Colóquio Debate sobre a conquista dos direitos à habitação

25 de Abril e Agora?

Colóquio / Debate

Casa do Alentejo

28 de Março de 2012 – 18,30h

A Associação Conquistas da Revolução convida-o a participar neste Colóquio/Debate sobre a conquista dos direitos à habitação, à vida com dignidade e futuro, ao trabalho, ao desenvolvimento e bem-estar em Lisboa e no país, com a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Os temas, objecto de intervenção e debate, correspondem a mais uma das ofensivas deste governo e das políticas de direita dos últimos 35 anos, a que temos de nos opor com firmeza.

  1. Lei das rendas- Lei dos despejos *
  2. A política de habitação dos Governos Provisórios **
  3. Paragem das obras públicas, despedimentos e luta pelos direitos dos trabalhadores ***

Oradores:

Romão Lavadinho – Presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses *

Batista Alves – Engenheiro **

Tiago Cunha – Economista ***

25 de Abril Sempre!

A Associação apoia a Greve Geral de 22 de Março

A “Associação Conquistas da Revolução”, face à gravidade do momento que se vive no nosso país, declara total solidariedade com as lutas entretanto desenvolvidas pelos trabalhadores, pela juventude, pelos homens e mulheres de Abril, manifesta o seu total apoio à greve geral convocada para 22 de Março e apela à participação dos seus associados e de todos os democratas em defesa das conquistas soberanas do povo português na construção dum futuro melhor, livre de ingerências e imposições estrangeiras.

A concretização do pacto de agressão, nestes últimos dez meses, tem tido efeitos devastadores: as famílias estão cada vez mais pobres, regressa-se ao flagelo dos salários por receber, encerram milhares de empresas, multiplica-se o desemprego e a sua taxa atinge números, nunca vistos, afectando mais de um milhão e duzentos mil trabalhadores.

O ataque aos serviços públicos, com o intuito do seu encerramento ou privatização, é escandaloso. São os transportes públicos, com aumentos brutais nos seus preços e redução de serviços. São os ataques ao direito da Educação desviando-a para o sector privado.Com a Lei das rendas e Lei dos despejos, o conquistado direito à Habitação, atira para a rua milhares de familiares. E se já tudo isto, não fosse gravíssimo, o ataque ao Serviço Nacional de Saúde, é pura e simplesmente cruel, ao colocar centenas de milhares de portugueses sob a guilhotina do agravamento das suas doenças e/ou da morte antecipada.

O ataque ao Poder Local, justificado por um rol de excentricidades, não é mais do que um ataque ao enfraquecimento das condições de vida das populações, à sua apneia financeira e
quebra da participação democrática e acentuando, ainda mais, o abandono e desertificação de vastas áreas do território.

O pacote que configura o ataque ao Código de Trabalho, no seguimento do vergonhoso “acordo” UGT/Associações Patronais/Governo, a que se associa um pacote semelhante aos trabalhadores da Administração Pública, são peças fulcrais do pacto de agressão. Mecanismos diversos de eliminação de direitos, cortes de feriados, de dias de descanso e de férias, entre outras prepotências, mais não são que o concretizar do corte de remunerações aos trabalhadores. Todo um conjunto de medidas autoritárias, a mando dos interesses apátridas, produzindo menos emprego, mais despedimentos, precariedade, cortes nos salários e pensões, degradação das condições de vida e de trabalho, constituem efectivamente um impensável retrocesso social e civilizacional.

De facto o que este governo está a fazer, em conluio com a “troika”, é destruir a capacidade produtiva, de emprego e de produção de riqueza e de entrega das mais rentáveis empresas às multinacionais e ao estrangeiro, endeusando a austeridade e desprezando, sem vergonha, o empobrecimento das populações e de Portugal. Os cortes nos salários, nos subsídios, nas pensões, nos abonos às crianças e jovens, nos serviços de saúde e na educação têm um fim: engordar o grande capital enquanto o endividamento e dependência continuam a crescer.

A progressiva destruição das conquistas de Abril é inaceitável e obriga a recorrer às formas de luta adequadas no quadro constitucional. Impõe-se, assim, fazer deste dia - de greve geral contra o pacote de exploração e empobrecimento - uma grande demonstração de repúdio ao violento e injusto ataque à dignidade e independência dos portugueses e demonstrar a unidade dos trabalhadores e do povo.
Defender Abril. Conquistar o Futuro.

Homenagem ao Coronel João Varela Gomes





Intervenção na “Voz do Operário”/25Fev2012

Em nome da Associação Conquistas da Revolução agradecemos o convite que nos formularam, associando-nos, não só, às comemorações dos 129 anos desta prestigiada Instituição -A VOZ DO OPERÁRIO- como particularmente à homenagem que é intenção prestar ao nosso querido companheiro de luta e camarada Coronel João Varela Gomes.
Em primeiro lugar queiram os representantes, associados e amigos presentes, receber da neófita Associação Conquistas da Revolução, os nossos mais calorosos parabéns e desejo de que a Voz do Operário continue a manter-se, por muitos e longos anos, firme, activa e jovem no cumprimento dos seus objectivos sociais, culturais e humanitários.
É “preciso tempo para nos tornarmos jovens”, alguém disse. Pois apesar da idade esta instituição continua viçosa.
Em segundo lugar,falar do homenageado, Coronel João Varela Gomes, - o que muito nos honra – será, pelo limite de tempo que temos, omitir, certamente, aspectos não menos relevantes da sua longa vida de acção e luta; disso nos penitenciaremos. É justo dizê-lo porque o conhecemos bem, que independentemente das fortes razões que justificam aqui a sua ausência, ele é alérgico, a estes actos, quando está em causa a sua pessoa.
Mas a história é feita de personagens. E estas pertencem a um universo que ultrapassa a sua individualidade. Os cidadãos de carácter, os tenazes lutadores de espinha dorsal, combatentes da liberdade, pertencem a todos nós, a todos os que queiramos tê-los como referência e exemplo. Por isso estarão sempre presentes com as suas imorredouras e singulares marcas, de vida de acção e combate.
É o caso do Coronel João Varela Gomes e também, porque seria grave não o mencionar, o de Maria Eugénia,sua companheira e aliada: nas batalhas que ambos travaram, na dor e sofrimento, durante tantos anos, na incansável e indestrutível missão, de contribuir :
- para a libertação do Portugal da ditadura fascista,
- para a dignificação das suas gentes agrilhoadas,
- e para o combate aos ímpetos retrógrados e saudosistas.
À ditadura fascista o casal Varela Gomes (mesmo com quatro filhos menores) fez uma guerra sem tréguas antes do 25 de Abril. E já depois, desta gloriosa data, à burguesia restauracionista e contra-revolucionária, João Varela Gomes não deixou de reagir com denodo e firmeza. Por isso, se em ditadura, foram presos, torturados, espancados e perseguidos, até já, em democracia formal, chegaram à condição de exilados.Quais os “crimes”?
-Antes, pela queda do regime opressor.
-Depois, pela defesa das conquistas de Abril, das conquistas da revolução.
-Sempre, por uma liberdade democrática, do povo e para o povo.
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Mas vamos aos factos mais salientes.
Depois de terem trabalhado afincadamente na candidatura de Humberto Delgado em 1958, João Varela Gomes e Maria Eugénia (esta, fazendo a ligação entre militares e civis) estiveram profundamente ligados à conspiração da Sé em 1959.
Precedendo, os acontecimentos de Beja, em 1961, o então Capitão Varela Gomes e outros oposicionistas, promovem uma candidatura para deputados à então Assembleia Nacional.Pela forma hábil,como fez o pedido,V.G. foi curiosamente autorizada pelo seu ministro que era, então, o ditador. Ficou célebre,entre os empolgantes comícios realizados no distrito de Lisboa, o comício realizado no Teatro da Trindade, onde com toda a sua coragem e frontalidade incentivou os presentes à revolta, levando-os ao rubro. No entanto terminada a campanha os candidatos decidiram, por maioria, desistir e não ir às urnas.
Surge, então, no final desse ano, o acontecimento mais marcante da sua vida.
João Varela Gomes foi o comandante militar no histórico assalto ao quartel de Beja, na noite de passagem para o ano de 1962.Foi ferido gravemente e a acção revolucionária não teve êxito. Esteve, entre a vida e a morte, nos primeiros tempos. Só seria julgado em 1964, não em Tribunal Militar, mas no “tristemente célebre Plenário”, Tribunal da Boa Hora ( primeiro caso na história da instituição militar). No seu julgamento, faz um depoimento (previamente decorado) que só por si o define como um homem de invulgar integridade e de amor à sua causa.Contra a vontade do seu advogado,como disse Maria Eugénia em entrevista: «ele foi para tribunal instigar que outros fizessem o que eles tinham feito. Instigar à revolta. E falou de Salazar de uma maneira que nem queiram saber…foi uma coisa de arromba!» Condenado a seis anos de prisão maior, quiseram lhe impor a lei especial, de contar por metade o tempo de reclusão anterior/preventiva. Face aos apelos e perante a visita do Papa, em 1967,acabaria por ser alterada esta disposição.A sentença é cumprida: três anos, entre a Penitenciária e o Aljube (em Lisboa) - sempre isolado, sempre vigiado - e os restantes três no Forte de Peniche. Nesse julgamento, a seu lado, como ré, esteve também Maria Eugénia, condenada a 18 meses, que já cumprira, na prisão de Caxias, onde,instigada a denunciar, resistiu estóicamente: à tortura de sono, na sede da PIDE,e de imediato a três meses de isolamento, na referida prisão.Nunca falou.
João Varela Gomes, no forte de Peniche, onde esteve três anos, diz ter recebido dos seus companheiros de prisão, quase todos, altos responsáveis do Partido Comunista, o melhor acolhimento - não tendo nunca sido,nem ele ,nem sua mulher, militantes ou filiados no PCP -,correspondeu, a esse acolhimento e trato, com uma profunda admiração e enorme respeito por eles. Sempre os viu como homens sérios,cultos e empenhados na mesma luta e a padecer por ideais.Saiu de Peniche em 1968,recebido pelos seus - mulher e filhos – no amanhecer dum dia especial. Diz Maria Eugénia que lhe viu “verter algumas lágrimas de comoção. Não era possível sair dali, dignamente, deixando atrás de nós tanta gente a penar em condições duríssimas.”
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Iniciam nova fase.Com quatro filhos menores. Tiveram a solidariedade de muitos e as dificuldades inerentes. João Varela Gomes, nunca deixara de ser militar em tempo algum, adaptou-se mal aos trabalhos que conseguiu, em regime precário, quer em publicidade, quer numa metalúrgica, quer noutra áreas e finalmente numa pequena editora. Mas era preciso manter uma família, não pequena. Maria Eugénia trabalhou na Seara Nova e, a partir de 1971, no Sindicato dos Seguros, com magras remunerações. Proibido de actividade política, vê Maria Eugénia encarregar-se dessa acção. Foi activista desde 1963 na Frente Patriótica de Libertação Nacional e em 1968 cria, com várias personalidades da oposição, a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. A sua acção foi sempre de enorme empenhamento e elevado dinamismo. Tendo ainda participado na campanha eleitoral da CDE em 1969,é presa pela PIDE durante uma semana, apenas por estar à procura dos filhos numa manifestação.
Para terminar esta fase “pré-25 de Abril”, durante o ano de 1973 J.V.Gomes e Maria Eugénia vêem os seus filhos ser presos pela PIDE: o Paulo, com 20 anos, por um mês, por causa do 1º de Maio, as filhas de 16 e 17 anos, durante uma semana, além de uma delas (a mais nova) com a mãe serem espancadas pela polícia de choque, num comício de campanha eleitoral na S.N.B.A.
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A saga de todo o cidadão - como João Varela Gomes - feito de frontalidade e empenho na acção, de coragem, de honestidade intelectual e de dignidade de carácter…de não quebrar, nem torcer -não fica por aqui.
Chegados ao 25 de Abril de 1974 João Varela Gomes é reintegrado, no Exército, com posto de Coronel. Também aquilo que tinha proclamado em julgamento (a incitação à revolta) fora ouvido pelos capitães. Também fizeram parte da sua aprendizagem, enquanto capitães de Abril, as lutas antifascistas.
Foi então criada em Junho, na Chefia do Estado Maio General das FFAAs, a 5ª Divisão, com o fim imediato de integrar os sete oficiais que constituíam a 1ª Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Vasco Gonçalves foi o seu primeiro chefe por apenas um mês, porque toma conta do II Governo Provisório a 18 de Julho. Dentro do ENGFA o Coronel Varela Gomes transitara para esta nova 5ª Divisão. Como oficial de maior patente é Varela Gomes que assume, entre Julho e Outubro “oficiosamente” o lugar de chefe desta Divisão, seguindo-se lhe o Coronel Robin de Andrade e, mais tarde, o Comandante Ramiro Correia, que desde Outubro de 1974, já na 5ª Divisão, coordenava e impulsionava as Campanhas de Dinamização Cultural.
Nos seus 14 meses de permanência, nesta estrutura,Varela Gomes, tem particular relevância, não só no período em que está à frente da 5ª Divisão, na organização e coordenação dos seus diversos sectores, como depois,segunda figura hierárquica,vincando com a sua acção a marca do militar “intransigente na defesa dos ideais de Abril e na defesa da Revolução”. Somos testemunhas vivas ,aqui presentes,o Comandante Manuel Begonha e eu próprio, dessa sua pujança e dinamismo. Lá esteve, sempre no seu “posto de missão”. E quando necessário, nos momentos mais delicados do período revolucionário, a sua intervenção e a da 5ª Divisão revelaram-se essenciais, em defesa de Abril e contra os seus inimigos.Aconteceu no 28 de Setembro, no 11 de Março e no chamado Verão Quente…ou, mesmo ainda, no próprio, 25 de Novembro! Mas convirá ouvir o que ,de seu próprio punho, João Varela Gomes escreveu no preâmbulo do Livro Branco da 5ª Divisão, editado em 1984:
“…a 5ª Divisão foi um autêntico órgão revolucionário. …O mérito que porventura houve foi o de, observando o fluir do movimento popular, tentar assegurá-lo, defendê-lo, integrá-lo ao nível do poder militar.”
“…militares de carreira ou em serviço temporário; sargentos, soldados e marinheiros; funcionários civis; trabalhadores voluntários; intelectuais e artistas; dedicações sem número; foram centenas, mais de mil, quantos fizeram a 5ªDivisão e contribuíram para lhe moldar a sua singular feição revolucionária… resoluta, como marcha para o combate ...”
“ …em igual medida, as centrais de desestabilização imperialistas nos distinguiram como alvo a destruir. Prioritário. O mais perigoso. Essa distinção a assumimos. Como título de honra. De tão elevada quota no quadro dos valores revolucionários que, em sincera modéstia, a achamos imerecida.”
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Sabemos como as Revoluções - povo na rua e trabalhadores participativos, com a esperança renascida num melhor futuro, empenhados e mais felizes - são insuportáveis e intoleráveis para a burguesia e suas elites acomodadas, sedentas de poder que logo se apressam a considerá-las – como a bagunça na rua, a populaça efusiva, o desvario…mas muito (sobretudo) os seus haveres e privilégios em risco.
Os nossos 19 meses de período revolucionário, tão caluniado pelos seus inimigos, são um dos tempos mais belos e ricos da nossa história. É Varela Gomes quem o escreve “a gloriosa Revolução dos Cravos … é nossa, é de esquerda, é do povo trabalhador, das pessoas decentes, honestas, cultas. Luta por um melhor futuro para os desfavorecidos, por nascimento ou condição social.Não tem quaisquer afinidades com as minorias exploradoras, nem com os desfrutadores de privilégios abusivos, nem com fascistas ou filofascistas.”…” Mas não deixa de ser curioso que até uma «troika», no final de 1975, tenha lavrado um relatório (agora perdido!?) declarando o estado de boa saúde económico/ financeira de Portugal.
Paradoxalmente, ou não, esse período contém em si toda a dialéctica reaccionária de contra-revolução. João V.Gomes apercebeu-se disso muito cedo e daí o seu combate e tentativa de evitar que esta singrasse. Infelizmente a contra-revolução venceu. Terá começado, tímida, travestida. Hoje, e há muito tempo, já se passeia engalanada e arrogante.
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Por isso, a saga do nosso homenageado continua.
É sujeito a um mandato de captura,para se entregar, emitido pelos vencedores do 25 de Novembro, na qual se apela à própria população para denunciar o coronel Varela Gomes e outros militares. Porque que crime?
O crime, esse, fizeram-no os fautores do Novembro da nossa Primavera. Feito com planeamento e ordens de missão contra a Revolução. Não foi um golpe contra um golpe, como lhes soa bem, justificar. Foi um golpe contra a Revolução concretizado pelos que, tendo efectivamente traído Abril se deixaram seduzir, com maior ou menos grau de percepção, pelo aparente sossego duma ilusória tranquilidade de um regime democrático doente, em que o povo já não é quem mais ordena.
De acordo com os ditames da sua consciência, Varela Gomes e outros militares, não tinham motivos para se entregarem a novos verdugos.
Começa uma nova etapa na vida deste lutador (novamente acompanhado de Maria Eugénia): a de exilado político. Foi assim durante quatro anos, primeiro em Angola, onde, ainda teve a desventura de assistir à injusta prisão do saudoso e inocente, camarada e companheiro, Costa Martins. Depois em Moçambique, onde, para maior desgosto viveu, também, a trágica morte (por acidente) do não menos saudoso, camarada e companheiro, Ramiro Correia, com sua mulher e um dos filhos.
Regressou a Portugal em 1979.Nunca foi julgado, não obstante ter-lhe sido aplicada (a si e outros militares) a pena, administrativa e ilegal, de passagem ao quadro de complemento (a miliciano?!). O Tribunal Superior Administrativo ainda funcionou para anular semelhante aberração. Foi integrado, não sem peripécias grotescas, em 1982, como Coronel mas Reformado!
Tem nos últimos trinta anos dedicado o seu tempo a uma das suas, outra forma de contenda, publicando livros e artigos, divulgando, esclarecendo, desmascarando, vincando sempre as suas imorredouras características de cáustico, mas tenaz e sério, combatente da liberdade.
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Fomos mais longe do que nos tínhamos comprometido.
Exigência da personagem do homenageado. Exigência dos tempos actuais. Efectivamente a contra-revolução, de braço dado com o sistema neo-liberal global, entrou no nosso processo como um vírus, tem-se instalado no propósito de destruir as nossas conquistas de Abril, as nossas conquistas da Revolução…De tal sorte, passados 35 anos, estaremos estupefactos. Como foi possível ???
Obrigado João Varela Gomes pelo exemplo,mais um, que só pode revigorar a nossa coragem em prosseguir a Luta. A luta em que hoje, os trabalhadores, a juventude, os homens e mulheres de Abril, vão continuar a travar contra os que pretendem restaurar um caduco e tenebroso passado.
NÃO,tal como Varela Gomes sempre lhes disse.
Nós diremos também : NÃO PASSARÃO.
25 de Abril Sempre!


Manuel Duran Clemente
Director da Associação Conquistas da Revolução

Zeca - 25 anos de Saudade





Um pássaro igual a ti

Provavelmente, o mundo está mesmo feito às avessas! Anda um tipo como este Zeca a vida inteira a dar a voz e o corpo pelas causas dos outros, passam-se anos a fio de viola às costas a cantar as utopias sonhadas no dia-a-dia, e acaba tudo assim. Estupidamente, numa madrugada de chuva indecisa, como se nada tivesse acontecido antes, como se todo o passado não fosse senão um sonho longínquo.
Nós, no entanto, sabemos que não foi um sonho. Crescemos a ouvir Menino de Oiro e Os Vampiros, aprendemos de cor os versos de Vejam Bem e de Grândola. Aprendemos, com o Zeca Afonso de todos os cantares andarilhos, a saborear o gosto dos encantos e das emoções, a desejar e a lutar pelas cores da liberdade.
Com Zeca e os seus companheiros aprendemos, ainda, que é muito menos fácil formular perguntas que encontrar respostas. Que as veleidades da ‘vida artística’, na qual ele nunca se encaixou, são como os foguetes de romaria, que desaparecem no ar após um instante de brilho e que, portanto, o importante é estar vivo, ter como única certeza a inquietação permanente.
Há coisas assim, que parecem impossíveis. Depois vêm as inevitáveis cortesias-de-velórios, mas quanto a isso estamos conversados. Afinal somos um país de homenagens póstumas, não é? Que o digam o Adriano, Jorge de Sena, Fernando Pessoa. Que o diga agora o Zeca, ele que foi sempre tão dado a encolerizar-se com estas coisas.
Veja-se a Televisão, que esperou a sua morte para mostrar, lacrimosa, as suas cantigas. Veja-se o poder, que tudo lhe negou em vida, para descobrir agora (só agora, ó céus?) que, afinal, Zeca é um símbolo da democracia e da resistência antifascista! E proclama hossanas em sua glória, como se já não bastasse a dor que ficou.
Felizmente, os que aprenderam com Zeca as mais belas lições de liberdade já se aperceberam também de todo o ridículo que se esconde por detrás destes lamentos hipócritas. E sabem que José Afonso, poeta e trovador, não é dos que morrem assim, sem mais aquelas.
Sabemos que o sonho permanece, em cada esquina, em cada rosto, em busca da terra da fraternidade. Quanto a ti, Zeca, faz como sempre fizeste até aqui: não lhes ligues, ri-te deles, lá desse cantinho onde agora te encontras, provavelmente a contar ao Adriano as últimas cá de baixo. Afinal, já sabes como é: o mundo está mesmo feito às avessas. Se assim não fosse ainda agora por cá te teríamos, a mandar vir como era teu hábito contra “essa cambada engravatada e escolopêndrica” que insiste em controlar a gente. E até vão fazer de ti nome de rua, imagina!
Olha: lá fora, aqui mesmo a dois passos desta mesa de onde te recordo, há um pássaro a recolher-se da chuva que, teimosa, vai caindo. Ou serão lágrimas? Seja como for, o pássaro é igualzinho a ti: por mais que tentem, ninguém consegue impedi-lo de voar..

In "As Voltas de um Andarilho - Fragmentos da vida e obra de José Afonso"

Manifestação Nacional - 11 Fevereiro 2012

Não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento
Outra política é possível e necessária!



A concentração da Associação Conquistas da Revolução para a manifestação far-se-á às 15h00 junto ao Martinho da Arcada.

Intervenção de Manuel Begonha, Presidente da Associação Conquistas da Revolução




Eis-me de novo agora numa situação diferente, a de Presidente da Associação Conquistas da Revolução.
É com grande orgulho e motivação que aceito esta exaltante tarefa de dar cumprimento ao contido no nosso Estatuto e Programa. Sinto-me honrado com a vossa presença e também grato aos nossos camaradas da Comissão Instaladora que fizeram tanto caminho para chegarmos a este momento.

Iniciámos este processo numa situação muito difícil para o País e sobretudo para os mais desprotegidos. Esta fase já é de há muito tempo conhecida e estudada, pois trata-se de mais uma crise típica do capitalismo em todo o seu esplendor.
Daqui resulta um ataque violento aos trabalhadores, com redução de ordenados, restrições ao estado social e criação de um enorme número de desempregados, em prejuízo do desenvolvimento da economia e da redução dos prazos e juros dos empréstimos a que por exclusiva responsabilidade dos nossos governantes, fomos obrigados.

Nas condições em que nos encontramos o programa da nossa Associação só pode reflectir uma postura de combate. Combate para travar esta política, desestabilizando e atemorizando o inimigo da classe.
Iremos massacrar através das acções que desenvolveremos; a crítica constante a censura e denuncia de todas as injustiças.

Muitos de nós fizeram o 25 de Abril e continuamos a deter um potencial revolucionário que massacra e atemoriza. Possuímos a superioridade moral de termos contribuído para as conquistas da Revolução tão bem personalizadas e identificadas no General Vasco Gonçalves, sócio de mérito número um da nossa Associação que será uma arma de ataque e de defesa contra o opressor. Queremos possuir uma grande capacidade de mobilização que lembre ao nosso adversário que não será fácil passar por nós, uma vez que iremos recorrer a todos os meios constitucionais para o impedir.
Para estarmos preparados, mobilizados e informados, pretendemos prosseguir com o tipo de actividades já levadas a cabo há mais de seis meses e que nas condições de que dispúnhamos foram valiosas e oportunas.

O nosso objectivo para o triénio 2012-2014 é dar cumprimento aos estatutos da ACR e dar resposta às propostas que satisfaçam a concretização do objecto fulcral da Associação: a defesa das Conquistas da Revolução.
O nosso combate irá orientar-se no âmbito da Cultura, da Informação, da Luta pela Paz e Defesa da Soberania, da Independência Nacional e da Solidariedade.
É conhecido que não haverá independência sem cultura. Somos permanentemente agredidos com meios de comunicação social cujos conteúdos dão pouco ou nenhum relevo à cultura.
Pretendemos promover em vários pontos do País todo o tipo de iniciativas culturais, desde exposições, conferências, incentivando as actividades teatrais, musicais, literárias e todas as que foram possíveis recorrendo, entre outras, à experiência e meios ainda existentes, utilizados nas Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica.

A informação é um instrumento fulcral para podermos entender a propaganda e manipulação que nos rodeia, com recurso a todo o tipo de novos profetas que tentam explicar-nos a razão das suas teorias com argumentos previamente mastigados e formatados.
Teremos que nos antecipar para entender as artimanhas económicas relativas à distribuição de riqueza e respectiva aplicação, e ripostar com inteligência política aos tentados desvios às matérias contempladas no que entendemos pelas conquistas da Revolução de Abril.
O que se passa no mundo não nos deve ser estranho. É nosso objectivo informar para se clarificarem as razões que estão por trás das tomadas de decisão; os objectivos estratégicos do capitalismo, a geografia das influências e os circuitos do dinheiro.
Necessitamos de estar atentos aos objectivos da estratégia de globalização que permite a flexibilidade sem limites do capital, não considerando condições de trabalho justas nem normas de segurança no trabalho, impedindo os países mais fracos, como o nosso, de defenderem os seus direitos, por exemplo sobre as pescas, agricultura, indústria e emprego.

Devemos estar prontos a repudiar a irresponsabilidade de martirizar esta geração em prol de interesses imorais, de empurar um país para a pobreza e destruir entidades que desempenhavam uma função social, negligenciando os trabalhadores e tudo o que parecia assegurado desde o 25 de Abril, para ir ao encontro de um estado supostamente rentável e com bem estar para o povo, num futuro longíquo.
Enfim uma boa informação é a nossa melhor defesa e um meio eficaz de obter argumentos para penetrar nos pontos fracos do adversário.
As medidas tomadas no âmbito da grande globalização, para limitar as crises que o próprio capital gerou, ofendem constantemente a nossa Soberania e Independência Nacional.

A busca desenfreada de matérias-primas e a hegemonia geoestratégica são uma ameaça permanente à paz. Estas movimentações exigem atenção e um esforço permanente para denunciar os seus verdadeiros objectivos.
Também aqui iremos procurar manter os nossos Associados informados do significado das transformações que vão ocorrendo.

Este é um tempo de SOLIDARIEDADE, a exigência será enorme para ajudar a superar as diferenças que se estão a verificar que têm um enorme potencial desestabilizador. Pode atirar pobres contra pobres, velhos contra novos, estudantes contra trabalhadores, homens contra mulheres. Porquê? Porque haverá os que têm subsídios e outros não; os que têm emprego e outros não; os que têm acesso à saúde e outros não; os que podem estudar e outros não, os que têm casas dignas e outros não. E no entanto poderão ser todos trabalhadores empobrecidos.

Ocorre-me uma citação de John Donne: “Aflige-me a morte de qualquer ser humano porque sou parte da Humanidade. E por isso nunca perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti ”.
Assim, sempre que se ataca o Serviço Nacional de Saúde os sinos dobram por nós; quando um trabalhador perde um emprego os sinos dobram por nós; quando se reduzem os ordenados aos mais pobres os sinos dobram por nós; quando se retira a diginidade a um português os sinos dobram por nós.
Há que pôr um fim a tamanho conjunto de injustiças. Não queremos que os sinos dobrem sobre as conquistas da Revolução.

Há que preparar uma mudança. É preciso construir os alicerces da mudança. Não é aceitável que um conjunto de políticos gananciosos e sem sentido humano, nos pretendam humilhar, transformando o nosso povo numa mera bolsa de desempregados para construir um mercado onde os empresários iriam contratar trabalhadores a baixo custo e em condições de trabalho degradantes, para assim fazerem triunfar os seus desígnios.
Devemos preparar-nos para a mudança; não queremos ser menorizados nem converter-nos num povo triste, submisso e sem ideiais transformadores.
A Associação assume aqui este compromisso.

Queremos afastar de vez o que em 1915 afirmou Henry Barbuse “o futuro está nas mãos dos escravos e percebe-se que vai surgir um novo mundo da aliança de todos aqueles cujo número e miséria não têm limites”.
O povo português sempre demonstrou ser orgulhoso e independente.
Iremos ser as gerações da mudança; saberemos desempenhar bem esta tarefa.
Contudo, a criação deste edifício deverá ter um forte contributo da juventude, por isso o nosso program nela terá grande incidência.
É responsablilidade de Todos trazer mais jovens para a Associação.
Queremos um Portugal diferente, melhor e com esperança no futuro. Devemos mobilizar-nos para atingir os desígnios da Associação e ter orgulho em contribuir com os nossos esforços para combater o conformismo e o desânimo que o nosso ideal do 25 de Abril exige.
Se conseguirmos cumprir este programa ficaremos todos nós honrados.

VIVA a ACR!

VIVA o 25 de Abril!

VIVA PORTUGAL!


Manuel Begonha

Intervenção de José Casanova na Assembleia-Geral Electiva




Amigos, companheiros, camaradas

Passados menos de oito meses sobre a realização da Assembleia-Geral Constitutiva da Associação Conquistas da Revolução, aqui estamos, agora em Assembleia-Geral electiva dos órgãos sociais – ou seja, dando mais um importante passo no processo de construção deste nosso projecto.
Sobre a oportunidade e a necessidade da criação de uma Associação com estas características, o tempo e a evolução da situação política, económica, social e cultural no nosso País, têm-se encarregado de nos dar múltiplas provas de que tínhamos toda a razão quando decidimos criá-la.
Com efeito, neste tempo em que tudo o que ainda cheira a Abril é alvo da feroz ofensiva contra-revolucionária da política de direita das troikas, a existência de uma Associação que tem a Revolução de Abril e as suas conquistas históricas como referência maior, é, mais do que necessária, indispensável.
Acresce que temos como referência, também, um vasto conjunto de personalidades, civis e militares, que deixaram os seus nomes para sempre ligados à Revolução de Abril e a tudo o que ela nos trouxe e nos permitiu conquistar.
Dessas personalidades, emerge, em primeiro lugar a figura ímpar do General Vasco Gonçalves. Tudo já foi dito e tudo resta para dizer do Companheiro Vasco, exemplo de dignidade, de coragem e de inteireza de carácter; de extrema dedicação a Portugal e ao povo português; de elevada estatura moral, política, intelectual, humana, revolucionária.
Por isso – pelo seu exemplo, pela sua obra, pelo seu pensamento -quisemos, inicialmente, que o seu nome fosse o nome da nossa Associação – o que só não aconteceu por obstáculos impossíveis de superar e que todos conhecemos.
Entretanto, optando pela actual designação, estamos convictos de que optámos bem. Por um lado, porque as Conquistas da Revolução de Abril continuam, e de que maneira, sob o fogo da brutal ofensiva contra-revolucionária e nunca serão demais os que se propõem defendê-las; por outro lado, porque falar das Conquistas da Revolução é falar do revolucionário Vasco Gonçalves, da sua acção decisiva enquanto primeiro-ministro de quatro governos provisórios – os governos dos grandes avanços revolucionários, das grandes e profundas transformações que fizeram de Portugal um pais a caminho da justiça social plena, do respeito pelos direitos dos trabalhadores e do povo, da independência e da soberania nacional, da liberdade, da democracia. Não de uma democracia qualquer, mas sim de uma democracia avançada, em construção nas suas vertentes social, económica, política e cultural, e amplamente participada; uma democracia como nunca antes tinha existido em Portugal e como, de então para cá, não voltou a existir; uma democracia de facto, em que os direitos e interesses da imensa maioria dos portugueses eram respeitados, ao contrário do que acontece nesta democracia burguesa em que vivemos, nesta democracia-de-faz-de-conta, que outra coisa não é do que uma ditadura do grande capital.
Digamo-lo uma vez mais: com Vasco Gonçalves, os portugueses tiveram, pela primeira e única vez, um primeiro-ministro que tinha como preocupação permanente a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal. E digamo-lo muitas vezes mais, pois há verdades que, pela importância de que se revestem, nunca é demais repetir.

Há mais de 35 anos que estamos a ser vítimas das malfeitorias de sucessivos governos PS, PSD, CDS – sozinhos ou de braço dado - todos ao serviço dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros nacionais e internacionais; todos vendendo a independência e a soberania nacional como mercadoria em saldo; todos afrontando e rasgando a Constituição da República Portuguesa, Lei fundamental do País; todos roubando conteúdo democrático à Democracia de Abril; todos desprezando e violando os interesses dos trabalhadores e do povo; todos destilando um ódio feroz à Revolução de Abril e às suas conquistas; todos tentando afastar Abril das nossas memórias e dos nossos horizontes e todos fazendo tudo para o substituir pelo passado que em Abril, Abril venceu. Há mais de 35 anos!...
E aos que fingem interrogar-se sobre de quem são as culpas da dramática situação em que está o Pais hoje, respondemos com uma pergunta: de quem hão-de ser as culpas senão de quem está no poder há 35 anos consecutivos, com sucessivos governos fazendo a mesma política de direita e com sucessivos presidentes da República abençoando esses governos e essa política? De quem hão-de ser as culpas senão deles?
De facto, foi com esses governos, esses presidentes e essa política que chegámos à situação actual, com o País ocupado por uma troika representante dos interesses do grande capital e governado pelas troikas colaboracionistas: a que assinou, de joelhos e a lamber as mãos dos donos, o miserável pacto de agressão e a que assinou o chamado «acordo social», esse «acordo» odioso que só tem paralelo com o sinistro Estatuto do Trabalho Nacional de 1933.
Foi assim que chegámos a este reino da exploração máxima; das injustiças sociais e do roubo de direitos humanos fundamentais; do desemprego e dos salários, pensões e reformas de miséria; dos aumentos brutais dos bens de consumo essenciais e da liquidação desumana de serviços públicos indispensáveis à vida das pessoas; da pobreza, da miséria, da fome – enquanto do outro lado de tudo isto, crescem todos os dias as grandes fortunas dos chefes dos grandes grupos económicos e financeiros, alguns dos quais são os mesmos que foram sustentáculo do regime fascista, enquanto outros são filhos da política de direita e da destruição de conquistas da Revolução.
E só a luta organizada dos trabalhadores e das populações os tem impedido de ir mais longe na sua ofensiva anti-social, anti-democrática e anti-patriótica.
E só com a intensificação e o alargamento da luta poderemos derrotá-los.

Daí a importância do prosseguimento da acção das populações, a partir das suas comissões de utentes existentes por todo o País – batendo-se contra a destruição do SNS e do sistema de Educação, rejeitando os cortes de serviços de transportes e os roubos nas portagens.
Daí a importância da luta dos reformados e pensionistas organizados nas suas estruturas representativas – dizendo «não» aos roubos nas suas reformas e pensões e exigindo respeito pela sua dignidade, pelos direitos que uma vida de trabalho lhes conferem.
Daí a importância decisiva da luta dos trabalhadores, organizados na sua central sindical de classe – a CGTP-IN -, luta a levar a cabo nas empresas, locais de trabalho e sectores, rejeitando frontalmente o famigerado acordo anti-social e os roubos nos salários e todos os atentados aos seus direitos conquistados através da luta de sucessivas gerações.
E, voltando ao que aqui nos trouxe, daí a importância da existência de organizações como a Associação Conquistas da Revolução – lembrando a todos que Abril existiu e está vivo na nossa memória; mostrando a todos que o futuro de Portugal se situa nesse momento maior e mais luminoso da nossa história colectiva que foi a Revolução de Abril.

E agora – com a manifestação convocada pela CGTP para dia 11, no Terreiro do Paço - chegou o tempo de fazermos convergir todas essas lutas numa luta comum; numa luta que junte todas essas forças e todos esses esforços; numa grandiosa jornada de acção do povo de Abril.
Porque esta é uma manifestação que aponta o caminho, para ela convergirão, vindos de todo o País, trabalhadores, reformados, intelectuais, homens, mulheres e jovens de Abril – e entre eles, lá estará, no lugar que lhe compete, a nossa Associação Conquistas da Revolução.
Para que o Terreiro do Paço, no próximo sábado, seja Terreiro da Luta, Terreiro do Povo – e, por isso mesmo, seja também Terreiro de Abril.


Amigos, companheiros, camaradas

A montante desta Assembleia-Geral Eleitoral que hoje aqui estamos a realizar, está muito trabalho feito, muito esforço de muitos amigos, muitos obstáculos ultrapassados – sendo certo que, como todos sabemos, muito mais há que fazer de hoje em diante.
Vale a pena deixar aqui uma breve informação sobre o trabalho desenvolvido, primeiro pela Comissão Promotora e, depois, pela Comissão Instaladora – trabalho que, para além de todo o processo de debate em torno da criação da Associação, se traduziu, posteriormente, num vasto conjunto de iniciativas de que aqui vos queremos prestar contas.
A primeira iniciativa foi um jantar de confraternização, realizado aqui na Casa do Alentejo, no decorrer do qual foram relembrados momentos marcantes da Revolução de Abril.
Por outro lado, a nossa Associação participou, identificada, nas manifestações do 25 de Abril e do 1º de Maio e na manifestação da CGTP de 1 de Outubro «Contra o empobrecimento e a injustiça» - e lá estaremos, no dia 11, no Terreiro do Paço; e lá estaremos em todas as acções de massas inequivocamente contra a política de direita, com os trabalhadores, com o povo, com Abril.
Organizámos uma romagem à campa do General Vasco Gonçalves e assinalámos o 90º aniversário do seu nascimento.
Realizámos a Assembleia Constitutiva da Associação – que elegeu a Comissão Instaladora, a qual ficou encarregada de proceder, e procedeu, à Escritura da ACR e de preparar a Assembleia-Geral, esta, que elege os corpos sociais da Associação; na Assembleia Constitutiva foram ainda aprovados os Estatutos e a proposta de, neles, o General Vasco Gonçalves ser considerado «sócio de mérito da Associação Conquistas da Revolução, a título póstumo».
Promovemos a realização de dois debates, o primeiro em torno do «35º aniversário da Constituição da República Portuguesa e a acção e o papel dos governos de Vasco Gonçalves»; o segundo sobre «a defesa das conquistas da Revolução»
A Comissão Instaladora organizou, ainda, um jantar de confraternização, em Almada. Produziu comunicados de imprensa sobre temas da actualidade política, económica e social e encetou diligências junto da Câmara Municipal de Lisboa no sentido de esta nos facultar as instalações para a Sede da Associação e assim podermos resolver um dos maiores problemas que se nos deparam.
Assegurámos o funcionamento do blogue Associação Conquistas da Revolução – que regista neste momento mais de 10 mil visitas.
Para além disso, procurámos dinamizar a inscrição de novos sócios – e podemos informar que, hoje, à data desta Assembleia-Geral, temos mais de 600 sócios, o que mostra as enormes potencialidades existentes: na realidade, mostra a experiência, que é possível e que não é difícil multiplicar este número: basta, para isso e para já, que cada associado traga um novo associado - e nesse sentido daqui vos dizemos: amigo, traz outro amigo, também…

Há que abordar, ainda, uma outra questão central: a dos encargos financeiros da Associação e das necessárias fontes de receita para lhes fazer face - fontes que residem, essencialmente, nos contributos dos associados, sendo a cotização o mais importante de todos.
Não tendo sido ainda definido o valor da cotização (tarefa de que a Direcção que hoje vai ser eleita se encarregará), mesmo assim - e aproveitando a realização desta Assembleia para, desde já, se possível, começarmos a cobrar cotizações - avançamos com um valor para a cota: 1 euro mensal, ou 12 euros anuais.
Trata-se de um valor baixo, muito baixo, e só possível de entender no quadro da situação extremamente difícil em que vivem todos os que trabalham e vivem do seu trabalho e todos os que já trabalharam e vivem de reformas e pensões – ao fim e ao cabo, a situação em que vivem os sócios actuais e futuros da nossa Associação – que constituem as vítimas preferenciais da política de direita das troikas.
Trata-se de um valor que propomos que seja visto por cada associado como o mínimo dos mínimos, sendo muito bem vindos os casos dos associados que decidam pagar cotizações mais, ou muito mais, elevadas. Vale a pena fazermos mais este esforço, tanto mais que sabemos que dele depende muito o futuro da nossa Associação.
E esse futuro depende, também e essencialmente, de nós todos, os associados, e da participação de todos na vida e na actividade da Associação, apoiando os esforços da Direcção que hoje aqui elegeremos, colaborando com ela, ajudando-a a cumprir e, se possível, ultrapassar o seu Programa.
Se sabemos que é assim - que quantos mais formos a participar mais fortes seremos - então vamos a isso.

Viva a ACR.


José Casanova

ELEIÇÕES DOS ÓRGÃOS SOCIAIS da ASSOCIAÇÃO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO




Foram eleitos os órgãos socais da ASSOCIAÇÃO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO.
Sendo a Lista "A" a única lista apresentada.
Associados já inscritos:602.
Associados presentes e votantes na Assembleia Geral Eleitoral:126.
Votos expressos na lista "A":124.
Votos em branco: 2.



Eleitos:

Assembleia Geral

Presidente da Assembleia Geral: Prof.Dr Avelãs Nunes

Vice-Presidente:Capitão de Mar e Guerra,Henrique Mendonça

Secretário:José Capucho

Suplente:Rodrigo de Freitas

Direcção

Presidente da Direcção:Capitão de Mar e Guerra,Manuel Begonha

Vice-Presidente:Escritor e jornalista, José Casanova

Secretário:Vitor Lambert

Tesoureiro:Beatriz Nunes

Director:Escritor, Modesto Navarro

Director:Coronel, Baptista Alves

Director:Coronel, Duran Clemente

Director:Joaquim da Ponte

Director:Nuno Lopes

Suplentes

Dr.Armando Myre Dores

Coronel João Bilstein Sequeira

Dra.Lina Seabra Dinis

(Distritais)

Rogério Leite da Silva(Braga)

Jorge Sarabando(Porto)

Joaquim Augusto da Piedade Gaspar(Aveiro)

José Domingos Gomes Coutinho(Coimbra)

Luís Alberto Ferreira(Santarém)

Joaquim Manuel(Portalegre)

Célia Cristina Oliveira Lopes(Setúbal)

Ramiro Beja(Setúbal)

Valdemar Lopes dos Santos(Setúbal)

António Joaquim Gervásio(Évora)

Manuel Vicente(Évora)

Alfredo Graça(Faro)

Conselho Fiscal

Presidente do Conselho Fiscal:Coronel José Emílio da Silva

Secretário:Dr.José Sucena

Relator:Capitão de Mar e Guerra, António Vieira Nunes

Suplente:João Rato Vitor Proença

ASSOCIAÇÃO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO - REGULAMENTO ELEITORAL

ASSOCIAÇÃO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO

REGULAMENTO ELEITORAL

Artigo 1º
Organização das Eleições
A organização do processo eleitoral compete a uma Comissão Eleitoral constituída pela Mesa da Assembleia Geral, um representante de cada lista e quando necessário outros Delegados nomeados pelo Presidente da Assembleia Geral.

Artigo 2º
Atribuições
1. Compete à Comissão Eleitoral:
a) Organizar o processo Eleitoral.
b) Verificar a regularidade das Candidaturas.
c) Promover a confecção e distribuição dos boletins de voto a cada um dos Delegados participantes na votação.
d) Elaborar o Caderno Eleitoral.
e) Fiscalizar o Acto Eleitoral.

2. A Comissão Eleitoral elaborará os Cadernos Eleitorais inscrevendo nos mesmos a identificação e número de cada associado em pleno gozo dos seus direitos. A actualização dos associados far-se-á até à data da convocatória da respectiva Assembleia Geral eleitoral.

Artigo 3º
Assembleia Eleitoral
1. A eleição dos Órgãos Sociais pode ter lugar em Assembleia Geral ordinária conforme convocatória do seu Presidente ou excepcionalmente em qualquer Assembleia Geral convocada para o efeito.

2. A Assembleia Geral será convocada no caso de Eleições para os Órgãos Sociais, nos mesmos termos da do Artº 20º dos Estatutos.

Artigo 4º
Candidaturas
1. As candidaturas serão entregues à Mesa da Assembleia Geral, até 20 (vinte) dias antes do acto eleitoral.

2. Cada lista de candidatura conterá a designação dos membros a eleger com:
a) Identificação dos seus componentes (nome, numero de associado e número de BI ou CC).
b) Indicação do órgão e cargo a que se candidata.
c) Identificação dos dois representantes da lista.

3. As listas de candidatura terão que ser subscritas por, pelo menos 50 associados, com indicação de nome legível, assinatura, e número de sócio.

4. As listas são consideradas quando apresentem candidatos a todos os órgãos sociais.

5. Cada candidato só pode apresentar-se numa lista de candidatura.

6. As listas são aceites ou rejeitadas em bloco.

Artigo 5º
Admissão das Candidaturas

1. A Mesa da Assembleia Geral verificará a regularidade das candidaturas, nos cinco dias subsequentes ao encerramento do prazo para entrega de listas.

2. Caso existam irregularidades a documentação terá que ser regularizada pela candidatura no prazo de 48 horas.

3. Findo o prazo estabelecido no número anterior, a Mesa da Assembleia Geral decidirá em definitivo pela aceitação ou rejeição da lista candidata.

4. A cada lista de candidatura será atribuída uma letra maiúscula de acordo com a ordem de entrada.

Artigo 6º
Campanha Eleitoral
A campanha eleitoral será orientada pelas listas concorrentes tendo início a partir da decisão referida no Nº 3 do artigo anterior e termina na antevéspera do acto eleitoral.

Artigo 7º
Boletim de Voto
Os boletins de voto serão em papel liso não transparente, sem marcas ou sinais exteriores e com a dimensão apropriada.

Os boletins de voto estarão à disposição dos sócios na sede da ACR e nas mesas de voto.

Artigo 8º
Assembleia de Voto
1. Sempre que se justifique, havendo mais do que uma Assembleia de Voto, estas funcionarão nos locais devidamente assinalados, por ordem do número do associado ou por ordem alfabética do seu respectivo nome .

2. Cada Assembleia de Voto será presidida por um representante da Mesa da Assembleia Geral, auxiliado por um Vogal, por esta designado e um representante de cada lista concorrente.

3. Das decisões da Mesa da Assembleia de Voto, cabe reclamação à Mesa da Assembleia Geral que decide em última instância.

Artigo 9º
Votação
1. O voto é feito pela inscrição no boletim de voto, da letra que identifica a lista escolhida.

2. A votação pode ser presencial ou por correspondência, não sendo permitido o voto por procuração.

3. Na votação presencial o eleitor identifica-se como associado perante o Presidente da Mesa da Assembleia de Voto, com o bilhete de identidade ou equiparado.
a) O eleitor entrega o boletim de voto dobrado em quatro ao Presidente da Mesa que o introduz na urna.

4. A votação por correspondência obedece às seguintes regras:
a) O eleitor encerrará o boletim de voto com a letra da lista escolhida, dobrado em quatro, num sobrescrito branco, não transparente, sem quaisquer dizeres exteriores.
b) O sobrescrito é acompanhado de documento, com a identificação do votante, número de sócio, local de residência e assinatura.
c) O referido sobrescrito e documento de identificação são encerrados num outro sobrescrito dirigido ao Presidente da Mesa da Assembleia Gera para a sede da ACR de modo a ser recebido até início da votação.
d) Para os votos por correspondência existirá uma Assembleia de Voto própria.
e) A votação inicia-se pela abertura do sobrescrito exterior, retirando-se o documento de identificação, sendo lido em voz alta, afim de individualizado.
f) Seguidamente, é introduzido na urna o sobrescrito interior sem ser aberto.

Artigo 10º
Validade dos Votos
1. São considerados votos numa lista os que tiverem uma letra correspondente a uma das listas candidatas.

2. É considerado voto branco, o do boletim que não contenha qualquer letra ou qualquer outro escrito.

3. É considerado voto nulo o aquele que:
a) Esteja expresso em boletim diferente do distribuído.
b) Esteja expresso em mais de um boletim, no caso da votação por correspondência.
c) Esteja expresso no boletim com letra não correspondente a qualquer das listas candidatas.
d) Contenha erro, corte, desenho ou rasura no boletim.

Artigo 11º
Resultados
1. Após a votação realizar-se-á a contagem dos votos e a elaboração da acta de cada Assembleia de Voto, que depois de assinada pelos membros da respectiva Mesa, será entregue à Mesa da Assembleia Geral.

2. A acta final será elaborada pela Mesa da Assembleia Geral.

3. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral proclamará a lista vencedora e promoverá à posse dos membros dos Órgãos Sociais eleitos.


Artigo 12º
Primeiro Acto Eleitoral
Na realização do primeiro acto eleitoral e apenas nesse, serão permitidas as seguintes alterações e excepções a este Regulamento:
1. A Comissão Instaladora, eleita na Assembleia Constituinte de 18 de Junho de 2011, designará os associados que constituirão a Mesa da Assembleia Geral constituída por três dos seus membros e designando um Presidente da mesma.

2. Sempre que nos artigos 1º, 4º, 5º, 8º, 9º, 11ºe 13º deste Regulamento, se refere a “Mesa da Assembleia Geral” ela será constituída pelos elementos escolhidos pela Comissão Instaladora e referidos no número anterior.

3. Toda a preparação do acto eleitoral será da responsabilidade da Comissão Instaladora, dentro do espírito e letra deste Regulamento, competindo-lhe, designadamente, a marcação da data da Assembleia Geral extraordinária, com vista à eleição dos primeiros Órgãos Sociais, elaborar os cadernos eleitorais, convocar os associados, já com a apresentação da sua lista para eleger os órgãos sociais, e referir que até cinco dias antes do acto eleitoral podem ser apresentadas outras listas. As listas referidas devem obedecer aos requisitos exigidos pelos números 2 a 6 do artigo 4º.

4. A actualização dos cadernos eleitorais pode ser feita até ao inicio desta Assembleia Geral.

Artigo13º
Interpretação ou integração de lacunas

A interpretação ou integração de lacunas nos casos omissos do presente regulamento será da exclusiva competência da Mesa da Assembleia Geral eleitoral.

Artigo 14º
Entrada em vigor

Este Regulamento foi aprovado pela Comissão Instaladora por força dos poderes que lhe conferiu a Assembleia Constituinte. Serão revistos, adaptados às circunstâncias e sujeitos às alterações a deliberar na primeira Assembleia Geral promovida pelos órgão sociais eleitos.

CONVOCATÓRIA







ASSOCIAÇÃO CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO
Sede (provisória): Rua das Portas de Santo Antão, n.º 58, Lisboa

CONVOCATÓRIA
Assembleia Geral Eleitoral

Nos termos do Regulamento Eleitoral, aprovado pela Comissão Instaladora na sequência dos poderes que lhe foram conferidos pela Assembleia Constituinte da Associação, convoca-se a Assembleia Geral para se reunir no próximo dia 4 de Fevereiro de 2012, entre 15H30 e as 18H30, na sede provisória da Associação, sita na Rua das Portas de Santo Antão, n.º 58, em Lisboa, com a seguinte “Ordem de Trabalhados”.
— Ponto Um: Informação aos associados.
— Ponto Dois: Eleição dos Órgãos Sociais da Associação para o triénio 2012/ 2014.
De acordo com o artigo 12º do Regulamento Eleitoral, a Mesa da Assembleia Geral será constituída por três elementos da Comissão Instaladora, a quem compete a orientação e fiscalização da reunião, a proclamação dos resultados e dar posse aos membros dos Órgãos Sociais eleitos.
Mais se informa que, nos termos do Regulamento Eleitoral, segue, em anexo, a lista concorrente aos Órgãos Sociais proposta pela Comissão Instaladora, sendo que, até cinco dias da data da reunião da Assembleia Geral, poderão ser apresentadas outras listas subscritas pelo menos por cinquenta associados, que devem preencher os requisitos dos n.os 2 e 6 do artigo 4º do Regulamento Eleitoral.
O Regulamento Eleitoral e o Caderno Eleitoral, este para consulta, estarão à disposição dos associados, na recepção da Casa do Alentejo a partir do próximo dia 23 de Janeiro, entre as 14H00 e as 19H00, onde dentro do prazo regulamentar e naquele horário devem ser entregues as listas concorrentes às eleições.

Lisboa, 16 de Janeiro de 2012

A Comissão Instaladora da Associação

Associação Conquistas da Revolução confraternizou em Almada



“Lutando pelo pleno cumprimento da Constituição de Abril, não estamos desesperados” - enfatizou Manuel Begonha, Capitão de Abril, no jantar que a Associação Conquistas da Revolução levou a cabo na noite de 20 de Dezembro, em Almada, e de cuja Comissão Instaladora faz parte.
A iniciativa congregou mais de cinquenta presenças e decorreu tendo como pano de fundo a realização no início do próximo ano da Assembleia Eleitoral da Associação, procurando definir as linhas mestras do Plano de Acção para 2012 no que concerne a Península de Setúbal.
Manuel Begonha recordou a frase de Proudhon segundo a qual “quem faz meia-revolução cava a sua própria sepultura”, em ligação directa às palavras de Vasco Gonçalves a 18 de Agosto de 1975, num grande comício realizado na Escola D. António Costa, naquele concelho, repleta de trabalhadores convocados pelas organizações de classe e já com a contra-revolução definitivamente a ganhar terreno, acção a que aludiu inicialmente Valdemar Santos, igualmente de Comissão Instaladora.
No jantar fez-se ouvir a voz de jovens, em sintonia com uma ideia de combate a uma pretensa contradição de gerações: “quem fez a Revolução está presente!”

Sobre o corte de feriados

A Comissão Instaladora da Associação Conquistas da Revolução considera vergonhosa e antipatriótica a disponibilidade que o Governo apresenta para cortar os feriados do 1 de Dezembro e de 5 de Outubro
Estes feriados, (1 de Dezembro - Restauração da Independência, e 5 de Outubro - Instauração da República), evocam datas históricas relacionadas com a independência nacional, a liberdade e a democracia.

Com esta atitude o governo pretende que se passe uma esponja na memória colectiva da nossa história.
O corte destes dois feriados nacionais, junto com o corte de dois feriados religiosos, é uma evidente demagogia que põe a nu a atitude prepotente deste Governo, do PSD e do CDS/PP, contra os trabalhadores, os seus períodos de descanso e mais, uma vez, demonstra a subserviencia às exigências estrangeiras personificadas no que se chamou o memorandum da troika (FMI, BCE e UE).
Neste quadro, a Comissão Instaladora da Associação Conquistas da Revolução apela a todos os portugueses patriotas e democratas que se pronunciem contra esta sinistra atitude do Governo.

Jantar de Confraternização



Jantar de Confraternização
Terça-feira, 20 de Dezembro, pelas 20.00 horas


No Restaurante Nezy
Rua Capitão Leitão, nº 78 A-B, em Almada

Interveniente
Manuel Begonha - Capitão de Abril, membro da Comissão Instaladora da Associação Conquistas da Revolução


Contamos com a tua presença e o teu empenho na mobilização

Inscrições

Manuel Custódio, telemóvel 967341852
conquistasdarevolucao@gmail.com

Comunicado





As ofensivas das politicas de direita, às Conquista da Revolução de Abril, ao longo destes 35 anos, mais não têm sido do que a descaracterização e a destruição da verdadeira democracia politica, económica, social e cultural, amplamente participada, cujos valores e ideais, consagrados na Constituição da República de 1976,em resultado do derrubamento da ditadura fascista, emanavam do sentimento de libertação do Povo Português e de que a este competia construir o seu futuro.
Como já referimos em comunicados recentes, o Programa imposto pela troika do grande capital financeiro e aceite, servilmente, pela troika PS/PSD/CDS, trilha o caminho de tais ofensivas destruidoras numa dimensão e gravidade sem precedentes.
O Orçamento de Estado para 2012, que acaba de ser aprovado, formaliza não só, o mais brutal ataque às condições de vida dos portugueses e à democracia, (ferindo mesmo direitos constitucionais) como, constitui o maior embuste alguma vez desencadeado pelo regime dito democrático.
Pouco importa a este governo, comprometer com actos governamentais o que em campanha eleitoral prometera com sentido diametralmente oposto. O governo “Passos Coelho/Paulo Portas”, com a conivência do PS, não tendo pejo nem humanidade, em ultrapassar o que já eram exigências gravosas externas, há muito passou da intenção à prática e iniciou a concretização das ameaças.
Com este Orçamento de Estado o governo concretiza não só o congelamento das remunerações dos trabalhadores da Administração Pública e congelamento da maioria dos pensionistas, como a apropriação aos mesmos, dos subsídios de férias e de Natal, correspondendo neste caso a uma redução de 14% do seu rendimento anual. Para além dos elevados cortes já feitos nas despesas sociais em 2011 pretende o governo em 2012 reduzir significativamente as despesas do SNS, da Educação, das prestações sociais (subsidio de desemprego e outras) e no investimento público (aumento de desemprego). Contrariamente ao que afirma o governo, isto não é reduzir “gorduras do Estado”, mas sim acabar com a prestação de serviços essenciais na Saúde e Educação e nos apoios à população. Mas se a redução na Despesa Pública em cerca de 7.500 milhões de euros, já é feita à custa de duros sacrifícios dos portugueses, extorquindo-lhes direitos adquiridos, o ataque às suas condições de vida mais se afronta, ainda, através da Receita Pública com um brutal aumento de impostos, tais como, o agravamentos do IVA, do IRS, do IMI e de outros, todos com incidência directa na população em geral, enquanto rendimentos de capital, de várias espécies, continuam isentos. Também se “estranha” que o propalado combate à fraude e evasão fiscal tenha reduzida expressão neste O.E., aliás até inferior à de governos anteriores.
Estamos assim, com medidas desta natureza, com efeitos fortemente contraccionistas, perante um governo que não hesitando, em lançar o país para uma recessão ainda mais profunda em 2012, já tece a justificação para mais austeridade no ano que vem, à semelhança do que aconteceu na Grécia.
Este Orçamento de Estado obriga-nos a repetir o que já dissemos anteriormente: “o despudorado assalto aos direitos dos trabalhadores, da juventude, dos reformados e da população em geral, com particular violência para os trabalhadores da administração pública, é um monstruoso crime contra a população portuguesa que urge desmascarar e combater”. “A progressiva destruição das conquistas de Abril abre as portas á pobreza, humilhação e desencanto, daqueles que, nada tendo contribuído para a presente crise, são hoje, como sempre foram, com os governos PS/PSD/CDS, os mais penalizados para que nada mude na exploração conduzida pelo capital”.
Por isso, a Comissão Instaladora da Associação Conquistas da Revolução tendo vindo já a dar a sua total e activa adesão a todas as formas de luta, que entretanto se tem vindo a verificar no quadro constitucional, das quais, destaca a grandiosa e expressiva recente Greve Geral, vem manifestar o seu total repúdio contra os programas de agressão das troikas e das medidas constantes no Orçamento de Estado para 2012.
Aos portugueses compete participar na construção do seu Portugal Democrático e de Abril; nessa labuta e luta, talvez nunca, como neste momento e a partir dele, tenha sido tão premente, como relevante, içar o direito à indignação e, para os combates que se seguem, demonstrar a sua firmeza e unidade.

A Comissão Instaladora

Em defesa das Conquistas da Revolução







Intervenção de Lino Paulo

DIREITO À HABITAÇÃO
1.
Porquê falar do direito à habitação?
Naturalmente porque o imperativo da Constituição de Abril:
“Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”, (artigo 65º da Constituição da República Portuguesa)
Está longe de corresponder à realidade.
O facto é que, como Engels escrevia, em 1872, em “Para a Questão da Habitação” é que é claro como a luz do dia que o Estado actual (leia-se Estado da burguesia) não pode nem quer remediar a praga da habitação”.
De facto a carência de habitação corresponde a uma questão de classe. Na sociedade capitalista, tal como em estádios anteriores de desenvolvimento, a quota-parte de riqueza que cabe aos trabalhadores é diminuta e leva a que a maioria destes seja incapaz de aceder à compra ou aluguer de um alojamento de boa qualidade, bem localizado e em zona dotada de infra-estruturas e equipamentos.
Por isso a “praga” da carência de habitação tem sido um dos laboratórios do processo histórico da luta de classes. Por vezes o Estado, forçado pela luta dos trabalhadores, do seu Partido e dos Sindicatos, avança com medidas ditas de “Estado Providência”. Mas, logo que a correlação de forças é favorável ao capital, o Estado descobre-se como mero regulador, ciente das vantagens absolutas dos mecanismos de mercado e da co-responsabilização entre sectores público e privado, engordando este com a transferência de significativas verbas públicas.
O Estado serve, como é óbvio, os interesses da classe dominante. Se no processo da revolução industrial, o objectivo era o da maximização da renda fundiária em favor da burguesia e do capital industrial, hoje, no quadro do capitalismo monopolista de Estado, a habitação torna-se imobiliário e ganha dimensão estratégica para a acumulação de capital, por parte dos grandes grupos financeiros.

2.

É este o quadro de interpretação para a situação vivida no país aquando da Revolução de Abril.
A situação habitacional tinha ainda traços do mundo da revolução industrial, quando se verificou, por parte do proletariado nascente, a sobre ocupação dos bairros medievais (os mais degradados e insalubres), limitando-se o Estado a garantir à burguesia um conjunto de incipientes normas urbanísticas que possibilitaram a construção de “páteos”, “vilas” e “ilhas”.
Foi nestes locais, de elevada densidade de ocupação, em áreas de habitação reduzidíssimas e onde a insalubridade dominava, que se amontoavam as famílias trabalhadoras. No final do século XIX, contavam-se 50.000 habitantes nas “ilhas” do Porto e 30.000 nos “páteos” e “vilas” de Lisboa.
A República burguesa manteve no geral as mesmas políticas. De diferente apenas o facto de, como resposta à luta sindical, ter sido iniciada a construção de três bairros operários (Arco do Cego e Ajuda, em Lisboa e Arrábida, no Porto) concluídos já no regime fascista.
Durante o regime fascista, a posição do Estado face à habitação tornou-se mais complexa. Sendo um Estado totalitário da burguesia era, ao mesmo tempo, e nesta área, sujeito à pressão do exemplo do que se fazia lá fora, em especial no pós 2ª Guerra Mundial. O discurso da preocupação face à insalubridade dos bairros proletários aparecia em consonância com uma Europa que se reconstruía, segundo novos critérios urbanísticos e construtivos. E ao mesmo tempo a substituição desses bairros dava resposta ao medo, face ao perigo de aí ser mais fácil a propagação das ideias revolucionárias.
Nasceu assim um Estado interveniente, num conceito de “casa para pobres” rigidamente vigiadas e onde às autoridades administrativas cabia o direito de proceder ao desalojamento, sempre que os ocupantes se “tornem indignos do direito de ocupação que lhes foi concedido” ( Artigo 12º do Decreto n.º 35106, de 6 de Novembro de 1945). Ou seja o direito à habitação não só não estava garantido, como ainda havia legislação “garantindo” que se podia ser arbitrariamente privado da habitação.
Mobilizando os “corpos administrativos” e Misericórdias e, após 1950, com recursos da Caixa de Previdência, foram produzidos pelo Estado, entre 1940 e 1970, cerca de 59.000 fogos. Nesta data, a promoção de habitação pelo Estado correspondia a 8% do total de habitação produzida, sendo esta uma percentagem muito inferior à verificada no resto da Europa.
Entretanto, em 1966, foi criado o Fundo de Fomento da Habitação a quem coube o lançamento de um significativo conjunto de programas habitacionais com mais de 1.000 fogos cada (os Planos Integrados). No geral vêm a ser concluídos após o 25 de Abril.
Durante os últimos anos do regime, a partir dos anos sessenta, assistiu-se ao agudizar das carências habitacionais em torno das grandes cidades. Para isto contribuiu a política de expansão industrial, oferecendo emprego pouco qualificado às populações de um interior economicamente deprimido e de onde o êxodo rural já havia tido início com a emigração para o estrangeiro.
A este avolumar de carências respondeu o regime com o fechar de olhos ao crescimento dos aglomerados de barracas e dos chamados bairros clandestinos.
Não cabendo nesta intervenção o desenvolvimento do estudo destes “fenómenos”, importa deixar a opinião de que o crescimento de barracas e de clandestinos correspondeu de facto a uma política de habitação. Se assim não fosse, bem diferente teria sido, certamente, a sanha repressiva do regime. Refira-se que as áreas do loteamento ilegal se situaram sempre em zonas que, de momento, não interessavam à especulação imobiliária em crescimento no período marcelista. A especulação “cavalgava” o crescimento “em mancha de óleo” das cidades e os loteamentos ilegais ganhavam o espaço intercalar, muitas vezes áreas de reserva e terrenos sem aptidão urbana (leitos de cheia, grandes declives, solos geologicamente instáveis).
Refira-se a propósito que, pelo menos na Área Metropolitana de Lisboa, os loteadores do clandestino eram, na sua maioria, os mesmos que operavam na urbanização legal. E tendo naturalmente os mesmos parceiros financeiros.

3.

O regime democrático veio a herdar os resultados: em 1970 existiam cerca de 30.000 barracas e a área loteada clandestinamente, sem qualquer infra-estrutura ou equipamento, tinha dimensão tal que permitiria a construção de 450.000 habitações.
Um apontamento apenas sobre a questão dos solos. Se durante as primeiras décadas do regime, no seguimento aliás do procedimento tradicional, a competência de urbanizar foi eminentemente pública este entendimento foi invertido em 1965. Data de então a primeira legislação em que o loteamento urbano foi liberalizado, passando para os privados a competência de adquirir terrenos, infraestruturá-los e negociar os lotes. E apropriar-se das mais-valias.
Teve aqui início um processo imparável de especulação fundiária e de entrega da função de urbanizar ao capital financeiro.
O processo revolucionário, que se seguiu ao 25 de Abril, colocou o problema da carência de habitação na ordem do dia. E, pela primeira vez na história do país, o direito à habitação ganhou a dignidade de imperativo constitucional.
As reivindicações populares, num processo de mudança intensamente vivido e que, apontando o horizonte do socialismo, procurava estabelecer a igualdade e a justiça social, tiveram resposta, mesmo antes da aprovação da Constituição, nas medidas tomadas pelos Governos Provisórios. Destas, importa referir:
• a conclusão dos Planos Integrados e o lançamento de diversos programas de pequena e média dimensão;
• a criação do programa SAAL com o objectivo de proceder ao realojamento dos habitantes das barracas, no local, com inúmeros processos de auto-construção e com grande participação popular;
• a criação dos Contratos de Desenvolvimento para a Habitação que, para além de possibilitarem a construção de fogos de custos e qualidade controlados, permitiram apoiar a indústria da construção civil, vivendo então um complexo processo de ruptura com a anterior dominante “imobiliário/financeira”. E que permitiam ainda intervir ao nível da especulação praticada sobre o solo, ao limitarem o valor destes a uma percentagem de custo final da habitação (controlado).
Ainda neste período o Estado Português, se bem que com apoios internacionais, deu início ao processo de realojamento de cerca de trezentos mil cidadãos nacionais, provenientes das antigas colónias.
Os primeiros Governos Constitucionais prosseguiram, no geral, estas políticas lançando também alguns programas, ainda que incipientes, de renovação urbana e de recuperação de imóveis degradados.
Não obstante o primeiro acordo com o Fundo Monetário Internacional, negociado em 1977 e 1978 por um governo presidido por Mário Soares, haver levado a restrições no investimento público este prosseguiu, no sector da habitação, tendo-se atingido, em 1984, a percentagem máxima de promoção pública habitacional: 17.7%.
Muito embora esta percentagem ainda representasse uma pequena parcela da intervenção estatal necessária, ela era demasiado elevada para os desígnios do capital.
O segundo acordo de negociações com o FMI decorreu em 1983 e 1984, na vigência do Bloco Central (PS/PSD), chefiado por Mário Soares.
As imposições do FMI, obrigando a profundos cortem, no investimento e no consumo, conduziram, no imediato, ao aumento do desemprego e dos problemas sociais. Ao nível do investimento público foram colocadas severas restrições com o objectivo de conseguir “menos Estado”.
Estas restrições traduziram-se, no referente ao sector da habitação, por:
• dirigir quase exclusivamente os apoios e financiamentos públicos ao crescimento da promoção imobiliária e ao desenvolvimento do mercado de aquisição de casa própria;
• extinguir o Fundo de Fomento da Habitação;
• reduzir drasticamente a promoção e apoio aos Contratos de Desenvolvimento para Habitação.
• obrigar as Cooperativas de Habitação Económica a entrar num processo de desvirtuamento dos princípios cooperativos e a abandonar as intenções socializantes.
• alienar o parque habitacional público o mais rapidamente possível, ainda que, de início, apenas àqueles que nele habitavam.
Os anos seguintes ao segundo acordo com o FMI traduziram-se por um quadro social duríssimo:
• aumentou o desemprego, rondando os 9% da população activa (1983);
• viveu-se o flagelo dos salários em atraso, afectando cerca de 100.000 trabalhadores(1984);
• o consumo privado desceu em termos reais, mais de 4% (1983/4);
• e a inflação atingiu números superiores aos 30% (1983).
• alastrou a miséria e degradaram-se, mais ainda, as condições de habitação de muitas famílias trabalhadoras. O flagelo das barracas, cujo número havia diminuído na década anterior, aumentou de novo, em especial na Área Metropolitana de Lisboa.
As directivas deste acordo com o FMI, depois prosseguidas por orientações comunitárias, conduziram a um quadro de investimentos públicos na habitação, completamente afunilado no apoio à aquisição de casa própria.
Assim, por exemplo, entre 1992 e 2002, o Estado investiu:
• 811.000 Milhões de euros, na construção de habitação pública. Foram construídos 40.104 fogos;
• 201.702 Milhões de euros, no apoio à recuperação de fogos. Foram recuperados 23.050 fogos;
• 5.947.750 Milhões de euros, no apoio à aquisição de casa própria (nas bonificações e deduções fiscais). Foi apoiada a aquisição de 1.504.789 fogos.
Ao nível da promoção pública de habitação, o Governo, chefiado por Cavaco Silva, ao mesmo tempo que afirmava não caber ao Estado a responsabilidade pela resolução do problema habitacional, procurou endereçar responsabilidades às autarquias locais. Numa data ainda distante da aprovação da Lei que atribuiu competências, entre outras, na área da habitação (Lei n.º 159/99, de 14 de Setembro), começaram “de facto” estas competências a ser imputadas ao Poder Local.
O Decreto-Lei n.º 226/87, de 3 de Junho, é o primeiro a estabelecer que “a resolução dos problemas de habitação dos agregados familiares de baixos recursos económicos passaria por uma colaboração entre o Estado e as autarquias”.
A colaboração da Administração Central correspondia a subsídio a fundo perdido que poderia ir até 50% do valor da construção. Os restantes 50%, de responsabilidade municipal, eram objecto de financiamento.
Apesar de se tratar de uma competência não atribuída e não obstante os elevados custos para os municípios, houve quem elegesse o problema da habitação como uma das prioridades municipais. Os municípios de Lisboa e Oeiras, assinaram, nos termos desta legislação, diversos acordos de colaboração. E terão começado, também aí, um complexo processo de endividamento.
Seis anos decorridos, com o Decreto-Lei n.º 163/93, de 7 de Maio, e ainda com Cavaco Silva como Primeiro-ministro, nova imposição foi colocada às autarquias: realojar a população residente em barracas, nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. Era assim criado o chamado Programa Especial de Realojamento (PER).
O PER, delimitando o realojamento às famílias que viviam em barracas, afirmava-se essencialmente como um plano de cosmética urbana. Era profundamente injusto para milhares de famílias vivendo em sobre ocupação e em alojamentos degradados.
A ambição imposta às autarquias era significativa: obter solo infra-estruturado e promover, num período de cinco anos, o realojamento de 48.319 famílias, 33.415 na Área Metropolitana de Lisboa e 14.904 na Área Metropolitana do Porto.
O financiamento do programa seria garantido da seguinte forma: 40% de subsídio proveniente da Administração Central, 40% obtido através de endividamento e 20% de esforço imediato do município (percentagens referidas nos valores máximos dos fogos, definidos anualmente em portaria).
Um esforço suplementar era ainda exigido aos municípios: receber todo o património habitacional do Estado e que este ainda não conseguira vender.
Tratava-se de um património degradado, quer ao nível das habitações, quer ao nível de equipamento, infra-estruturas e espaços verdes. Tratava-se igualmente de um património em “deficit” de gestão. Como exemplo desta situação cite-se o sucedido em Setúbal. O município recebeu em 1994, 2.582 fogos do ex IGAPHE. Para além dos fogos e do espaço exterior estarem degradados, os arrendatários eram devedores de cerca de 750.000 euros.
Apesar das insuficiências e injustiças do PER e apesar de se tratar de uma competência imposta ao arrepio da Lei, sem transferência de meios financeiros e forçando a elevado endividamento, os municípios empenharam-se na concretização do programa. Não obstante, confirmou-se o irrealismo do prazo. Em 2001, decorridos oito anos, apenas se havia procedido a 73% dos realojamentos previstos. Hoje assiste-se ao drama social de se continuarem a fazer realojamentos com base, obrigatória, num levantamento de 1993. E continuam a existir 27.319 barracas (dados de 2001).
Nesta lógica, de desresponsabilização do Estado da responsabilidade de garantir o acesso à habitação, a legislação que se seguiu ao PER, procurou alargar as competências dos municípios, primeiro abrindo o programa a todo o país e depois possibilitando a aquisição de fogos devolutos para proceder a realojamentos.
É ainda nesta linha que surge o PROHABITA, criado pelo Decreto-Lei n.º 135/2004, de 3 de Junho. Este programa alarga o universo de situações a merecer o realojamento, possibilita a aquisição de prédios devolutos para reabilitação e posterior realojamento e permite a construção dos equipamentos em falta nos bairros de habitação pública.
Do PROHABITA poder-se-ia afirmar tratar de um razoável programa de habitação, caso a Administração Central assumisse a sua concretização ou transferisse para as autarquias os meios financeiros necessários à mesma. Como isto não é feito a maioria das autarquias não pode aderir ao programa face ao elevadíssimo esforço financeiro que este exige.
Veja-se a este respeito, o exemplo de um dos dois municípios que, em maior escala aderiram ao programa. O município de Coimbra assinou, em 2005, um protocolo visando a recuperação de 332 fogos, a construção de 140 novos fogos e o aluguer, para arrendamento apoiado, de 100 fogos. O investimento global é de 22 milhões de euros. Destes cabem ao município 13.5 milhões, dos quais 8.5 milhões são de endividamento. Acresce que o município é ainda responsável pelo pagamento de cerca de 60% da renda técnica dos fogos.
4.
Este o ponto de chegada deste percurso através das políticas nacionais para o sector da habitação. Nos 37 anos decorridos desde o 25 de Abril, este é um percurso que nos conduz de um Estado Provisor, com um papel directo na oferta de habitação, a um Estado Regulador que defende a privatização do parque habitacional público e passa a parceiros públicos sem meios, as autarquias, ou a parceiros privados e as suas funções.
Quanto ao papel das autarquias e dado viver-se um momento em que tanto se fala de transferências de competências em diversas áreas do Estado Social, seja-me permitida uma reflexão tendo como exemplo o sucedido na área da habitação.
De início tudo eram boas intenções. As competências deviam ser exercidas pelo Poder Local apenas porque estava mais próximo das populações e serviria até melhor. E a muitos autarcas o “poder de dar casas” também se afigurava simpático.
Depois, transferiram-se mais e mais responsabilidades sem meios. As populações deixaram de entender o problema da habitação como um problema do Estado e habituaram-se a procurar nas autarquias a sua resolução. Os eleitos locais passaram a ser penalizados por cumprirem programas limitados ou injustos e por respeitarem leis, duras, de arrendamento apoiado.
Agora, os Governos, este como o anterior, até já se permitem prescindir de uma simples Secretária de Estado da Habitação na sua estrutura orgânica e de procedem a cortes sistemáticos nas verbas, do Orçamento do Estado, destinadas ao Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana.
Neste processo, cabe ao actual Governo, na senda do praticado pelo anterior e na obediência cega aos ditames da troika, terminar com qualquer modelo, estruturado nacionalmente, de política de habitação, voltada para a promoção do Estado.
Às autarquias, sem meios, cabe responder às famílias carentes, deixar estiolar os programas habitacionais, alienar o património habitacional público e correr atrás de parcerias público-privadas, alicerçadas em fundos imobiliários, que venham entregar ao capital financeiro as mais-valias da reabilitação urbana.
E isto num país onde, apesar do excedente de cerca de 550.000 fogos, se continuam a verificar pesadas carências habitacionais, na ordem dos 180.000 fogos, naturalmente destinados a famílias de mais fracos recursos. Num país onde, em nome da reabilitação urbana, as únicas propostas conhecidas se destinam ao aumento das rendas e à simplificação verdadeiramente criminosa dos despejos. Num país onde 240000 famílias perdem a habitação em favor da banca.
Como é óbvio é preciso lutar contra este estado de coisas. É preciso colocar de novo na ordem do dia a luta pelo direito à habitação. É preciso lutar para que o Estado se reposicione como mais e melhor Estado, na defesa e ao serviço daqueles que menos têm e mais precisam.

Lino Paulo
18 de Novembro de 2011