1976, consagrou a Revolução de Abril e as suas Conquistas e continua a constituir, hoje - apesar de já submetida a sete revisões, cada uma delas roubando-lhe pedaços de Abril – uma relevante plataforma da luta em defesa dos valores de Abril.

Fazemo-lo nunca esquecendo e sempre denunciando o longo processo contra-revolucionário: o seu início; os seus objectivos; os seus protagonistas; os métodos a que tem recorrido; o seu ódio a Abril; o estado a que conduziu o País.

Fazemo-lo olhando com extrema apreensão, mas também com muita confiança, para a situação actual do País: uma situação dramática que, contudo, é necessário e possível superar.
Ao Portugal de Abril – momento mais luminoso da nossa história colectiva - sucedeu este Portugal sombrio, negro, gerado por 37 anos de política de sucessivos governos PS/PSD/CDS-PP: o Portugal do desemprego; da precariedade; dos roubos nos salários e nas reformas; dos roubos nos direitos laborais e sociais; das injustiças sociais e do aumento do fosso entre pobres e ricos: da exclusão, da pobreza, da miséria e da fome; do afundamento da economia nacional; da venda a retalho da independência e da soberania de Portugal; do domínio absoluto do poder do grande capital nacional e transnacional sobre o poder político; de uma democracia precária, crescentemente carenciada de conteúdo democrático e trazendo-nos todos os dias à memória o tempo que «em Abril, Abril venceu».
É essa política da contra-revolução - executada nas últimas quatro décadas por quase uma vintena de governos da troika nacional, todos em frontal desrespeito pela Constituição da República, todos fora da lei Fundamental do País e, de há dois anos para cá, sob a batuta da troika ocupante - a única responsável pelo estado de desgraça a que Portugal chegou.
É essa política de ódio a Abril que urge derrotar e substituir por um política de sentido oposto, logo inspirada nos valores de Abril.
Por isso, comemoramos Abril. Por isso o comemoramos em luta. Com a firme convicção de que é nos valores de Abril - nas suas conquistas políticas, sociais, económicas, culturais, civilizacionais - que se encontra a solução para os muitos e graves problemas criados pelos governos e pela política da contra-revolução. Com a certeza de que a conquista de tal solução depende, no essencial, da luta dos trabalhadores e do povo.
Com os trabalhadores e o povo, com a intervenção organizada de todos os homens, mulheres e jovens identificados com os valores de Abril, conquistaremos um rumo novo para Portugal.

Abril vencerá! Porque Abril é o futuro.

A Direcção da Associação das Conquistas da Revolução Abril.2013

Intervenção de Manuel Bacelar Begonha Presidente da ACR no almoço comemorativo do 39ºaniversário do 25 de Abril




Não seria previsível que tão poucos anos após o 25 de Abril, estivéssemos hoje a comemorar esta data que foi de grande exaltação e alegria, sombreada pela raiva, indignação e amargura.

Nesta tempestade em que vivemos por falta de informação nas Escolas e na Comunicação Social, a juventude é impedida de conhecer o verdadeiro alcance da Revolução, por não ter sofrido as sequelas de uma ditadura em que todos eramos prisioneiros políticos. A muitos recordará os dias límpidos e de grande esperança, a que nunca deixaremos de associar a figura do General Vasco Gonçalves, que tanto contrastou com a pesada asa negra que durante quarenta e oito anos ocultou a luz a Portugal.

Estamos a viver o tempo da vingança dos que nunca se identificaram com o espírito renovador de Abril. É bom recordar que um dos integrantes da actual maioria no Governo, o CDS, nunca assinou a Constituição da República.
É verdade que quando a crise se agudiza e o sentimento de injustiça se torna um garrote sobre a nossa consciência colectiva, aumenta uma insatisfação corrosiva, misto de impotência e de Revolta. O povo vai-se tornando triste sob uma canga que embora insuportável não parece definitiva, mas que pode conduzir ao conformismo. Entramos num cenário em que percebemos que nos querem roubar o futuro. Quando se anseia pelo futuro cria-se mais passado, nada mais havendo do que passado. Mas, não nos encontramos perante uma queda irreversível do homem dominado por um poder castrador. Estamos a falar da luta incessante do povo português para alcançar o futuro sob o peso do passado e do seu destino. Dizia Sófocles na Antígona que “o homem soube descobrir recurso para tudo; só contra a morte, embora inventasse defesas para lutar contra a doença traiçoeira é que ele em vão chamara por auxílio

Estamos então envolvidos numa luta pela conquista da alegria e felicidade de Abril, que de facto se instalou em Portugal, ocupando um espaço inesquecível na nossa cidadania. Dizer Abril é dizer abertura à esperança renovada. Trata-se de uma data simbólica consolidada na vontade de um povo e não de um conjunto de actos isolados.

Se for preciso recuar deverá ser apenas para tomar balanço para nos libertarmos de um governo incompetente, obstinado e sem humanidade.

É certo que estão integrados numa Europa dividida e belicista que entende que o caminho é promover a pobreza e a desigualdade, conduzida por uma Alemanha que parece retomar uma variante do anti-semitismo, ao pretender executar o holocausto da economia dos países do Sul.

Mas o governo, julga-se contudo no desígnio do quando Deus quer, acontece. Mas move-se efectivamene, determinado pelo acaso num processo de progressivo apagamento, apenas sobrevivendo, temporariamente, os mais corruptos.

E o que é que a Europa nos destinou para levar a cabo os seus desígnios? Um governo estéril, caminhando ao arrepio de Abril, com o qual o povo não se identifica. Enredado numa teia de contradições, embustes e compadrio, nenhuma mensagem mobilizadora é transmitida. Nada se vislumbra que galvanize os portugueses para combater a crise que não criaram, uma vez que apenas se tomam medidas contra o povo. Por outro lado, não há confiança na informação veiculada, por se verificar estar grande parte da comunicação social condicionada pelo poder político e económico.

O Governo, para tentar ocultar a sua completa submissão aos nossos credores, representados pela chamada “troika”,e a sua falta de combatividade para defender a soberania, a identidade e a independência nacionais, torna-se pouco transparente e irresponsável. Não explica como se aplicam os nossos impostos, parecendo apenas preocupado com a banca e as PPP, para as quais continua a desviar fundos.

Para o que constitui uma verdadeira vergonha nacional, até permite que a “troika” interfira com as nossas Forças Armadas.

Enfim, nada é dito aos cidadãos sobre o destino dos dinheiros públicos. Nem para onde vão, nem qual é o caminho.

A propalada redução do deficit externo, apenas se vai tentando concretizar à custa do poder de compra dos portugueses, do desemprego para garantia da redução dos salários, da destruição da economia, da emigração dos jovens, do desprezo pela cultura e pela escola pública, da redução da prestação dos serviços de saúde, em claro prejuízo dos mais velhos, que por serem frágeis financeiramente, não têm alternativa.

O Primeiro-ministro é um homem com uma visão estratégica, embaciada pelo ultraliberalismo, sem inteligência nem cultura política, com falta de experiência, para além da intriga aparelhística. A sua submissão e incapacidade negocial perante a “troika” e o seu representante, o Ministro das Finanças, revela que não tem vontade própria.

É ainda um dirigente inadequado para os tempos actuais, pois para além de desconhecer a realidade social do país, a sua inabilidade reflecte-se na incapacidade de antecipar qualquer alteração nos processos económicos, o que o leva a falhar constantemente as previsões orçamentais e a actuar apenas sob o imediato, tomando assim medidas avulsas, inconsequentes e mal estudadas, com as conhecidas consequências dramáticas para o país, que nos vão arrastando de austeridade em austeridade.

Encontra-se cercado no seu labirinto de mentiras e improvisações, uma vez que proclamou -“eu sou a troika”- .Não tendo um plano a médio e longo prazo, ensaia uma fuga para a frente cega e desesperada, sem qualquer hipótese de trazer melhores dias para Portugal.

Contudo se tivéssemos um Governo livre do tráfico de influências e promiscuidade, não atolado no “sistema” em que a banca controla o poder político, poderiam ser tomadas algumas medidas que parecem óbvias, para libertar o país destas grilhetas que nos imobilizam, tais como:
-renegociar a dívida;
-captar investimento estrangeiro que desenvolva a economia e combata o desemprego;
-promover a economia interna, pondo a banca ao serviço das pequenas e médias empresas e do interesse nacional;
-dispor de uma justiça eficaz, rápida e independente;
-tornar operante a fiscalidade sobre a fraude, corrupção e evasão fiscal;
-garantir o ensino público de qualidade;
-reduzir a burocracia;~
-aumentar o salário mínimo nacional;
-renegociar os contratos com as PPP;
-reduzir as rendas pagas aos produtores de energia e telecomunições;
-taxar e controlar o capital financeiro

É claro que tais medidas não estão no horizonte deste Primeiro-ministro que estando estribado numa legalidade Constitucional, e no Presidente da República que não assume as suas responsabilidades, a não ser derrubado nos conduzirá a uma calamidade social. Contudo um Governo não é legítimo apenas porque decorre do voto popular. Em democracia terá de governar de acordo com a Constituição da República, não abdicando de defender a soberania nacional, transformar a defesa dos interesses do povo no principal argumento para o bem comum e proceder de acordo com a ética e o espírito de justiça que o prestigie aos olhos dos cidadãos.

Quando repetida e deliberadamente incorre em práticas anticonstitucionais capciosas e fraudulentas, acusando depois o Tribunal Constitucional por este repor a legalidade, torna-se ilegítimo.

Não resta ao povo português outra alternativa senão enterrar as práticas do exercício deste tipo de democracia já demasiado musculada, que continua a tentar dividir-nos para aplanar caminho para impor os seus ditames

Urge mudar. Somos convocados a fazer soar os tambores da Revolta, contra este Governo, esta política e o imperialismo que nos sufoca.

O combate será na rua, nas empresas, na Assembleia da República, onde se torne imperioso fazer renascer Abril.

O difícil é continuar a lutar quando o desistir é fácil.
Não desistiremos, continuaremos a lutar pelos desempregados, pelos jovens, pelos reformados, pelos humilhados, pelos oprimidos, pelas mulheres e homens de Portugal. Enfim lutaremos por uma Pátria honrada e de Abril.

Viva o 25 de Abril.

Viva Portugal.

Manuel Begonha / Presidente da ACR 20.Abril.2013